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A energia do Tarô da semana entre 17 e 23 de agosto. É hora de aprender e aperfeiçoar talentos

Sob a regência do Oito de Ouros, a semana nos convida a transformar potencial em realização.

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Oito de Ouros: o poder de transformar talento em realização

Há semanas em que o céu parece nos convidar a sonhar, experimentar, arriscar. Outras nos pedem silêncio, recolhimento ou coragem para atravessar mudanças que não controlamos. Esta semana que se inicia pertence a uma categoria particularmente interessante: é um período de transformação da inspiração em matéria.

Depois da intensidade criativa do Sol em Leão, começamos a entrar em um território mais concreto, em que aquilo que desejamos precisa ganhar forma, método, consistência e continuidade. É por isso que o Oito de Ouros surge como a carta dos Arcanos Menores que melhor traduz o momento.

O Oito de Ouros é uma carta de construção. Em uma de suas imagens mais tradicionais, vemos uma pessoa concentrada diante de seu trabalho, produzindo, aperfeiçoando, repetindo gestos, aprendendo com a própria prática. Não há pressa nem espetáculo.

O que existe é dedicação. A carta nos lembra que talento é apenas o ponto de partida. Para que uma habilidade se transforme em realização, é preciso exercitá-la, aprimorá-la e, sobretudo, permanecer presente durante o processo.

Essa mensagem ganha ainda mais força quando observamos a passagem astrológica desta semana. A Lua chega ao Quarto Crescente em Escorpião na quarta (19), trazendo intensidade, profundidade e uma necessidade maior de agir sobre aquilo que foi percebido desde a Lua Nova em Leão.

Poucos dias depois, o Sol deixa Leão e entra em Virgem. Mercúrio também ingressa em Virgem no dia 25, reforçando uma atmosfera de organização, análise, discernimento e atenção aos detalhes.

É quase como se o céu dissesse: agora que você sabe o que quer, o que vai fazer com isso?

O signo de Leão nos lembra da importância de criar, desejar, ocupar nosso espaço e reconhecer aquilo que nos faz especiais. Virgem pergunta o que podemos fazer concretamente com esse potencial. O primeiro signo de fogo quer expressão; o segundo, de terra, quer utilidade.

Um acende a chama. O outro transforma a chama em trabalho. E o Oito de Ouros ocupa exatamente esse lugar de passagem: ele representa a pessoa que percebe que não basta ter inspiração — é preciso desenvolver a habilidade necessária para sustentá-la.

Existe uma diferença importante entre trabalhar muito e trabalhar com consciência. O Oito de Ouros não é simplesmente uma carta de esforço. É uma carta de aperfeiçoamento. Seu ensinamento não é “faça mais”, mas “faça melhor”. Existe uma inteligência na repetição representada por esse arcano.

Cada tentativa permite corrigir um detalhe, compreender um erro, ganhar segurança e descobrir uma maneira mais eficiente de realizar aquilo que se deseja. Por isso, esta pode ser uma semana especialmente favorável para estudar, organizar, revisar, editar, treinar, planejar e colocar em ordem aquilo que vinha sendo feito de maneira improvisada.

E isso também significa aceitar que nem todo crescimento é imediatamente visível.

Vivemos em uma cultura que valoriza muito o resultado final. Queremos saber quando algo vai acontecer, quanto vamos ganhar, qual será o reconhecimento, quando virá a promoção, quando encontraremos alguém, quando finalmente teremos certeza de que estamos no caminho certo.

O Oito de Ouros oferece uma perspectiva diferente. Ele fala do valor do processo. Algumas das transformações mais importantes acontecem enquanto ainda estamos trabalhando nos bastidores, sem aplausos e sem garantias.

Essa talvez seja uma das grandes lições da carta para os próximos dias: não desprezar aquilo que ainda está em construção.

A entrada do Sol em Virgem reforça justamente essa disposição para olhar para as pequenas partes que compõem um todo. O período virginiano favorece organização, trabalho cuidadoso, atenção aos detalhes e o aperfeiçoamento de habilidades.

O Oito de Ouros traduz isso perfeitamente porque sua força está na capacidade de transformar uma tarefa aparentemente pequena em parte de uma construção maior.

O desafio, porém, é não transformar aperfeiçoamento em perfeccionismo.

A sombra do Oito de Ouros aparece quando a busca por fazer melhor se transforma na sensação de que nunca está bom o suficiente. Podemos ficar presas à correção de detalhes e perder de vista o sentido do que estamos construindo.

Podemos trabalhar demais, revisar infinitamente, adiar uma entrega porque ainda não consideramos tudo perfeito.

