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A energia do Tarô da semana entre 17 e 23 de agosto. É hora de aprender e aperfeiçoar talentos

Sob a regência do Oito de Ouros, a semana nos convida a transformar potencial em realização.

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Oito de Ouros: o poder de transformar talento em realização

Há semanas em que o céu parece nos convidar a sonhar, experimentar, arriscar. Outras nos pedem silêncio, recolhimento ou coragem para atravessar mudanças que não controlamos. Esta semana que se inicia pertence a uma categoria particularmente interessante: é um período de transformação da inspiração em matéria.

Depois da intensidade criativa do Sol em Leão, começamos a entrar em um território mais concreto, em que aquilo que desejamos precisa ganhar forma, método, consistência e continuidade. É por isso que o Oito de Ouros surge como a carta dos Arcanos Menores que melhor traduz o momento.

O Oito de Ouros é uma carta de construção. Em uma de suas imagens mais tradicionais, vemos uma pessoa concentrada diante de seu trabalho, produzindo, aperfeiçoando, repetindo gestos, aprendendo com a própria prática. Não há pressa nem espetáculo.

O que existe é dedicação. A carta nos lembra que talento é apenas o ponto de partida. Para que uma habilidade se transforme em realização, é preciso exercitá-la, aprimorá-la e, sobretudo, permanecer presente durante o processo.

Essa mensagem ganha ainda mais força quando observamos a passagem astrológica desta semana. A Lua chega ao Quarto Crescente em Escorpião na quarta (19), trazendo intensidade, profundidade e uma necessidade maior de agir sobre aquilo que foi percebido desde a Lua Nova em Leão.

Poucos dias depois, o Sol deixa Leão e entra em Virgem. Mercúrio também ingressa em Virgem no dia 25, reforçando uma atmosfera de organização, análise, discernimento e atenção aos detalhes.

É quase como se o céu dissesse: agora que você sabe o que quer, o que vai fazer com isso?

O signo de Leão nos lembra da importância de criar, desejar, ocupar nosso espaço e reconhecer aquilo que nos faz especiais. Virgem pergunta o que podemos fazer concretamente com esse potencial. O primeiro signo de fogo quer expressão; o segundo, de terra, quer utilidade.

Um acende a chama. O outro transforma a chama em trabalho. E o Oito de Ouros ocupa exatamente esse lugar de passagem: ele representa a pessoa que percebe que não basta ter inspiração — é preciso desenvolver a habilidade necessária para sustentá-la.

Existe uma diferença importante entre trabalhar muito e trabalhar com consciência. O Oito de Ouros não é simplesmente uma carta de esforço. É uma carta de aperfeiçoamento. Seu ensinamento não é “faça mais”, mas “faça melhor”. Existe uma inteligência na repetição representada por esse arcano.

Cada tentativa permite corrigir um detalhe, compreender um erro, ganhar segurança e descobrir uma maneira mais eficiente de realizar aquilo que se deseja. Por isso, esta pode ser uma semana especialmente favorável para estudar, organizar, revisar, editar, treinar, planejar e colocar em ordem aquilo que vinha sendo feito de maneira improvisada.

E isso também significa aceitar que nem todo crescimento é imediatamente visível.

Vivemos em uma cultura que valoriza muito o resultado final. Queremos saber quando algo vai acontecer, quanto vamos ganhar, qual será o reconhecimento, quando virá a promoção, quando encontraremos alguém, quando finalmente teremos certeza de que estamos no caminho certo.

O Oito de Ouros oferece uma perspectiva diferente. Ele fala do valor do processo. Algumas das transformações mais importantes acontecem enquanto ainda estamos trabalhando nos bastidores, sem aplausos e sem garantias.

Essa talvez seja uma das grandes lições da carta para os próximos dias: não desprezar aquilo que ainda está em construção.

A entrada do Sol em Virgem reforça justamente essa disposição para olhar para as pequenas partes que compõem um todo. O período virginiano favorece organização, trabalho cuidadoso, atenção aos detalhes e o aperfeiçoamento de habilidades.

O Oito de Ouros traduz isso perfeitamente porque sua força está na capacidade de transformar uma tarefa aparentemente pequena em parte de uma construção maior.

O desafio, porém, é não transformar aperfeiçoamento em perfeccionismo.

