Cidades

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Verdades que incomodam

Verdades que incomodam

Redação

06/04/2010 - 21h28
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O caso da menina Isabela com a condenação do pai e da madrasta me leva a pensar muito sobre o por que de todos os acontecimentos. Condenação justa ante as provas dos autos. A crueldade praticada pelo casal seria algo para a prisão perpétua e não apenas de 26 e 31 anos ainda mais que com a chamada progressão da pena, ela sairá daqui oito anos e ele 11 anos. Os antecedentes do casal criminoso, já desenhavam o que estava para acontecer e aconteceu. Era um processo de lógica que mostrava com clareza o perfil do casal e o fechamento do caso, concretizado na morte da menina de forma bárbara e cruel. O que mais aumenta o grau de indignação é que o comportamento dos insanos era do conhecimento dos pais, avós de Isabela. Nenhum procedimento foi tomado no sentido de se precaver contra essa possibilidade trágica, latente ante os fatos de relacionamento entre ex-mulher, madrasta e pai.

Os praticantes do ato criminoso foram condenados à prisão. Para mim, alguma pena deveria ser aplicada às famílias da mãe e dos condenados. Deveria a mãe de Isabela também ser, de alguma forma, penalizada além do que já foi e será pela sua consciência. Conhecedora do comportamento desequilibrado do casal, fato comprovado em seu depoimento em juízo quando declarou sobre a agressividade de ambos, ela nunca se precaveu dessa possibilidade de acontecimento, mesmo, como ela disse, notando que a filha chegava toda machucada em casa após o final de semana com o pai e a madrasta.

Algo, notoriamente, não andava dentro da normalidade de um relacionamento entre pai e filha, menos ainda com a companheira. Para mim, penso, a satisfação da ex-mulher em espezinhar o casal assassino tinha um sabor de muita vingança contra o pai. A filha a representava no meio do casal. Era sua presença constante nos finais de semana na vida da família do ex-marido. A história de tudo acabou exatamente com quem nada entendia ou sabia de toda história. Isabela pagou pela imbecilidade e ignorância de todo o grupo familiar. Não são apenas dois os culpados e muitos são os casos iguais a este. Muitas "Isabelas" estão sofrendo e correndo o mesmo risco por esse Brasil afora e quantas já se foram e que não tiveram a mídia ao seu lado para que se fizesse a justiça.

"Pai, tenho medo de morrer se ficar aqui". É uma frase dura e expressada pela menina de oito anos que ficou por mais de dez dias no corredor de um hospital do Maranhão, sofrendo com a meningite, e que veio a óbito em 27 de março de 2010. Os que permitiram tal morte pela falta de atendimento são tão ou mais cruéis que o casal assassino da Isabela. Tinham consciência do alto risco com a atitude tomada em deixar a pequena menina sem o adequado atendimento. A direção do hospital se defende dizendo que não havia vagas na UTI, mas nada fez para providenciar o translado para outro hospital o que só aconteceu nos momentos finais de vida da menina, por pressão da mídia. Fica a impressão de que a vida tem pouco valor. Neste caso a justiça não será feita.

Pergunto: por que não existem greves para denunciar esse descalabro em que está a saúde no Brasil? Ou só pelo salário vale a paralisação? Não são apenas os hospitais os culpados de mortes inocentes por falta de atendimento. Existem muitos outros grupos de pessoas culpadas que se escondem na sua posição de gestão pública, em toda sua escala hierárquica que ao final chega ao chefe maior que é o presidente da República. A falta de estrutura hospitalar, que ocasionou a morte da criança maranhense e muitas outras na mesma situação, tem sua culpa última neste cargo que é o responsável direto e maior pela saúde da população brasileira.

Qual a explicação do não funcionamento nos momentos de urgência da central de vagas estadual? De não existir, ante a carência de vagas de UTI no Brasil, uma central nacional de informação de vagas do hospital mais próximo para que muitas vidas não se percam nos corredores dos hospitais e nem obriguem os médicos e mesmo a justiça, determinar a quem deve ser dado o direito a continuar vivendo? Tudo isso são verdades que incomodam.

