Cidades

ANHANDUÍ

Tombamento histórico das barracas à beira da BR-163 é opção para evitar demolição

Projeto de lei que será votado na Câmara Municipal tenta impedir que sejam demolidas ou alteradas as estruturas, garantindo a preservação

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Na manhã desta quarta-feira (25), uma audiência pública, realizada pelos vereadores de Campo Grande, teve como tema do debate a permanência dos comerciantes nas barracas situadas no entorno da rodovia BR-163, situadas em Anhanduí.

O debate aconteceu no ginásio de esportes de uma escola do distrito, reunindo vários moradores e comerciantes. Uma das medidas adotadas pela Câmara Municipal de Campo Grande será a votação do projeto que prevê o tombamento histórico das barracas tradicionais, impedindo assim que sejam demolidas ou alteradas, garantindo a preservação.

A preocupação dos comerciantes é que as barracas sejam retiradas com as obras de duplicação da rodovia, a serem executadas pela Motiva Pantanal.

O Projeto de Lei 12.252/25, de autoria do vereador André Salineiro, prevê o tombamento histórico, reconhecendo as barracas como bem cultural de relevante interesse histórico, social, econômico e cultural.

A proposta prevê que as intervenções, reformas, ampliações, modificações estruturais ou remoções das barracas tombadas somente poderão ocorrer mediante prévia autorização do órgão municipal competente, observada a legislação cultural, urbanística e ambiental aplicável.

Na proposta, Salineiro justifica que as barracas representam “um marco cultural do Distrito de Anhanduí, sendo amplamente reconhecidas pela comercialização de produtos artesanais, doces caseiros, conservas, pimentas e demais gêneros produzidos por famílias locais, atividade que se consolidou como expressão legítima da cultura popular, da economia criativa e da memória coletiva da comunidade, integrando o modo de viver e de produzir característico da região”.

Como trata-se de uma rodovia federal, a Audiência contou com a participação de representantes da bancada federal. Por vídeo, os deputados federais Beto Pereira, Rodolfo Nogueira e Luiz Ovando enviaram mensagem que foi exibida aos moradores, defendendo a discussão ampla sobre o assunto e declarando apoio aos comerciantes.

Segundo André Salineiro, o representante da concessionária Motiva Pantanal esteve em seu gabinete e entregou documento informando que não iria participar da audiência pública, pois precisava de estudo preciso, técnico e definitivo sobre a questão. Todos os assuntos abordados serão encaminhados para a concessionária em documento.

Comerciantes

Para Genivaldo Pedroso, presidente da Associação de Moradores do Distrito de Anhanduí, o debate é muito importante.

“Fica um ‘diz que me disse’, que vão tirar, não vão tirar, né? E os proprietários de barracas estão muito preocupados com isso. Então, a gente quer saber a realidade sobre isso porque se tirar é um retrocesso, já que estamos aqui há muito tempo. Essas barracas são o ganha-pão de muita gente”, disse.

A venda de produtos às margens da BR-163 é o sustento de muitos moradores do Distrito de Anhanduí, como a comerciante Marluce Nantes, que trabalha há 20 anos em uma das barracas. “É o nosso sustento. Tem gente aqui há 30, 35 anos”, afirmou, relatando que não são apenas os comerciantes das barracas, mas também os vendedores de doces, pimenta, artesanato.

Marluce avalia que se as barracas forem retiradas praticamente acaba o Distrito de Anhanduí, pois não há outras opções de trabalho. “Não vejo aqui sem as bancas”.

A comerciante Claudete Soares da Silva considera que é inviável transferir os vendedores para um ponto dentro do distrito.

“Vendemos para turistas. A pessoa quer parar o carro, comprar e ir embora. Estamos aqui há décadas. Tem barraca que passou de mãe para a filha. Temos direito de reivindicar patrimônio histórico, porque temos tempo para isso”, disse.

O vereador Professor Juari, que secretariou a Audiência, citou toda a extensão da BR-163 no Estado, que totaliza 845 km.

“A Motiva Pantanal tinha que duplicar a rodovia e não mexer em Anhanduí. Se quer duplicar, tem mais de 80%. Por que está preocupada com os comerciantes? Tem espaço para duplicar”. Ele acrescentou que a retirada das barracas afetaria todo o Distrito, pois além dos comerciantes há produtores, como do leite para fazer os queijos ou das pimentas comercializadas. “Vamos colocar como patrimônio para impedir juridicamente que retirem os comerciantes daqui”.

Posicionamento da Motiva Pantanal

Em nota, a Motiva Pantanal enfatizou que o tema está em fase inicial, ainda sendo realizados levantamentos preliminares e que qualquer encaminhamento só poderá ocorrer após a conclusão dessas análises.

Confira a nota na íntegra:

"A Motiva Pantanal esclarece que ainda não há qualquer processo de realocação em andamento envolvendo os comerciantes instalados às margens da BR-163/MS, no distrito de Anhanduí, em Campo Grande. É importante enfatizar que o tema está em fase absolutamente inicial, por meio da realização de levantamentos preliminares, etapa técnica necessária para compreender a realidade social e econômica das famílias que atuam na faixa de domínio da rodovia.
 