Virgem, quando desequilibrado, pode acreditar que só merece reconhecimento depois de eliminar todas as imperfeições. O Oito de Ouros nos lembra justamente o contrário: é fazendo que aprendemos a fazer melhor.

Nesse sentido, a semana pode trazer uma pergunta bastante poderosa: o que você está disposto a aperfeiçoar porque realmente acredita que vale a pena?

A resposta é importante porque o Oito de Ouros não recomenda esforço indiscriminado. Ele fala de investimento. De escolher uma habilidade, uma relação, um projeto, uma profissão, uma direção e decidir que aquilo merece tempo e dedicação.

A carta não promete resultados instantâneos. Ela oferece algo talvez mais sólido: a possibilidade de construir competência e, a partir dela, autonomia.

No amor, essa mensagem é especialmente interessante. O Oito de Ouros não é uma carta de grandes declarações românticas, mas pode ser uma carta muito significativa para relações que desejam durar. Ele nos lembra que um relacionamento também é uma construção diária.

Não basta existir atração, sentimento ou encantamento. É preciso aprender a conversar, escutar, negociar diferenças, respeitar limites, reparar erros e criar pequenos gestos de cuidado que sustentem a relação no cotidiano.

Para quem está em uma relação, a semana pode favorecer uma atitude mais madura diante do amor. Em vez de perguntar apenas “o que eu sinto?”, talvez seja importante perguntar “o que estou fazendo para que esse sentimento tenha espaço para existir?”.

Amor também é presença. É atenção. É disponibilidade. É disposição para aprender a amar aquela pessoa específica, com sua personalidade, suas necessidades e suas diferenças.

Ao mesmo tempo, o Oito de Ouros pede cuidado com relações que parecem exigir esforço unilateral. Construção não significa carregar tudo sozinho. Se apenas uma pessoa trabalha para manter o vínculo, existe um problema. O aprendizado da carta está na reciprocidade: duas pessoas precisam estar dispostas a participar da construção.

Para quem está solteiro(a), o período pode favorecer uma percepção mais realista do amor. Talvez seja menos importante encontrar alguém que provoque uma explosão imediata de emoções e mais importante observar quem demonstra consistência. Quem aparece?

Quem procura? Quem presta atenção? Quem cumpre o que promete? Quem está disposto a construir? O Oito de Ouros prefere atitudes a discursos. Ele nos ensina que, no amor, a repetição dos pequenos gestos costuma dizer mais do que uma grande declaração isolada.

A passagem de Leão para Virgem também pode mudar a maneira como enxergamos o desejo. Depois de um período mais voltado à paixão, ao brilho e à expressão individual, começamos a perceber se existe compatibilidade entre aquilo que sentimos e aquilo que conseguimos viver.

O amor precisa caber na realidade. Precisa encontrar espaço na rotina, nos compromissos, nas escolhas e na vida concreta.

No trabalho, o Oito de Ouros encontra um de seus territórios naturais. É uma carta extremamente favorável para produtividade, aprendizado e desenvolvimento profissional. Mas sua mensagem não é simplesmente trabalhar mais horas.

É desenvolver aquilo que sabemos fazer, identificar onde ainda podemos melhorar e compreender que excelência é uma construção.

Esta pode ser uma semana excelente para revisar projetos, corrigir processos, organizar pendências, atualizar conhecimentos, aprender uma ferramenta nova ou finalmente dedicar atenção a uma habilidade que vinha sendo deixada de lado.

Também pode ser um bom momento para observar o próprio método de trabalho. O que está funcionando? O que desperdiça tempo? Onde existe retrabalho? O que poderia ser simplificado?

Na carreira, o Oito de Ouros fala de reputação construída por competência.

Nem sempre o reconhecimento chega primeiro. Muitas vezes, ele é consequência de uma série de pequenas entregas bem-feitas. A pessoa que se torna referência em determinada área geralmente não chegou ali por acaso: existe um acúmulo de experiência, estudo, prática e aperfeiçoamento. A carta nos convida a olhar para esse acúmulo.

Se você está buscando uma mudança profissional, talvez esta não seja uma semana para esperar uma resposta definitiva do universo, mas para perguntar: o que posso fazer hoje para me tornar mais preparado para a oportunidade que quero amanhã?

Pode ser atualizar o currículo, estudar, ampliar contatos, organizar um portfólio, retomar um projeto, aperfeiçoar uma habilidade ou simplesmente voltar a fazer algo que você sabe que faz bem.

O Oito de Ouros é uma carta muito poderosa para quem está construindo uma nova etapa profissional porque ela mostra que competência também é uma forma de poder.

