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A energia do Tarô da semana entre 19 e 25 de janeiro. Oportunidades e atitudes com clareza.

O Oito de Paus como carta regente indica avanço rápido e situações que finalmente se destravam. As oportunidades surgem de repente e pedem ação imediata, mas sem perder a clareza para não agir por impulso.

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O Oito de Paus indica que as lutas e tensões representadas pelo Sete de Paus finalmente começam a se dissipar. Agora, você recupera a liberdade e o espaço necessários para avançar novamente com seus planos.

Trata-se de uma carta extremamente dinâmica, carregada de uma energia intensa que o impulsiona rumo aos seus objetivos em um ritmo muito mais acelerado do que antes. O período tende, portanto, a ser bastante agitado, mas é aquele tipo de “correria boa”, em que o entusiasmo cresce à medida que os resultados aparecem.

Com o Oito de Paus como carta regente, esta é, sem dúvida, uma semana de movimento, rapidez e desbloqueios. Situações que estavam paradas tendem a ganhar impulso, trazendo respostas, convites, mensagens e avanços inesperados.

O Oito de Paus fala de fluxo acelerado: tudo acontece ao mesmo tempo, exigindo foco e agilidade para aproveitar as oportunidades.

Oito de Paus — Simbolismo e Descrição Visual da Carta

O Oito de Paus é uma daquelas cartas que parecem vibrar de energia à primeira vista. No baralho tradicional de Rider-Waite-Smith, vemos oito bastões de madeira cruzando o céu em diagonal, deslocando-se rapidamente do canto superior esquerdo para o inferior direito da carta. Há movimento evidente ali — e mais do que isso: um movimento com direção, propósito, nada caótico.

O que mais chama atenção, curiosamente, é aquilo que não está presente. Não há figuras humanas. Ninguém lança esses paus, ninguém os aguarda do outro lado. Essa ausência é significativa. Ela sugere que a energia representada pelo Oito de Paus não depende mais do esforço pessoal direto. Algo já foi colocado em movimento. Os paus estão no ar, suspensos nesse instante eletrizante entre o impulso inicial e o ponto de chegada.

O céu claro, sem nuvens ou tempestades, reforça a ideia de condições favoráveis: nada bloqueia a luz ou desvia a trajetória. Para muitos tarólogos, isso indica que as circunstâncias externas finalmente se alinham.

O número oito remete à manifestação e à conclusão de ciclos, mas, nesta carta, os paus ainda estão em movimento. Em pleno voo, sugerem que algo atravessa suas etapas finais antes de se concretizar. A inclinação diagonal reforça o dinamismo: não há queda nem resistência, apenas um avanço rápido, preciso e intencional, guiado por um propósito invisível, porém claro.

O Oito de Paus costuma indicar uma mudança clara de ritmo. Situações que estavam estagnadas ou avançavam lentamente podem, de repente, ganhar velocidade. Esta carta convida você a observar onde o impulso está se formando em sua vida, onde a energia antes dispersa começa a se organizar em uma direção definida.

Há um entusiasmo natural associado a esse arcano. Ele representa aquele momento em que várias peças de um quebra-cabeça se encaixam quase ao mesmo tempo — não por esforço, mas porque o tempo certo finalmente chegou. Se você vinha se dedicando a algo sem enxergar resultados concretos, o Oito de Paus sugere que essa fase de espera está chegando ao fim. As respostas aparecem, e talvez mais rápido do que o esperado.

A comunicação é um tema central aqui. Essa carta frequentemente aponta para mensagens a caminho: e-mails, ligações, conversas ou notícias importantes. Mas o simbolismo vai além do literal. Pode indicar também um fluxo intenso de ideias, lampejos de inspiração criativa ou uma clareza mental repentina após um período de confusão. Se você aguardava um retorno, este arcano sugere atenção redobrada — ao inbox externo e ao interno.

O Oito de Paus também está associado a deslocamentos e viagens. Nem sempre físicas, embora possam ser. Muitas vezes, ele simboliza transições rápidas entre fases da vida, mudanças de estado emocional ou expansões súbitas de perspectiva.