A sombra do Oito de Ouros aparece quando a busca por fazer melhor se transforma na sensação de que nunca está bom o suficiente. Podemos ficar presas à correção de detalhes e perder de vista o sentido do que estamos construindo.

Podemos trabalhar demais, revisar infinitamente, adiar uma entrega porque ainda não consideramos tudo perfeito.

Virgem, quando desequilibrado, pode acreditar que só merece reconhecimento depois de eliminar todas as imperfeições. O Oito de Ouros nos lembra justamente o contrário: é fazendo que aprendemos a fazer melhor.

Nesse sentido, a semana pode trazer uma pergunta bastante poderosa: o que você está disposto a aperfeiçoar porque realmente acredita que vale a pena?

A resposta é importante porque o Oito de Ouros não recomenda esforço indiscriminado. Ele fala de investimento. De escolher uma habilidade, uma relação, um projeto, uma profissão, uma direção e decidir que aquilo merece tempo e dedicação.

A carta não promete resultados instantâneos. Ela oferece algo talvez mais sólido: a possibilidade de construir competência e, a partir dela, autonomia.

No amor, essa mensagem é especialmente interessante. O Oito de Ouros não é uma carta de grandes declarações românticas, mas pode ser uma carta muito significativa para relações que desejam durar. Ele nos lembra que um relacionamento também é uma construção diária.

Não basta existir atração, sentimento ou encantamento. É preciso aprender a conversar, escutar, negociar diferenças, respeitar limites, reparar erros e criar pequenos gestos de cuidado que sustentem a relação no cotidiano.

Para quem está em uma relação, a semana pode favorecer uma atitude mais madura diante do amor. Em vez de perguntar apenas “o que eu sinto?”, talvez seja importante perguntar “o que estou fazendo para que esse sentimento tenha espaço para existir?”.

Amor também é presença. É atenção. É disponibilidade. É disposição para aprender a amar aquela pessoa específica, com sua personalidade, suas necessidades e suas diferenças.

Ao mesmo tempo, o Oito de Ouros pede cuidado com relações que parecem exigir esforço unilateral. Construção não significa carregar tudo sozinho. Se apenas uma pessoa trabalha para manter o vínculo, existe um problema. O aprendizado da carta está na reciprocidade: duas pessoas precisam estar dispostas a participar da construção.

Para quem está solteiro(a), o período pode favorecer uma percepção mais realista do amor. Talvez seja menos importante encontrar alguém que provoque uma explosão imediata de emoções e mais importante observar quem demonstra consistência. Quem aparece?

Quem procura? Quem presta atenção? Quem cumpre o que promete? Quem está disposto a construir? O Oito de Ouros prefere atitudes a discursos. Ele nos ensina que, no amor, a repetição dos pequenos gestos costuma dizer mais do que uma grande declaração isolada.

A passagem de Leão para Virgem também pode mudar a maneira como enxergamos o desejo. Depois de um período mais voltado à paixão, ao brilho e à expressão individual, começamos a perceber se existe compatibilidade entre aquilo que sentimos e aquilo que conseguimos viver.

O amor precisa caber na realidade. Precisa encontrar espaço na rotina, nos compromissos, nas escolhas e na vida concreta.

No trabalho, o Oito de Ouros encontra um de seus territórios naturais. É uma carta extremamente favorável para produtividade, aprendizado e desenvolvimento profissional. Mas sua mensagem não é simplesmente trabalhar mais horas.

É desenvolver aquilo que sabemos fazer, identificar onde ainda podemos melhorar e compreender que excelência é uma construção.

Esta pode ser uma semana excelente para revisar projetos, corrigir processos, organizar pendências, atualizar conhecimentos, aprender uma ferramenta nova ou finalmente dedicar atenção a uma habilidade que vinha sendo deixada de lado.

Também pode ser um bom momento para observar o próprio método de trabalho. O que está funcionando? O que desperdiça tempo? Onde existe retrabalho? O que poderia ser simplificado?

Na carreira, o Oito de Ouros fala de reputação construída por competência.

Nem sempre o reconhecimento chega primeiro. Muitas vezes, ele é consequência de uma série de pequenas entregas bem-feitas. A pessoa que se torna referência em determinada área geralmente não chegou ali por acaso: existe um acúmulo de experiência, estudo, prática e aperfeiçoamento. A carta nos convida a olhar para esse acúmulo.

