Cidades

SAÚDE

STJ pode restringir tratamentos e medicamentos cobertos por planos de saúde

Grupos de pacientes e de mães de crianças com deficiência temem a interrupção de tratamentos caros

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O Superior Tribunal de Justiça (STJ) julga nesta quarta-feira, 23, recursos que podem restringir a cobertura de planos de saúde. 

Grupos de pacientes e de mães de crianças com deficiência temem a interrupção de tratamentos caros concedidos por via judicial e planejam um protesto na sede da Corte em Brasília. 

Já as operadoras dos planos reivindicam segurança jurídica para viabilizar financeiramente a manutenção do serviço

O julgamento previsto para hoje pode definir se a lista de tratamentos e remédios coberta pelos planos, que é estabelecida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), é exemplificativa ou taxativa. 

O rol de procedimentos estabelece a cobertura assistencial obrigatória a ser fornecida pelos planos. 

Consumidores reclamam que essa lista não é suficiente e que muitos tratamentos necessários acabam não sendo contemplados.

 Só em 2019 ocorreram 112.253 demandas judiciais de direito do consumidor envolvendo planos de saúde. 

No total, o Brasil tem cerca de 48 milhões de beneficiários desses convênios.

Diferenças

Na interpretação exemplificativa, a lista de procedimentos cobertos pelos planos de saúde contém alguns itens, mas as operadoras também devem atender outros que tenham as mesmas finalidades, se houver justificativa clínica do médico responsável. 

Isso tem feito com que famílias recorram à Justiça para que o direito à cobertura pelo plano seja garantido.

No caso da interpretação taxativa, os itens descritos no rol de procedimentos seriam os únicos que poderiam ser exigidos aos planos. 

Com isso, o pedido para tratamentos equivalentes poderia ser negado, sem chance de reconhecimento pela via judicial. 

A indefinição apresentada pelo STJ entre as diferentes interpretações motivou a abertura dos embargos de divergência que serão julgados hoje. Esses recursos têm como objetivo uniformizar a jurisprudência interna do Tribunal. 

Assim, a característica taxativa ou exemplificativa do rol da ANS deverá ser definida pela Corte, causando uma jurisprudência sólida que deve afetar todas as próximas decisões sobre o tema, e quem já emitiu liminar para obrigar os planos de saúde a estenderem sua cobertura.

O ministro do STJ Luis Felipe Salomão, relator do caso, em julgamento da 4.ª turma em 2019, votou a favor da taxatividade do rol, argumentando que considerá-lo exemplificativo restringiria a livre concorrência das operadoras de planos de saúde e dificultaria "o acesso à saúde suplementar às camadas mais necessitadas e vulneráveis da população".

No entanto, ele sinalizou que pode haver excepcionalidades, como no caso de medicamentos relacionados ao tratamento do câncer ou medicamentos administrados durante internação hospitalar. 

No voto, declarou que podem existir situações pontuais em que o Juízo determine o fornecimento de certa cobertura que constate ser imprescindível.

Por outro lado, em 2021, a 3ª turma do STJ teve um posicionamento distinto, considerando o rol como exemplificativo.

No recurso, relatado pela ministra Nancy Andrighi, destaca-se: "A qualificação do rol de procedimentos e eventos em saúde como de natureza taxativa demanda do consumidor um conhecimento que ele, por sua condição de vulnerabilidade, não possui nem pode ser obrigado a possuir".

IDEC

Para a coordenadora do programa de Saúde do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Ana Carolina Navarrete, a definição do rol da ANS como taxativo vai "gerar um risco muito grande de os planos de saúde negarem coberturas necessárias e de efetividade comprovada". 

Além disso, Navarrete afirma que o próprio rol não se baseia apenas na efetividade dos tratamentos para os pacientes, mas também na lucratividade das empresas. 

