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Diálogo

A "síndrome dos dois dígitos" é a grande tormenta de alguns pré-candidatos... Leia na coluna de hoje

Confira a coluna Diálogo desta sexta-feira (16)

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Joseph Campbell - escritor americano

Precisamos estar dispostos a nos livrar da vida que planejamos, para podermos viver a vida que nos espera. A pele velha tem que cair para que uma nova possa nascer”.

Felpuda

A “síndrome dos dois dígitos” é a grande tormenta de alguns pré-candidatos ao Senado das eleições gerais. Na prática, isso significa que aqueles que estão abaixo de 10 pontos na preferência popular, seja nas pesquisas para o consumo interno como naquelas que vêm sendo trazidas a público, terão muitas dificuldades para se tornarem competitivos. É o que dizem algumas lideranças que têm plena certeza que nos dias de hoje, se eleição for levada a sério, sem falcatruas, não é mais a tal “caixinha de surpresa”. Assim sendo...

Descongelado

Sancionada lei que autoriza o pagamento para servidores públicos, retroativamente, de direitos remuneratórios congelados durante a pandemia, A lei trata de benefícios como anuênio, triênio, quinquênio, sexta-parte, licença-prêmio e mecanismos equivalentes.

Mais

Os pagamentos referem-se ao período entre 28 de maio de 2020 e 31 de dezembro de 2021. Os benefícios serão pagos desde que o ente federativo tenha decretado estado de calamidade pública em razão da pandemia da Covid-19 na época e conte com orçamento disponível.

Grazielle Machado e Daniel Oliveira Azevedo

 

Margareth Menezes

Gasolina

A prefeita Adriane Lopes ampliou a crise com a Câmara Municipal ao vetar o projeto da redução da taxa do lixo, mas que poderá ainda ser derrubado no retorno dos trabalhos legislativos. Ela corre o risco de ter dificuldades, a partir de então, na aprovação de futuros projetos do Executivo. Sua atuação política é praticamente inexistente, apesar de estar com novo secretário de Governo. Na área administrativa vem sofrendo muitas críticas. Dizem que o relacionamento com os vereadores está no nível zero.

Mistério

Apesar da crise com o Executivo, causou estranheza a Câmara Municipal ter votado um projeto que foi confrontado juridicamente pela Procuradoria-Geral do Município, alegando invasão de competência do Poder Legislativo. Experiente político afirmou que a Câmara Municipal não poderia ter apresentado a proposta, mesmo no afogadilho, com brechas. “Se isso ocorreu é porque há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia”, disse ele, parafraseando Shakespeare.

Presentão

O Paraguai e o Uruguai serão beneficiados com doação de aeronaves. Lei publicada no Diário Oficial da União, do dia 12, autoriza o Poder Executivo nesse sentido. A doação foi sugerida pelo governo federal em projeto de lei aprovado pela Câmara dos Deputados e Senado em 2025. O governo argumentou que os helicópteros estão desativados e que a administração pública não tem mais interesse no seu uso.

