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BALANÇO

Saúde financeira da Santa Casa de Campo Grande está em estado grave

Dívida do hospital disparou e margem para novos investimentos despencou nos últimos anos
30/09/2020 11:00 - Eduardo Miranda


A julgar pelo balanço da Santa Casa de Campo Grande, maior hospital de Mato Grosso do Sul, a instituição pode estar caminhando para a insolvência. Enquanto o dinheiro disponível (não comprometido por dívidas e outras obrigações) está cada vez menor, o endividamento do hospital disparou no mesmo período.

O balanço demonstra que sob a gestão do ex-presidente Esacheu Nascimento (ele deixou a instituição em março deste ano), a Santa Casa conseguiu dobrar o deficit (fundações não têm prejuízo, mas é basicamente a mesma coisa) de R$ 37,5 milhões em 2018 para R$ 62,6 milhões em dezembro do ano passado.

O mesmo documento mostra que desde 2013, quando a Santa Casa deixou de ser administrada pela Prefeitura de Campo Grande – na época sob intervenção –, a liquidez geral do hospital só caiu: era 0,52 em 2013 e despencou para o índice 0,22 no ano passado. 

“Esse indicador revela a liquidez, tanto a curto como a longo prazo. De cada R$1 que a empresa tem de dívida, o quanto existe de direitos e haveres no circulante e no realizável a longo prazo”, explicam os contadores da Aupercom, empresa contratada pelo hospital para fazer o balanço.  

Quanto ao endividamento, em 2013 ele tinha o nível 1,92, e em 2019, com Esacheu na presidência, foi para 4,49. “Este quociente calcula se uma empresa é muito ou pouco endividada, ou seja, se usa muito ou pouco capital de terceiros onerosos. Quanto menor o porcentual, melhor”, explicam os contadores autores do balanço.

RECEITAS

No mesmo exercício, enquanto as receitas subiram apenas 4% em relação a 2018, as despesas tiveram um acréscimo de 10%. Em 2018, o hospital recebeu R$ 344,9 milhões em recursos, e no ano passado, R$ 359,3 milhões.

O aumento na prestação de serviços de média complexidade (+35%) ajudou no – ainda que tímido – aumento das receitas. Em outros setores, a receita caiu: convênios (-10%), atendimentos particulares (-5%), produção de alta complexidade (-3%) e incentivos do Sistema Único de Saúde (SUS) (-3%).