"Ou seja, não entra qualquer tecnologia que seja boa ou custo-efetiva. Ela também não pode ser muito cara. E isso coloca o rol em situação de equilíbrio muito difícil." 

A coordenadora também considera como inválido o argumento de desequilíbrio econômico da parte dos planos de saúde. 

"Esse entendimento é assim há pelo menos dez anos e isso não gerou colapso."

Além disso, segundo uma das advogadas do caso em julgamento, Caroline Salerno, pessoas com deficiência estarão entre as principais afetadas. 

"Além de abordar a questão do rol, (o julgamento) deveria ser analisado na perspectiva da proteção à pessoa com deficiência, nesse microssistema jurídico que é mais sensível e vulnerável", alega. 

O impacto é considerável ainda entre pacientes com doenças graves, como câncer ou epilepsia.

A Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) afirmou que a consideração do rol da ANS como exemplificativo é desafiadora e cria um ambiente de judicialização que impossibilita a previsibilidade na atuação das operadoras. 

"Formular o preço de um produto sem limite de cobertura, que compreenda todo e qualquer procedimento, medicamento e tratamento existente, pode tornar inviável o acesso a um plano de saúde e colocar a continuidade da saúde suplementar no Brasil em xeque."

A Unimed, parte de uma das ações, declarou que "a definição clara das coberturas obrigatórias, de forma taxativa, garante segurança jurídica aos contratos e evidencia direitos e obrigações na relação entre beneficiários e operadoras".

O professor de Direito Administrativo da Uerj Gustavo Binenbojm também defende um rol taxativo. 

Para ele, a judicialização dos casos é uma "falsa solução", porque cria um desequilíbrio para os planos, favorece apenas as pessoas que vão à Justiça e acarreta em um reflexo nos preços. 

"A melhor solução seria uma que respeite o equilíbrio dos valores da segurança jurídica e do respeito aos contratos de um lado, e do acesso à saúde de ponta do outro lado", afirma. 

Ele considera que casos como os que vão para a Justiça hoje deveriam ser objeto de consideração por parte da ANS, durante a atualização semestral do rol.

Mães

Dezenas de mães planejam se acorrentar na frente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) nesta quarta-feira para pressionar a Corte. 

A mobilização é comandada pelo Instituto Lagarta Vira Pupa, uma rede de apoio para mães, famílias e pessoas com deficiência.

Andréa Werner, fundadora do Instituto, afirma que o objetivo é evitar que a Corte determine que o rol é taxativo e os planos de saúde só são obrigados a atender procedimentos ou tratamentos previstos por ele. 

"Pessoas com doenças crônicas, diabete e deficiências, além de idosos, vão ser as mais afetadas."

Uma das manifestantes que estarão no protesto é a advogada Vanessa Ziotti, mãe de trigêmeos dentro do espectro autista e diretora jurídica do Lagarta Vira Pupa. Vanessa conta que seus filhos foram diagnosticados com autismo em 2019, quando eles tinham 1 ano e meio. 

Segundo ela, as terapias recomendadas pelos médicos chegariam a custar R$180 mil para os três e não estavam totalmente previstas no rol da ANS. 

Assim, ela entrou na Justiça e conquistou uma liminar que permitiu que os filhos pudessem receber o tratamento nos últimos três anos.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Região Leste

Polícia Civil prende suspeitos em MT por envolvimento em onda de assassinatos em MS

Operação integrada entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso mira facções criminosas ligadas a homicídios em Três Lagoas, Paranaíba e Aparecida do Taboado

06/05/2026 17h17

Polícia Civil prende suspeitos em MT por envolvimento em onda de assassinatos em MS

Polícia Civil prende suspeitos em MT por envolvimento em onda de assassinatos em MS Foto: Policia Civil

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A Polícia Civil, em ação integrada entre unidades de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, deflagrou nesta quarta-feira (6) a Operação Suppressio, com foco no combate a homicídios e ao avanço de organizações criminosas na região leste do Estado.

