Cidades

VENEZUELA

Prisão de Maduro completa uma semana e venezuelanos dizem que é cedo para voltar ao país

Moradores de Campo Grande, o povo refugiado ainda espera a transição de governo para retornar a terra natal

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No último sábado (3), a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro por parte das tropas dos Estados Unidos movimentou o noticiário internacional. Em Mato Grosso do Sul, o fato surgiu como uma esperança para a população migrante que mora no Estado.

Após este episódio, os membros da Associação de Venezuelanos de Campo Grande se reuniram na Praça do Rádio, no centro da Capital. De acordo com a presidente Mirtha Carpio, o grupo estava celebrando a transição para liberdade do país.

Apesar de ter passado uma semana da prisão de Maduro, o povo ainda resiste em voltar à Venezuela, pois afirmam que este foi apenas o primeiro passo para uma mudança maior, e que os aliados do ditador ainda estão ocupando cargos importantes no país. 

Com a esperança de retornarem um dia para sua terra natal, o povo venezuelano segue vivendo e trabalhando em Campo Grande para garantir uma vida mais tranquila do que aquela que tinham na Venezuela.

Rosa Lourdes Montilla é uma destas pessoas. Em 2018, ela vendeu seu carro para poder sair da Venezuela, pois passava muita fome. Hoje, ela vive na Cidade Morena, onde se mudou com seus três filhos adultos e está há, pelo menos, três anos.  

Rosa Lurdes divide sua rotina entre o trabalho no Consórcio Guaicurus e o estudos de Serviços Socias, na Uniasselvi
Rosa Lourdes divide sua rotina entre o trabalho no Consórcio Guaicurus e o estudos de Serviços Socias, na Uniasselvi / Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Quando emigrou da sua terra natal, seu primeiro destino foi morar no Peru, onde passou cinco anos. Mas, diz preferir o Brasil, devido a receptividade e a semelhança com o povo venezuelano.

A funcionária do Consórcio Guaicurus e estudante de servicos sociais tem a esperança de ver a Venezuela "livre da ditadura". A mulher relata que, embora muitos venezuelanos tenham construído raízes no exterior, ela planeja retornar ao país daqui aproximadamente dois anos, especificamente para cidade de Barinas, onde reside sua família e amigos.

"Estamos em Campo Grande para fugir da ditadura"

Francisco José Mota também se refugiou no Brasil, após deixar o país em 2018, impulsionado pela crise humanitária, falta de comida, emprego, segurança e liberdade. Morando em Campo Grande Campo Grande, ele conta que foi acolhido pela comunidade e hoje mantém dois empregos, promotor de vendas em um supermercado e trabalho de logística para o Mercado Livre, o que possibilitou a estabilidade financeira nos últimos sete anos.

Francisco com sua neta no colo, filha e genro na celebração que reuniu os venezuelanos na Praça do Rádio
Francisco com sua neta no colo, filha e genro na celebração que reuniu os venezuelanos na Praça do Rádio / Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Com imensa gratidão ao povo de Campo Grande, Francisco se mudou para o Brasil junto com sua esposa, filha, neta e genro para fugir da ditadura de Nicolás Maduro.

"Nós estamos hoje aqui em Campo Grande para fugir da mesma ditadura, a gente teve que sair da Venezuela pela situação econômica. Lá não tem liberdade de expressão para você falar, não tem aquela democracia que muitas pessoas falam que a Venezuela tem".

A principal expectativa de Francisco é que a "cúpula" do governo de Maduro, que ainda permanece na Venezuela saia do poder, sem impor condições que permitam a continuidade do sistema atual.

"O primeiro passo foi tirar o ditador, mas ainda estamos esperando por uma nova etapa onde o sistema todo tem que sair de Venezuela, tem que passar o poder para o nosso presidente eleito lá na Venezuela, que está lá fora, esperando só ajeitar o caminho certo para ele voltar e assumir a transição democrática".


 

PRISÃO

Dez anos após matar a esposa, condenado por feminicídio é preso em MS

Homem foi localizado em Bonito e deve cumprir pena de 8 anos e 8 meses

04/03/2026 11h30

A recaptura foi realizada por equipes da Delegacia Regional de Aquidauana, com apoio das Delegacias de Polícia Civil de Bonito e de Guia Lopes da Laguna

A recaptura foi realizada por equipes da Delegacia Regional de Aquidauana, com apoio das Delegacias de Polícia Civil de Bonito e de Guia Lopes da Laguna Divulgação

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Quase dez anos depois de matar a esposa com golpes de facão, em Caracol, a 369 quilômetros de Campo Grande, um homem de 65 anos foi preso nesta terça-feira (4), em Bonito. Condenado por feminicídio, ele estava foragido da Justiça desde 2018, quando foi expedido mandado de recaptura após sentença definitiva.

