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A energia do Tarô da semana entre 17 e 23 de agosto. É hora de aprender e aperfeiçoar talentos

Sob a regência do Oito de Ouros, a semana nos convida a transformar potencial em realização.

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Oito de Ouros: o poder de transformar talento em realização

Há semanas em que o céu parece nos convidar a sonhar, experimentar, arriscar. Outras nos pedem silêncio, recolhimento ou coragem para atravessar mudanças que não controlamos. Esta semana que se inicia pertence a uma categoria particularmente interessante: é um período de transformação da inspiração em matéria.

Depois da intensidade criativa do Sol em Leão, começamos a entrar em um território mais concreto, em que aquilo que desejamos precisa ganhar forma, método, consistência e continuidade. É por isso que o Oito de Ouros surge como a carta dos Arcanos Menores que melhor traduz o momento.

O Oito de Ouros é uma carta de construção. Em uma de suas imagens mais tradicionais, vemos uma pessoa concentrada diante de seu trabalho, produzindo, aperfeiçoando, repetindo gestos, aprendendo com a própria prática. Não há pressa nem espetáculo.

O que existe é dedicação. A carta nos lembra que talento é apenas o ponto de partida. Para que uma habilidade se transforme em realização, é preciso exercitá-la, aprimorá-la e, sobretudo, permanecer presente durante o processo.

Essa mensagem ganha ainda mais força quando observamos a passagem astrológica desta semana. A Lua chega ao Quarto Crescente em Escorpião na quarta (19), trazendo intensidade, profundidade e uma necessidade maior de agir sobre aquilo que foi percebido desde a Lua Nova em Leão.

Poucos dias depois, o Sol deixa Leão e entra em Virgem. Mercúrio também ingressa em Virgem no dia 25, reforçando uma atmosfera de organização, análise, discernimento e atenção aos detalhes.

É quase como se o céu dissesse: agora que você sabe o que quer, o que vai fazer com isso?

O signo de Leão nos lembra da importância de criar, desejar, ocupar nosso espaço e reconhecer aquilo que nos faz especiais. Virgem pergunta o que podemos fazer concretamente com esse potencial. O primeiro signo de fogo quer expressão; o segundo, de terra, quer utilidade.

Um acende a chama. O outro transforma a chama em trabalho. E o Oito de Ouros ocupa exatamente esse lugar de passagem: ele representa a pessoa que percebe que não basta ter inspiração — é preciso desenvolver a habilidade necessária para sustentá-la.

Existe uma diferença importante entre trabalhar muito e trabalhar com consciência. O Oito de Ouros não é simplesmente uma carta de esforço. É uma carta de aperfeiçoamento. Seu ensinamento não é “faça mais”, mas “faça melhor”. Existe uma inteligência na repetição representada por esse arcano.

Cada tentativa permite corrigir um detalhe, compreender um erro, ganhar segurança e descobrir uma maneira mais eficiente de realizar aquilo que se deseja. Por isso, esta pode ser uma semana especialmente favorável para estudar, organizar, revisar, editar, treinar, planejar e colocar em ordem aquilo que vinha sendo feito de maneira improvisada.

E isso também significa aceitar que nem todo crescimento é imediatamente visível.

Vivemos em uma cultura que valoriza muito o resultado final. Queremos saber quando algo vai acontecer, quanto vamos ganhar, qual será o reconhecimento, quando virá a promoção, quando encontraremos alguém, quando finalmente teremos certeza de que estamos no caminho certo.

O Oito de Ouros oferece uma perspectiva diferente. Ele fala do valor do processo. Algumas das transformações mais importantes acontecem enquanto ainda estamos trabalhando nos bastidores, sem aplausos e sem garantias.

Essa talvez seja uma das grandes lições da carta para os próximos dias: não desprezar aquilo que ainda está em construção.

A entrada do Sol em Virgem reforça justamente essa disposição para olhar para as pequenas partes que compõem um todo. O período virginiano favorece organização, trabalho cuidadoso, atenção aos detalhes e o aperfeiçoamento de habilidades.