Raphael Curvo, Jornalista e advogado.

bataguassu

Licença não sai e obras de nova fábrica de celulose sofrem atraso

Em agosto do ano passado o governador previu que obras começariam em fevereiro de 2026. Até agora, porém, nem a Licença de Instalação não foi concedida

04/03/2026 13h20

Assim como ocorre na fábrica de Lençóis Paulista, a unidade de Bataguassu terá capacidade para produção de celulose solúvel

Assim como ocorre na fábrica de Lençóis Paulista, a unidade de Bataguassu terá capacidade para produção de celulose solúvel

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No dia 22 de agosto do ano passado o governador Eduardo Riedel previu que as obras para instalação da fábrica de celulose da Bracell, em Bataguassu, começariam em fevereiro deste ano. Porém, o mês acabou e até agora nem mesmo a Licença de Instalação foi concedida pelo Governo do Estado.

Naquela data, após um encontro com o comando da empresa, o governador estimou que esta licença seria concedida antes do final de 2025. "Deu certo, assinamos o acordo final. Eles começam agora em fevereiro de 2026 a obra já e estamos discutindo novos investimentos", comemorou o governador naquele dia.

Porém, em dezembro foi concedida somente a chamada Licença Prévia. E, no começo de janeiro, durante visita ao local onde deve ser construída a fábrica, o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Jaime Verruck, afirmou que  “em março, a empresa deve receber a Licença de Instalação. Acho que esse será um marco importante dentro desse processo”, afirmou Jaime Verruck, responsável pela concessão do documento.

Agora, contudo, o secretário já está deixando claro que este prazo não será crumprido. “A gente emitiu a licença prévia. Ainda falta alguns trâmites a serem realizados, mas acredito que até o final de abril ou começo de maio a gente deve entregar a licença de instalação da fábrica”, afirmou Verruck no último dia 28, sem explicitar os motivos que levaram ao adiamento. 

O Correio do Estado procurou a Bracell em busca de explicações sobre o cronograma dos trabalhos e para saber os motivos exatos da demora para obtenção da licença, mas a empresa não repassou detalhes. Mas, deixou claro que o empreendimento estimado em R$ 16 bilhões vai sair do papel. 

"Neste momento, a empresa segue cumprindo os cronogramas, em fase de estudos e de atendimento às exigências legais que subsidiam a análise dos órgãos competentes e garantem a transparência do processo. Alinhado às demais iniciativas da empresa, o projeto é pautado pela responsabilidade socioambiental, pelo diálogo aberto com as comunidades e pelo cumprimento rigoroso da legislação, reforçando o olhar atento da Bracell para gerar valor nas regiões onde está presente", informou a empresa. 

Em Inocência, dois meses depois da concessão solene da Licença de Instalação  a chilena Arauco deu largada aos trabalhos de terraplangem. Então, se a Bracell receber a licença em em maio, as obras poderiam começar no início do segundo semestre. 

O PROJETO

A fábrica, a primeira de Mato Grosso do Sul a a pruduzir celulose para fabricação de tecidos , ficará às margens da BR-2,67, a nove quilômetros da área urbana de Bataguassu, entre a cidade e o lago da hidrelétrica de Porto Primavera,  a quase quatro quilômetros do lago.

E é deste lago, resultado do represamento do Rio Paraná, que a indústria vai coletar os 11 milhões de litros de água por hora que serão necessários para viabilizar o funcionamento da indústria. Cerca e 9 milhões de litros serão devolvidos ao lago depois da utilização. Segundo a Bracell, todos os efluentes serão tratados e trarão impacto mínimo na qualidade da água. 

As obras desta fábrica, que agora não tem mais previsão de data para início, devem se estender ao longo de 38 meses, sendo quatro para os trabalhos de terraplanagem e 34 para a construção da fábrica propriamente dita. Ou seja, se tiverem início em meados de 2026, devem se estender até o final de 2029. 

No pico dos trabalhos devem ser gerados 12 mil empregos e em torno de dois mil depois que o empreendimento entrar em operação.

Por ano, a indústria deve processar 12 milhões de metros cúbicos de eucaliptos, que sairão de cerca de 300 mil hectares de reflorestamento. Em torno de um terço deste montante já está em fase de crescimento em municípios como Santa Rita do Pardo, Ribas do Rio Pardo e Bataguassu. 

Em anos sem interrupção para manutenção dos equipamentos serão produzidos, conforme o estudo de impacto ambiental, 2,9 milhões de toneladas de celulose. Dependendo da demanda, a unidade terá condições de produzir celulose solúvel, como já ocorre com a fábrica do grupo asiático em Lencóis Paulista (SP). 

