Cidades

Reclamação

Servidores do Detran-MS ameaçam entrar em greve

Funcionários fizeram paralisação ontem, antes de entrarem de folga, e realizam assembleia no dia 6 para definir se vão parar por tempo indeterminado

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Os servidores do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS) fizeram ontem uma paralisação de 24 horas para reclamar da falta de concurso e da defasagem salarial. A paralisação afetou os exames práticos para tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), mas pode ser ainda maior a partir de segunda-feira, já que a categoria votará se fará greve geral. A manifestação acontece seis meses antes das eleições.

De acordo com Sindicato dos Servidores do Detran-MS (Sindetran-MS), metade dos servidores não foi trabalhar ontem em protesto por demandas da categoria não atendidas. 

Os servidores alegaram sete motivos para a paralisação de ontem e para uma possível greve a partir de segunda-feira: reestruturação da carreira; reconhecimento da carreira como segurança viária; reconhecimento de todos os servidores como agentes de trânsito; valorização salarial; oito promoções atrasadas; direito pelo tempo de serviço perdido durante a pandemia; e concurso público.

Ainda segundo o sindicato, a categoria não tem um concurso público há mais de 10 anos, por causa disso, eles reclamam de sobrecarga de trabalho e também do que eles chamaram de terceirização de algumas atividades.

“A decisão foi tomada diante da ausência de avanços nas negociações com o governo do Estado e do acúmulo de demandas não atendidas ao longo dos últimos anos, como defasagem salarial, sobrecarga de trabalho, falta de estrutura e ausência de concurso público”, disse Bruno Alves, presidente da Federação Nacional dos Servidores de Detrans e Agentes de Trânsito Estaduais, Municipais e do Distrito Federal (Fetran) e do Sindetran-MS, em nota. 

De acordo com o Detran-MS, a paralisação de ontem afetou principalmente os exames práticos para obtenção da CNH. Foi necessário remarcar mais de 400 exames em todo o Estado.

“O Detran-MS informa que todas as agências permanecem abertas e com atendimento ao público. Todavia, ressalta que, com a adesão de parte de servidores efetivos a uma paralisação, cerca de 440 exames práticos de CNH tiveram que ser reagendados e já estão sendo tomadas todas as medidas necessárias para minimizar eventuais prejuízos à população”, informou o órgão, por meio de nota.

Como a partir de hoje o governo do Estado decretou ponto facultativo e as agências do Detran-MS já não funcionariam, a partir de segunda-feira, os servidores vão decidir se os servidores continuarão paralisados. 

Ontem, o Sindetran-MS estima que metade dos servidores não tenham comparecido ao trabalho, mas, caso a greve seja aprovada, esse número será muito maior a partir da próxima semana.

“Na segunda-feira, faremos uma assembleia pela manhã, para deliberarmos sobre a greve por tempo indeterminado”, afirmou Bruno Alves ao Correio do Estado.

ESTADO DE GREVE

A paralisação de ontem faz parte de um estado de greve que havia sido aprovado na semana passada pelos servidores do Detran-MS em votação unânime.

A medida foi um alerta, segundo o sindicato, para o que pode acontecer na próxima semana, caso não haja avanço nas negociações com o governo do Estado.

“Não por escolha, mas por necessidade. Por dignidade. Por respeito. O movimento busca dar visibilidade à realidade enfrentada pelos servidores, pais e mães de família, agentes de trânsito e profissionais que atuam diretamente na segurança viária, sob condições inadequadas e com impactos à saúde física e mental”, afirmou o presidente do Sindetran-MS, na semana passada.

DIGITALIZAÇÃO

Uma das reclamações feitas pelos servidores é a digitalização dos serviços do Detran-MS, um motivo de orgulho para a administração da entidade. 

De acordo com o Sindetran-MS, o processo vem sendo feito “sem a segurança necessária, o que teria facilitado fraudes e o uso indevido do nome do Detran-MS”. Servidores também relatam falhas frequentes nos sistemas.

No entanto, a diretoria do Detran-MS vê a digitalização com muito entusiasmo. Em nota enviada à reportagem sobre a paralisação de ontem, esse foi um dos pontos destacados para mostrar que os usuários não ficariam desassistidos com a falta dos servidores.

“Referência nacional na digitalização dos serviços, o Detran de Mato Grosso do Sul destaca que os canais digitais estão à inteira disposição da sociedade. São eles: Portal de serviços – www.meudetran.ms.gov.br; aplicativo Meu Detran MS (Disponível na PlayStore e na Apple Store); Glória – assistente virtual do Detran – WhatsApp: (67) 3368-0500”, divulgou o Detran-MS, em nota ao Correio do Estado.

