Cidades

VACINA DA DENGUE

Saúde redistribui vacinas com base no número absoluto de casos de dengue

Até a última sexta-feira (29), Campo Grande sinalizou o remanejamento de cerca de 10 mil doses da vacina

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A redistribuição de vacinas da dengue se baseia no número absoluto de casos de dengue nos municípios, que são monitorados de 2023 a 2024.

O critério para distribuição das doses entre os municípios não considera nem a incidência -casos por 100 mil- nem o número de internações. Outros critérios considerados na escolha são o tamanho da cidade (com população maior ou igual a 100 mil habitantes), a alta transmissão de dengue nos últimos dez anos e predominância do sorotipo 2 do vírus.

A recomendação do Ministério da Saúde foi publicada em nota técnica na última quinta-feira (28).

A informação é contrária ao que havia sido afirmado pela ministra da Saúde, Nísia Trindade, durante entrevista coletiva no último dia 20 de março. A dirigente da pasta havia dito que a redistribuição das doses não aplicadas aconteceria com base no ranqueamento de municípios em situação de emergência por dengue.

Segundo a pasta, ainda não foi possível incluir, neste momento, todos os municípios em situação de emergência para a redistribuição, uma vez que a quantidade de doses está limitada à capacidade operacional e logística do laboratório produtor.

A pasta definiu que, além dos 521 municípios inicialmente selecionados, mais 165 seriam contemplados na estratégia de ampliação da vacinação, totalizando 686 cidades. O público-alvo permanece crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos. Em São Paulo, 50 cidades do estado foram contempladas com a redistribuição proposta pelo órgão federal, incluindo a capital.

A operacionalização de redistribuição e a escolha do público-alvo a receber a vacina não é fácil, diz o imunologista Renato Kfouri. Segundo ele, o entendimento é que a melhor faixa de idade para vacinação seria entre os 6 e os 16 anos, uma vez que há uma taxa de hospitalização maior nessas idades.

"Tem uns 150 milhões de brasileiros candidatos a receber vacinas e apenas 3 milhões de doses para escolher quem vacinar. Claro que qualquer regra vai deixar alguém que precisa da vacina de fora. Também não é uma engenharia fácil escolher os municípios", diz Kfouri.

O médico pontua que a situação é diferente da pandemia da Covid, quando era possível fazer uma campanha nacional de vacinação. A vacina Qdenga, por exemplo, não é elegível para idosos ou para crianças abaixo de 4 anos.

"Eleger e estabelecer o critério é útil, talvez não para fazer a decisão mais justa, mas para justificar o porquê das decisões", acrescenta.

**Veja a seguir perguntas e respostas para entender a redistribuição de vacinas.**

POR QUE REDISTRIBUIR?

A redistribuição foi uma decisão tomada pelo Ministério após a baixa adesão à vacinação, uma vez que há lotes da vacina que começam a vencer a partir do dia 30 de abril.

De acordo com o governo federal, há 668 mil doses próximas do vencimento em 30 de abril; outras 523 mil perderão a validade em junho e 84 mil, em julho.

OS MUNICÍPIOS QUE CEDEREM DOSES TERÃO REPOSIÇÃO?

As doses serão redistribuídas em caráter de empréstimo, ou seja, haverá reposição por parte do Ministério da Saúde, conforme o cronograma de entrega do laboratório. O quantitativo de doses a ser disponibilizado deve ser uma decisão dos municípios.

Até a última sexta-feira (29), três locais já sinalizaram ao Ministério o remanejamento interno de 33.360 doses: a região de saúde de Brasília (11.720), no Distrito Federal, a do Alto Tietê (11.640), em São Paulo, e Campo Grande (10 mil), no Mato Grosso do Sul.

COMO SERÁ FEITA A LOGÍSTICA DO REMANEJAMENTO?

Após a sugestão do Ministério da lista de municípios que devem receber as doses, conforme nota técnica, os cedentes definem o quantitativo a ser disponibilizado e informam à Saúde a quantidade para a posterior reposição.