A ofensiva resultou no cumprimento de mandados judiciais, prisões temporárias e uma prisão em flagrante.

A operação foi coordenada pelo Setor de Investigações Gerais (SIG) da 1ª Delegacia de Polícia de Paranaíba, com apoio da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (DERF), da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM) e do Núcleo de Inteligência de Rondonópolis (MT).

Segundo a Polícia Civil, as investigações reuniram elementos que apontam a participação dos suspeitos em, pelo menos, cinco homicídios registrados nos municípios de Três Lagoas, Paranaíba e Aparecida do Taboado.

Em Três Lagoas, na última segunda-feira (4), foi preso Caíque Natan de Souza, de 27 anos, apontado como suspeito de envolvimento em crimes violentos na cidade.

Conforme a polícia, ele foi localizado após trabalho de inteligência do Setor de Investigações Gerais (SIG) da Polícia Civil de Três Lagoas e estava em posse de armas de fogo, munições e outros elementos ligados aos delitos investigados.

Já nesta quarta-feira, equipes policiais realizaram buscas em Paranaíba para apreensão de provas documentais e digitais que devem reforçar o inquérito policial.

Em ação interestadual realizada em Rondonópolis (MT), investigadores de Paranaíba, com apoio das forças de segurança mato-grossenses, localizaram e prenderam outros dois investigados, identificados pelas iniciais E.P.D.C. e G.M.S.

O delegado responsável pelas investigações afirmou que os homicídios possuem relação com disputas territoriais entre facções criminosas na região.

“Tivemos alguns homicídios que teriam relação com facções criminosas, em conflito pela tentativa de tomar espaço, até pela localização geográfica do nosso município, que faz divisa com outros estados”, explicou.

Ainda segundo o delegado, o trabalho do SIG foi fundamental para identificar os envolvidos e solicitar as medidas judiciais.

“O pessoal do Serviço de Investigações Gerais levantou alguns dados e chegamos à conclusão de que integrantes de uma organização criminosa estariam envolvidos em, pelo menos, dois homicídios realizados na região. Apresentamos o pedido de prisão ao juiz, que foi prontamente deferido”, destacou.

O delegado também ressaltou a integração entre as forças policiais dos dois estados durante a operação.


“Com o apoio da Polícia Civil de Mato Grosso, realizamos um trabalho de inteligência que levantou os endereços dos investigados. Também pedimos mandados de busca e apreensão, que foram autorizados pela Justiça. Graças à integração das forças de segurança de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, conseguimos prender pelo menos três indivíduos relacionados aos homicídios no nosso Estado”, afirmou.

Conforme a Polícia Civil, o nome da operação “Suppressio” faz referência à supressão e ao impedimento das atividades criminosas ligadas a execuções, disputas territoriais e ataques violentos.

Relembre os casos em Três Lagoas

No sábado (2), um homem identificado como Pedro Augusto Otaviano dos Santos, conhecido como “Cabelinho”, foi morto a tiros em frente a uma residência na Rua Michel Thomé, no bairro Vila Nova.

Já no domingo, na Circular da Lagoa, um dos principais pontos turísticos da cidade, um casal de jovens foi baleado enquanto trabalhava em uma lanchonete. Na ocasião, a jovem Kailayne Mirele Esperidião, de 19 anos, foi atingida por nove disparos de arma de fogo calibre 9 milímetros e morreu no local.

O namorado da vítima, Gabriel dos Santos Souza, de 18 anos, também foi baleado ao tentar protegê-la. Ele foi socorrido em estado grave e encaminhado ao Hospital Auxiliadora, mas não resistiu aos ferimentos, morrendo na manhã desta terça-feira (5).

No bairro Interlagos, um homem foi baleado dentro de um bar após ser chamado pelo nome pelo autor dos disparos, que efetuou cerca de três tiros. A vítima foi atingida no rosto e no ombro, sendo socorrida em estado grave.

