O principal acusado de executar o promotor de justiça Marcelo Pecci, em maio de 2022, em uma praia de Cartagena (COL), o narcotraficante Miguel Ángel Insfrán Galeano, conhecido como "Tio Rico", foi denunciado pelo Ministério Público do Paraguai 15 meses após ser preso no Rio de Janeiro (RJ) em uma megaoperação internacional de combate ao tráfico de cocaína, ocorrida em fevereiro do ano passado.
De acordo com informações policiais, o "Tio Rico" é atualmente considerado o maior narcotraficante do Paraguai e também atua na fronteira com Mato Grosso do Sul, utilizando empresas e templos religiosos para lavagem de dinheiro.
Miguel Insfran foi preso em 9 de fevereiro de 2023, quando transportava uma grande quantidade de cocaína com destino à Ásia no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro (RJ). Após a prisão, ele foi transferido para o presídio de segurança máxima em Assunción (PY).
Conforme dados divulgados pelo site Última Hora, os promotores de justiça paraguaios tiveram acesso a documentos que relatam que "Tio Rico" é peça-chave no esquema de envio de grandes cargas de cocaína do Paraguai para a Europa, em sociedade com o uruguaio Sebastián Marset, que segue foragido.
Ainda de acordo com a imprensa local, o promotor de justiça Deny Yoon Pak denuncia Miguel Insfran por narcotráfico, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ele também solicita que o caso seja encaminhado para julgamento público.
Durante o julgamento, Deny Yoon Pak relatou que Miguel Ángel liderava o Clã Insfran, no qual familiares faziam parte de uma sociedade. Um dos seus irmãos, Alberto Insfran Galeano, é pastor e principal líder de uma congregação evangélica, que abrange templos, empresas e propriedades rurais na região de Paranhos (MS).
Tráfico internacional de cocaína
Conforme informações da polícia brasileira, o "Tio Rico" estava transportando grande quantidade de cocaína para Europa, estava pensando em viajar para Ásia e assim, evitar extradição para o Paraguai.
Na época em que foi preso no Rio de Janeiro (RJ), ele buscava alianças com o Comando Vermelho para tornar-se o principal fornecedor de cocaína do país.
Ainda de acordo com informações sigilosas da polícia paraguaia, "Tio Rico" é o principal mandante da execução do promotor paraguaio Marcelo Pecci. Ele foi morto em uma praia na Colômbia, durante sua viagem de lua de mel.
Miguel iniciou sua vida no crime sendo advogado de traficantes e, com o tempo, passou a controlar a maior cadeia de produção de drogas no país.
Com suas empresas funcionando, ele utilizava desse benefício para lavar dinheiro do tráfico e também utiliza igrejas para o mesmo fim. Seu irmão, de acordo com as investigações, é pastor e é considerado foragido.
Com isso, ele tinha objetivos de se tornar o maior fornecedor de drogas do Rio de Janeiro e expandir seus negócios em todo país, se aliando ao Comando Vermelho.
Depois de expandir o esquema criminoso no país, Miguel pretendia deixar o país.
Divulgação/ Última Hora
Suspeito de executar o promotor Marcelo Picci
Miguel Ángel é o principal suspeito de executar o promotor de Justiça Marcelo Pecci, ocorrido em maio de 2022 em uma praia de Cartagena (COL). Marcelo foi morto por pistoleiros quando passava a lua de mel na Praia de Baru, em Cartagena das Índias.
Na época, Picci era um dos coordenadores de uma força-tarefa contra o crime organizado que comandava o Paraguai.
De acordo com o jornal ABC Color, duas pessoas se aproximaram em um jet-ski e, mesmo com a água, abriram fogo contra o promotor. Ele chegou a ser levado ao hospital, mas já chegou lá morto.
A morte do promotor paraguaio caiu como uma bomba seja na política paraguaia e até nas forças de segurança do país vizinho, já que Marcelo Picci era um dos melhores promotores de justiça do país e trabalhou no caso de documentos falsos do Ronaldinho Gaúcho em 7 de março de 2020, quando foi preso ao entrar no Paraguai.
Foto de Marcelo Picci: Reprodução/Ministério Público do Paraguai