E há algo especialmente bonito nessa perspectiva: ninguém pode tirar de você aquilo que você realmente aprendeu a fazer.

Reconhecimento externo pode desaparecer. Um cargo pode mudar. Uma empresa pode deixar de existir. Um projeto pode ser interrompido. Mas a experiência acumulada permanece. O conhecimento incorporado ao corpo, à inteligência e à prática continua sendo seu. É por isso que o Oito de Ouros também pode representar investimento em si mesmo.

No dinheiro, a carta pede uma relação mais consciente com os recursos. Não é uma energia de enriquecimento rápido ou de ganhos inesperados. É muito mais ligada à construção gradual de segurança. Dinheiro que vem do trabalho, da competência, da constância e da capacidade de transformar conhecimento em valor.

É um bom momento para olhar para as próprias finanças com objetividade. Rever gastos, organizar contas, pensar em prioridades e avaliar se os recursos estão sendo direcionados para aquilo que realmente importa. Mais do que cortar por cortar, a carta pergunta: onde vale a pena investir?

E essa pergunta pode ser aplicada também ao investimento em si mesmo. Um curso, uma formação, uma ferramenta de trabalho ou uma experiência que aumente sua capacidade profissional pode ter mais valor do que uma compra impulsiva. O Oito de Ouros entende dinheiro como energia que pode ser transformada em estrutura.

Sua sombra financeira aparece quando confundimos produtividade com valor pessoal. Trabalhar incessantemente não significa necessariamente prosperar. Às vezes, a verdadeira evolução consiste em aprender a cobrar melhor pelo que fazemos, reconhecer nossa experiência ou encontrar uma maneira mais inteligente de usar nosso tempo.

Essa é uma distinção importante: o Oito de Ouros não pede que você prove seu valor pelo excesso de esforço. Ele pede que você reconheça o valor daquilo que sabe fazer.

A proximidade do eclipse lunar de 28 de agosto acrescenta uma sensação de fechamento de ciclo à semana. O eclipse acontece com a Lua Cheia em Peixes, diante do Sol em Virgem, criando um eixo simbólico entre organização e entrega, controle e confiança, matéria e sensibilidade.

Por isso, os dias que antecedem o eclipse podem funcionar como uma espécie de preparação: aquilo que precisa ser colocado em ordem começa a pedir atenção, enquanto aquilo que já cumpriu sua função pode começar a perder sentido.

O Oito de Ouros é particularmente sábio nesse contexto porque sabe diferenciar persistência de insistência.

Persistir é continuar aperfeiçoando algo que tem potencial. Insistir é continuar fazendo a mesma coisa mesmo quando ela já não produz vida. Às vezes, a maior maturidade não está em trabalhar mais, mas em perceber que determinado trabalho terminou.

Por isso, a carta não fala apenas de fazer. Ela fala de aprender. E aprender inclui descobrir quando continuar, quando corrigir e quando mudar de direção.

Talvez seja essa a principal mensagem da configuração astrológica da semana: estamos entrando em uma fase em que pequenas escolhas podem ganhar consequências maiores. A energia não está necessariamente voltada para grandes gestos, mas para aquilo que se repete.

Um hábito. Uma conversa. Uma decisão. Uma tarefa concluída. Uma habilidade desenvolvida. Um limite estabelecido. Uma conta organizada. Um projeto retomado. Um cuidado oferecido.

Oito de Ouros é a carta que nos ensina a respeitar o tempo das coisas.

Existe um momento para desejar e existe um momento para construir. Existe um momento para imaginar quem queremos ser e outro para começar a praticar essa pessoa.

Existe um momento para mostrar nosso brilho e outro para sentar diante da bancada, pegar as ferramentas e trabalhar silenciosamente.

E talvez seja justamente aí que esteja a beleza dessa carta. Ela não promete atalhos. Promete consistência. Não diz que tudo ficará pronto rapidamente.

Diz que cada etapa importa. Não garante reconhecimento imediato. Garante que aquilo que é feito com atenção, consciência e dedicação pode adquirir uma qualidade que não depende do acaso.

Na passagem de Leão para Virgem, podemos levar conosco a chama da criatividade, mas precisamos aprender a dar forma a ela. O Sol em Leão nos lembra que temos algo único para oferecer.

O Sol em Virgem pergunta como podemos transformar esse potencial em algo útil, concreto e duradouro. O Oito de Ouros responde: praticando.

Então, nesta semana, talvez valha menos perguntar “quando vai acontecer?” e mais perguntar “o que posso aperfeiçoar hoje?”.