Se você está buscando uma mudança profissional, talvez esta não seja uma semana para esperar uma resposta definitiva do universo, mas para perguntar: o que posso fazer hoje para me tornar mais preparado para a oportunidade que quero amanhã?

Pode ser atualizar o currículo, estudar, ampliar contatos, organizar um portfólio, retomar um projeto, aperfeiçoar uma habilidade ou simplesmente voltar a fazer algo que você sabe que faz bem.

O Oito de Ouros é uma carta muito poderosa para quem está construindo uma nova etapa profissional porque ela mostra que competência também é uma forma de poder.

E há algo especialmente bonito nessa perspectiva: ninguém pode tirar de você aquilo que você realmente aprendeu a fazer.

Reconhecimento externo pode desaparecer. Um cargo pode mudar. Uma empresa pode deixar de existir. Um projeto pode ser interrompido. Mas a experiência acumulada permanece. O conhecimento incorporado ao corpo, à inteligência e à prática continua sendo seu. É por isso que o Oito de Ouros também pode representar investimento em si mesmo.

No dinheiro, a carta pede uma relação mais consciente com os recursos. Não é uma energia de enriquecimento rápido ou de ganhos inesperados. É muito mais ligada à construção gradual de segurança. Dinheiro que vem do trabalho, da competência, da constância e da capacidade de transformar conhecimento em valor.

É um bom momento para olhar para as próprias finanças com objetividade. Rever gastos, organizar contas, pensar em prioridades e avaliar se os recursos estão sendo direcionados para aquilo que realmente importa. Mais do que cortar por cortar, a carta pergunta: onde vale a pena investir?

E essa pergunta pode ser aplicada também ao investimento em si mesmo. Um curso, uma formação, uma ferramenta de trabalho ou uma experiência que aumente sua capacidade profissional pode ter mais valor do que uma compra impulsiva. O Oito de Ouros entende dinheiro como energia que pode ser transformada em estrutura.

Sua sombra financeira aparece quando confundimos produtividade com valor pessoal. Trabalhar incessantemente não significa necessariamente prosperar. Às vezes, a verdadeira evolução consiste em aprender a cobrar melhor pelo que fazemos, reconhecer nossa experiência ou encontrar uma maneira mais inteligente de usar nosso tempo.

Essa é uma distinção importante: o Oito de Ouros não pede que você prove seu valor pelo excesso de esforço. Ele pede que você reconheça o valor daquilo que sabe fazer.

A proximidade do eclipse lunar de 28 de agosto acrescenta uma sensação de fechamento de ciclo à semana. O eclipse acontece com a Lua Cheia em Peixes, diante do Sol em Virgem, criando um eixo simbólico entre organização e entrega, controle e confiança, matéria e sensibilidade.

Por isso, os dias que antecedem o eclipse podem funcionar como uma espécie de preparação: aquilo que precisa ser colocado em ordem começa a pedir atenção, enquanto aquilo que já cumpriu sua função pode começar a perder sentido.

O Oito de Ouros é particularmente sábio nesse contexto porque sabe diferenciar persistência de insistência.

Persistir é continuar aperfeiçoando algo que tem potencial. Insistir é continuar fazendo a mesma coisa mesmo quando ela já não produz vida. Às vezes, a maior maturidade não está em trabalhar mais, mas em perceber que determinado trabalho terminou.

Por isso, a carta não fala apenas de fazer. Ela fala de aprender. E aprender inclui descobrir quando continuar, quando corrigir e quando mudar de direção.

Talvez seja essa a principal mensagem da configuração astrológica da semana: estamos entrando em uma fase em que pequenas escolhas podem ganhar consequências maiores. A energia não está necessariamente voltada para grandes gestos, mas para aquilo que se repete.

Um hábito. Uma conversa. Uma decisão. Uma tarefa concluída. Uma habilidade desenvolvida. Um limite estabelecido. Uma conta organizada. Um projeto retomado. Um cuidado oferecido.

Oito de Ouros é a carta que nos ensina a respeitar o tempo das coisas.

Existe um momento para desejar e existe um momento para construir. Existe um momento para imaginar quem queremos ser e outro para começar a praticar essa pessoa.

Existe um momento para mostrar nosso brilho e outro para sentar diante da bancada, pegar as ferramentas e trabalhar silenciosamente.

E talvez seja justamente aí que esteja a beleza dessa carta. Ela não promete atalhos. Promete consistência. Não diz que tudo ficará pronto rapidamente.

