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A imparcialidade sob tensão

Quando o chefe do Poder Executivo manifesta, ainda que por intermédio de aliados, mágoa ou decepção com uma decisão proferida por um ministro da Suprema Corte, a reação política revela algo mais profundo do que um simples dissabor

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A recente matéria veiculada pela imprensa nacional dando conta de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria classificado como “traição altíssima” determinada conduta de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) reacendeu um debate que jamais deveria arrefecer.

Não se trata de simpatia ou antipatia por personagens, tampouco de alinhamentos ideológicos. Trata-se da arquitetura constitucional do Estado brasileiro.

Quando o chefe do Poder Executivo manifesta, ainda que por intermédio de aliados, mágoa ou decepção com uma decisão proferida por um ministro da Suprema Corte, a reação política revela algo mais profundo do que um simples dissabor.

Revela a tensão inerente a um modelo institucional no qual a indicação dos ministros do STF é prerrogativa exclusiva do presidente da República, posteriormente submetida à aprovação do Senado.

O sistema brasileiro consagrou, no artigo 101 da Constituição, a escolha de ministros do STF pelo presidente, entre cidadãos com notável saber jurídico e reputação ilibada. Formalmente, o desenho respeita o princípio da separação de poderes.

Materialmente, contudo, abre-se espaço para questionamentos legítimos acerca da independência plena da jurisdição constitucional. A imparcialidade do Judiciário não é apenas um atributo técnico. É pressuposto civilizatório.

Sem ela, a confiança pública se esvai e a autoridade das decisões se enfraquece. O magistrado constitucional não pode ser visto como extensão de projetos políticos nem como devedor de expectativas de quem o indicou.

O problema não reside na divergência entre Executivo e Judiciário. Ela é saudável e inerente ao sistema de freios e contrapesos. O que preocupa é a construção simbólica de uma expectativa de lealdade.

Quando a narrativa pública sugere que determinado ministro teria frustrado o presidente que o indicou, instala-se a perigosa ideia de que haveria uma espécie de vínculo moral, uma dívida implícita decorrente da nomeação.

A Constituição não autoriza dívidas morais entre Poderes. Autoriza responsabilidades institucionais. A independência judicial exige que o ministro, uma vez empossado, rompa qualquer laço subjetivo de gratidão política. Sua única fidelidade deve ser ao texto constitucional e à sua consciência jurídica.

No Brasil, essa nefasta percepção social assume relevância ainda maior. Se o presidente se sente traído por decisão judicial, a mensagem subjacente é preocupante. Sugere-se que a decisão esperada seria diversa. E isso, por si só, compromete a imagem de neutralidade que deve revestir a Suprema Corte.

A interferência indireta, ainda que simbólica, corrói a harmonia e independência dos poderes.

Talvez seja o momento de amadurecer o debate sobre a forma da composição da Suprema Corte. Mandatos fixos, critérios objetivos mais rigorosos, maior participação institucional no processo de escolha são alternativas que merecem reflexão serena.

Não se trata de deslegitimar ministros ou governos, mas de fortalecer o sistema.

Em tempos de acirramento político, o Brasil necessita de um Supremo Tribunal Federal cuja autoridade não seja questionada sob o prisma da gratidão ou da ruptura. A confiança nas instituições é o oxigênio da democracia.

Sem ela, instala-se a suspeita permanente. E uma democracia que vive sob suspeita constante caminha, silenciosamente, para a Unidade de Tratamento Intensivo institucional.

ROTA CEGA

PF desmantela tráfico de drogas e armas em Dourados

Investigação partiu da apreensão de 4,5 toneladas de maconha e de um fuzil, em abril de 2025

13/02/2026 08h05

Imagem de ilustração

Imagem de ilustração Bruno Rezende

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Polícia Federal cumpriu dois mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária, no âmbito da Operação Rota Cega, em Dourados, município localizado a 226 quilômetros de Campo Grande.

O foco é combater o tráfico transnacional de drogas e de tráfico internacional de armas.

A investigação partiu da apreensão de 4,5 toneladas de maconha e de um fuzil, em abril de 2025, em Três Lagoas (MS). Com o aprofundamento da investigação, a PF conseguiu chegar até duas pessoas envolvidas.

Na ocasião, celulares dos investigados foram apreendidos e posteriormente foram periciados e analisados pela Policial Federal.

TRÁFICO DE DROGAS

O tráfico de drogas é um problema crescente no Brasil.