Trata-se, portanto, de um estudo diagnóstico, sem qualquer definição ou deliberação tomada até o momento. Qualquer eventual encaminhamento somente poderá ocorrer após a conclusão dessas análises e a construção de diálogo com os entes públicos responsáveis.
 
A Motiva Pantanal informa, ainda, que o tema será tratado de forma institucional, em conjunto com o Governo do Estado e a Prefeitura de Campo Grande, garantindo que todas as partes envolvidas possam participar da discussão.
 
Reforçamos que nossas prioridades são executar as obras previstas no contrato de concessão, garantir a segurança viária e, ao mesmo tempo, respeitar as dinâmicas locais. A Concessionária tem plena consciência da importância social e econômica dos vendedores ambulantes e dos moradores que trabalham no local, e por isso trata o tema com responsabilidade, cautela e diálogo.
 
A Concessionária reafirma seu compromisso de atuar de forma planejada, transparente e em parceria com as autoridades competentes e com a comunidade. Nosso objetivo é garantir que as melhorias na BR-163/MS tragam benefícios para toda a população sul-mato-grossense, respeitando quem vive e trabalha ao longo da rodovia."

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Literatura

Escritora de MS participa da Bienal do Livro de São Paulo

Jucelia Silva apresenta o romance "Antes de Nós" no estande da Editora Flyve durante o evento, que começou nesta sexta-feira

04/09/2026 17h30

Foto: Arquivo pessoal

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A escritora campo-grandense Jucelia Silva participa da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que começou nesta sexta-feira (4), na capital paulista. Autora do romance Antes de Nós, ela representa Mato Grosso do Sul entre os escritores que integram a programação do evento.

Jucelia está no estande da Editora Flyve, onde o livro será apresentado ao público. O romance aborda temas como memória, família, ancestralidade e pertencimento, a partir da relação entre diferentes gerações.

A participação ocorre após a escritora integrar eventos literários em Mato Grosso do Sul. Nos últimos meses, ela participou da Feira Literária de Bonito (FLIB), do projeto Leituras e Conversas, da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, e do Sarau do Recanto, em Campo Grande.

Romance

Em Antes de Nós, a autora parte de uma pergunta sobre a vida dos pais e antepassados antes de eles ocuparem esses papéis dentro da família. A história transita entre campo e cidade e aborda relações familiares, diferenças sociais e raciais e as marcas deixadas pelas escolhas de gerações anteriores.

“Antes de Nós nasceu do desejo de olhar para aqueles que vieram antes e imaginar quem eram nossos pais antes de ocuparem esse lugar em nossas vidas. Estar na Bienal de São Paulo com esse romance é muito significativo para mim”, afirma Jucelia.

Além de escritora, Jucelia é professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), doutora em Letras e mestre em Estudos de Linguagens. Ela também integra a União Brasileira de Escritores de Mato Grosso do Sul (UBE-MS).

A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo segue até o dia 13 de setembro, reunindo editoras, autores e leitores no Distrito Anhembi. Antes de Nós também pode ser encontrado no site da Editora Flyve, na Amazon, com a autora e na Hámor Livraria, em Campo Grande.

Fronteira com MS

Cidade do Paraguai decreta folga em 7 de setembro e gera revolta

Prefeitura de Capitán Bado decretou ponto facultativo para liberar servidores e escolas para desfile da Independência do Brasil em Coronel Sapucaia, mas decisão provocou críticas até em Assunção

04/09/2026 17h29

Capitán Bado, separada por uma rua de Coronel Sapucaia (MS)

Capitán Bado, separada por uma rua de Coronel Sapucaia (MS) Arquivo

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Um decreto do município de Capitán Bado, cidade paraguaia distante 400 quilômetros de Campo Grande, está causando polêmica no país vizinho. É que a prefeitura do município, localizado no Departamento de Amambay, decretou ponto facultativo na próxima segunda-feira (7), feriado de Independência do Brasil.

Capitán Bado é separada do Brasil apenas por uma rua. Região de fronteira seca, o município paraguaio é vizinho de Coronel Sapucaia (MS).

O jornal paraguaio El Nacional tratou a decisão da prefeitura paraguaia como “Vergonha Inexplicável”. A explicação do prefeito de Capitán Bado, feita por meio de nota, é que a decisão se justifica pela necessidade de liberar funcionários públicos e escolas para participar do desfile de 7 de setembro em Coronel Sapucaia.

A notícia chegou à capital paraguaia, Assunção. Algumas autoridades do país vizinho já pediram explicações.

Nas redes sociais, cidadãos paraguaios mais nacionalistas condenaram a atitude do prefeito, chamado de “intendente” no país vizinho. Outros não viram nada demais em decretar o ponto facultativo em consideração a uma cidade-irmã.

Outro questionou a soberania paraguaia: “Seria uma colônia do Brasil?”, disse.

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