Diz que cada etapa importa. Não garante reconhecimento imediato. Garante que aquilo que é feito com atenção, consciência e dedicação pode adquirir uma qualidade que não depende do acaso.

Na passagem de Leão para Virgem, podemos levar conosco a chama da criatividade, mas precisamos aprender a dar forma a ela. O Sol em Leão nos lembra que temos algo único para oferecer.

O Sol em Virgem pergunta como podemos transformar esse potencial em algo útil, concreto e duradouro. O Oito de Ouros responde: praticando.

Então, nesta semana, talvez valha menos perguntar “quando vai acontecer?” e mais perguntar “o que posso aperfeiçoar hoje?”.

Porque nem todo avanço chega como uma grande virada.

Às vezes, ele chega como uma pequena correção.

Uma escolha mais consciente.

Uma habilidade que finalmente começa a amadurecer.

Uma relação que aprende a se comunicar melhor.

Um trabalho que ganha qualidade.

Um dinheiro que começa a ser administrado com mais inteligência.

Um projeto que deixa de ser apenas uma ideia e ganha forma.

E, quando percebemos, aquilo que parecia apenas repetição era, na verdade, construção.

Oito de Ouros é a arte de transformar potencial em competência, competência em confiança e confiança em realização.

Nesta semana, não tenha pressa de colher. Observe o que está sendo construído. Escolha onde vale colocar sua energia. Faça com presença. Corrija sem se punir. Aprenda sem exigir perfeição.

E lembre-se: algumas das coisas mais importantes que estamos criando para o futuro começam justamente quando ninguém ainda está olhando.

O trabalho invisível também é trabalho. E, muitas vezes, é ele que prepara o próximo grande salto.

Uma ótima semana e muita luz,

Ana Cristina Paixão

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com o ator Caio Mutai

Ele vai do vampiro em fábula gótica à circulação internacional de "AYÔ"

03/10/2026 16h30

Caio Mutai vai do vampiro em fábula gótica à circulação internacional de

Caio Mutai vai do vampiro em fábula gótica à circulação internacional de "AYÔ" Foto: Fabio Audi

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Raspar as laterais do cabelo para acrescentar uma camada punkrock a um vampiro foi uma das últimas descobertas de Caio Mutai na construção de Yukun, personagem de “Furnas Fundas: Uma Fábula Gótica Brasileira”. Em cartaz nos cinemas desde 17 de setembro, o longa mostra uma das faces mais transformadas do ator, que, quase simultaneamente, viu outro trabalho atravessar fronteiras: “AYÔ” passou por festivais em Berlim e Nova York, ampliando a circulação internacional da produção.

Os dois projetos colocam Caio diante de registros e experiências bastante diferentes. Se em “Furnas Fundas” a construção de Yukun passou pela busca de um comportamento que transitasse do mais animalesco ao mais humano, além de uma transformação física descoberta também no próprio set, “AYÔ” apresenta outro momento de uma carreira que vem alternando cinema, séries e teatro.

Realizados anteriormente, os trabalhos ainda colocaram o ator diante de uma característica inevitável do audiovisual: o intervalo entre fazer e finalmente ver uma produção chegar ao público.

“Para uma pessoa ansiosa como eu (risos), é bom ocupar a cabeça com novos trabalhos. Acho que o melhor caminho que eu tenho pra poder lidar com essa espera é simplesmente não esperar. Entregar o meu trabalho e esquecer. O restante já não é trabalho meu: como vai lançar, quando, se alguém vai gostar ou não.”

A estratégia, admite, funciona melhor na teoria. “Embora eu acredite em tudo isso aí que falei, funciona mesmo? Mais ou menos (risos). Eu ainda fico extremamente na expectativa e sofro horrores, mas eu juro que tento.”

Em “Furnas Fundas”, Yukun representa uma das imagens mais diferentes que Caio já apresentou ao público. Segundo vilão de sua carreira, o vampiro nasceu de um processo que combinou referências que o ator já carregava, preparação corporal, improvisações e descobertas feitas durante as próprias filmagens.

“O que sempre esteve muito claro no roteiro era a relação dos três vampiros entre si. Como cada um era individualmente, fomos construindo ao longo da preparação. Eu sempre consumi filmes, livros e histórias sobre essa temática. Quando peguei o papel, também reli e revisitei muito material sobre.”

A preparação levou os atores a experimentar extremos antes de encontrar as particularidades de cada personagem.

