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Músico

O legado de Brancão

O legado de Brancão

Redação

21/10/2010 - 00h00
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Ele é de um tempo em que o músico regional tinha que improvisar equipamento se quisesse tocar; ter outra profissão, além da de músico, para manter as contas de casa em dia e, acima de tudo, correr muito. O verbo correr, aqui, não é utilizado de modo figurado. Tinha que correr, literalmente. “Sair do trabalho correndo para pegar o trem na sexta-feira, tocar no sábado até de madrugada e retornar no domingo para, na segunda-feira, trabalhar novamente”, conta o músico três-lagoense Amilton Roldão de Souza, 65 anos.

Pelo nome de batismo, fora do círculo mais próximo, poucos o conhecem. Agora, pelo nome artístico que adotou desde a década de 1960, Brancão passou a ser referência no chamamé, polca, guarânia, vanerão e até em ritmos importados das big bands na região do Bolsão e outras partes do Estado.

Está distante  das animações de bailes e de festas – por onde circulou por mais de quatro décadas – desde 2005, quando problemas de saúde, como hipertensão e diabetes, impossibilitaram-no de se revezar no palco entre o bandoneon e o teclado, violão e guitarra. “Não canto,  caso contrário, você sairia correndo”, brinca.

A música em sua vida entrou aos 13 anos, quando o irmão trocou uma bicicleta por um violão. Paralelamente ao desenvolvimento musical, atuou em diversas áreas profissionais – foi ferroviário, escriturário e dono de bar. “Imagina o que era isso, ter que trabalhar nos empregos fixos e ainda ter um bar”.

A rotina fez com que circulasse por várias partes  de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Goiás, mas sem nunca deixar sua base, Três Lagoas. Define como heróicos os primeiros anos como músico, ao comparar as facilidades tecnológicas do presente com a escassez de recursos do passado. “A gente fazia festas em fazendas que nem tinham luz elétrica. Colocávamos mesas juntas, onde ficavam os instrumentos. Não dava para usar microfone, era tudo no ‘gogó’ mesmo”.

Bailes
Os eventos longe da cidade eram denominados “Baile do cerrado”. Eram estendidas lonas em espaços abertos, com estruturas de madeira dando suporte, e os baileros dançavam em chão batido. “A iluminação era feita pelo gasômetro movido a carbureto. Isso o pessoal mais jovem nem conhece mais”. Nesse período, entre outros, tocou com a dupla Jandira e Benitez – “fiz muitas apresentações na churrascaria ‘La carreta’, em Campo Grande. Eles eram sensacionais”, e quase dividu um disco com o sanfoneiro Zé Corrêa, morto em 1974. “Não cheguei a conhecê-lo, mas na época nossos discos saíam pela mesma gravadora, com sede em São Paulo, que planejava que gravássemos juntos. Na época, ele era uma espécie de Chitãozinho e Xororó de Mato Grosso”.
 

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