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A morte de Valentino e seu legado

A consultora de moda e estilo Gabriela Rosa escreve com exclusividade com o B+ sobre sua herança e marca registrada

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Morreu ontem o grande ícone da moda mundial o estilista italiano Valentino Garavani, aos 93 anos. Suas criações foram usadas por celebridades e figuras conhecidas como: Elizabeth Taylor, Nancy Reagan, Sharon Stone, Julia Roberts, Gwyneth Paltrow, Anne Hathaway e claro, a maior modelo do mundo Gisele Bundchen. 

Um dos maiores nomes da moda do século XX, ele cofundou a casa de moda Valentino em 1960 e figurou ao lado de Giorgio Armani e Karl Lagerfeld. Em seu instagram foi dado o comunicado: "Ele morreu em paz em sua casa em Roma, cercado pelo amor de sua família."

A consultora de moda e estilo que viveu na Europa e na Itália por anos e que terá a estreia de sua coluna Entre Costuras & Cultura no B+ esse mês Gabriela Rosa fala sobre a importância do estilista, suas marcas e legado para o mundo da moda. 

A moda já viu muitos gênios, mas poucos souberam sair de cena como artistas. Valentino foi um deles!
Existe uma história que me marcou profundamente. Numa entrevista, Giancarlo Giammetti, parceiro de Valentino, conta que, em certo momento, no ateliê de Roma, eles tinham cem costureiras, e nenhuma máquina de costura.

Tudo era feito à mão. Cada ponto, cada detalhe, cada vestido, e isso diz tudo sobre Valentino.
Porque ele não era um empresário, ele não era movido por números, investimentos ou estratégias de mercado, o estilista era, antes de tudo, um artista. Quando ele percebeu que a moda já não era mais aquela que conhecia, quando virou um grande negócio nas mãos de bancos e fundos de investimento ele teve a coragem de se retirar.

A indústria continuou ganhando dinheiro com perfumes, acessórios e imagens. Os desfiles viraram espetáculo, marketing e nada mais, mas Valentino nunca foi sobre isso. Ele não vestia celebridades para o tapete vermelho. Ele não corria atrás de holofotes. Valentino vestia a realeza e princesas de toda a Europa.

De Lady Diana a Beatrice Borromeo.Ele vestiu First Ladies e os maiores ícones de estilo da história, como Jackie Onassis, para quem ele desenhou até o vestido do segundo casamento.

E não era só sobre criar vestidos, Valentino criava identidades. Ele pensava no guarda-roupa inteiro, na imagem completa, na presença. Seu estilo deixou uma marca que poucos conseguiram deixar. Basta pensar no impacto cultural do vermelho Valentino, uma herança que estará sempre marcada, ou no fato de reconhecermos um look dele só pelo coque no cabelo.

Ele dominava o equilíbrio: feminilidade e elegância, opulência e linhas limpas, clássico e eterno. E é exatamente por isso que a morte de Valentino não marca um fim, mas sim uma consagração. Porque alguns criadores fazem roupas, outros constroem impérios.

Valentino construiu eternidade, e seu nome não vive em tendências, ele vive na história, na memória, e na cultura. Enquanto a moda muda,Valentino permanece, porque artistas de verdade nunca saem de cena, eles viram legado.

@gabrielarosastyle

A consultora de moda e estilo Gabriela Rosa - Divulgação

 

MEIO AMBIENTE

Mutirão quer recuperar 378 hectares no Alto Taquari e reforçar a proteção do Pantanal

ONGs, poder público e empresas cultivam espécies nativas do Cerrado com o mesmo objetivo; a semeadura começou em dezembro, dentro de parque estadual situado nos municípios de Costa Rica e Alcinópolis

20/01/2026 09h30

Jatobá, mutambo, mogno-bravo, sucupira, baru, faveira e outras espécies essenciais para a recomposição do solo, como gramíneas e leguminosas, estão sendo semeadas

Jatobá, mutambo, mogno-bravo, sucupira, baru, faveira e outras espécies essenciais para a recomposição do solo, como gramíneas e leguminosas, estão sendo semeadas Divulgação

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Sementes podem ocasionar um verdadeiro milagre ambiental com a recuperação de áreas comprometidas do Rio Taquari, no norte do Estado, considerado fundamental para o bioma pantaneiro.

Foi com essa certeza que o projeto Caminhos das Nascentes começou, no início de dezembro, a primeira fase de sua maior ação de campo: o plantio de 40 hectares no Núcleo São Thomaz, dentro do Parque Estadual Nascentes do Rio Taquari, entre os municípios de Costa Rica e Alcinópolis, a 350 km de Campo Grande.

Esta etapa marca o começo da restauração de uma área, de aproximadamente 378 hectares, a ser recuperada ao longo dos próximos anos para fortalecer a saúde da bacia do Rio Taquari e gerar benefícios diretos ao Pantanal.

A semeadura é realizada pelo Instituto Taquari Vivo (ITV), em parceria com a empresa Restaura, utilizando mais de quatro toneladas de sementes reunidas pela Rede Flor do Cerrado.

A técnica busca acelerar o retorno da vegetação típica na região das nascentes, considerada uma das áreas mais sensíveis do planalto sul-mato-grossense e estratégica para reduzir processos erosivos que afetam diretamente o Pantanal. Logo no primeiro dia da etapa de campo, a equipe deu início ao processo de trabalho, que começou com a seleção das espécies nativas utilizadas na semeadura.

ESPÉCIES

Entre elas estão espécies típicas do Cerrado como jatobá, mutambo, mogno-bravo, sucupira, baru, faveira, além de diversas gramíneas e leguminosas essenciais para a recomposição do solo.