* SAIBA

Apesar de a paralisação ter ocorrido apenas nesta quarta-feira, o governo de Mato Grosso do Sul decretou ponto facultativo hoje e, considerando que amanhã é feriado e no sábado e domingo o Detran-MS não funciona, os servidores conseguiram cinco dias de folga consecutivos.

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Construções

Decreto restringe torres ao redor do Parque do Prosa

Regulamentação da zona de amortecimento pelo governo do Estado determinou divisão da região em três setores, cada um contendo restrições específicas

02/04/2026 08h10

Gerson Oliveira

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O governo do Estado pôs fim ao debate das construções em torno do Parque Estadual do Prosa ao regulamentar a zona de amortecimento da região, dividindo a localização em três setores com regras específicas e determinações que restringem prédios maiores do que 15 metros, o que corresponde a um prédio de apenas de cinco andares, aproximadamente.

Ontem, o Estado regulamentou a chamada Zona de Amortecimento do Parque Estadual do Prosa, considerada estratégica para conter os impactos do avanço urbano sobre uma das principais áreas verdes de Campo Grande e que foi alvo de muitos debates durante o ano passado, incluindo ofensivas do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

Na prática, a zona de amortecimento funciona como uma faixa de transição entre o parque e a cidade. Ela não impede a ocupação, mas estabelece regras para garantir que o crescimento urbano não comprometa nascentes, fauna, vegetação e a qualidade ambiental da região.

Os empreendimentos que desejam ser inseridos na área da zona de amortecimento indicada no decreto deverão possuir a devida autorização e a documentação necessária para instalar a operação no local, que por sua vez só serão emitidos por meio do Município de Campo Grande sob anuência do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul).
Uma das principais novidades deste decreto é a divisão desta zona em três setores, que totaliza 904,5 hectares de proteção,

desses, 135 hectares do Parque do Prosa e cerca de 769,5 hectares do entorno.

Com área de 472,3 hectares, o primeiro setor abrange o anel mais periférico da Zona de Amortecimento, com as porções mais distantes, em relação à área do Parque Estadual do Prosa, nas regiões Noroeste, Norte, Nordeste, Leste, Sudeste, Sul e Sudoeste. Nesta área não há restrições específicas estabelecidas.

O segundo setor compreende a área do Complexo dos Poderes, com um total de 240,8 hectares. Conforme definido no novo decreto, o licenciamento ambiental relativo à supressão vegetal neste setor é exclusivo do Imasul.

Além disso, “as lixeiras instaladas no entorno do Parque Estadual do Prosa e dentro de todo o Complexo dos Poderes deverão ser projetadas de forma que os animais não possam acessar seu conteúdo” e “o limite de poluição sonora cumulativa permitida é de 55 decibéis, podendo ser concedida autorização especial, condicionada, para eventos, mediante autorização prévia”.

O último setor compreende as áreas Sul, Sudeste, Sudoeste e a porção Centro-Leste da Zona de Amortecimento adjacente do Parque Estadual do Prosa, este com área de 56,6 hectares. Para esta área, a competência para o licenciamento ambiental relativo à supressão vegetal é do Município, devendo ser dada ciência ao Imasul.

Sobre as restrições deste último setor, as determinações sobre as lixeiras e a poluição sonora seguem a mesma definição daquelas descritas para o setor 2. Porém, há restrições exclusivas para empreendimentos multiresidenciais: recuo mínimo de 20 metros para a pista de desaceleração e aceleração; e limite máximo de 15m de altura para construções.

Esse último ponto significa dizer que torres como as já existentes na região, com mais de 10 andares, não poderão mais serem feitas, entretanto, as que já existem no local permanecerão como estão.

Fonte: Governo do Estado de Mato Grosso do Sul


O Estado ainda proíbe três ações, independentemente das obras, das atividades e dos empreendimentos estarem ou não sujeitos a licenciamento ambiental. São elas: a utilização de fachadas ou de revestimentos com acabamento espelhado ou altamente refletivo; a implementação de pavimentos em subsolo que implique o rebaixamento permanente do lençol freático; e o bombeamento permanente do lençol freático.

Ademais, o decreto também estabelece que “deverá ser garantido pelo menos 30% da permeabilidade do solo, admitida a compensação, na Zona de Amortecimento do Parque Estadual do Prosa, de até 50% dessa área permeável exigida”.

Vale destacar que a Avenida Poeta Manoel de Barros constitui área especial de proteção, independentemente do setor em que esteja inserida ou tangenciada. Para os empreendimentos que quiserem se instalar na localidade, deverão respeitar o recuo mínimo de 20m para a pista de desaceleração e aceleração e altura máxima de 12m para edificações situadas até 30m da via.

Os empreendimentos que pretendem se instalar na avenida também deverão, de forma obrigatória, apresentar a implantação de acesso secundário para moradores, visitantes e serviços, quando tangenciar outras vias.