O Oito de Ouros traduz isso perfeitamente porque sua força está na capacidade de transformar uma tarefa aparentemente pequena em parte de uma construção maior.

O desafio, porém, é não transformar aperfeiçoamento em perfeccionismo.

A sombra do Oito de Ouros aparece quando a busca por fazer melhor se transforma na sensação de que nunca está bom o suficiente. Podemos ficar presas à correção de detalhes e perder de vista o sentido do que estamos construindo.

Podemos trabalhar demais, revisar infinitamente, adiar uma entrega porque ainda não consideramos tudo perfeito.

Virgem, quando desequilibrado, pode acreditar que só merece reconhecimento depois de eliminar todas as imperfeições. O Oito de Ouros nos lembra justamente o contrário: é fazendo que aprendemos a fazer melhor.

Nesse sentido, a semana pode trazer uma pergunta bastante poderosa: o que você está disposto a aperfeiçoar porque realmente acredita que vale a pena?

A resposta é importante porque o Oito de Ouros não recomenda esforço indiscriminado. Ele fala de investimento. De escolher uma habilidade, uma relação, um projeto, uma profissão, uma direção e decidir que aquilo merece tempo e dedicação.

A carta não promete resultados instantâneos. Ela oferece algo talvez mais sólido: a possibilidade de construir competência e, a partir dela, autonomia.

No amor, essa mensagem é especialmente interessante. O Oito de Ouros não é uma carta de grandes declarações românticas, mas pode ser uma carta muito significativa para relações que desejam durar. Ele nos lembra que um relacionamento também é uma construção diária.

Não basta existir atração, sentimento ou encantamento. É preciso aprender a conversar, escutar, negociar diferenças, respeitar limites, reparar erros e criar pequenos gestos de cuidado que sustentem a relação no cotidiano.

Para quem está em uma relação, a semana pode favorecer uma atitude mais madura diante do amor. Em vez de perguntar apenas “o que eu sinto?”, talvez seja importante perguntar “o que estou fazendo para que esse sentimento tenha espaço para existir?”.

Amor também é presença. É atenção. É disponibilidade. É disposição para aprender a amar aquela pessoa específica, com sua personalidade, suas necessidades e suas diferenças.

Ao mesmo tempo, o Oito de Ouros pede cuidado com relações que parecem exigir esforço unilateral. Construção não significa carregar tudo sozinho. Se apenas uma pessoa trabalha para manter o vínculo, existe um problema. O aprendizado da carta está na reciprocidade: duas pessoas precisam estar dispostas a participar da construção.

Para quem está solteiro(a), o período pode favorecer uma percepção mais realista do amor. Talvez seja menos importante encontrar alguém que provoque uma explosão imediata de emoções e mais importante observar quem demonstra consistência. Quem aparece?

Quem procura? Quem presta atenção? Quem cumpre o que promete? Quem está disposto a construir? O Oito de Ouros prefere atitudes a discursos. Ele nos ensina que, no amor, a repetição dos pequenos gestos costuma dizer mais do que uma grande declaração isolada.

A passagem de Leão para Virgem também pode mudar a maneira como enxergamos o desejo. Depois de um período mais voltado à paixão, ao brilho e à expressão individual, começamos a perceber se existe compatibilidade entre aquilo que sentimos e aquilo que conseguimos viver.

O amor precisa caber na realidade. Precisa encontrar espaço na rotina, nos compromissos, nas escolhas e na vida concreta.

No trabalho, o Oito de Ouros encontra um de seus territórios naturais. É uma carta extremamente favorável para produtividade, aprendizado e desenvolvimento profissional. Mas sua mensagem não é simplesmente trabalhar mais horas.

É desenvolver aquilo que sabemos fazer, identificar onde ainda podemos melhorar e compreender que excelência é uma construção.

Esta pode ser uma semana excelente para revisar projetos, corrigir processos, organizar pendências, atualizar conhecimentos, aprender uma ferramenta nova ou finalmente dedicar atenção a uma habilidade que vinha sendo deixada de lado.

