O Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) emitiu documento direcionado a órgãos federais e estaduais sobre a situação de alerta com relação ao risco de incêndios florestais para toda a região oeste de Mato Grosso do Sul, onde está o Pantanal, e áreas do leste do Estado.
A previsão de probabilidade de fogo corresponde aos meses de junho e julho e a classificação indicada pelo centro foi de alerta. O fenômeno El Niño pode convergir para ações de alto impacto para o clima no Estado.
Nesse tipo de nível de classificação, o Cemaden indica para risco alto de incêndios, com exigência de demanda para ações coordenadas de prevenção e mobilização de equipes para campanhas de conscientização sobre o uso de fogo.
No contexto de médio prazo, o alerta aponta para riscos de atividades humanas envolvendo o manejo do fogo inadequado, que pode apresentar alta tendência de focos de calor, e um acúmulo de focos de calor em regiões do Pantanal, bem como para municípios como Três Lagoas, Bataguassu e Ribas do Rio Pardo.
Em grau de dimensão menor, ainda há o nível de classificação feito pelo Cemaden, o de alerta alto, que abrange áreas de Naviraí e Itaquiraí.
Relacionado com as condições climatológicas, o órgão federal apontou condições favoráveis para: probabilidade da temperatura ser maior do que a média, probabilidade da precipitação ser menor do que a média e início e duração da estação seca.
Essas condições combinadas com as ações humanas de manejo inadequado do fogo podem acarretar incêndios.
Para construir esse relatório, o Cemaden levou em consideração dados de temperatura, precipitação acumulada, histórico de focos de calor e uso e cobertura do solo.
Na terça-feira, nota técnica foi divulgada para apresentar uma análise de longo prazo, considerando o período 2026/2027 sobre os efeitos que o El Niño pode causar utilizando cruzamento de estudos feitos por centros de clima da Europa (ECMWF), dos Estados Unidos (Noaa) e da Austrália (BOM).
“O monitoramento oceânico mais recente confirma que o El Niño de 2026/2027 está se desenvolvendo abaixo da superfície do oceano. Há várias previsões sugerindo que o evento poderá se tornar o El Niño mais forte da história moderna, potencialmente superando o evento recorde de 1877/1878”, divulgou o Centro Nacional de Monitoramento.
Os efeitos que esse fenômeno pode causar envolvem inundações massivas, secas severas, ondas de calor e trajetórias de tempestades. Particularmente para o Brasil, o que pode ocorrer são chuvas acima do normal durante a primavera deste ano (entre 22 de setembro e 21 de dezembro) para a região Sul, enquanto na Amazônia e no Nordeste a seca pode estar mais intensa no verão e no outono de 2027.
“O El Niño 2026/2027 interage com o aquecimento global. O sinal de aquecimento global pode contribuir para que anos de 2026 e 2027 sejam mais quentes do que 2023 e 2024, o que pode aumentar o risco de incêndios na Amazônia e no Pantanal e impactos na população devido ao estresse térmico, particularmente no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, caso o El Niño atinja a categoria de intenso”, analisou a nota técnica.
As previsões que existem ponderam que esse cenário não está confirmado no longo prazo, mas, por conta dos possíveis riscos que surgiram em modelos de estudo, a condição passou a ser divulgada como forma de alerta.
Em 2024, durante os incêndios, Corumbá foi coberta por fumaça - Foto: Arquivo Rodolfo César PARA AS PESSOAS
A nota técnica divulgada para órgãos de Defesa Civil em diferentes esferas posicionou que o prognóstico sobre as condições extremas que podem superar o que já ocorreu há 150 anos criam impacto além da biodiversidade e geram prejuízos para a população de áreas urbanas e rurais em Mato Grosso do Sul.
Num cenário de El Niño moderado a intenso, e com a tendência de aumento na frequência de ondas de calor já observada sobreposta a tendência de aquecimento global, pode-se esperar que ondas de calor em 2026 e 2027 sejam mais intensas e tenham um grande impacto na população”, sugeriu o estudo.
Em 2024, um estudo indicou que doenças respiratórias aumentaram no grupo de crianças de até 5 anos e em pessoas acima dos 60 anos em períodos com registro de incêndios.
* Saiba
O retorno do período de fogo levou o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Corpo de Bombeiros a ampliarem brigadas e efetivos na região pantaneira.