ANIVERSARIANTES

  • Dra. Beatriz Figueiredo Dobashi,
  • Dr. Álvaro Haverroth Hilgert,
  • Maria Tereza (Tetê) Ferreira Zahran,
  • Samuel Xavier Medeiros,
  • Dra. Maura Kawano Hokama,
  • Eva Dias da Silva Abud,
  • Severina Ferreira Alves,
  • Viriato da Cruz Bandeira Filho,
  • Sonia Szochalewicz Loureiro,
  • Álvaro da Silva Novaes,
  • Ary Ricardo Brandão Delvalhes,
  • Cicero Sidney de Almeida,
  • Fulgencio Gavilan Franco,
  • Rivadavio do Amaral,
  • Jessé Gonçalves da Silva,
  • Valdir Monteiro,
  • José Orlando Costa de Souza,
  • Alvino Accetturi,
  • Rodolfo Holsback,
  • Durvalino de Resende,
  • Nilcéia Alves de Souza,
  • Paulo Henrique Kalif Siqueira,
  • Vanessa Rodrigues Hermes,
  • Dr. Marco Antonio Piccolo,
  • Dra. Nabuko Aida,
  • Valdemar Justo,
  • Nilson Basílio Guasso Júnior,
  • Ruthinéia Kruki Ferraz,
  • Silvia Helena Suguino,
  • Dr. Neri Godoy,
  • Erick Hoffmann,
  • Rosa Martinez de Ruiz,
  • Edina Mettioli,
  • Waldo Silva Pimentel,
  • Ana Cristina Amador Souza,
  • Rosalina Garcia de Brito,
  • Hilda Cicalise,
  • Elizia Correa de Oliveira,
  • Nelson Lescano Martins,
  • Dirce Mendes Daubian,
  • Elaine Cler Alexandre dos Santos,
  • Carla Tomásia Ramires Vilanova,
  • Flávio Cesar de Almeida,
  • Ariele Escandolhero Martinho,
  • Hélio Morales Leal,
  • Mário Roberto de Souza Filho,
  • Rubens Mozart Bucker,
  • Nelson Dias da Rosa,
  • Ariane Saddi Chaves,
  • Mery Osna Faria,
  • Rafael Chaparro,
  • Ivo Bianchine,
  • Patricia Conrado,
  • Orimar Souto,
  • Maria da Conceição Lima,
  • Roberta Moreira,
  • Regina Célia de Andrade,
  • Solange César Barbosa,
  • Denise Souza Campos,
  • Lindomar Vieira,
  • Nádia dos Santos,
  • Luiz Alfredo Mayer,
  • Maria do Rosário Mota Terra,
  • Rosa Saad,
  • Sandra Mara de Oliveira,
  • Roberto Carlos Vieira Machado,
  • Bruno Henrique Gobbo,
  • Alexandre Augusto Simão de Freitas,
  • Dayse Silveira Ferrari,
  • Mauro Wasilewski,
  • Dr. Nelson Barbosa Tavares Filho,
  • Maura Freire Siufi,
  • Adriano Barbar de Carvalho,
  • Ilson Portela,
  • Jeni Bernardes Townsend,
  • Vânia Cristiane de Souza,
  • Ali Irabi,
  • Mirella Barbosa Vieira,
  • Paulo Roberto de Oliveira Gomes,
  • Haroldo Picoli Junior,
  • Jaime Caldeira Jhunyor,
  • Luiz Claudio Martins Fernandes,
  • Maria Rita Nascimento dos Santos,
  • Kelly Christina Hirata,
  • Sebastião Trindade Mendes,
  • Antonio Aparecido Rodrigues,
  • Danielle Wardowski Cintra Martins,
  • Kelly Marise Marçal Barbosa,
  • Ary Cândido Dias Filho,
  • Hermes da Silva Borges,
  • Luana Harumi Toome,
  • Marcos Eduardo (Caco) Manvailer Esgaib,
  • Ceres Laureano Leme de Correa,
  • Everton Faleiro Pádua,
  • Eduardo Barbosa Pinto,
  • Flávio Gotardo Coelho de Souza Furlan,
  • Elton Luis Nasser de Mello,
  • Katiusci Sandim Vilela,
  • Marlon Sanches Resina Fernandes,
  • Greicy Carpina de Lima,
  • Lorena Maria da Penha Oliveira Nesello,
  • Nilton Nunes Nogueira,
  • Osvaldo Feitosa de Lima,
  • Paul Oserow Junior,
  • Osvaldo Nunes Melo,
  • Sudalene Alves Machado Rodrigues,
  • Mário Sérgio Tavares.

*Colaborou Tatyane Gameiro

CHANEL

Ovelha pet tem vida de luxo com direito a babá, vestidos e passeio no shopping

Animal foi rejeitado pela mãe quando nasceu e hoje vive vida de "princesa" com sua família humana

04/03/2026 12h05

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolas

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolas MARCELO VICTOR

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Chanel, ovelha pet, nasceu no “berço de ouro”, vive como princesa e, possui várias regalias que um ser humano comum não tem acesso.

Mimada, o animal é de estimação e mora com sua tutora em um condomínio localizado em Campo Grande (MS).

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasOvelha Chanel e sua dona, a empresária Milaine Marçal. Foto: Marcelo Victor

Geralmente, ovelhas vivem em áreas rurais, fazendas, chácaras, ranchos e pastos. Mas, Chanel é diferenciada: domesticada, vive em casa e é considerada membro da família, como se fosse a filha caçula de Milaine Marçal, sua tutora.