A logística, então, deve ser organizada a nível local, entre as secretarias municipais e estaduais envolvidas, segundo o Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde).

O governo federal, no entanto, dá recomendações de transporte e armazenamento, como a equipagem de dispositivos necessários para o controle e monitoramento da temperatura das vacinas, que deve se situar entre 2°C e 8°C.

É recomendado o uso de registrador eletrônico que permita a extração de relatórios, e, além de uma fonte primária de energia elétrica, uma fonte alternativa capaz de efetuar o suprimento imediato de energia, no caso de falhas da primária.

O transporte requer ainda o uso de caixas térmicas especialmente designadas para a conservação de vacinas, possuindo qualificação térmica que assegura homogeneidade térmica interna.

CORRE O RISCO DE ALGUÉM FICAR SEM A SEGUNDA DOSE?

O Ministério da Saúde afirma que garantirá a segunda dose para aqueles indivíduos que receberam a primeira dose do remanejamento. A primeira dose deverá estar devidamente registrada na RNDS (Rede Nacional de Dados em Saúde).

Segundo a pasta, as doses destinadas para aplicação da segunda dose serão enviadas depois, considerando o intervalo recomendado de 3 meses para completar o esquema da vacinação.

O QUE ACONTECE SE ALGUM MUNICÍPIO NEGAR AS DOSES?

Nesse caso, o destino das doses restantes deve também ser definido localmente, em comissão bipartite.

Dança das cadeiras

Com mudança de última hora, Heitor Freire assume presidência da Santa Casa nesta quarta-feira

Imbróglio derruba a nomeação de Luiz Alberto Hiroki Kanamura, nome que seria oficializado como o novo presidente da instituição

22/09/2026 17h15

Foto: Divulgação

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Membro do Conselho de Administração da Santa Casa, Heitor Rodrigues Freire será nomeado o novo presidente da Santa Casa de Campo Grande nesta quarta-feira (23), imbróglio que em 24h derruba a nomeação de Luiz Alberto Hiroki Kanamura, nome que seria oficializado como o novo presidente da instituição.  

O novo mandatário retorna à presidência, cargo que deixou em janeiro de 2023 justamente para dar lugar à Alir Terra, presa no último dia 11, apontada como uma das líderes do esquema que apura desvios de quase R$ 5 milhões do hospital. 

Apesar da mudança interna, a cerimônia de oficialização dos novos gestores do hospital segue mantida. Conforme apurado pelo Correio do Estado, Luiz Kanamura seguirá como superintendente de Gestão Médico-Hospitalar, contudo será subordinado à Heitor Freire, que assumirá a presidência do hospital. 

"O cargo de presidente não possui remuneração, como ele [Heitor Freire] é um associado, assumirá a presidência. Com isso Kanamura será mantido como o superintendente-geral e será subordinado à presidência", declarou uma pessoa de dentro do hospital. 

Vice-presidente da instituição, Heitor Miguel Scheibeler ocupava a linha de frente de administração após a deflagração da Operação Antidotum no último dia 11, ação para investigar supostas fraudes milionárias em contratos da entidade. 

Presidente da Santa Casa de Campo Grande desde janeiro de 2023, Alir Terra Lima e outra cinco pessoas foram presas durante a operação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). 

Além dela, foram presos: Rinaldo Hakme Romano (Diretor financeiro do hospital); Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa (Diretor financeiro adjunto); Alessandro Dias Junqueira (Diretor administrativo); 
Monique Gregório de Oliveira (Supervisora do setor de prontuário) e Maurício Aparecido Benites (empresário investigado no esquema). 

No curso da investigação também foram identificadas irregularidades em contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde – empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande – com diversas empresas do mesmo grupo econômico, Duarte & Cruz.

Essas empresas, cujo proprietário, Paulo Duarte da Cruz, tinha ligações com a diretoria da Santa Casa, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, encontrava-se desocupado.