Porque nem todo avanço chega como uma grande virada.

Às vezes, ele chega como uma pequena correção.

Uma escolha mais consciente.

Uma habilidade que finalmente começa a amadurecer.

Uma relação que aprende a se comunicar melhor.

Um trabalho que ganha qualidade.

Um dinheiro que começa a ser administrado com mais inteligência.

Um projeto que deixa de ser apenas uma ideia e ganha forma.

E, quando percebemos, aquilo que parecia apenas repetição era, na verdade, construção.

Oito de Ouros é a arte de transformar potencial em competência, competência em confiança e confiança em realização.

Nesta semana, não tenha pressa de colher. Observe o que está sendo construído. Escolha onde vale colocar sua energia. Faça com presença. Corrija sem se punir. Aprenda sem exigir perfeição.

E lembre-se: algumas das coisas mais importantes que estamos criando para o futuro começam justamente quando ninguém ainda está olhando.

O trabalho invisível também é trabalho. E, muitas vezes, é ele que prepara o próximo grande salto.

Uma ótima semana e muita luz,

Ana Cristina Paixão

Comportamento Correio B+

Inglês ao longo da vida: por que o aprendizado contínuo de um segundo idioma começa na infância

Em uma sociedade cada vez mais conectada, o domínio do inglês, principalmente, está relacionado à capacidade de acessar conhecimento, estabelecer relações, ampliar oportunidades e acompanhar transformações que acontecem em diferentes partes do mundo.

06/09/2026 16h18

Inglês ao longo da vida: por que o aprendizado contínuo de um segundo idioma começa na infância

Inglês ao longo da vida: por que o aprendizado contínuo de um segundo idioma começa na infância Foto: Divulgação

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Aprender uma segunda língua deixou de ser um diferencial restrito a determinados momentos da vida acadêmica ou profissional. Em uma sociedade cada vez mais conectada, o domínio do inglês, principalmente, está relacionado à capacidade de acessar conhecimento, estabelecer relações, ampliar oportunidades e acompanhar transformações que acontecem em diferentes partes do mundo.

Mais do que aprender um idioma, desenvolver essa competência significa construir uma habilidade que pode acompanhar o indivíduo durante toda a vida. Por isso, quando falamos sobre educação em inglês, é importante pensar além da conclusão de um curso.

Marcia Lima que atua no Grupo MoveEdu como gerente pedagógica do Yázigi diz: "O aprendizado de uma segunda língua é um processo contínuo, que pode começar na infância, ganhar novos níveis de complexidade na adolescência e continuar sendo aprimorado na vida adulta. Quanto mais cedo esse contato começa, maiores são as possibilidades de incorporar o idioma de maneira natural à rotina e de construir uma relação de longo prazo com o aprendizado".

A infância representa uma etapa especialmente importante nesse processo. É nesse período que a criança está desenvolvendo diferentes habilidades cognitivas, sociais e de comunicação e apresenta grande capacidade de absorver novos sons, estruturas e formas de expressão.

"O contato precoce com o inglês permite que o idioma seja introduzido de maneira progressiva, respeitando cada fase do desenvolvimento e evitando que o aprendizado seja associado exclusivamente à memorização ou à preparação para provas", explica.

Por isso, o ensino para crianças precisa considerar que aprender uma língua também é uma experiência.

"Recursos lúdicos, interação, atividades práticas e situações próximas do universo infantil ajudam a tornar o contato com o inglês mais significativo. Quando o aluno percebe que pode utilizar o idioma para se comunicar, brincar, descobrir coisas novas e interagir com outras pessoas, o inglês deixa de ser apenas uma disciplina e passa a fazer parte de sua formação", diz Marcia.

Esse processo também contribui para que o estudante desenvolva confiança.

"Uma das principais barreiras encontradas por quem começa a estudar um idioma apenas na vida adulta é o receio de errar. Na infância, a relação com o erro tende a ser diferente. Criar um ambiente em que experimentar, tentar novamente e se comunicar fazem parte do aprendizado ajuda a formar estudantes mais seguros para utilizar o inglês em diferentes situações", fala.

Na infância, o aprendizado da fala em um segundo idioma também pode ser realizado de maneira mais natural, especialmente porque os pequenos estão em uma fase de intenso desenvolvimento da capacidade de articulação dos sons e de percepção auditiva.

"Ao ter contato frequente com o inglês desde cedo, podem desenvolver maior familiaridade com diferentes fonemas, entonações e ritmos da língua, reproduzindo-os com mais espontaneidade. Esse contato precoce contribui para a construção de uma pronúncia mais natural e para que a comunicação em outro idioma seja incorporada de forma gradual ao seu repertório".