“Na preparação, fomos de A a Z, do mais animalesco ao mais humano, experimentando no corpo todas as sensações que teríamos no filme, experimentando as cenas em improvisos e descobrindo as particularidades dessas relações e dessas personalidades.”

O ator Caio Mutai é a Capa do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno, ele fala sobre estreias, carreia e planos.

Caio Mutai vai do vampiro em fábula gótica à circulação internacional de "AYÔ"O ator Caio Mutai é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Fabio Audi - Diagramação: Denis Felipe
Por: Flávia Viana

As descobertas continuaram no set, quando figurino, maquiagem, dentes e locação deram outra dimensão aos personagens. Foi também nesse momento que Caio sugeriu uma mudança no visual de Yukun.

“Inclusive visualmente, no primeiro dia de set, onde pude sugerir raspar as laterais do meu cabelo e me deixar com aquele visual punkrock. Yukun ganhou uma outra camada de estranheza.”

A possibilidade de experimentar universos e comportamentos diferentes é um dos aspectos que mais atraem Caio na profissão. Para ele, porém, o desafio não depende necessariamente de o personagem estar muito distante de quem ele é.

“Muitas coisas me divertem nesse ofício, mas acho que depende. Gosto dos desafios. Não posso negar que é realmente divertido poder explorar o que seriam sensações e sentimentos de um vampiro sedento por sangue ou um robô que começa a questionar as próprias diretrizes de sua criação, mas poder explorar os limites de uma psique mais próxima à minha também pode ser extremamente desafiador.”

Enquanto “Furnas Fundas” evidencia essa busca pela transformação, “AYÔ” vive outro tipo de expansão. A passagem por festivais em Berlim e Nova York colocou o projeto diante de novos públicos e profissionais, mas Caio evita transformar essa circulação em previsão sobre os próximos passos da carreira.

“Eu acredito, pautado em experiências próprias, que qualquer trabalho lançado, é trabalho visto. Sempre alguém importante pode te assistir, que vai lembrar de você, que vai te procurar mais pra frente e quem sabe te agraciar com um convite, um teste ou pelo menos uma indicação. Mas não acho que seja mensurável, não.”

A trajetória de Caio também inclui uma atuação pública em torno da representatividade amarela. Ele reconhece que assumir essa discussão pode fazer com que um artista passe a ser procurado repetidamente para falar sobre raça, mesmo quando deseja ser reconhecido por outras dimensões de seu trabalho.

“Com certeza, mas no final das contas penso que vale mais a pena levantar a bandeira do que a inércia. Se eu precisar ser a pessoa que vai ser procurada apenas por isso, sei que a próxima geração talvez não precise. De toda forma, adoraria me aproveitar das batalhas ganhas também.”

O ator afirma já ter enfrentado limitações profissionais relacionadas à sua origem e recorda um episódio ocorrido em 2015, quando havia sido escolhido para seu primeiro papel no audiovisual. O personagem seria um jovem que descobria a paixão pelo balé clássico, mas mudanças posteriores na trama fizeram com que a dança deixasse de fazer parte de sua história. Segundo Caio, ele acabou substituído porque não se encaixaria com os atores escolhidos para viver os pais do personagem.

“Sim, eu perdi meu primeiro papel numa novela exatamente por ser amarelo. E sabe o que é mais interessante? Sei que pelo menos dois personagens foram escolhidos a partir de ‘match’ comigo, mas ninguém foi trocado. Só eu.”

Para 2027, Caio já prepara novos lançamentos no audiovisual e também o retorno aos palcos em uma superprodução de teatro musical, a ser revelada em breve. E, quando pensa nos personagens que ainda gostaria de viver diante das cortinas, e não das câmeras, aparecem nomes como Jean Valjean, de “Les Misérables”, Phantom, de “O Fantasma da Ópera”, e Jesus e Judas, de “Jesus Christ Superstar”.

Já no audiovisual, o ator ainda quer avançar por territórios que experimentou pouco. “Tem muitos gêneros que eu gosto e pude experimentar pouco. Acho que para o cinema/séries eu ainda quero muito poder fazer algum vilão/serial killer/psicótico, como um Hannibal Lecter, Coringa e coisas nesse espectro. Também adoraria explorar mais o território do SCI-FI, Cyberpunk, robôs, IAs, como Blade Runner, THX, Matrix.”

