Às vésperas da assinatura do contrato de repactuação do governo federal com a CCR MSVia para manter a empresa na administração da BR-163, a prefeitura de Campo Grande vai insistir na proposta de retirar a rodovia da área urbana e construir um novo anel viário ligando as saídas para São Paulo e Cuiabá por um novo traçado, que seria todo duplicado.
O Tribunal de Contas da União deu na semana passada a palavra final para a renovação do contrato com a CCR. Agora, as autoridades definiram um prazo de 120 dias para que as prefeituras e o governo do estadual definam as prioridades que serão apresentadas ao Ministério dos Transportes e que devem ser incluídas no novo contrato.
Consultada sobre as exigências que a prefeitura da Capital faria sobre o anel viário, a assessoria de comunicação enviou nota informando que a equipe técnica da Planurb apresentou proposta acerca da duplicação da BR-163 em todo perímetro de Campo Grande. Neste sentido, solicitou a realocação do Anel Viário fora do perímetro urbano da Capital, entre outras sugestões.
Conforme a proposta, o novo traçado teria em torno de 38 quilômetros e começaria nas imediações do posto da PRF na saída para São Paulo. Seguiria até a MS-040, próximo ao colégio agrícola, continuaria até BR-262, nas imediações do condomínio Terras do Golfe e retornaria ao traçado atual no local onde foi construído um novo trevo de acesso à parte norte do anel viário da Capital.

Até hoje não existe um projeto oficial sobre essa proposta e o custo que teria a implantação dessa nova rodovia com duas pistas, lembrando que todas as áreas teriam de ser desapropriadas.
E, sobre o anel viário, a administração estadual e a municipal parece que não falam a mesma língua. Ao ser consultada sobre as exigências que o governo estadual apresentaria a respeito deste trecho, a assessoria do secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Hélio Peluffo, informou que governo entende como prioridade a duplicação da 163 nas entradas da cidade e o acesso à MS-040.
Ou seja, ao colocar como prioridade a duplicação das entradas da cidade e as adequações do acesso à MS-040, na região das Moreninhas, a administração estadual deixa claro que não cogita a hipótese de exigir a retirada do anel viário da área urbana da Capital.
NÚMEROS ALARMANTES
Os números relativos a acidentes mostram que do jeito que está, a rodovia não pode ficar. Dos 847 quilômetros da BR-163 entre a divisa com o Paraná e o Mato Grosso, 25 passam pela área urbana de Campo Grande.
Nos oito primeiros meses deste ano, segundo dados da PRF, 47 pessoas morreram em acidentes em toda a BR-163. Nove delas somente entre os quilômetros 466 e 491, que correspondem ao trecho entre as rotatórias na saída para São Paulo e Cuiabá.
Excluindo o anel viário, a PRF contabilizou uma morte a cada 21,7 quilômetros entre janeiro e agosto. Aplicando esta mesma conta somente ao anel viário, foi uma morte a cada 2,7 quilômetros.
O anel viário equivale a apenas 3% da rodovia, mas concentra quase 20% das mortes e a explicação é a mistura do trânsito urbano com o rodoviário. E, além das nove mortes, entre janeiro e agosto a PRF registrou que 23 pessoas sofreram ferimentos considerados graves e outras 67 saíram com lesões leves.
E, ao se analisar o número total de acidentes nos sete primeiros meses do ano (o site da PRF que atualizava os números a cada mês saiu do ar em setembro), naquele período correram 328 acidentes a longo dos 850 quilômetros. Desse total, 64 aconteceram nos 25 quilômetros do anel viário.
Embora todo o anel viário seja considerado um trecho crítico, a parte norte é alarmante. Dos 64 casos, 35 ocorreram em apenas oito quilômetros, entre o KM 480 e 488, nas imediações da Uniderp Agrárias e do acesso ao Jardim Noroeste. Isso significa que quase 11% de todos os acidentes da rodovia acontecem numa extensão inferior a 1% da estrada no Estado.