Além disso, ficam proibidos aterros sanitários, descarte de resíduos e instalação de atividades industriais com alto potencial de poluição. O uso do fogo também é vetado, exceto em ações de combate a incêndios ou controle autorizado.

Outro ponto citado é a exigência de adequações na rede de esgoto. O município terá prazo de até três anos para corrigir ligações irregulares no Parque dos Poderes e até cinco anos para implantar sistema de esgotamento sanitário em toda a zona de amortecimento.

Também passam a ser obrigatórias medidas de drenagem e retenção de água da chuva em novos empreendimentos, com o objetivo de evitar assoreamento e proteger os cursos d’água da região.

Ao Correio do Estado, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (Crea-MS) disse que o decreto põe fim aos imbróglios e discussões envolvendo a região, mas que o real impacto da nova regulamentação só poderá ser analisado com o passar do tempo.

“O decreto encerra um período de incertezas técnicas e judiciais que afetava o setor da engenharia como um todo, seja na construção civil, na área ambiental e demais áreas, estabelecendo regras técnicas claras que harmonizam o crescimento urbano com a preservação ambiental, principalmente do Parque dos Poderes”, analisa o Crea-MS.

MINISTÉRIO PÚBLICO

No ano passado, o MPMS ficou de olho nos debates que envolveram a zona de amortecimento do parque. Ação civil pública ajuizada pelo órgão pedia a criação de uma legislação para regulamentar a Zona de Amortecimento do Parque Estadual do Prosa.

A proposta da criação da lei veio em razão da existência de um alto interesse do mercado imobiliário de construir empreendimentos de alta densidade populacional na área que circunda a Unidade de Conservação do Parque Estadual do Prosa.

Pouco tempo depois, o MPMS determinou interromper emissões de novas autorizações para construções na zona de amortecimento do Parque Estadual do Prosa e pedir para que construções ainda no início também fossem paralisadas, que veio após um acordo entre o órgão, o governo do Estado e a Prefeitura de Campo Grande.

Ao Correio do Estado, o MPMS disse que “a edição do decreto atende a um dos pedidos feitos na ação civil pública proposta pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul para esse fim”.

Sem alarde

Anvisa descartou risco à saúde pública após furto de materiais biológicos, diz Unicamp

Cepas estão ligadas aos vírus da dengue, chikungunya, zika, outros menos conhecidos, além de 13 tipos de vírus que infectam animais

01/04/2026 22h00

Divulgação

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) descartou risco à saúde pública e à população em geral após materiais biológicos serem furtados de um laboratório da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ao menos 24 cepas diferentes de vírus foram transportadas entre diferentes unidades após serem extraídas.

Em nota, a Unicamp informou que a agência "confirmou oficialmente, por meio de nota, que o material em questão não oferece risco à saúde pública ou à população em geral".

Segundo informações divulgadas no último domingo, 29, pelo Fantástico, da TV Globo, são cepas ligadas aos vírus da dengue, chikungunya, zika, herpes, Epstein-Barr, coronavírus humano e outros menos conhecidos, além de 13 tipos de vírus que infectam animais.

"A Unicamp reafirma a segurança de seus protocolos de biossegurança e segue focada em sua missão acadêmica e científica", afirmou a instituição.

Como mostrou o Estadão, a professora e pesquisadora argentina Soledad Palameta Miller, hoje com atuação na Unicamp, foi presa pela Polícia Federal na última segunda-feira, 23, sob suspeita de furtar material biológico do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia da Unicamp. A defesa dela não se pronunciou.

Um dia depois, a Justiça Federal concedeu liberdade provisória à professora, mas determinou medidas cautelares, que incluem a proibição de acessar laboratórios relacionados à investigação e de deixar o País sem autorização judicial.

Soledad é investigada por produzir, armazenar, transportar, comercializar, importar ou exportar Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) ou seus derivados sem autorização ou em desacordo com normas estabelecidas pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e pelos órgãos e entidades de fiscalização.

A Polícia Federal investiga ainda se o marido de Soledad, Michael Edward Miller, também está envolvido no furto de material biológico armazenado no laboratório da Unicamp. O Estadão tenta localizar a defesa de Edward Miller.

Conforme termo de audiência da Justiça federal, ao qual o Estadão teve acesso, o desaparecimento de caixas contendo amostras virais armazenadas em área classificada como NB-3 (marcada pela alta contenção biológica e submetido a rigorosos protocolos de biossegurança) foi constatado na manhã do dia 13 de fevereiro.

Durante as buscas, agentes encontraram parte do material em diferentes locais da universidade, incluindo o Laboratório de Engenharia Metabólica e de Bioprocessos (LEMEB), da Faculdade de Engenharia de Alimentos, o Laboratório de Cultura de Células e o Laboratório de Doenças Tropicais, onde a professora tinha espaço reservado.

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