Entre os trabalhos que agora encontram o público e os novos projetos que começam a se desenhar para 2027, Caio prefere não transformar cada lançamento em uma projeção sobre o próximo passo da carreira. “Prefiro celebrar o trabalho já realizado e continuar buscando os próximos. Um bom agente, boas relações e trabalhar bem. Não tem segredo.”

Caio Mutai vai do vampiro em fábula gótica à circulação internacional de "AYÔ"O ator Caio Mutai é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Fabio Audi - Diagramação: Denis Felipe
Por: Flávia Viana

 

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Conheça os sinais da fase sênior dos cães

O envelhecimento transforma a relação entre cães e suas famílias

03/10/2026 15h30

Conheça os sinais da fase sênior dos cães

Conheça os sinais da fase sênior dos cães Foto: Divulgação

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O focinho ficou grisalho, as horas de sono são mais longas, a dificuldade para subir no sofá ou a ausência na porta quando alguém chega são indícios que o pet já não é o mesmo de alguns anos atrás.

Para a psicóloga Juliana Sato, especialista em vínculo humano-animal e luto pet, a chegada do envehecimento também provoca mudanças na relação entre o cão e sua família. “Esse reconhecimento raramente é gradual. Ele costuma vir de repente, a partir de um detalhe. Nesse instante, a família entende que o tempo passou, e isso mexe com ela”, explica.

Observe mudanças de comportamento antes de atribuir tudo à idade

Na fase sênior, alguns cães ficam mais quietos e seletivos no contato, enquanto outros passam a procurar mais os tutores. Irritabilidade, ansiedade, isolamento e maior dependência também podem aparecer. Antes de interpretar essas mudanças como características da idade ou da personalidade, porém, é importante investigar suas causas.

“Chamamos de teimoso o cão que talvez não esteja ouvindo, de manhoso o que pode estar sentindo dor e de birrento o que está desorientado. Toda mudança nova de comportamento deve ser levada ao veterinário antes de virar traço de personalidade”, aponta Juliana.

Entenda que o vínculo muda, mas não precisa enfraquecer

Para a especialista, a chegada da velhice não significa necessariamente um enfraquecimento do vínculo. A relação apenas muda. O cão que durante anos acompanhou a família em passeios, brincadeiras e outras atividades pode passar a ter limitações, e os tutores precisam rever as expectativas.

“A família precisa deixar de esperar que o cão se adapte a ela e passar a se adaptar a ele. O cão não está ficando difícil, ele está vivendo com um corpo e uma percepção diferentes”, afirma.

Adapte a rotina sem deixar de lado os momentos de convivência

Horários mais previsíveis, móveis mantidos no mesmo lugar e um espaço tranquilo para descanso ajudam a dar segurança ao animal. Passeios e brincadeiras também podem continuar, respeitando seus limites e as orientações do veterinário.

“O passeio deixa de ser exercício e passa a ser presença, exploração, tempo de farejar sem pressa”, diz Juliana.

Conheça os sinais da fase sênior dos cãesConheça os sinais da fase sênior dos cães - Divulgação

Observe e registre alterações para levar ao veterinário

O acompanhamento veterinário é fundamental nessa etapa, mas a família também tem um papel importante na prevenção. Observar mudanças no sono, no apetite, no humor e nos hábitos e levar essas informações para as consultas ajuda a identificar alterações que nem sempre são percebidas de imediato.

Olhe também para quem cuida

Outro ponto pouco discutido é a preparação emocional dos tutores. O envelhecimento pode trazer um chamado luto antecipatório, quando a família começa a sentir a perda do cão que ele era, mesmo com o animal ainda presente. O cansaço de quem cuida, as preocupações e até a culpa por sentir irritação também podem fazer parte desse processo.

“Quem cuida também precisa de espaço para falar do que sente, inclusive do cansaço e da tristeza”, afirma Juliana.

Preserve a autonomia e os rituais do cão

Para preservar a qualidade de vida e o vínculo, a orientação é respeitar a autonomia do animal sempre que possível, permitindo que ele faça escolhas, mantenha seus rituais e continue participando da rotina da família, ainda que de outra maneira.

Quando o assunto é fim de vida, conversar com o veterinário antes de uma situação de crise também pode ajudar a família a tomar decisões com mais tranquilidade.

“Essa conversa não antecipa a morte. Ela protege o tempo que ainda resta”, conclui Juliana.

 

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