Princesa da mamãe e “filha” mais nova, tem uma vida de luxo inalcançável para muitos humanos:

  • passeia no shopping
  • passeia no rancho três vezes na semana
  • tem babá para cuidar dela, fazer companhia, trocar a fralda e dar comida e água
  • tem costureira particular
  • toma banho no petshop toda semana
  • possui vestidos personalizados, sob medida, de várias cores e estilos
  • dorme em uma cama confortável e quentinha
  • dorme oito horas de sono por noite
  • tira soneca durante o dia
  • tem alimentação balanceada
  • recebe água e comida na hora certa
  • possui milhares de seguidores no Instagram
Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasChanel adora tirar uma soneca no sofá a tarde. Foto: Marcelo Victor

Chanel é privilegiada e tem a vida que muitas pessoas trabalham duro anos e anos para conquistar.

Tudo começou quando Milaine sentiu o desejo em seu coração de ter uma cabra. Com isso, pesquisou como era o comportamento do bicho e viu que não seria viável e, então, perceberam que uma ovelha seria melhor. Em seguida, estava decidida em comprar o animal.

Logo soube da história de Chanel, que foi rejeitada e abandonada pela mãe quando nasceu e quase morreu largada no pasto sozinha. Com isso, pegou a ovelha para criar e, até então, para morar no rancho com as outras ovelhas.

Mas, pegou carinho e afeto pelo animal e o levou para morar em sua casa, junto com sua família. Ela teve que se readaptar: antes, morava em um apartamento e teve que se mudar para uma casa, por conta da chegada da ovelha.

“Já estava combinado que iria ficar no rancho, a gente iria pagar a estadia dela no rancho assim como fazemos com os nosso cavalos, e iríamos visitar ela lá com frequência, mas quem diz que consegui? Me apeguei a ela e não consigo mais viver sem ela”, contou a tutora.

Hoje, após ser rejeitada pela mãe, vive uma vida de "dondoca" com tudo do bom e do melhor com sua família humana.

OVELHA CHANEL

A ovelha é da raça Santa Inês, tem 4 meses de vida e 20 quilos. Sua expectativa de vida é de 12 anos e pode

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasChanel vestida de Branca de Neve para o Carnaval 2026. Foto: Marcelo Victor

chegar até 40 quilos.

Se alimenta de feno, alfafa peletizada, ração para ovinos e água. Quando era recém-nascida, tomava 1,5 litro de leite, por dia, na mamadeira.

Usa fralda geriátrica e troca pelo menos 10 vezes por dia. Ela tem babá, que dá água/comida e faz companhia, pois a ovelha não gosta de ficar sozinha.

De acordo com sua dona, os gastos de Chanel giram em torno de R$ 2 mil por mês.

Sua rotina é acordar às 6h, comer, tomar água, trocar a fralda, levar a “irmã” para a escola, almoçar, tirar uma soneca a tarde, passear pelo condomínio, jantar e dormir.

Toma banho no petshop toda quarta-feira e sua tutora ainda manda o lanchinho para não passar fome durante seu momento de beleza.

Passeia todos os dias no condomínio em que mora e vai para o rancho três vezes por semana, onde interage com outras ovelhas, pasta e se diverte.

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasChanel tem um armário só de vestidos e acessórios. Foto: Marcelo Victor

Frequenta shoppings, onde vai toda estilosa, com vestidinhos, óculos, colares e tiaras.

Chanel faz sucesso e para o shopping: várias pessoas ficam encantadas e querem tirar fotos com ela. O passeio rende vários cliques e vídeos.

Ela espalha fofura e conquista o coração de todos por onde passa: além de ser refinada, a ovelha ainda é dócil, simpática e possui vários fãs. Inclusive, já ganhou vários mimos (óculos e colar) durante os passeios no shopping.

Ela tem uma costureira particular, que faz seus vestidos temáticos, personalizados e sob medida, para cada evento que vai. Por exemplo, no Carnaval, vestiu uma fantasia de Branca de Neve. Em um evento country, foi de vestidinho xadrez acompanhada da dona.

Possui 2 mil seguidores no Instagram (@ovelhachanelcg). Sua tutora garante que nunca usou a imagem dela para parcerias ou publicidade.

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasChanel de fralda. Foto: Naiara Camargo

Mila, sua tutora, passou por algumas fases difíceis em sua vida e Chanel se tornou o apoio emocional dela. Ela tem laudos psicológicos que garantem que a ovelha contribui para seu bem-estar e suporte emocional.

De acordo com a empresária, Milaine Marçal, até hoje, nenhuma pessoa se queixou ou se incomodou com a presença da ovelha no condomínio, shoppings ou lugares públicos.