Um aspecto especialmente interessante desse arcano é sua relação com o controle. Diferente de cartas que mostram personagens em ação, aqui a energia flui sem mãos visíveis conduzindo o processo. Isso pode ser libertador. O Oito de Paus lembra que, em certos momentos, o melhor que podemos fazer é sair do caminho e permitir que os acontecimentos sigam seu curso natural — que, neste caso, é acelerado.

Isso me lembra o coelhinho de Alice no País das Maravilhas: sempre de olho no relógio, sempre apressado, atento ao tempo que escorre enquanto repete, aflito: “É tarde, é tarde…”.

O tempo é um fator-chave. Essa carta costuma sinalizar que o agora é importante, que oportunidades surgidas neste momento podem não permanecer disponíveis por muito tempo. Se uma chance aparece, o Oito de Paus convida à ação consciente, em vez da procrastinação.

Energeticamente, este arcano fala de alinhamento. Ele indica que diferentes elementos de uma situação estão sincronizados de forma favorável. Obstáculos se dissolvem, resistências cedem, e o fluxo começa a trabalhar a seu favor.

Não é sobre forçar resultados, mas sobre reconhecer quando a corrente muda de direção — e escolher nadar junto com ela.

Por fim, o Oito de Paus também propõe uma reflexão pessoal: como você reage à velocidade? Algumas pessoas funcionam bem em meio a mudanças rápidas; outras se sentem sobrecarregadas. A carta não julga nenhuma dessas respostas.

Ela apenas pede consciência. Entender sua própria relação com o ritmo e o movimento pode ser essencial para atravessar períodos de transformação acelerada com mais lucidez e equilíbrio.

Em muitos casos, o Oito de Paus surge com uma mensagem direta e quase imperativa: “faça o que precisa ser feito”. Escreva os e-mails, conclua a tarefa pendente, pare de procrastinar, arrisque-se, dê aquele passo de fé. Pergunte a si mesmo: estou deixando a ansiedade atrasar meu progresso? Preciso me posicionar ou enfrentar algo para finalmente superar essa situação?

Não se espante se áreas da sua vida que estavam paradas começarem a ganhar velocidade. Resgate sua motivação e aja. Sem desculpas, sem autossabotagem, sem permitir que o medo dite o ritmo. Evitar conflitos e decisões drena seu poder pessoal; hoje, a verdadeira força está em encarar e agir. Aproveite esse embalo e siga confiante em direção ao sucesso.

Oito de Paus no Amor

Novo relacionamento

O Oito de Paus pode indicar uma conexão empolgante, que evolui rapidamente. A pessoa envolvida é estimulante e abre espaço para experiências intensas e cheias de novidade. A comunicação flui com facilidade, trazendo conversas envolventes, interesses em comum e troca de ideias constante.

Relacionamento de longo prazo

Aqui, o Oito de Paus sinaliza mudanças importantes que criam novas oportunidades para você ou para seu par. Pode indicar o retorno da paixão e da comunicação após um período de silêncio ou afastamento emocional. Um novo fôlego chega à relação, trazendo movimento, entusiasmo e renovação. Quando essa carta aparece, o conselho é claro: deixe-se levar pelo fluxo.

Em busca de romance

Se você está solteiro, o Oito de Paus incentiva a agir em vez de pensar demais. Evite a paralisia da análise. Se alguém despertar seu interesse, manifeste-se. Interações online também podem ser um caminho seguro para iniciar contatos, testar o terreno e ganhar confiança antes de mergulhar de vez no universo dos encontros.Parte superior do formulárioParte inferior do formulário

No trabalho e nas finanças

Sob a influência do Oito de Paus, trabalho e dinheiro entram em movimento: negociações avançam, projetos destravam e o fluxo financeiro acelera.

O Oito de Paus convida você a seguir o fluxo, sem resistências. Tudo está se movendo rapidamente, e este é o momento ideal para aproveitar esse impulso e materializar seus sonhos e intenções. Permita que a energia do Universo flua através de você, empurrando-o cada vez mais perto da meta desejada.