Mas começar cedo não significa que o aprendizado termina cedo. Pelo contrário. O inglês deve acompanhar as diferentes fases da vida.

"Na adolescência, por exemplo, o idioma pode ser utilizado para ampliar o acesso a conteúdos, culturas, tecnologias e oportunidades internacionais. Na universidade e no início da trajetória profissional, passa a ter ainda mais relevância para pesquisas, cursos, networking e mercado de trabalho. Na vida adulta, a continuidade desse aprendizado também é fundamental. Novas profissões surgem, tecnologias transformam atividades e as relações profissionais se tornam cada vez mais globais. Nesse contexto, manter o contato com a língua significa também manter aberta a possibilidade de aprender continuamente".

Essa perspectiva muda a maneira como escolas de idiomas devem enxergar sua atuação. O objetivo não pode ser apenas fazer com que o aluno conclua determinado nível.

É preciso criar uma jornada educacional capaz de estimular autonomia e curiosidade para que o estudante continue utilizando e aprimorando o idioma ao longo do tempo.

"No Yázigi, por exemplo, essa visão está diretamente relacionada ao trabalho desenvolvido com crianças. A formação desde os primeiros anos busca criar uma base sólida para que o aluno avance progressivamente, respeitando seu desenvolvimento e construindo familiaridade com o idioma. Mais do que antecipar o contato com o inglês, a proposta é fazer com que a criança compreenda, desde cedo, que aprender uma língua é uma competência que poderá acompanhá-la em diferentes momentos de sua trajetória", exemplifica.

Em um mundo no qual informação e conhecimento circulam sem fronteiras, essa preparação ganha ainda mais relevância, já que o inglês está presente na ciência, na tecnologia, no entretenimento, nos negócios e na comunicação internacional.

"Ter acesso a esse universo sem depender exclusivamente de traduções amplia as possibilidades de aprendizagem e participação. A educação, portanto, precisa preparar o indivíduo não só para uma etapa específica, mas para uma vida de aprendizado. Começar o inglês na infância é uma forma de construir essa jornada desde cedo, mas o verdadeiro valor está em desenvolver no estudante a disposição para continuar aprendendo", explica.

Acredito que esse seja um dos principais papéis de uma escola de idiomas, não apenas ensinar uma língua, mas ajudar a formar pessoas que entendam o aprendizado como algo permanente.

"Quando uma criança começa a aprender inglês hoje, não estamos pensando somente na próxima prova ou no próximo nível do curso. Estamos contribuindo para que ela tenha, no futuro, mais ferramentas para estudar, trabalhar, viajar, se comunicar e compreender um mundo cada vez mais conectado", finaliza.

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com Erica Montanheiro, ela integra o elenco de "Elize, Sombras de uma Mulher"

"Essa personagem me atravessou profundamente. Ela não é construída para ser julgada ou absolvida, mas para revelar como relações familiares adoecidas podem atravessar gerações".

06/09/2026 15h34

Entrevista exclusiva com Erica Montanheiro, ela integra o elenco de

Entrevista exclusiva com Erica Montanheiro, ela integra o elenco de "Elize, Sombras de uma Mulher" Foto: Divulgação

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Depois de uma trajetória consolidada nos palcos, a atriz, diretora, dramaturga e preparadora de elenco Erica Montanheiro faz sua estreia em uma grande produção audiovisual vivendo a mãe de Elize no filme “Elize, Sombras de uma Mulher”, da Netflix.

Dirigido por Vellas, o longa alcançou repercussão internacional e permanece entre os filmes mais assistidos da plataforma, ocupando o primeiro lugar no ranking global de produções de língua não inglesa.

Na trama, Erica interpreta uma personagem fundamental para a construção da narrativa. Embora apareça em momentos pontuais, sua presença ajuda a revelar o passado de Elize, marcado por abusos sofridos dentro de casa e pela ausência de acolhimento materno.

A relação entre mãe e filha expõe um ambiente familiar atravessado pela violência, pela competição e por ciclos de abuso que ajudam a compreender a complexidade emocional da protagonista, sem, em nenhum momento, justificar os crimes que marcaram sua história.

“Essa personagem me atravessou profundamente. Ela não é construída para ser julgada ou absolvida, mas para revelar como relações familiares adoecidas podem atravessar gerações. Fazer parte de uma obra que provoca tantas reflexões e que alcançou um público tão grande é um marco muito importante na minha trajetória”, afirma Erica Montanheiro.

Reconhecida por sua sólida carreira no teatro, Erica é formada pela École Philippe Gaulier, na França, além de ser bacharel em Letras pela USP e em Cinema e Audiovisual.