Conforme o MPMS, somente no ano de 2025, a operadora pagou aproximadamente R$ 9,6 milhões para essas empresas, e gerou um prejuízo, no mínimo, segundo apurado até o momento, de R$ 3,5 milhões à entidade.
 

Atualizado às 17h40 para acréscimo de informações 

 

Passagem Secreta

Geladeira escondia passagem secreta para desmanche de motos em Campo Grande

Polícia Civil encontrou centenas de peças e motores no imóvel ligado à residência do empresário; três pessoas foram presas durante operação da Defurv, que investiga esquema de receptação, desmanche e revenda de peças de motocicletas roubadas.

22/09/2026 16h58

Viatura da Defurv acompanha retirada de peças apreendidas durante operação contra desmanche de motocicletas em Campo Grande.

Viatura da Defurv acompanha retirada de peças apreendidas durante operação contra desmanche de motocicletas em Campo Grande. Foto: Divulgação.

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Uma estrutura improvisada para esconder a ligação entre dois imóveis chamou a atenção da Polícia Civil durante uma operação contra a receptação e o desmanche de motocicletas em Campo Grande. Atrás de uma geladeira, investigadores encontraram uma passagem que conectava a residência do empresário Phellipe Rodrigues a uma casa vizinha onde, segundo a investigação, funcionava um desmanche.

Além da residência onde foi descoberta a passagem escondida e do imóvel vizinho apontado como local de desmanche, os investigadores realizaram buscas na oficina de motocicletas Moto Forte 67, localizada na Avenida Gury Marques, em Campo Grande.

A descoberta ocorreu nesta terça-feira (22), durante uma ação da Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv). O acesso permitia a circulação entre os imóveis sem a necessidade de utilizar as entradas voltadas para a rua.

Imagens registradas durante a operação mostram policiais afastando a geladeira e revelando a abertura na parede. Do outro lado ficava o imóvel onde os investigadores localizaram grande quantidade de componentes de motocicletas.

No espaço, foram encontradas centenas de peças e motores. De acordo com o delegado Francis Freire, dezenas desses itens já foram identificados como pertencentes a motocicletas furtadas ou roubadas.

Viatura da Defurv acompanha retirada de peças apreendidas durante operação contra desmanche de motocicletas em Campo Grande.Geladeira escondia passagem entre a residência do empresário e imóvel apontado pela polícia como local de desmanche. Foto: Reprodução/Policia Civil.

A análise, entretanto, ainda não foi concluída. A polícia trabalha agora para verificar a procedência do restante do material apreendido e identificar outros veículos que eventualmente tenham sido desmontados no local.

Além das peças e motores, os policiais apreenderam uma pistola de uso permitido. Conforme a investigação, a arma pertenceria ao empresário.

Três pessoas presas

Phellipe Rodrigues, a esposa dele e um funcionário foram presos em flagrante durante a operação. Segundo a Defurv, os três já eram investigados por suspeita de participação em um esquema envolvendo receptação, desmontagem de motocicletas e posterior revenda das peças.

Eles foram autuados por receptação qualificada e adulteração de sinal identificador de veículo automotor.

O empresário e o funcionário já haviam sido presos anteriormente pela Defurv pelos crimes de receptação e adulteração de sinal identificador de veículo automotor, mas estavam em liberdade.

Desde o início do ano, a delegacia investiga o destino de peças retiradas de motocicletas roubadas em Campo Grande.

Segundo a investigação, a oficina de Phellipe teria ligação com alguns dos principais pontos de comercialização desse tipo de material, que seria destinado tanto ao mercado interno quanto ao externo.

A polícia ainda apura para onde eram encaminhadas as peças encontradas durante a operação e se outras pessoas participavam do esquema.

A ação desta terça-feira envolveu o cumprimento de três mandados de busca e apreensão em endereços relacionados ao empresário.

A descoberta da passagem entre os dois imóveis passou a integrar os elementos reunidos pela investigação. A Polícia Civil também continua o trabalho de identificação das peças apreendidas para determinar a origem de todo o material encontrado e verificar a dimensão do esquema investigado.

 

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