Cidades

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Reminiscências II

Reminiscências II

HEITOR FREIRE

28/01/2010 - 22h28
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Este episódio que narro a seguir foi dos mais marcantes da minha vida acadêmica. Este fato aconteceu em março de 1979, na aula magna da Faculdade de Economia, proferida pelo então governador Harry Amorim Costa, no teatro Dom Bosco. Lotadíssimo. Como representante do corpo discente da Faculdade de Direito, fui convidado e ali me fiz presente, sentando-me na primeira fila, em frente ao microfone, atitude que depois me veio a ser bem útil. Ao terminar a aula magna, o padre Arlindo Pereira Lima, diretor da Fucmat, presidindo a solenidade, colocou a palavra livre para perguntas. Como estava na primeira fila, levantei-me logo para ser o primeiro a falar, dirigi-me diretamente ao governador, e disse:” Senhor governador, o presidente Geisel, ao encaminhar a lei complementar que criou o nosso Estado, proporcionou ao nosso povo uma alegria indizível, por atender a um anseio muito antigo da nossa população; mas, ao anunciar o seu nome como nosso primeiro governador, criou uma frustração muito grande, por ser o senhor uma pessoa de fora, que pode e deve ser respeitável por todos os títulos, mas que é totalmente desconhecido da nossa população. O nosso povo não sabe nem pronunciar o seu nome direito. Nós não temos nada contra nossos irmãos que de outras partes vêm conosco trabalhar para o desenvolvimento do nosso Estado. São todos muito bem-vindos, mas venham, primeiro, comer conosco um saco de sal, para depois, então, conhecendo nossa gente, nossos anseios, nossos problemas, pretender governar-nos. Na montagem do seu Governo, verificamos que o seu secretariado é composto também por gente de fora, pergunto-lhe então: "O senhor não confia em nossa capacidade e em nossa gente, ou o senhor acha que não temos competência?" Nesse momento, fui efusivamente aplaudido. A seguir, convidei-o para participar de uma mesa redonda com os universitários, para que pudéssemos avaliar o seu programa de Governo, no que ele imediatamente concordou. Então, aí foi o grande erro, insisti com ele para marcar naquele momento uma data e ele alegou que teria que consultar sua agenda, e eu voltei a insistir. Aí recebi uma vaia ensurdecedora, daquelas de tirar qualquer cidadão do prumo. Como a minha cadeira estava a apenas dois passos do local onde me encontrava, pude dirigir-me sem maiores tropeços àquele local, embora totalmente fora de esquadro. Este é, então, o terceiro fato de destaque na minha vida universitária. Agora, por uma questão de justiça, devo dizer que o dr. Harry foi o único governador, de todos os que já administraram o nosso Estado, que tinha um programa de Governo. Além disso, o Diário Oficial publicava diariamente o valor do saldo de caixa do tesouro. Coisa nunca mais vista por aqui. Conversando outro dia com o dr. João Pereira da Rosa, este me dizia que, como assessor próximo do dr. Harry, contatava os prefeitos para alocação e pagamento das verbas administrativas, e que estes, quando chegavam ao seu gabinete e recebiam o cheque correspondente, ficavam muito surpresos e alegres, dizendo inclusive que não acreditavam, porque era a primeira vez que, chamados por um governador, voltavam de bolsos cheios. Prática que continuou por todo o seu breve governo. Ao ser demitido, o dr. Harry teve a dignidade de permanecer em nosso Estado, demonstrando, assim, de forma inequívoca, o seu amor pela nossa terra. Posteriormente, o dr. Harry teve frustrada a sua pretensão de ser candidato a prefeito de Campo Grande, por tramoias políticas, quando poderia legitimamente postular essa candidatura, pois já havia comido conosco quase um saco de sal. A seguir foi eleito deputado federal. Quando secretário de Meio Ambiente, veio a falecer em um acidente automobilístico. Uma grande perda.

UEMS

Universidade divulga lista de inscritos no PROUEMS

Ensino Público Estadual tem programa para ingressar à 25 cursos de graduação que exige apenas o histórico escolar do ensino médio

16/03/2026 12h30

Foto: Valdenir Rezende/Correio do Estado

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A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) divulgou nesta segunda-feira, a lista de inscritos no Processo Seletivo por histórico escolar, o Prouems 2026. Com início ainda neste ano letivo, os novos estudantes preenchem as vagas remanescentes e de cadastro reserva.

Por meio do Diário Oficial do Estado (DOE), o edital lista as inscrições deferidas no Anexo II, e indeferidas no Anexo III.

No Anexo I, o documento disponibiliza um formulário de recurso para aqueles que não concordarem com o resultado de deferimento e indeferimento. O recurso deverá ser preenchido de hoje até amanhã às 23h59min e enviado no e-mail [email protected], no formato de PDF.

A Universidade ofertou por meio do programa 355 vagas em variados cursos de graduação nos 11 municípios que têm unidades, sendo em: Aquidauana, Campo Grande (unidades Moreninhas e Santo Amaro), Cassilândia, Dourados, Ivinhema, Jardim, Maracaju, Mundo Novo, Naviraí, Paranaíba e, por fim, Ponta Porã.

PROUEMS

Destinado para aqueles que já concluíram o ensino médio, ou cursos equivalentes, que comprovem a conclusão da etapa escolar até a data prevista de matrícula, o programa seleciona a partir das notas da escola para quem deseja ingressar à Universidade.

Na efetivação da matrícula será obrigatória a apresentação do certificado de conclusão e outros documentos exigidos em edital específico de convocação.