Tentar desacelerar por medo do desconhecido ou por sentir que ainda não está pronto apenas desperdiça essa oportunidade. Em vez disso, canalize essa força para promover mudanças positivas e alcançar resultados significativos.

Essa carta também pede foco absoluto. Defina com clareza o que você deseja manifestar e alinhe seus recursos, decisões e energia em torno de um único objetivo. Elimine distrações e dedique-se à tarefa com concentração total, determinação e força de vontade. O potencial produtivo aqui é enorme: muito pode ser realizado em pouco tempo.

Com o Oito de Paus, é possível esperar a conclusão rápida de um projeto em andamento, ao mesmo tempo em que algo novo — e ainda mais estimulante — já se anuncia no horizonte. Você está transbordando energia e ideias, pronto para concluir uma etapa e imediatamente iniciar outra.

Para aproveitar ao máximo esse momento, certifique-se de que suas ações estejam alinhadas com seus objetivos maiores e invista nas escolhas certas, no momento certo. Finalize o que começou antes de partir para o próximo desafio.

O Oito de Paus é orientado para a ação e incentiva decisões rápidas diante das melhores oportunidades. Nada de esperar ou protelar — identifique onde sua energia deve ser aplicada e vá em frente.

Em muitos casos, o Oito de Paus também está associado a viagens aéreas ou deslocamentos rápidos, como uma viagem a trabalho ou um passeio curto e intenso. Pode até indicar experiências aceleradas, como excursões ou roteiros relâmpago, cheios de movimento e novidades.

Esteja pronto para agir. Não procrastine decisões importantes e confie no ritmo dos acontecimentos — o universo está empurrando você para frente. E pra frente é que se anda.

Uma ótima semana e muita luz!

Ana Cristina Paixão

CHANEL

Ovelha pet tem vida de luxo com direito a babá, vestidos e passeio no shopping

Animal foi rejeitado pela mãe quando nasceu e hoje vive vida de "princesa" com sua família humana

04/03/2026 12h05

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolas

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolas MARCELO VICTOR

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Chanel, ovelha pet, nasceu no “berço de ouro”, vive como princesa e, possui várias regalias que um ser humano comum não tem acesso.

Mimada, o animal é de estimação e mora com sua tutora em um condomínio localizado em Campo Grande (MS).

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasOvelha Chanel e sua dona, a empresária Milaine Marçal. Foto: Marcelo Victor

Geralmente, ovelhas vivem em áreas rurais, fazendas, chácaras, ranchos e pastos. Mas, Chanel é diferenciada: domesticada, vive em casa e é considerada membro da família, como se fosse a filha caçula de Milaine Marçal, sua tutora.

Princesa da mamãe e “filha” mais nova, tem uma vida de luxo inalcançável para muitos humanos:

  • passeia no shopping
  • passeia no rancho três vezes na semana
  • tem babá para cuidar dela, fazer companhia, trocar a fralda e dar comida e água
  • tem costureira particular
  • toma banho no petshop toda semana
  • possui vestidos personalizados, sob medida, de várias cores e estilos
  • dorme em uma cama confortável e quentinha
  • dorme oito horas de sono por noite
  • tira soneca durante o dia
  • tem alimentação balanceada
  • recebe água e comida na hora certa
  • possui milhares de seguidores no Instagram
Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasChanel adora tirar uma soneca no sofá a tarde. Foto: Marcelo Victor

Chanel é privilegiada e tem a vida que muitas pessoas trabalham duro anos e anos para conquistar.

Tudo começou quando Milaine sentiu o desejo em seu coração de ter uma cabra. Com isso, pesquisou como era o comportamento do bicho e viu que não seria viável e, então, perceberam que uma ovelha seria melhor. Em seguida, estava decidida em comprar o animal.

Logo soube da história de Chanel, que foi rejeitada e abandonada pela mãe quando nasceu e quase morreu largada no pasto sozinha. Com isso, pegou a ovelha para criar e, até então, para morar no rancho com as outras ovelhas.

