O amor pelo próximo e a vontade de doar um pouco de tempo aos mais necessitados, fizeram com que a família de Gerson Alves Marcondes, produtor de Maracaju, organizasse e promovesse um churrasco para os pacientes há mais de 40 anos no Hospital São Julião, na Capital.
O evento passou a ser realizado todo dia de 5 de agosto, no aniversário do hospital. “Depois que participei de um curso na Igreja Católica, senti a vontade de ajudar as pessoas. Em conversa com alguns amigos, lá em 1971, descobri que no São Julião eram consumidas apenas 30 gramas de carne por semana. As cozinheiras colocavam a carne na sopa, deixavam um tempo e depois tiravam-na para usar em outras refeições, era tudo muito reduzido e precário. Foi aí que resolvi ajudar neste churrasco que comemora 41 edições este ano”, conta Gerson.
A festa, que é realizada para pacientes, ex-pacientes e voluntários conta com a colaboração de toda a família de Gerson, que já tem este compromisso marcado na agenda todos os anos. “Eles já estão avisados, que se daqui alguns anos eu vier a faltar, devem continuar com essa responsabilidade”, pontua.
Gerson lembra que quando começou a ajudar o hospital, muitas pessoas acreditavam que sua família poderia 'pegar' hanseníase. “Minha mulher chegou a ouvir que deveria queimar as roupas quando saísse daqui, um absurdo. Em todos esses anos, nunca ninguém ficou doente, a gente chega de mão limpa e ainda utiliza os serviços oferecidos, como oftalmologista”.
A história se repete na vida de Raul Alves Barbosa, primo de Gerson. Ele, que é presidente do Sindpan/MS (Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria de Mato Grosso do Sul), colabora há mais de 30 anos com o bolo do aniversário do São Julião. “De ano em ano o tamanho do bolo vai crescendo. Nesta festa, mais de mil pessoas vão saboreá-lo”, conta Raul.
Emocionado, ele explica que “precisava viver para os outros”, e além de outras ações, decidiu contribuir com o bolo de aniversário. “É tudo feito com muito amor”, encerra.
Operação Mato Grosso
As estruturas do Hospital São Julião, um dos asilos-colônia criados para isolar portadores de hanseníase, instalados em Campo Grande, começaram a ficar sólidas a partir de 1969, quando voluntários italianos da Operação Mato Grosso passaram a trabalhar no antigo leprosário, como o hospital era conhecido. Formou-se então, uma associação com benfeitores para dirigir e manter as atividades do hospital.
Coordenador da Operação, Dom Aldo Rabino, que mora na Itália, esteve presente no 70º aniversário do São Julião. Ele veio com um grupo de jovens que desenvolve um projeto de inserção de crianças na sociedade por meio do basquete.
No São Julião, o projeto é realizado com as crianças da Escola Estadual Padre Franco Delpiano, que está localizado no mesmoe terreno que o hospital. “Elas recebem camisetas, tênis, almoço e lanche, todos os dias da semana”, conta Dom Aldo.
Programação
As atividades em comemoração aos 70 anos do Hospital São Julião destinadas a pacientes e ex-pacientes, vão até o dia 20, com apresentações culturais e gincanas.