Também pode ser um bom momento para observar o próprio método de trabalho. O que está funcionando? O que desperdiça tempo? Onde existe retrabalho? O que poderia ser simplificado?

Na carreira, o Oito de Ouros fala de reputação construída por competência.

Nem sempre o reconhecimento chega primeiro. Muitas vezes, ele é consequência de uma série de pequenas entregas bem-feitas. A pessoa que se torna referência em determinada área geralmente não chegou ali por acaso: existe um acúmulo de experiência, estudo, prática e aperfeiçoamento. A carta nos convida a olhar para esse acúmulo.

Se você está buscando uma mudança profissional, talvez esta não seja uma semana para esperar uma resposta definitiva do universo, mas para perguntar: o que posso fazer hoje para me tornar mais preparado para a oportunidade que quero amanhã?

Pode ser atualizar o currículo, estudar, ampliar contatos, organizar um portfólio, retomar um projeto, aperfeiçoar uma habilidade ou simplesmente voltar a fazer algo que você sabe que faz bem.

O Oito de Ouros é uma carta muito poderosa para quem está construindo uma nova etapa profissional porque ela mostra que competência também é uma forma de poder.

E há algo especialmente bonito nessa perspectiva: ninguém pode tirar de você aquilo que você realmente aprendeu a fazer.

Reconhecimento externo pode desaparecer. Um cargo pode mudar. Uma empresa pode deixar de existir. Um projeto pode ser interrompido. Mas a experiência acumulada permanece. O conhecimento incorporado ao corpo, à inteligência e à prática continua sendo seu. É por isso que o Oito de Ouros também pode representar investimento em si mesmo.

No dinheiro, a carta pede uma relação mais consciente com os recursos. Não é uma energia de enriquecimento rápido ou de ganhos inesperados. É muito mais ligada à construção gradual de segurança. Dinheiro que vem do trabalho, da competência, da constância e da capacidade de transformar conhecimento em valor.

É um bom momento para olhar para as próprias finanças com objetividade. Rever gastos, organizar contas, pensar em prioridades e avaliar se os recursos estão sendo direcionados para aquilo que realmente importa. Mais do que cortar por cortar, a carta pergunta: onde vale a pena investir?

E essa pergunta pode ser aplicada também ao investimento em si mesmo. Um curso, uma formação, uma ferramenta de trabalho ou uma experiência que aumente sua capacidade profissional pode ter mais valor do que uma compra impulsiva. O Oito de Ouros entende dinheiro como energia que pode ser transformada em estrutura.

Sua sombra financeira aparece quando confundimos produtividade com valor pessoal. Trabalhar incessantemente não significa necessariamente prosperar. Às vezes, a verdadeira evolução consiste em aprender a cobrar melhor pelo que fazemos, reconhecer nossa experiência ou encontrar uma maneira mais inteligente de usar nosso tempo.

Essa é uma distinção importante: o Oito de Ouros não pede que você prove seu valor pelo excesso de esforço. Ele pede que você reconheça o valor daquilo que sabe fazer.

A proximidade do eclipse lunar de 28 de agosto acrescenta uma sensação de fechamento de ciclo à semana. O eclipse acontece com a Lua Cheia em Peixes, diante do Sol em Virgem, criando um eixo simbólico entre organização e entrega, controle e confiança, matéria e sensibilidade.

Por isso, os dias que antecedem o eclipse podem funcionar como uma espécie de preparação: aquilo que precisa ser colocado em ordem começa a pedir atenção, enquanto aquilo que já cumpriu sua função pode começar a perder sentido.

O Oito de Ouros é particularmente sábio nesse contexto porque sabe diferenciar persistência de insistência.

Persistir é continuar aperfeiçoando algo que tem potencial. Insistir é continuar fazendo a mesma coisa mesmo quando ela já não produz vida. Às vezes, a maior maturidade não está em trabalhar mais, mas em perceber que determinado trabalho terminou.

Por isso, a carta não fala apenas de fazer. Ela fala de aprender. E aprender inclui descobrir quando continuar, quando corrigir e quando mudar de direção.

