O governo do Paraguai deu o "ponta-pé" que tira do papel, as obras de pavimentação do terceiro trecho da Rota Bioceânica, conhecido como Rota PY15, no Departamento de Boquerón (PY), localizado entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo (que faz fronteira com a Argentina), com 227 quilômetros.

Neste trecho em questão, devido às condições climáticas, a 3° Expedição da RILA (Rota de Integração Latina-Americana) encontrou dificuldade, com vários veículos ficando atolados, em novembro de 2023.
As péssimas condições da estrada cancelaram a travessia do caminhão carregado com 13 mil toneladas de carne bovina oriunda de Mato Grosso do Sul que tinha como destino Indique no Chile. Além da avaliação, considerar inviável a passagem do caminhão ocorreram problemas com a documentação, em uma travessia que foi o primeiro teste da rota que será a principal via de escoamento de riquezas do país.
Conforme noticiado pelo Correio do Estado, a promessa do início das obras de pavimentação no terceiro trecho estava prevista desde 2020.
Com o processo de licitação da empresa fiscalizadora selecionada, o governo do Paraguai, em Assunção, assinou no dia 2º de abril, a autorização para o início da pavimentação do terceiro trecho (Rota PY15).
Divulgação Ministério de Obras Públicas e Comunicações do ParaguaiAlém disso, o chefe interino da Unidade de Execução do Projeto Fonplata e engenheiro Alfredo Sánchez, comemorou mais um avanço nas obras que irão interligar o Paraguai, Brasil, Argentina e Chile. Finalizado o processo de licitação, da empresa fiscalizadora, as obras devem iniciar ainda em Abril.
"Estamos realizando todo o trabalho necessário para reduzir ao máximo esses 6 meses, a fim de ter as máquinas nas pistas o mais rápido possível", disse o engenheiro Alfredo Sánchez.
A chamada PY15 vai ligar as cidades de Mariscal José Félix Estigarribia, na região central do Paraguai, até Pozo Hondo, uma cidade na fronteira com a Argentina que até bem pouco nem mesmo energia elétrica tinha. Dali em diante já existem rodovias que permitem o acesso até os portos chilenos.
Trechos de pavimentação
Segundo o Ministério de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai, certame das empresas selecionadas foram divulgados em março de 2023.
A partir da anuência do governo paraguaio que oficializou o início das obras, as empresas tem o prazo de 6 meses para apresentação do projeto.
Passada a fase de apresentação do projeto segue o encaminhamento das obras onde o governo paraguaio estima que em dois anos esteja pronto para a próxima fase.
A terceira fase implica na manutenção correspondente a 8 anos, ou seja, serão 10 anos de contrato com as empresas selecionadas para a empreitada.
Entre as obras previstas estão a pavimentação, construção de postos de pedágio e pesagem, fiscalizaçao, gestão e serviços ambientais.
O Ministério de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai (MOPC), divulgou que a obra será realizada em três lotes pelas empresas: Consorcio del Pacífico (Lote 1), Consorcio Chaqueño del Norte (Lote 2), CDD Construcciones S.A (Lote 3).
Os recursos são do Fundo financeiro Para Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata) o custo da empreitada será de US$ 354,2 milhões, ou pouco mais de R$ 1,7 bilhão.
Divulgação Ministério de Obras Públicas e Comunicações do ParaguaiO primeiro trecho no lado paraguaio vai de Carmelo Peralta (fronteira com MS) a Loma Plata. São 277 quilômetros e após investimento da ordem de 440 milhões de dólares, também liberados pelo Fonplata, já foram concluídos.
A previsão é de que os trabalhos terminem até 2027. Se isto se confirmar, vai coincidir com a conclusão da ponte sobre o Rio Paraguai em Porto Murtinho.
Do lado brasileiro as obras na ponte chegaram a ficar paralisadas por conta de problemas aduaneiros.
No dia 5 de março deste ano uma publicação da Receita Federal autorizou a entrada de insumos do Paraguai para Porto Murtinho.