“Pessoal sempre recebe ela super bem, com o maior amor. Todos ficam admirados, acham diferente uma ovelha de estimação e querem tirar foto com ela. Quando ela vai no shopping, ela para o shopping. Todo mundo quer pegar, abraçar, fazer carinho e tirar fotos”, disse.

Chanel convive com uma gatinha em sua casa. As duas se dão bem juntas e até brincam uma com a outra.

* Fotos: Marcelo Victor 

LITERATURA

Procurador do Estado Carlo Fabrizio lança o livro de poemas "Como se Voassem os Peixes"

Procurador do Estado Carlo Fabrizio lança livro de poesias nascido na pandemia, com poemas que transitam entre o lúdico e o social, apostando na liberdade do leitor e na força da imaginação

04/03/2026 10h30

Divulgação

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Em meio à angústia coletiva provocada pela pandemia de Covid-19, enquanto o mundo aprendia a conviver com o isolamento e a incerteza, o procurador do Estado Carlo Fabrizio encontrava na poesia uma forma de atravessar o tempo suspenso.

O que começou como exercício em cursos de escrita criativa, iniciados em 2021, transformou-se, aos poucos, no livro “Como se Voassem os Peixes”, que será lançado amanhã, em Campo Grande, em evento organizado pela Editora Hámor.

“Ele foi sendo construído aos poucos, desde 2021. Essencialmente, foi um resultado dos cursos de poesia e de prosa que fiz durante a pandemia e que mantenho até hoje. Na verdade, foi uma resposta íntima à angústia que a pandemia me causou”, afirma o autor.

A obra nasce, portanto, de um tempo histórico específico, mas não se limita a ele. O livro reúne poemas que transitam entre o social e o subjetivo, entre o lúdico e o crítico, entre o sonho e o incômodo, sempre apostando na potência da palavra como experiência sensível.

METÁFORA

O título “Como se Voassem os Peixes” carrega uma imagem que provoca estranhamento e curiosidade. A escolha não foi imediata. Segundo Carlo, inicialmente, tanto o livro quanto o poema que o inspirou tinham outro nome. A mudança ocorreu durante o processo editorial.

“Foi baseado na primeira poesia de temática infantojuvenil que fiz. Tanto o título como a poesia são uma brincadeira com os sonhos de uma criança para seu futuro”, explica.

A imagem do peixe que voa desloca o leitor da lógica habitual. Peixes não voam, ao menos não na realidade cotidiana, mas na poesia, sim. E é justamente nesse deslocamento que o livro parece encontrar uma de suas chaves: a liberdade de imaginar o impossível como possibilidade simbólica.

TEMÁTICA

Os temas que atravessam a obra são variados. Há poemas com viés social, de tom mais crítico e até cínico. Em outros momentos, o autor mergulha em reflexões íntimas, transformando pensamentos e sensações em versos. Também há espaço para o lúdico, especialmente nas poesias de temática infantil e nos haicais.

“Às vezes, têm uma temática social, de viés mais crítico e cínico, às vezes, simplesmente são pensamentos em forma de poesia, sobre o que penso e sinto, mas também tem alguma coisa de lúdico”, resume Carlo.

Essa pluralidade temática reflete uma compreensão ampla da poesia como campo aberto, não restrito a uma única estética ou preocupação. O livro não se fecha em um manifesto, tampouco se limita a um único tom emocional. Ele oscila, provoca e acolhe.

Entre os textos que compõem o livro, dois foram especialmente desafiadores. Ambos abordam temas sensíveis: a tortura e o Holocausto.

Tratar de dores históricas e traumas coletivos em poesia exige equilíbrio entre respeito, sensibilidade e densidade estética.

O desafio, nesse caso, não é apenas técnico, mas ético. Ao abordar esses assuntos, o autor amplia o escopo do livro, que não se restringe à intimidade do eu lírico, mas também dialoga com a memória e a violência inscritas na história.

UMA BIOGRAFIA FICCIONAL

Carlo Fabrizio, procurador do Estado e autor de “Como se Voassem os Peixes” - Foto: Divulgação

Questionado se a obra é autobiográfica, ficcional ou híbrida, Carlo responde com cautela. “Toda escrita tem algo de biográfico, seja do próprio autor, do que ele experienciou, seja da vida em si, da vida de outras pessoas ou de situações observadas”, reflete.

No livro, há poemas que assumem explicitamente esse tom mais pessoal. Ainda assim, o autor evita rotular a obra. A poesia, nesse sentido, funciona como território de atravessamentos, onde vivências, memórias, leituras e imaginação se misturam em um mesmo fluxo criativo.