Mas, pegou carinho e afeto pelo animal e o levou para morar em sua casa, junto com sua família. Ela teve que se readaptar: antes, morava em um apartamento e teve que se mudar para uma casa, por conta da chegada da ovelha.

“Já estava combinado que iria ficar no rancho, a gente iria pagar a estadia dela no rancho assim como fazemos com os nosso cavalos, e iríamos visitar ela lá com frequência, mas quem diz que consegui? Me apeguei a ela e não consigo mais viver sem ela”, contou a tutora.

Hoje, após ser rejeitada pela mãe, vive uma vida de "dondoca" com tudo do bom e do melhor com sua família humana.

OVELHA CHANEL

A ovelha é da raça Santa Inês, tem 4 meses de vida e 20 quilos. Sua expectativa de vida é de 12 anos e pode

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasChanel vestida de Branca de Neve para o Carnaval 2026. Foto: Marcelo Victor

chegar até 40 quilos.

Se alimenta de feno, alfafa peletizada, ração para ovinos e água. Quando era recém-nascida, tomava 1,5 litro de leite, por dia, na mamadeira.

Usa fralda geriátrica e troca pelo menos 10 vezes por dia. Ela tem babá, que dá água/comida e faz companhia, pois a ovelha não gosta de ficar sozinha.

De acordo com sua dona, os gastos de Chanel giram em torno de R$ 2 mil por mês.

Sua rotina é acordar às 6h, comer, tomar água, trocar a fralda, levar a “irmã” para a escola, almoçar, tirar uma soneca a tarde, passear pelo condomínio, jantar e dormir.

Toma banho no petshop toda quarta-feira e sua tutora ainda manda o lanchinho para não passar fome durante seu momento de beleza.

Passeia todos os dias no condomínio em que mora e vai para o rancho três vezes por semana, onde interage com outras ovelhas, pasta e se diverte.

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasChanel tem um armário só de vestidos e acessórios. Foto: Marcelo Victor

Frequenta shoppings, onde vai toda estilosa, com vestidinhos, óculos, colares e tiaras.

Chanel faz sucesso e para o shopping: várias pessoas ficam encantadas e querem tirar fotos com ela. O passeio rende vários cliques e vídeos.

Ela espalha fofura e conquista o coração de todos por onde passa: além de ser refinada, a ovelha ainda é dócil, simpática e possui vários fãs. Inclusive, já ganhou vários mimos (óculos e colar) durante os passeios no shopping.

Ela tem uma costureira particular, que faz seus vestidos temáticos, personalizados e sob medida, para cada evento que vai. Por exemplo, no Carnaval, vestiu uma fantasia de Branca de Neve. Em um evento country, foi de vestidinho xadrez acompanhada da dona.

Possui 2 mil seguidores no Instagram (@ovelhachanelcg). Sua tutora garante que nunca usou a imagem dela para parcerias ou publicidade.

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasChanel de fralda. Foto: Naiara Camargo

Mila, sua tutora, passou por algumas fases difíceis em sua vida e Chanel se tornou o apoio emocional dela. Ela tem laudos psicológicos que garantem que a ovelha contribui para seu bem-estar e suporte emocional.

De acordo com a empresária, Milaine Marçal, até hoje, nenhuma pessoa se queixou ou se incomodou com a presença da ovelha no condomínio, shoppings ou lugares públicos.

“Pessoal sempre recebe ela super bem, com o maior amor. Todos ficam admirados, acham diferente uma ovelha de estimação e querem tirar foto com ela. Quando ela vai no shopping, ela para o shopping. Todo mundo quer pegar, abraçar, fazer carinho e tirar fotos”, disse.

Chanel convive com uma gatinha em sua casa. As duas se dão bem juntas e até brincam uma com a outra.

* Fotos: Marcelo Victor 

LITERATURA

Procurador do Estado Carlo Fabrizio lança o livro de poemas "Como se Voassem os Peixes"

Procurador do Estado Carlo Fabrizio lança livro de poesias nascido na pandemia, com poemas que transitam entre o lúdico e o social, apostando na liberdade do leitor e na força da imaginação

04/03/2026 10h30

Divulgação

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Em meio à angústia coletiva provocada pela pandemia de Covid-19, enquanto o mundo aprendia a conviver com o isolamento e a incerteza, o procurador do Estado Carlo Fabrizio encontrava na poesia uma forma de atravessar o tempo suspenso.