Outro caso envolveu um jovem de 21 anos, baleado por ocupantes de um veículo. Ele foi atingido por três disparos e também encaminhado ao hospital.

A Polícia Civil investiga os casos e trabalha para identificar possíveis conexões entre as ocorrências.

Assassinato em Paranaíba

Segundo informações policiais, uma dupla em uma motocicleta chegou à residência da vítima e, sem descer do veículo, efetuou diversos disparos. O crime aconteceu na noite de 14 de abril, na frente de familiares do rapaz.

A vítima, conhecida como “Kamikase”, era casada e morava na região. Conforme registros policiais, ele possuía extensa ficha criminal, com passagens por diversos crimes e prisões anteriores.

De acordo com a polícia, foram efetuados 16 disparos, dos quais 13 atingiram a vítima.

TRÂNSITO

CNH gratuita faz MS economizar R$ 35 milhões e derruba custo da habilitação

Curso teórico sem cobrança já beneficiou mais de 39 mil candidatos no estado e ajudou a reduzir preço total do processo em todo o país

06/05/2026 17h03

Curso teórico gratuito e mudanças nas regras reduziram custo da CNH e ampliaram acesso à habilitação em Mato Grosso do Sul

Curso teórico gratuito e mudanças nas regras reduziram custo da CNH e ampliaram acesso à habilitação em Mato Grosso do Sul Divulgação

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A gratuidade do curso teórico para a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) já gerou economia de R$ 35,2 milhões para moradores de Mato Grosso do Sul desde dezembro de 2025. No período, 39.089 candidatos realizaram a formação sem custos no estado, por meio da plataforma digital criada pelo Ministério dos Transportes.

Antes da mudança, o curso teórico, etapa obrigatória para quem busca a primeira habilitação, custava, em média, R$ 901,99 no estado. Com a nova política, o valor deixou de ser cobrado, ampliando o acesso ao documento e reduzindo o peso financeiro para novos condutores.

O impacto também é nacional. Em todo o Brasil, a economia acumulada com a medida já chega a R$ 1,8 bilhão, segundo dados do governo federal.

Além do curso gratuito, outras alterações contribuíram para baratear o processo de habilitação. Entre elas, a redução da carga mínima de aulas práticas, a possibilidade de formação com instrutores autônomos credenciados e a criação de um teto de R$ 180 para exames médicos e psicológicos.

Com isso, o custo total para tirar a CNH nas categorias A (moto) e B (carro), que antes podia alcançar até R$ 4,9 mil em alguns estados, passou a variar entre R$ 810 e R$ 1,6 mil.

Confira:

Curso teórico gratuito e mudanças nas regras reduziram custo da CNH e ampliaram acesso à habilitação em Mato Grosso do Sul

Processo digital

O procedimento para obter a primeira habilitação também foi simplificado e centralizado em aplicativo. Pelo celular, o candidato consegue iniciar o processo, acompanhar etapas, fazer o curso teórico e acessar a versão digital do documento.

Após baixar o aplicativo e entrar com a conta gov.br, o sistema identifica automaticamente quem ainda não possui habilitação e libera a opção de solicitar a primeira CNH. Em seguida, o candidato escolhe a categoria desejada e o estado onde realizará os exames.

O curso teórico é totalmente online, com conteúdos sobre legislação de trânsito, direção defensiva, primeiros socorros e meio ambiente. Ao final, o certificado é registrado automaticamente no sistema nacional.

Depois disso, o candidato agenda a prova teórica no Detran. Para aprovação, é necessário acertar pelo menos 20 das 30 questões. Na sequência, inicia-se a etapa prática, que pode ser feita em autoescolas ou com instrutores credenciados.

A última fase é o exame prático de direção. Com a aprovação, o motorista recebe a Permissão para Dirigir (PPD), válida por um ano, já disponível em formato digital no aplicativo.

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