Talvez seja essa a principal mensagem da configuração astrológica da semana: estamos entrando em uma fase em que pequenas escolhas podem ganhar consequências maiores. A energia não está necessariamente voltada para grandes gestos, mas para aquilo que se repete.

Um hábito. Uma conversa. Uma decisão. Uma tarefa concluída. Uma habilidade desenvolvida. Um limite estabelecido. Uma conta organizada. Um projeto retomado. Um cuidado oferecido.

Oito de Ouros é a carta que nos ensina a respeitar o tempo das coisas.

Existe um momento para desejar e existe um momento para construir. Existe um momento para imaginar quem queremos ser e outro para começar a praticar essa pessoa.

Existe um momento para mostrar nosso brilho e outro para sentar diante da bancada, pegar as ferramentas e trabalhar silenciosamente.

E talvez seja justamente aí que esteja a beleza dessa carta. Ela não promete atalhos. Promete consistência. Não diz que tudo ficará pronto rapidamente.

Diz que cada etapa importa. Não garante reconhecimento imediato. Garante que aquilo que é feito com atenção, consciência e dedicação pode adquirir uma qualidade que não depende do acaso.

Na passagem de Leão para Virgem, podemos levar conosco a chama da criatividade, mas precisamos aprender a dar forma a ela. O Sol em Leão nos lembra que temos algo único para oferecer.

O Sol em Virgem pergunta como podemos transformar esse potencial em algo útil, concreto e duradouro. O Oito de Ouros responde: praticando.

Então, nesta semana, talvez valha menos perguntar “quando vai acontecer?” e mais perguntar “o que posso aperfeiçoar hoje?”.

Porque nem todo avanço chega como uma grande virada.

Às vezes, ele chega como uma pequena correção.

Uma escolha mais consciente.

Uma habilidade que finalmente começa a amadurecer.

Uma relação que aprende a se comunicar melhor.

Um trabalho que ganha qualidade.

Um dinheiro que começa a ser administrado com mais inteligência.

Um projeto que deixa de ser apenas uma ideia e ganha forma.

E, quando percebemos, aquilo que parecia apenas repetição era, na verdade, construção.

Oito de Ouros é a arte de transformar potencial em competência, competência em confiança e confiança em realização.

Nesta semana, não tenha pressa de colher. Observe o que está sendo construído. Escolha onde vale colocar sua energia. Faça com presença. Corrija sem se punir. Aprenda sem exigir perfeição.

E lembre-se: algumas das coisas mais importantes que estamos criando para o futuro começam justamente quando ninguém ainda está olhando.

O trabalho invisível também é trabalho. E, muitas vezes, é ele que prepara o próximo grande salto.

Uma ótima semana e muita luz,

Ana Cristina Paixão

Moda Correio B+ - Entre Costuras & CuLtura

Quando a moda encontra a estrada

Louis Vuitton e Singer transformam o Porsche 911 em objeto de desejo

15/08/2026 16h30

Louis Vuitton e Singer transformam o Porsche 911 em objeto de desejo

Louis Vuitton e Singer transformam o Porsche 911 em objeto de desejo Foto: Divulgação

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O que acontece quando uma das maisons mais importantes do mundo encontra uma empresa conhecida por transformar carros clássicos em verdadeiras peças de coleção?

A resposta acaba de ser apresentada na Califórnia. A Louis Vuitton se uniu à Singer Vehicle Design, empresa especializada em restaurar e reinterpretar Porsche 911, para criar dois automóveis únicos. É a primeira vez, em seus 172 anos de história, que a maison francesa participa de um projeto automotivo co-branded.

Porém o mais interessante dessa parceria talvez não seja o carro em si. É o que ela diz sobre os novos caminhos do luxo.

Tudo começou de maneira relativamente discreta: com o pedido de um relógio para o painel. O projeto, desenvolvido a partir do universo do Tambour e da expertise da La Fabrique du Temps Louis Vuitton, cresceu até envolver praticamente todos os elementos dos veículos. 