Comércio, transporte e armazenamento de cocaína, maconha, crack, LSD e haxixe são proibidos no território brasileiro, de acordo com a Lei nº 11.343/2006.

Mas, mesmo proibidos, ainda ocorrem em larga escala em Mato Grosso do Sul. O Estado é conhecido como um vasto corredor no Brasil, devido à sua extensa fronteira com outros países. Com isso, é uma das principais rotas utilizadas para a entrada de substâncias ilícitas no país. 

O tráfico resulta em diversos crimes direta e indiretamente, como furto, roubo, receptação e homicídios.

Dados divulgados pela Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) apontam que 20 kg de cocaína e 7.168 kg de maconha foram apreendidos entre 1º e 13 de fevereiro de 2026, em Mato Grosso do Sul

Em 2025, 14.651 quilos de cocaína, 538.750 quilos de maconha e 378 quilos de outras drogas foram apreendidos.

"Cartas Marcadas"

Gaeco cumpre 76 mandados e afasta 5 servidores em 5 municípios de MS

Operação ocorreu em Campo Grande, Corguinho, Rio Negro, Rochedo e Terenos

10/02/2026 11h55

 Gaeco e Batalhão de Choque amanheceram na porta de uma loja de materiais escolares e de escritório, localizado na rua 14 de julho, Vila Glória, em Campo Grande

Gaeco e Batalhão de Choque amanheceram na porta de uma loja de materiais escolares e de escritório, localizado na rua 14 de julho, Vila Glória, em Campo Grande MARCELO VICTOR

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Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriu 76 mandados, na manhã desta terça-feira (10), durante a Operação Cartas Marcadas, em Campo Grande, Corguinho, Rio Negro, Rochedo e Terenos.

Dos 76 mandados, são

  • 46 mandados de busca e apreensão
  • 5 mandados de afastamento de cargos públicos
  • 22 mandados de proibição de contratar com o Poder Público
  • 3 mandados de suspensão de contratos vigentes com o Poder Público

Todos os mandados são expedidos pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).

Em Campo Grande, os mandados são cumpridos em uma loja de materiais escolares e de escritório, localizada na rua 14 de julho, Vila Glória. Policiais militares do Batalhão de Choque e Gaeco amanheceram na porta do estabelecimento e impediram a entrada dos funcionários.

O advogado da loja, Nilton Ribeiro Júnior, confirmou ao Correio do Estado que os policiais e promotores estão cumprindo mandado de busca e apreensão de documentos, mas alegou que não dispõe de mais informações. Disse, também, que este mandado é somente mais um em uma série de decisões judiciais que estão sendo cumpridas em diferentes cidades de Mato Grosso do Sul.

A investigação aponta a existência de uma organização criminosa voltada à prática de crimes contra a Administração Pública, liderada por agentes políticos que atuavam como principais articuladores do esquema criminoso, nas prefeituras de Corguinho e Rio Negro.

A organização criminosa era composta por servidores públicos que forjavam a concorrência de licitações públicas, e, direcionavam os certames à empresas integrantes do esquema.

Nos últimos anos, os contratos somam R$ 9.000.000,00. As licitações corrompidas abrangem:

  • Contratações diretas para aquisição de materiais de expediente, mediante dispensas indevidamente manipuladas
  • Contratação de empresas para a execução de obras públicas, as quais eram iniciadas antes mesmo da formalização contratual

O Ministério Público (MPMS) adquiriu provas por meio do conteúdo extraído de alguns telefones celulares apreendidos, nas Operações Turn Off e Malebolge, que revelaram o modus operandi da organização criminosa. Com isso, foi possível chegar até os agentes políticos que dirigiam o esquema.

Batalhão de Choque (BPMChoque) e Batalhão de Operações Especiais (Bope), da Polícia Militar, apoiaram a ocorrência nesta terça-feira (10).

“Cartas Marcadas”, termo que dá nome à operação, faz referência a um jogo previamente manipulado, em que o desfecho é conhecido antes mesmo do início.

No caso, as contratações sob apuração foram direcionadas de antemão às empresas investigadas, por meio de ajustes espúrios, para conferir aparência de lisura a uma escolha que já estava determinada.

Desde o começo do ano passado, operações do Ministério Público revelaram supostos esquemas de corrupção em Aquidauana, Água Clara, Rochedo, Três Lagoas, Coxim, Sidrolândia, Bonito, Jardim, Terenos, Miranda, Itaporã e Campo Grande.

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