Confira os cursos ofertados: Administração Pública; Ciências Biológicas; Ciências Contábeis; Ciências Econômicas; Ciências Sociais; Dança; Engenharia Ambiental e Sanitária; Engenharia de Alimentos; Engenharia Física; Engenharia Florestal; Física; Geografia; História; Letras com habilitação em Português/Espanhol; Letras com habilitação em Português/Inglês; Matemática; Pedagogia; Química; Química Industrial; Química Tecnológica e Agroquímica; Sistemas de Informação; Teatro; Tecnologia em Gestão Ambiental; Tecnologia em Produção Sucroalcooleira; Turismo.

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R$ 407 milhões

Com queda de 32% no lucro, Energisa recebe último aval para mais 30 anos em MS

Parecer do Tribunal de Contas da União permite que a concessionária renove o contrato para se manter em 74 dos 79 municípios de MS

16/03/2026 12h20

Balanço relativo a 2025 revela que a Energisa obteve lucro líquido de R$ 407 milhões, o que equivale a R$ 1,1 milhão por dia

Balanço relativo a 2025 revela que a Energisa obteve lucro líquido de R$ 407 milhões, o que equivale a R$ 1,1 milhão por dia

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Ao mesmo tempo em que reportou queda de 32,6% no lucro líquido, a Energisa recebeu, na semana passada, do Tribunal de Contas da União (TCU), o último aval que ainda faltava para que renove por mais 30 anos o contrato de concessão para exploração do serviço de distribuição de energia em 74 dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul. Agora, só falta a assinatura do novo contrato com o Ministério das Minas e Energia. 

O aval foi concedido na quarta-feira (11) e no dia seguinte a concessionária divulgou em seu site o balanço financeiro relativo a 2025 revelando a queda no lucro no ano passado na comparação com o ano anterior, passando de R$ 603,7 milhões para R$ 407 milhões. Apesar da queda, o saldo é de R$ 1,1 milhão por dia.

Uma  das explicações para este recuo significativo foi a queda no consumo, o que foi resultado da expansão dos sistemas de energia solar e da queda  nas temperaturas, explica a empresa. 

"A maioria das classes teve recuo do consumo, sobretudo a classe comercial (-7,2%), seguida pela residencial (2,5%), principalmente pelas temperaturas mais amenas, e rural (-7,3%)", diz trecho do balanço anual.

Além disso, o lucro líquido sofreu impacto por conta da devolução de R$ 66,7 milhões relativos à devolução de PIS/COFINS cobrado indevidamente em anos aneriores. 

Porém, se forem levados em consideração os números totais, o faturamento da concessionária teve aumento da ordem de 5,2%. A receita operacional líquida passou de R$ 4,52 bilhões em 2024 para R$ 4,75 bilhões no ano seguinte. 

Além disso, a concessionária teve aumento no número de consumidores. "A Companhia encerrou o período com 1.171.193 unidades consumidoras cativas, número 1,6% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, e com 1.137 consumidores livres,  apresentando um crescimento de 46,5%", diz nota da empresa. 

CONCESSÃO

O serviço de distribuição de Energia está nas mãos da iniciativa privada desde o dia 4 de dezembro de 1997, quando o Governo do Estado vendeu a Enersul e recebe a bolada de R$ 625,55 milhões. 

Para efeito de comparação, em 1997 a empresa que venceu o leilão, a Escelsa (Espírito Santo Centrais Elétricas), desembolsou o equivalente a 570 milhões de dólares. Pela cotação de hoje, seriam em torno de R$ 2,8 bilhões de reais para explorar o serviço por 30 anos.

Naquela época, apenas 40% da Enersul ainda pertenciam ao governo de Mato Grosso do Sul, que mesmo assim foi obrigado a destinar boa parte de sua parcela ao pagamento de dívidas com a União. Cerca de R$ 100 milhões ficaram nos cofres do governo estadual. O restante das ações já estavam nas mãos da Eletrobrás. 

Depois da venda inicial, a Enersul trocou de mãos algumas vezes, mas desde então os consumidores daqui pagam na conta de energia todos os investimentos que a concessionária faz em redes de transmissão ou em subestações. Isso significa, segundo  Rosimeire da Costa, presidente do conselho de consumidores, que toda a estrutura  pertence à população de Mato Grosso do Sul. 

Agora, porém, a concessão será renovada sem a exigência de pagamento, já que concessionária ainda tem créditos relativos a investimentos já realizados se compromete a continuar investindo. 

Segundo Rosimeire da Costa, antes da assinatura do contrato a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ainda deve realizar uma audiência pública para confirma que a Energisa está cumprindo todas as exigências legais para que possa renovar o contrato.

Uma das principais alteração do novo contrato é que o índice de correção da tarifa deixa de ser o IGPM e passa a ser o ICPA, que normalmente é mais vantajoso para o consumidor. Entre os anos 2017 e 2022, o IGPM acumulado foi de 61,21%. No mesmo período, os preços corrigidos pelo IPCA subiram apenas 28,42%. 

Nos últimos 12 meses, porém, a situação se inverteu. Agora, o IGPM está negativo, em 2,6%. O IPCA, por sua vez, é de 3,8%. E é este índice  negativo que será levado em consieração para a próxima correção das tarifas praticadas pela Energisa em Mato Grosso do Sul. A nova tafira vigora a partir do próximo dia 8 de abril. Em abril de 2025, o reajuste médio foi de 1,33%. 

No início do processo de renovação a Aneel informou que a meta era assinar o contrato pelo menos dois anos antes do vencimento do atual (3 de dezembro de 2027). Porém, até agora isso não ocorreu. 

O Correio do Estado procurou a Energisa em busca de informações sobre a provável data em que deve ocorrer a renovação oficial da concessão. Até a publicação da reportagem, porém, não havia obtido retorno. 

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