Nasceram assim dois Porsche 911 Reimagined by Singer. O primeiro, um Classic, recebeu tons de açafrão, azul-cobalto e amarelo associados à Louis Vuitton.

O segundo, um Classic Turbo conversível, teve participação de Nicolas Ghesquière, diretor artístico das coleções femininas da maison, e aparece em branco Calcaire Lutétien, com detalhes sofisticados em madeira. 

E, claro, a experiência não termina quando se fecha a porta do carro. A Louis Vuitton criou malas sob medida, peças de vestuário, sapatos e acessórios para acompanhar os automóveis.

Até o relógio do painel pode ser removido e transformado em relógio de mesa. É quase como se carro, moda, viagem e lifestyle passassem a fazer parte de uma mesma coleção. 

Louis Vuitton e Singer transformam o Porsche 911 em objeto de desejo                         Louis Vuitton e Singer transformam o Porsche 911 em objeto de desejo - Divulgação

Para mim, é justamente aí que essa parceria se torna interessante para além da estética.

Durante muito tempo, pensamos o luxo através de categorias muito claras: moda, joalheria, relógios, automóveis, hotelaria. Hoje, essas fronteiras estão cada vez mais diluídas.

As grandes marcas não querem apenas ocupar o nosso guarda-roupa. Querem participar da maneira como viajamos, nos hospedamos, comemos, decoramos a casa e, agora, até da maneira como dirigimos.

No caso da Louis Vuitton, existe ainda uma conexão particularmente coerente. A maison nasceu em 1854 fazendo baús e construiu sua identidade em torno da arte de viajar. Muito antes dos aviões comerciais e das malas com rodinhas, Louis Vuitton já pensava em como transportar objetos com funcionalidade, beleza e savoir-faire.

A relação com o universo automotivo também não surgiu agora. A própria história da maison registra experiências ligadas aos automóveis desde o início do século XX. 

Por isso, colocar seu savoir-faire dentro de um Porsche 911 não parece simplesmente uma ação de marketing. De certa maneira, é uma atualização da mesma pergunta que acompanha a Louis Vuitton há mais de um século: como transformar o ato de viajar em uma experiência extraordinária?

Há ainda outro aspecto dessa parceria que traduz muito bem o momento atual do mercado de luxo: a busca pela singularidade.

Louis Vuitton e Singer transformam o Porsche 911 em objeto de desejoLouis Vuitton e Singer transformam o Porsche 911 em objeto de desejo - Divulgação

Em uma época em que produtos considerados exclusivos aparecem diariamente nas redes sociais e algumas bolsas de luxo se tornam quase onipresentes, possuir algo caro já não é necessariamente suficiente para transmitir exclusividade.

O verdadeiro luxo começa a migrar para aquilo que é difícil de reproduzir: tempo, artesanato, personalização, acesso e experiências criadas praticamente para uma única pessoa.

É justamente esse território que Louis Vuitton e Singer exploram aqui. Provavelmente o futuro do luxo não esteja apenas em lançar mais produtos, mas em criar objetos que carreguem histórias, diferentes especialidades e níveis quase obsessivos de atenção aos detalhes.

No encontro entre uma maison francesa, um ícone alemão e o trabalho artesanal de uma empresa californiana, o Porsche deixa de ser apenas um automóvel. Transforma-se em moda, design, engenharia, artesanato e viagem ao mesmo tempo, ajudando a redefinir o que chamamos de luxo hoje.

Saúde Correio B+

Você sabia que descolorir cílios pode perfurar os olhos?

Retirar imediatamente todo o descolorante que penetra no olho faz diferença entre a recuperação total e o dano permanente na visão. Oftalmologista ensina a técnica.

15/08/2026 15h30

Você sabia que descolorir cílios pode perfurar os olhos?

Você sabia que descolorir cílios pode perfurar os olhos? Foto: Divulgação

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A moda de descolorir cílios e até sobrancelhas começou nos  desfiles de  grifes de luxo e rapidamente viralizou entre influencers do TikTok. Usar descolorante para corpo ou cabelo nos olhos é muito perigoso, afirma o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier.

