Júri popular reconheceu feminicídio de Vanessa Eugênio e da filha Sophie, de apenas 10 meses; crime chocou Mato Grosso do Sul pela brutalidade e tentativa de ocultação dos corpos
Após quase um ano do crime, João Augusto Borges foi condenado a 67 anos de prisão pelo assassinato da esposa, Vanessa Eugênio de Medeiros, de 23 anos, e da filha do casal, Sophie Eugênio Borges, de apenas 10 meses. O julgamento ocorreu nesta quarta-feira (27), no Fórum da Capital.
O réu foi sentenciado pelos crimes de feminicídio qualificado, homicídio qualificado contra menor de 14 anos e ocultação de cadáver. As penas foram agravadas pela extrema violência empregada e pela vulnerabilidade da bebê.
Durante o julgamento, familiares das vítimas acompanharam a sessão tomados pela emoção e pela expectativa de justiça. Em frente ao Fórum, a prima de Vanessa, Patrícia Carvalho, relembrou o sofrimento vivido pela família desde o desaparecimento das vítimas até a descoberta do crime.
Segundo ela, após cometer os assassinatos, João tentou convencer parentes e amigos de que Vanessa havia deixado a residência levando a filha do casal.
"Ele inventou uma história e achou que realmente todo mundo ia acreditar nisso", afirmou Patrícia.
A familiar contou ainda que chegou a receber mensagens e áudios enviados pelo acusado perguntando se havia notícias de Vanessa, sustentando a versão de que a jovem teria saído de casa e desaparecido.
"Até eu recebi um áudio dele falando que não sabia dela, porque ela tinha saído e não tinha voltado. Depois realmente veio a verdade do que ele tinha feito", disse.
Patrícia afirmou que a condenação representa um alívio parcial diante da dor enfrentada pela família desde o crime.
"O que a gente quer é justiça e que ele pague realmente pelo que ele fez, porque elas não mereciam isso."
Ela também relatou que o julgamento fez os familiares reviverem o trauma causado pela tragédia.
"Desde ontem já vem aquele sentimento de tristeza. Reviver isso novamente é uma angústia muito grande para a família", declarou.
Defesa alegou insanidade mental
Durante o julgamento, a defesa de João Augusto Borges sustentou que o crime teria ocorrido em um momento de "raiva" e "fúria" após uma discussão entre o casal. Os advogados tentaram afastar a tese de feminicídio, argumentando que o acusado não teria cometido os assassinatos "por elas serem mulheres".
A defesa também levantou a hipótese de doença mental e pediu que o incidente de insanidade fosse considerado antes da análise definitiva do caso pelo júri. Segundo os advogados, o objetivo seria submeter o réu a uma perícia psiquiátrica.
"Se o júri votar que sim nesse caso, João será considerado inimputável e não é isso que queremos. O que nós estamos pedindo é que o incidente de insanidade mental seja considerado para que ele seja julgado, para ele passar pelo perito, fazer o laudo e assim estar preparado para julgar novamente", argumentou a defesa durante a sessão.
Mesmo com os pedidos apresentados pelos advogados, o Conselho de Sentença reconheceu a responsabilidade criminal do acusado e decidiu pela condenação.
Crime chocou Campo Grande
O duplo assassinato aconteceu na tarde do dia 26 de maio de 2025, na região do Indubrasil, em Campo Grande.
De acordo com as investigações, João chamou Vanessa para o quarto da residência sob o pretexto de conversar. No local, a jovem foi morta com um golpe conhecido como "mata-leão". Em seguida, o acusado estrangulou a própria filha, Sophie, que estava sobre a cama.
Após os assassinatos, João saiu para trabalhar normalmente, numa tentativa de manter a rotina e afastar suspeitas.
Horas depois, ele comprou gasolina, colocou os corpos das vítimas em um veículo da família e ateou fogo em uma área localizada na Rua Desembargador Ernesto Borges, tentando ocultar os cadáveres.
O caso teve grande repercussão em Mato Grosso do Sul pela crueldade do crime e pela tentativa do acusado de simular o desaparecimento da esposa e da filha.