Ao longo da carreira, trabalhou com alguns dos principais nomes das artes cênicas brasileiras, entre eles Jô Soares, com quem integrou o elenco de cinco produções entre 2011 e 2022, e Miguel Falabella, parceiro frequente em projetos como atriz, diretora assistente e preparadora de elenco.

Entrevista exclusiva com Erica Montanheiro, ela integra o elenco de "Elize, Sombras de uma Mulher"                                           Com Jô Soares - Divulgação GShow - Divulgação

Além do sucesso de “Elize, Sombras de uma Mulher”, Erica vive uma fase intensa de novos projetos. Em outubro, estreia como atriz o espetáculo “Cansei de Ser Belo”, com direção de Kleber Montanheiro, no Teatro YouTube.

Também integra a equipe criativa do musical “Gil – Andar com Fé”, dirigido por Miguel Falabella, como preparadora de elenco, e prepara o antropólogo Michel Alcoforado para sua estreia nos palcos com a aula-espetáculo “Coisa de Rico: Outras Histórias”, inspirada no best-seller homônimo.

Erica construiu uma carreira marcada pela versatilidade, transitando entre atuação, direção, dramaturgia e preparação de elenco. Agora, com sua participação em “Elize, Sombras de uma Mulher”, amplia sua atuação para o audiovisual em um projeto de alcance internacional, consolidando um novo capítulo em sua trajetória artística.

A atriz é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista com o Caderno ela fala sobre carreira, escolhas e o filme sucesso na Netflix sobre Elize Matsunaga.

Entrevista exclusiva com Erica Montanheiro, ela integra o elenco de "Elize, Sombras de uma Mulher"A atriz Erica Montanheiro é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Caio Oviedo - Diagramação - Denis Felipe
Por - Flávia Viana

CE - Sua carreira transita por atuação, direção, dramaturgia e preparação de elenco. Em que momento você percebeu que não precisava escolher apenas uma dessas funções e que essa multiplicidade poderia ser justamente a sua identidade artística?
EM -
 Atuação é algo que nunca se deixa de estudar. Com o passar do tempo percebi essa conexão: enquanto ensinava, aprendia também, era uma maneira de estar sempre refletindo sobre meu ofício. Dou aulas de teatro desde que comecei a fazer teatro, depois fui me interessando mais pela formação de atores.

Em 2017, fui convidada por duas atrizes a dirigir um espetáculo e nunca mais parei. A dramaturgia veio através do meu solo Inventário, uma peça sobre a escultora francesa Camille Claudel (faço uma apresentação na mostra Palcos em SP no final desse mês). Pesquisei muito sobre ela e apresentei o material para um amigo dramaturgo e ele me disse: quem tem que escrever essa peça é você. 

Em 2024, eu, Kleber Montanheiro e Marília Toledo produzimos o musical da Broadway Cabaret, no 033 Rooftop, em SP. Kleber dirigiu a montagem e me propôs preparar o elenco.

Essas outras funções foram surgindo como desdobramentos, mas acabei percebendo que as (os) artistas que eu sempre admirei são aqueles que exercem funções múltiplas:  Miguel Falabella, Yara de Novaes, Grace Passô, Isabel Teixeira, Kleber Montanheiro, Jô Soares. 

CE - Você estudou na École Philippe Gaulier, na França, uma formação bastante particular dentro das artes cênicas. O que daquela experiência permanece vivo na profissional que você se tornou hoje? 
EM - 
A escola era dirigida por um palhaço chamado Philippe Gaulier. Tudo que estudávamos tinha o olhar de fora de um palhaço nos conduzindo. Isso significa aprender a rir de si mesmo, não se levar tão a sério.

Mesmo que estejamos fazendo um drama. Depois trabalhei com Jô Soares em 4 espetáculos, e ter sido dirigida por ele também foi um aprendizado enorme, especialmente sobre timing de comédia. Miguel Falabella com quem trabalho há alguns anos é um artista com múltiplos talentos.

E os três me ensinaram a olhar a cena e as personagens pela lente da comédia. Toda situação trágica pode conter algo de ridículo. A vulnerabilidade do ser humano pode ser muito patética. E, às vezes, esse patético desperta o riso. Às vezes, desperta piedade e comoção.

CE - Ao longo de uma carreira tão diversa, existem personagens ou trabalhos que você considera verdadeiros divisores de águas? O que eles transformaram na sua maneira de enxergar a profissão? 
EM -
 Estudei muito a escultora francesa Camille Claudel, e ter criado esse solo foi um divisor de águas na minha carreira: além do amadurecimento como atriz que um solo exige, passei a enxergar o trabalho das mulheres de uma forma diferente em um mundo tão machista.

