Até segunda-feira eram 172,6 milímetros acumulados no mês, volume superior ao registrado em janeiro, quando choveu 152,2 mm em Campo Grande
Mesmo ainda na metade, este mês em Campo Grande já teve acúmulo de 172,6 milímetros de chuva segundo dados registrados até a segunda-feira. Isto coloca o mês de fevereiro deste ano como o mais chuvoso dos últimos três anos na Capital, e ainda há possibilidade de que ele consiga ultrapassar a marca de mais chuvoso desde 2017.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), até a segunda-feira o acumulado de precipitação em Campo Grande já era semelhante ao esperado para todo este mês, que segundo a média, é de 180 milímetros, e cujo registro era de 172,6 mm.
Esse valor já está próximo ao registrado no mês inteiro de fevereiro de 2023, quando o acumulado chegou a 242,2 mm.
E se a previsão do tempo se confirmar, já que há indicativo de manutenção das chuvas para os próximos dias, há a possibilidade de que este seja um dos fevereiros mais chuvosos dos últimos 10 anos. Até agora esse posto é de 2019, quando o acumulado no período foi de 251,4 mm.
Segundo a meteorologista do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS), Valesca Fernandes, o maior acúmulo de chuvas deste ano em relação aos anos anteriores se dá porque este ano houve a formação de “zonas de convergências de umidade, que contribui com toda chuva”.
“Os modelos indicam mais probabilidade de chuva nas regiões norte, nordeste e noroeste do Estado, com acumulados que podem superar os 80 mm”, explicou a meteorologista sobre os próximos dias.
Apesar de o acúmulo de chuva esperado para os próximos dias não ser tão alto, ainda há probabilidade de chuva com pequenos acumulados para os dias seguintes deste mês na Capital. Para amanhã, há possibilidade de chuva de até 20 milímetros em Campo Grande, segundo indica a previsão.
Conforme o Inmet, na sexta-feira as chuvas devem aumentar em Campo Grande e há, inclusive, a possibilidade de queda de granizo na Capital. O calor, no entanto, continua forte durante toda essa semana, podendo chegar aos 38°C na sexta-feira, mesmo com a chuva.
FENÔMENOS CLIMÁTICOS
Atualmente o clima está sob influência do fenômeno La Niña, que é caracterizado pelo resfriamento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e que na Região Centro-oeste costuma favorecer chuvas mais regulares e volumosas.
No entanto, esse fenômeno deve deixar de atuar em abril, o que pode novamente favorecer no retorno das secas.
Conforme a meteorologista do Cemtec-MS, há previsão de que a partir do segundo semestre deste ano haja o retorno do El Niño, fenômeno responsável pelo aumento considerável nas temperaturas em Mato Grosso do Sul.
“Sobre o El Niño, ele tem um impacto indireto aqui no Estado [em relação às chuvas]. Porém quando ele atua aqui no Estado, ele impacta na temperatura, favorecendo a ocorrência de ondas de calor e temperaturas acima da média. Há uma previsão do possível desenvolvimento do El Niño no trimestre de julho, agosto, setembro”, afirmou Valesca.

Volume de chuva aumentou e já ultrapassou os acumulados de fevereiro dos últimos anos na Capital - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado
Lembrando que nos últimos anos, Mato Grosso do Sul estava sob influência do El Niño, o que resultou em incêndios descontrolados no Pantanal, principalmente em 2024.
*Saiba
Aumento das chuvas também tem colaborado para que haja uma “epidemia” de buracos no asfalto de Campo Grande. Por causa disso, a prefeitura diz que intensificou o serviço de tapa-buraco.
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