Em seguida, foi realizada a tradicional muvuca de sementes, técnica que mistura diferentes espécies para garantir diversidade, resiliência e maior cobertura vegetal no início da restauração. Após o preparo da mistura, a equipe iniciou o plantio manual, linha por linha, cobrindo toda a área prevista para esta fase inicial.

Jatobá, mutambo, mogno-bravo, sucupira, baru, faveira e outras espécies essenciais para a recomposição do solo, como gramíneas e leguminosas, estão sendo semeadasFoto: Divulgação

O mutirão reúne diversas instituições, como SOS Pantanal, Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação(Semadesc), Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e as prefeituras de Costa Rica e Alcinópolis, além da comunidade do parque em que a semeadura está sendo realizada.

Segundo o Instituto Taquari Vivo, a área foi escolhida por apresentar um alto grau de degradação e diferentes níveis de declividade, característica que torna o processo de erosão e transporte de sedimentos mais intenso.

“Escolhemos esse local pelo seu grau de degradação. Há áreas planas e outras muito inclinadas, onde o assoreamento avançou bastante ao longo dos anos. Restaurar aqui significa atuar na raiz do problema.

Trabalhamos primeiro na recomposição do solo, para que ele volte a reter água e não fique tão exposto. Assim, reduzimos a quantidade de sedimentos que descem para o rio”, explica a bióloga Letícia Koutchin Reis, coordenadora do projeto.

SEM REVERSÃO

Jatobá, mutambo, mogno-bravo, sucupira, baru, faveira e outras espécies essenciais para a recomposição do solo, como gramíneas e leguminosas, estão sendo semeadasFoto: Divulgação

O instituto reforça que processos erosivos acontecem naturalmente, mas podem ser acelerados com a ação humana, sobretudo onde o solo fica descoberto ou compactado. Nessas condições, a água da chuva desce com muito mais velocidade, levando grande volume de sedimentos do planalto para o Pantanal.

“A restauração não reverte aquilo que já aconteceu, mas diminui os impactos e impede que o problema piore. Quando recuperamos o solo, devolvemos cobertura vegetal e aplicamos técnicas de conservação, reduzimos a velocidade da água e seguramos o sedimento lá em cima. Isso faz diferença direta no bioma”, afirma Letícia Reis.

A ação é possível por causa do projeto Floresta Viva, gerido pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e patrocinado pela Petrobras, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o KfW, banco alemão estatal de desenvolvimento e fomento.

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CRÔNICA

Feliz por nada

20/01/2026 09h00

Crônica, por Theresa Hilcar - Jornalista, escritora e membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras

Crônica, por Theresa Hilcar - Jornalista, escritora e membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras

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Tenho andado mais feliz ultimamente. E isto, longe de me deixar animada, por vezes me causa certa estranheza. Começo a elencar então os motivos, não da estranheza, mas da sensação de contentamento que me invade, principalmente durante as manhãs e no fim da tarde.

Podem ser: a recente viagem à praia – mesmo tendo ficado quatro dias na cama com um resfriado arrebatador –, os pés na água morna, o sol no corpo inteiro, a vista incansável do oceano. Pode ser. Ou foi a troca de medicação, as novas vitaminas e os hormônios que – dizem – ludibriam o tempo. É uma possibilidade. Ou será que o universo finalmente ouviu o singelo – e objetivo – desejo de Natal, o de me dar a alegria de viver?

Crônica, por Theresa Hilcar - Jornalista, escritora e membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras

Tudo isso junto, mais os livros que finalmente consegui ler até o fim. A poesia de Adélia Prado, a prosa da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, as crônicas da médica Ana Claudia Quintana, o best seller “A Biblioteca da Meia-Noite”, de Matt Haig, que praticamente devorei em apenas dois dias, porque ler apenas por diversão também é muito bom.

Ainda não sei. Mesmo enfileirando vários motivos, não consigo chegar ao veredicto. Sei que estou assim, mais devagar no pensamento mas ágil nas ações. Ando até cantarolando quando acordo e fazendo chamego no gato, coisa que ele já devia até ter esquecido como era. Tadinho.

Também tenho me lembrado mais dos amigos, dos antigos e dos novos. Que não são muitos, a bem da verdade. A cada ano que passa fico mais seletiva, ou mais ranzinza dependendo do ponto de vista. Amizade mesmo só se for de verdade. Do contrário, é vitrine e post de rede social.

Noite dessas enviei mensagem a um amigo dos anos 1970 para lhe desejar feliz Ano-Novo. Mais de 50 anos de amizade e uns 20 anos sem vê-lo. E assim, do nada, ele me veio num sonho nítido e bonito. Fatalista que sou, já imaginei o pior – será que ele está bem? Sim, estava. E eu fiquei feliz. Depois da pandemia, há sempre um risco neste tipo de pergunta.

O que me leva à pergunta: a felicidade é de fato alcançável? Ou é apenas um estado passageiro? É possível viver num estado de plena alegria? Não falo aqui daquela alegria um tanto alegórica ou ingênua, mas de algo profundo, espiritual, algo que o exercício da meditação às vezes nos proporciona. Mas quer saber? Não importa se a alegria é algo passageiro, ou se a felicidade se dá em ondas. Eu quero!

Quero toda e qualquer possibilidade de contentamento. E algo que descobri recentemente é que agradecer por tudo, sempre e todo o tempo, pode multiplicar o tempo da alegria. Vou começar daí e torcer para que ela dure – a vida toda.

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