O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (12) a imposição, com efeitos imediatos, de uma tarifa de 25% sobre "qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã" e esta medida impacta diretamente a economia de Mato Grosso do Sul, já que no ano passado o Irã apareceu na lista dos dez mais importantes parceiros comerciais do agronegócio estadual.
As vendas para os iranianos, principalmente de milho, soja e farelo de soja, cresceram 87,6% em 2025 na comparação com o ano anterior. Em 2024 as vendas para o país persa renderam US$ 91 milhões de dólares. No ano seguinte, US$ 171,8 milhões. Os dados são da carta da conjuntura do comércio exterior, divulgados pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semadesc).
Destino de 1,73% de tudo aquilo que o Estado exportou no ano passado, o Irã aparece em nono lugar entre os países que mais importaram produtos daqui. O crescimento é resultado de um acordo que o ministério da Agricultura firmou em 2024 com o Irã para facilitar os negócios entre os dois países.
Os Estados Unidos, por sua vez, foram responsáveis por 5,47% daquilo que as empresas daqui exportaram no ano passado. Por conta do tarifaço imposto ao Brasil por Donald Trump, as vendas para os norte-americanos recuaram 19% e renderam US$ 539,5 milhões. Em 2024, haviam rendido US$ 669,5 milhões.
E são estas vendas aos EUA que sofrerão a sobretaxa de 25% caso o Brasil mantenha suas relações comerciais com os iranianos. Somando as exportações de todos os estados, as vendas ao Irã renderam quase US$ 3 bilhões no ano passado.
"Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações realizadas com os Estados Unidos da América", anunciou Donald Trump em sua rede social. "Esta ordem é definitiva e irrecorrível", acrescentou.
Embora ocupe a 31ª posição no ranking geral dos destinos das exportações brasileiras, o Irã aparece atrás apenas de Emirados Árabes Unidos, Egito, Turquia e Arábia Saudita na região. No ano passado, as vendas brasileiras ao país superaram as destinadas a mercados como Suíça, África do Sul e Rússia.
O comércio bilateral é fortemente concentrado no agronegócio. Em 2025, milho e soja responderam por 87,2% das exportações brasileiras ao Irã. Somente o milho representou 67,9% do total, com vendas superiores a US$ 1,9 bilhão, enquanto a soja respondeu por 19,3%, somando cerca de US$ 563 milhões.
Também figuram entre os principais produtos exportados açúcares, itens de confeitaria e farelos de soja para alimentação animal.