A história dela é muito triste: uma artista brilhante que fazia os pés das esculturas assinadas por Rodin, com quem teve um romance. Ela terminou a vida em um asilo psiquiátrico, renegada pela família. O trabalho no filme Elize também é um divisor porque é minha primeira experiência num projeto audiovisual de grande porte. 

Entrevista exclusiva com Erica Montanheiro, ela integra o elenco de "Elize, Sombras de uma Mulher"Flavio Tolezani e Erica Montanheiro - Divulgação

CE - Como preparadora de elenco, você trabalha diretamente com atores na construção de personagens. O que essa experiência nos bastidores acrescenta quando você volta a ocupar o lugar de atriz?
EM -
 As múltiplas funções que exerço na arte compõem quem eu sou como artista. Uma coisa alimenta a outra. E penso todas as funções a partir da arte do ator. Escrevo pensando na voz que vai dizer aquele texto, dirijo tendo como eixo central o corpo dos atores.

Quando preparo os atores penso na construção das personagens e quando vejo o resultado me sinto lá em cena com eles, naqueles corpos, em cada gesto construído, em cada tempo de piada, em cada emoção conquistada por eles. Quando volto a ocupar o palco carrego um pouquinho do humor de cada um deles comigo. A gente se contamina. 

CE - Você está envolvida em projetos bastante diferentes entre si, da atuação à preparação de elenco. Como faz para mudar de universo e manter a disponibilidade criativa necessária para cada trabalho?
EM -
 Atuar sempre me dá frio na barriga. Aquela adrenalina gostosa de uma montanha-russa. E isso já é um alimento à criatividade: pensar sobre o trabalho do ator. Apesar da diversidade das funções e dos projetos, meu olhar sempre parte do ator.

Além disso, cada trabalho traz assuntos diferentes e isso é enriquecedor: acabei de preparar o antropólogo Michel Alcoforado para sua primeira aula-espetáculo; ler seu livro (Coisa de Rico) e ouvi-lo falar sobre antropologia foi um motor criativo. A criatividade é um músculo que precisa ser estimulado e a cultura é estímulo.  

CE - Em outubro, você estreia como atriz em “Cansei de Ser Belo”, com direção de Kleber Montanheiro. O que te atraiu nesse projeto e o que esse trabalho desperta em você que talvez seja diferente dos personagens que interpretou anteriormente?
EM -
 O que me atraiu logo de cara foi a oportunidade de trabalhar de novo com o Kleber Montanheiro (diretor, meu irmão). Mas além disso, o texto é uma comédia ácida de Emílio Boechat, faz rir e traz reflexões sobre os limites da vaidade, do ego, das aparências.  Faço todas as personagens femininas da peça, o que é um parque de diversões. 

CE - Você também está na equipe criativa do musical “Gil – Andar com Fé”, como preparadora de elenco. O que representa para você participar de uma obra dedicada a um artista tão importante para a cultura brasileira e quais são os desafios de preparar um elenco para contar uma história como essa?
EM - 
Estar na equipe criativa de uma obra sobre  Gilberto Gil é imenso. Gil é uma universidade.  Ele não é “só música” — é história do Brasil, é resistência, é reinvenção constante.

O trabalho da preparação no teatro musical tem basicamente três eixos: o primeiro é pré-ensaios - estudos sobre a personagem/ contexto histórico e treinamento vocal / corporal para a composição da personagem; esse primeiro momento é pra levantar material.

O segundo é diretamente na sala de ensaio, compreendendo o que a direção quer e ajustando o trabalho dos atores, “traduzindo” o que a direção precisa para conduzir o ator no percurso e alcançar o resultado final.

Por fim, tem o trabalho de interpretação de texto: compreensão do percurso, embocadura, criação de imagens no trabalho com a palavra. Esse espetáculo foi ainda mais desafiador porque tem muitas figuras reais retratadas ali: o jogo foi encontrar o equilíbrio entre a mimesis de personalidades da nossa cultura (Gil, Caetano, Gal, Bethânia, Rita Lee, Elis) e a verdade de cada performer.

É o Gil do Gui Ventura, a Rita Lee da Mariel, o Caetano do Henrique. Cada ator/atriz traz sua particularidade e história no diálogo com o artista que ele está interpretando. 