ESTRANHAMENTO

O incômodo e o prazer convivem na mesma expectativa. A literatura, especialmente a poesia, não precisa ser confortável. Ela pode provocar fissuras, deslocar certezas, tensionar percepções. Ao mesmo tempo, pode oferecer beleza, ritmo, musicalidade e emoção.

Não há, segundo o autor, uma mensagem fechada ou moral explícita. “Creio que na poesia o mais importante é apostar no leitor, confiar nele e na sua liberdade de interpretar”. A obra, assim, se completa na leitura, na experiência singular de cada pessoa que a percorre.

“Gostaria que gerasse reflexão, algum estranhamento e incômodo em algumas poesias, e também o prazer de ler algo que de alguma forma toque o sentimento do leitor”.

A ESCRITA

Conciliar a produção literária com a rotina como procurador do Estado não foi tarefa simples para Carlo. O cotidiano jurídico, marcado por prazos e responsabilidades, exige concentração e energia.

“Às vezes fica complicado, pois no dia a dia é muito difícil ter um espaço de tranquilidade para pensar a poesia. Geralmente preciso de um ambiente sossegado”, relata o autor.

A solução foi encontrar brechas no tempo: escrever à noite, durante a semana, e nas manhãs de sábado e domingo. A disciplina, nesse caso, tornou-se aliada da sensibilidade.

Embora a dedicação sistemática à poesia seja recente – cerca de cinco anos –, o envolvimento com a literatura se intensificou com os cursos realizados durante a pandemia. O livro marca, assim, uma nova fase na trajetória do autor, que passou a se dedicar de forma mais metódica à escrita poética.

As referências literárias de Carlo são múltiplas e revelam um diálogo amplo com diferentes tradições. Entre os autores que o influenciam estão os chamados “poetas malditos” franceses, como Arthur Rimbaud, Charles Baudelaire e Antonin Artaud, além de clássicos como Lord Byron e Walt Whitman.

Na literatura brasileira, ele cita nomes como Augusto dos Anjos, Sousândrade, Hilda Hilst, Cecilia Meireles, Manoel de Barros e os irmãos Augusto de Campos e Haroldo de Campos.

“Em estilo e conteúdo, os autores e autoras que leio me influenciam bastante”, reconhece Carlo.

A diversidade de influências ajuda a compreender a amplitude temática e formal do livro, que não se prende a uma única vertente estética.

Uma das perguntas mais difíceis para qualquer escritor é saber quando a obra está pronta. Para Carlo, a sensação é de permanente inacabamento.

“Há sempre algo para melhorar. Mas chega uma hora que a gente é vencido pelo cansaço: ou publica, ou arquiva e não mexe mais”, afirma.

O processo de revisão foi, segundo ele, o maior desafio da produção: um trabalho minucioso realizado em conjunto com os editores, ajustando versos, ritmos e escolhas vocabulares.

A experiência profissional também atravessa, de alguma forma, a escrita. Para o autor, toda vivência contribui para a formação do olhar. “O essencial para escrever é, primeiro, observar e viver o mundo”, destaca.

Ele enxerga, inclusive, pontos de contato entre Direito e literatura. Embora o Direito esteja fundado em dogmas e respostas, há espaço para interpretação e criatividade, elementos que também são centrais na literatura.

Ainda assim, a poesia ocupa um território mais livre. “A literatura, e principalmente a poesia, é o campo da imaginação, do sonho, da fantasia e da liberdade, onde a cor tem cheiro e uma palavra não é somente uma palavra, ela contém o mundo. Devemos ir além do literal”, pontua Carlo. A escrita e a leitura funcionam, segundo ele, como “remédio contra a aspereza do cotidiano”.

LANÇAMENTO

O lançamento de “Como se Voassem os Peixes” será marcado por um bate-papo com o público, leitura de poemas e sessão de autógrafos. A conversa será mediada por Febraro de Oliveira, editor da Hámor, e por Oslei Bega.

A proposta é criar um espaço de diálogo aberto, em que os leitores possam compartilhar impressões e perguntas, prolongando em voz alta a experiência silenciosa da leitura.

>> Serviço

Lançamento de “Como se Voassem os Peixes”

Data: amanhã.
Horário: às 18h.
Local: Rua Amazonas, nº 1.080, Monte Castelo.

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