O que começou como exercício em cursos de escrita criativa, iniciados em 2021, transformou-se, aos poucos, no livro “Como se Voassem os Peixes”, que será lançado amanhã, em Campo Grande, em evento organizado pela Editora Hámor.

“Ele foi sendo construído aos poucos, desde 2021. Essencialmente, foi um resultado dos cursos de poesia e de prosa que fiz durante a pandemia e que mantenho até hoje. Na verdade, foi uma resposta íntima à angústia que a pandemia me causou”, afirma o autor.

A obra nasce, portanto, de um tempo histórico específico, mas não se limita a ele. O livro reúne poemas que transitam entre o social e o subjetivo, entre o lúdico e o crítico, entre o sonho e o incômodo, sempre apostando na potência da palavra como experiência sensível.

METÁFORA

O título “Como se Voassem os Peixes” carrega uma imagem que provoca estranhamento e curiosidade. A escolha não foi imediata. Segundo Carlo, inicialmente, tanto o livro quanto o poema que o inspirou tinham outro nome. A mudança ocorreu durante o processo editorial.

“Foi baseado na primeira poesia de temática infantojuvenil que fiz. Tanto o título como a poesia são uma brincadeira com os sonhos de uma criança para seu futuro”, explica.

A imagem do peixe que voa desloca o leitor da lógica habitual. Peixes não voam, ao menos não na realidade cotidiana, mas na poesia, sim. E é justamente nesse deslocamento que o livro parece encontrar uma de suas chaves: a liberdade de imaginar o impossível como possibilidade simbólica.

TEMÁTICA

Os temas que atravessam a obra são variados. Há poemas com viés social, de tom mais crítico e até cínico. Em outros momentos, o autor mergulha em reflexões íntimas, transformando pensamentos e sensações em versos. Também há espaço para o lúdico, especialmente nas poesias de temática infantil e nos haicais.

“Às vezes, têm uma temática social, de viés mais crítico e cínico, às vezes, simplesmente são pensamentos em forma de poesia, sobre o que penso e sinto, mas também tem alguma coisa de lúdico”, resume Carlo.

Essa pluralidade temática reflete uma compreensão ampla da poesia como campo aberto, não restrito a uma única estética ou preocupação. O livro não se fecha em um manifesto, tampouco se limita a um único tom emocional. Ele oscila, provoca e acolhe.

Entre os textos que compõem o livro, dois foram especialmente desafiadores. Ambos abordam temas sensíveis: a tortura e o Holocausto.

Tratar de dores históricas e traumas coletivos em poesia exige equilíbrio entre respeito, sensibilidade e densidade estética.

O desafio, nesse caso, não é apenas técnico, mas ético. Ao abordar esses assuntos, o autor amplia o escopo do livro, que não se restringe à intimidade do eu lírico, mas também dialoga com a memória e a violência inscritas na história.

UMA BIOGRAFIA FICCIONAL

Carlo Fabrizio, procurador do Estado e autor de “Como se Voassem os Peixes” - Foto: Divulgação

Questionado se a obra é autobiográfica, ficcional ou híbrida, Carlo responde com cautela. “Toda escrita tem algo de biográfico, seja do próprio autor, do que ele experienciou, seja da vida em si, da vida de outras pessoas ou de situações observadas”, reflete.

No livro, há poemas que assumem explicitamente esse tom mais pessoal. Ainda assim, o autor evita rotular a obra. A poesia, nesse sentido, funciona como território de atravessamentos, onde vivências, memórias, leituras e imaginação se misturam em um mesmo fluxo criativo.

ESTRANHAMENTO

O incômodo e o prazer convivem na mesma expectativa. A literatura, especialmente a poesia, não precisa ser confortável. Ela pode provocar fissuras, deslocar certezas, tensionar percepções. Ao mesmo tempo, pode oferecer beleza, ritmo, musicalidade e emoção.