Entrevista exclusiva com Erica Montanheiro, ela integra o elenco de "Elize, Sombras de uma Mulher"A atriz Erica Montanheiro é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Divulgação - Diagramação - Denis Felipe
Por - Flávia Viana

CE - Depois de tantos anos dedicados ao teatro e agora ampliando sua presença no audiovisual, como você enxerga o atual momento da carreira? É uma fase de consolidação, de reinvenção ou de abertura para possibilidades que antes não estavam no seu radar?
EM -
 Eu diria que é um pouco das três coisas. Tem consolidação, porque anos de teatro me deram um repertório técnico e emocional que uso hoje com mais segurança. Tem reinvenção, porque são linguagens diferentes: no teatro a energia é construída para se sustentar num arco contínuo diante do público ao vivo; no audiovisual, o organismo vivo é a câmera - é preciso saber jogar com ela.

E sim, é preciso estar aberta para esse novo mundo, para conhecer os profissionais que fazem o audiovisual brasilileiro. Acho que depois de um tempo de carreira a gente para de ter medo de sair do lugar onde já é reconhecido, e isso é libertador.

CE - “Elize, Sombras de uma Mulher” parte de uma história real que já é muito conhecida pelo público brasileiro, mas apresenta novas camadas e perspectivas sobre essa trajetória. Na sua visão, o que o filme consegue revelar sobre essa história que talvez ainda não tivesse sido tão explorado?
EM - 
Acho que antes de qualquer coisa é preciso lembrar que Elize foi julgada e condenada pelo crime que cometeu. Não cabe a nós, atores e atrizes do filme, qualquer opinião sobre isso. Não há justificativa e é preciso respeitar a dor da família da vítima.

Mas dito isso, podemos olhar pro cinema como um lugar que provoca atravessamentos e reflexões. O público já conhece essa história pelas manchetes, pelo julgamento midiático que ela sofreu na época. O filme tenta fazer o caminho inverso: sair da manchete e entrar na pessoa.

A gente teve acesso a camadas que o noticiário não teve tempo ou interesse de explorar: o histórico familiar violento de Elize molda quem ela se tornou. Olhar para a história familiar de Elize levanta questionamentos sobre nossa sociedade. As relações abusivas na linhagem de mulheres desta família me chamou atenção e me sensibilizou. A mãe tem um histórico de relações abusivas e violentas.

Foi uma mulher presa em um ciclo — o que ela não via/não queria ver, decisões que ela toma/deixa de tomar são elementos que constituem o que Elize vive na adolescência e na vida adulta, como por exemplo, os abusos sofridos por parte do padrasto.

Acho que o filme revela principalmente isso: que por trás de qualquer caso que vira notícia existe uma trajetória de vida, com dores, escolhas e circunstâncias que não cabem em uma manchete. 

CE - Como você acredita que o filme contribui para que o público enxergue Elize para além do crime pelo qual foi condenada?
EM - 
Eu acho que o grande papel do filme é humanizar sem justificar. A gente não está ali para absolver ninguém, mas para mostrar que uma pessoa não se resume ao pior momento da sua vida. Espero que quem assista saia enxergando a Elize como uma mulher inteira — uma mãe com história, com feridas, com contradições — e não só como a personagem de um caso policial. 

CE - A mãe de Elize aparece em momentos pontuais, mas sua presença é determinante para compreender algumas das feridas que acompanham a protagonista. Na sua visão, o que essa personagem representa dentro da narrativa e por que era importante que o público conhecesse também esse lado da história de Elize?
EM -
 O desafio foi encontrar humanidade sem justificar a omissão da mãe diante do padrasto abusivo e a relação dele com Elize. Expor essas contradições em uma relação mãe e filha (que deveria ser o lugar de acolhimento e afeto) foi o foco da construção da personagem.

Com pouco tempo de tela, cada gesto, cada silêncio e cada olhar precisa carregar a história da personagem e a relação com a protagonista de maneira objetiva. Tem que ser uma flecha! Não dá tempo de fazer mistério pra entregar depois.

É preciso aproveitar cada segundo expondo a intenção e o sentido de cada ação, tudo tem que ter um porquê. É preciso trabalhar  o que  não é dito — o que ela evita olhar, o que ela finge não perceber — para que o público sinta o histórico de dor das personagens imediatamente. Preciso aqui ressaltar a beleza do encontro com Lorena Comparato.

Que atriz magnífica, que artista sensível e comprometida, que pessoa bonita pra se ter na vida. Nosso jogo e química dentro e fora do set foram de extrema beleza e troca - muito diferente da relação tóxica da Elize e sua mãe na narrativa. Retratar a mãe e a relação de Elize com ela é, de certa forma, mostrar de onde vêm essas sombras que dão nome ao filme.





 

 

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