Isso porque, explica,  mesmo que o produto não penetre no olho, as glândulas que produzem  a camada oleosa da lágrima estão localizadas na borda das pálpebras superior e inferior.

“Por isso, a prática pode causar olho seco crônico, blefarite, terçol, calázio, queda e quebra dos cílios, dermatite de contato na pele ao redor dos olhos, alergia, edema e descamação das pálpebras,” salienta.

Quando o descolorante penetra no olho as alterações são ainda mais graves. Entre elas, o especialista destaca: Queimadura química na córnea e  conjuntiva, inflamação e risco de opacidade; Erosão e úlcera na córnea; Lesão no limbo, área que forma um anel ao redor da córnea  onde ficam células-tronco importantes para o restabelecimento da lente externa do olho.

Primeiros sintomas

O especialista que também é membro do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) afirma que os primeiros sinais de queimadura química nos olhos pelo descolorante são: dor intensa, vermelhidão, ardência no olho e na pálpebras, sensação de corpo estranho, visão embaçada, inchaço nas pálpebras, lacrimejamento e dificuldade de manter os olhos abertos.

Queiroz Neto conta que uma paciente resolveu seguir a ‘trend’ e  entrou em contato para saber o que podia diminuir a intensa dor em um dos olhos.

“Passei a ela o passo a passo dos primeiros socorros quando o olho sofre uma queimadura química e a orientei para  ir ao hospital logo após esta primeira higienização’ pontua. Quanto antes a água oxigenada e o descolorante forem completamente eliminados do globo ocular maior é a chance de não ter lesões oculares graves.

Passo a passo da higienização

As dicas do oftalmologista para eliminar descolorantes e outras substâncias tóxicas da superfície do olho são:

Incline a cabeça ligeiramente para baixo, tombe a cabeça para o lado oposto ao olho contralateral, puxe a  pálpebra superior com o dedo indicador para cima e a inferior para baixo  com o polegar para formar uma bolsa e garantir que a água entre embaixo das pálpebras onde os produtos costumam acumular e lave com água corrente continuamente, do canto interno  para o externo por 15 a 20 minutos. 

Durante a limpeza  Queiroz Neto orienta fazer movimentos circulares, verticais e horizontais com os olhos para que a água se espalhe por todos os cantos.

Tratamento clínico

O tratamento de queimaduras químicas nos olhos varia conforme a gravidade de cada caso, pontua. Pode incluir: Irrigação abundante no atendimento médico, muitas vezes com anestésico tópico para permitir abrir o olho;

Remoção de resíduos presos sob as pálpebras; Colírios antibióticos para prevenir infecção; Lubrificantes sem conservantes e, em alguns casos, soro autólogo para ajudar a regeneração;

Colírios cicloplégicos para aliviar a dor e o espasmo interno do olho; Corticoides em colírio apenas com controle médico, pois podem reduzir a inflamação, mas também trazer riscos se usados de forma errada; Vitamina C, citrato, doxiciclina ou outras medidas indicadas pelo especialista para reduzir o afinamento da córnea e favorecer a cicatrização;

Controle da pressão intraocular quando houver risco de glaucoma secundário; Lente de contato terapêutica ou lente escleral para proteger a córnea, reduzir atrito e manter a hidratação.

Cirurgias na córnea

Queiroz neto ressalta que queimaduras químicas graves que causam perfuração ou cicatriz profunda podem precisar de transplante de córnea.

Alguns pacientes que sofrem acidentes ou lesão menos  grave podem recuperar a visão pelo transplante de  limbo do outro olho sem risco de rejeição, ou pelo transplante autólogo de limbo cedido por  um doador, mas neste caso pode ocorrer rejeição.

Para quem só fica bem quando segue as tendências são opções mais seguras o rímel, o primer, extensão ou cílios postiços brancos. A moda passa, mas nossa necessidade de enxergar bem permanece e está relacionada à qualidade de vida, conclui.

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