Não há, segundo o autor, uma mensagem fechada ou moral explícita. “Creio que na poesia o mais importante é apostar no leitor, confiar nele e na sua liberdade de interpretar”. A obra, assim, se completa na leitura, na experiência singular de cada pessoa que a percorre.

“Gostaria que gerasse reflexão, algum estranhamento e incômodo em algumas poesias, e também o prazer de ler algo que de alguma forma toque o sentimento do leitor”.

A ESCRITA

Conciliar a produção literária com a rotina como procurador do Estado não foi tarefa simples para Carlo. O cotidiano jurídico, marcado por prazos e responsabilidades, exige concentração e energia.

“Às vezes fica complicado, pois no dia a dia é muito difícil ter um espaço de tranquilidade para pensar a poesia. Geralmente preciso de um ambiente sossegado”, relata o autor.

A solução foi encontrar brechas no tempo: escrever à noite, durante a semana, e nas manhãs de sábado e domingo. A disciplina, nesse caso, tornou-se aliada da sensibilidade.

Embora a dedicação sistemática à poesia seja recente – cerca de cinco anos –, o envolvimento com a literatura se intensificou com os cursos realizados durante a pandemia. O livro marca, assim, uma nova fase na trajetória do autor, que passou a se dedicar de forma mais metódica à escrita poética.

As referências literárias de Carlo são múltiplas e revelam um diálogo amplo com diferentes tradições. Entre os autores que o influenciam estão os chamados “poetas malditos” franceses, como Arthur Rimbaud, Charles Baudelaire e Antonin Artaud, além de clássicos como Lord Byron e Walt Whitman.

Na literatura brasileira, ele cita nomes como Augusto dos Anjos, Sousândrade, Hilda Hilst, Cecilia Meireles, Manoel de Barros e os irmãos Augusto de Campos e Haroldo de Campos.

“Em estilo e conteúdo, os autores e autoras que leio me influenciam bastante”, reconhece Carlo.

A diversidade de influências ajuda a compreender a amplitude temática e formal do livro, que não se prende a uma única vertente estética.

Uma das perguntas mais difíceis para qualquer escritor é saber quando a obra está pronta. Para Carlo, a sensação é de permanente inacabamento.

“Há sempre algo para melhorar. Mas chega uma hora que a gente é vencido pelo cansaço: ou publica, ou arquiva e não mexe mais”, afirma.

O processo de revisão foi, segundo ele, o maior desafio da produção: um trabalho minucioso realizado em conjunto com os editores, ajustando versos, ritmos e escolhas vocabulares.

A experiência profissional também atravessa, de alguma forma, a escrita. Para o autor, toda vivência contribui para a formação do olhar. “O essencial para escrever é, primeiro, observar e viver o mundo”, destaca.

Ele enxerga, inclusive, pontos de contato entre Direito e literatura. Embora o Direito esteja fundado em dogmas e respostas, há espaço para interpretação e criatividade, elementos que também são centrais na literatura.

Ainda assim, a poesia ocupa um território mais livre. “A literatura, e principalmente a poesia, é o campo da imaginação, do sonho, da fantasia e da liberdade, onde a cor tem cheiro e uma palavra não é somente uma palavra, ela contém o mundo. Devemos ir além do literal”, pontua Carlo. A escrita e a leitura funcionam, segundo ele, como “remédio contra a aspereza do cotidiano”.

LANÇAMENTO

O lançamento de “Como se Voassem os Peixes” será marcado por um bate-papo com o público, leitura de poemas e sessão de autógrafos. A conversa será mediada por Febraro de Oliveira, editor da Hámor, e por Oslei Bega.

A proposta é criar um espaço de diálogo aberto, em que os leitores possam compartilhar impressões e perguntas, prolongando em voz alta a experiência silenciosa da leitura.

>> Serviço

Lançamento de “Como se Voassem os Peixes”

Data: amanhã.
Horário: às 18h.
Local: Rua Amazonas, nº 1.080, Monte Castelo.

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