Esse tipo de celeulose é usado na produção fibras têxteis, produtos de higiene (fraldas, lenços umedecidos), alimentos (sorvetes, molhos), fármacos (cápsulas) e produtos químicos (tintas, esmaltes).

Além da produção de celulose, o estudo informa que será gerada energia suficiente para abastecer a indústria e um excedente que será injetado na rede de energia da região. A quantidade desta energia, porém, não foi informado.

Conforme a previsão, a celulose deve ser escoada por caminhões, pela MS-395 e a BR-158, margeando o Rio Paraná, até a ferrovia que passa em Aparecida do Taboado. De lá, seguirá por ferrovia até o porto de Santos.
É uma distância de cerca de 270 quilômetros de rodovias que terão de receber uma série de melhorias, já que serão em torno de 80 mil carretas a mais por ano nestas estradas. 

QUINTA FÁBRICA

A indústria de Bataguassu será a quinta do setor em Mato Grosso do Sul. A primeira, da Suzano, entrou em operação dem 2009, em Três Lagoas.  Depois, em 2012, foi ativa a unidade do grupo J&F, a Eldorado, também em Três Lagoas. 

Em julho de 2024 começou a funcionar a fábrida da Suzano em Ribas do Rio Pardo, que atualmente é a maior fábrica de celulose em linha única do mundo, com capacidade para 2,55 milhões de toneladas por ano.

Este título, porém, passará a ser da Arauco, que no segundo semestre do próximo ano promete ativar uma fábrica em Inocência, onde será produzidas 3,5 milhões de toneldas por ano. As obras estão a todo vapor e atualmente abrigam em torno de dez mil trabalhadores. 

Operação Agro-Fantasma

Ex-deputado de MS é preso por elo com suposta fraude milionária

A polícia cumpriu mandado de busca e apreensão, nesta quarta-feira (4), contra um grupo que teria aplicado golpes em produtores rurais do Mato Grosso

04/03/2026 12h22

Imagem Reprodução

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O ex-deputado Sérgio Assis está entre os empresários que foram alvos, na manhã desta quarta-feira (4), da Operação Agro-Fantasma, contra um grupo suspeito de fraudes milionárias envolvendo compra e revenda de grãos no Mato Grosso (MT).

Segundo apuração do site Gazeta Digital, de Cuiabá, além do ex-deputado, também estão entre os alvos Mário Sérgio Cometki Assis e Pedro Henrique Cardoso, apontados pela investigação como responsáveis pelas empresas Imaculada Agronegócios e Santa Felicidade Agro Indústria.

Durante a operação, os policiais apreenderam US$ 6.300 (cerca de R$ 33 mil) em espécie e uma aeronave avaliada em mais de R$ 5,8 milhões, além de documentos e equipamentos eletrônicos que serão periciados.

A Polícia Civil destacou que os investigados mantêm um padrão de vida elevado, com casas em condomínios de luxo, embora tenham deixado de quitar dívidas milionárias.

Entre os bens sequestrados judicialmente estão imóveis de luxo, veículos importados, como Porsche e Dodge Ram, e uma aeronave avaliada em R$ 5,8 milhões. Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias e de bens móveis e imóveis dos investigados.

A ordem para a deflagração da operação partiu do Judiciário. As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cáceres, com base em investigações conduzidas pela Delegacia de Comodoro.

Além de Campo Grande, onde ocorreu a prisão de Sérgio Assis, também foram cumpridos mandados em Cuiabá e Alto do Taquari, no Mato Grosso.

Golpe

O Grupo Imaculada, formado pelas empresas Imaculada Agronegócios Ltda. e Santa Felicidade Agro Indústria Ltda., responde por supostamente ter aplicado um golpe de R$ 50 mil em um conglomerado de Comodoro (MT).

Um representante fazia a mediação com produtores, que eram convencidos a emprestar o nome de suas propriedades para efetuar compras de grãos a prazo, com a promessa de que a empresa realizaria o pagamento posteriormente.

Os grãos eram negociados à vista com indústrias. Inicialmente, o pagamento chegou a ser realizado e, assim, o grupo ganhou a confiança das vítimas.

Meses depois, os investigados deixaram de pagar, o que resultou em prejuízo superior a R$ 58 milhões. O grupo também está sendo investigado por fraude fiscal e recebimento indevido de créditos tributários.
 

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