O crime ocorreu na tarde de 23 de fevereiro de 2016, na rua Baldomero Coenga. À época, a Polícia Militar foi acionada por volta das 16h30 para atender uma ocorrência de briga entre marido e mulher. No local, os policiais encontraram a vítima, de 54 anos, caída no chão e gravemente ferida, enquanto o então suspeito, que na época tinha 55 anos, tentava tirar a própria vida utilizando o mesmo facão usado na agressão.

Os militares conseguiram contê-lo e desarmá-lo. Conforme registrado na ocorrência, o homem admitiu o crime e afirmou que pretendia se matar após atacar a esposa. A mulher recebeu os primeiros socorros até a chegada da ambulância, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital da cidade. O agressor também foi socorrido, permanecendo internado sob escolta policial.

O caso foi investigado pela Polícia Civil e resultou na condenação do réu a 8 anos e 8 meses de reclusão por feminicídio, em processo que tramitou na comarca de Bela Vista. Apesar da sentença definitiva, ele não foi localizado para o início do cumprimento da pena e passou a constar como foragido, com mandado de prisão em aberto desde outubro de 2018.

A recaptura foi realizada por equipes da Delegacia Regional de Aquidauana, com apoio das Delegacias de Polícia Civil de Bonito e de Guia Lopes da Laguna. Após diligências investigativas, os policiais localizaram o condenado no perímetro urbano de Bonito e efetuaram a prisão. Encaminhado à unidade policial, ele permanece à disposição da Justiça para cumprimento da pena.

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Clima

Volume de chuva em fevereiro fica acima da média histórica em MS

Sete municípios registraram 288% do volume previsto para o mês, ultrapassando o dobro do esperado para o período

04/03/2026 11h00

Crédito: Marcelo Victor / Correio do Estado

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Em sete localidades de Mato Grosso do Sul, o volume de chuva passou do dobro do previsto em fevereiro, com índices de precipitação acima da média histórica.

Conforme os pontos de observação do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec/MS), o volume de chuvas em sete municípios ultrapassou o dobro do previsto para o período.

É o caso de São Gabriel do Oeste, onde choveu 665,2 milímetros durante o mês, o que representa 288% acima da média.

Em Campo Grande, Camapuã, Corguinho e Corumbá, a chuva também ultrapassou a média histórica em mais de 100%.

Ao todo, em 36 dos 65 pontos monitorados pelo Cemtec/MS, o que representa 55% do total, o acumulado ficou acima da média histórica. Em outros 29 pontos, a quantidade de chuva não correspondeu ao esperado para o período.

Os menores volumes registrados ocorreram em Paranaíba, no Vale da Celulose, que registrou apenas 29,8 milímetros de precipitação (84% abaixo da média), e em Itaquiraí, na região Sul, com 64,4 milímetros (56% abaixo da média histórica).

Capital

Com cinco pontos de monitoramento, a Cidade Morena registrou o maior volume no mês de fevereiro na estação meteorológica localizada no campus da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), com 404,8 milímetros, o equivalente a 130% acima da média histórica para a cidade (170 milímetros).

  • Nos demais pontos de medição da cidade, os números registrados no mês foram:
  • UPA Aparecida Gonçalves Saraiva, 395,2 milímetros;
  • Jardim Panamá, 360 milímetros;
  • Vila Santa Luzia, 351,4 milímetros;
  • Embrapa, 264,8 milímetros.

Para se ter ideia, em comparação com o mesmo período de 2025, apenas três pontos naquele ano apresentaram chuvas acima da média histórica; neste ano, foram 36.

Os dados apontam que choveu mais em fevereiro de 2026 do que em fevereiro de 2024. No segundo comparativo, 34 pontos de medição ficaram com volumes de precipitação abaixo da média histórica e apenas nove, acima.

Temperatura

Fevereiro apresentou temperaturas elevadas e variabilidade térmica, com diferença de 23°C entre o menor e o maior registro. A maior temperatura, de 39,4°C, foi registrada em Fátima do Sul no dia 18, e a menor, de 16,2°C, em Amambai no dia 27.

Estiagem

Enquanto a chuva trouxe alívio às altas temperaturas, a previsão dos meteorologistas do Cemtec/MS é de que o volume de chuvas no próximo trimestre fique abaixo da média histórica em Mato Grosso do Sul.

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