Correio B

ENTREVISTA

Ana Paula Padrão, que comanda há seis anos o "Masterchef Brasil", da Band

A jornalista e apresentadora valoriza sua personalidade diante do vídeo

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Ana Paula Padrão já tinha uma vasta bagagem em televisão quando chegou ao “Masterchef Brasil”, da Band. Por isso mesmo, detalhes técnicos ou posicionamentos diante das câmeras eram bastante conhecidos pela jornalista. Ainda assim, estrear à frente do “talent show” permitiu a Ana Paula desbravar a televisão de uma forma inédita. Ao lado do trio de jurados Érick Jacquin, Paola Carosella e Henrique Fogaça, a jornalista foi aprendendo a mostrar uma faceta mais leve e pessoal diante do vídeo. “Os chefs me ensinaram muito sobre ser quem eu sou. Eu era treinada para conter a emoção. Tem sido uma aventura maravilhosa fazer tevê de um jeito que eu nunca tinha feito e me permitir mostrar um lado meu que só aparecia na minha vida privada. Aprendi com os chefs, que tinham muita espontaneidade em frente às câmeras, a me emocionar e sentir o programa, estar ali deixando minhas emoções fluírem, o que é muito diferente de estar na tevê fazendo uma reportagem ou ancorando um telejornal. Sou mais Ana Paula depois do ‘MasterChef’, e muito menos Padrão”, defende.

Natural de Brasília, Ana Paula tem uma intensa e variada carreira na tevê. Ao longo dos 27 anos dedicados ao jornalismo, ela passou por emissoras, como Manchete, Globo, SBT e Record. Diante do vídeo participou de grandes coberturas, foi repórter, apresentadora e correspondente internacional. Após diversos anos na bancada, ela decidiu deixar o “hard news” e, após um ano fora da tevê, surgiu o convite para comandar a primeira temporada do “Masterchef Brasil”. “Foi um belíssimo acaso que me fez voltar para tevê de um outro jeito. E gosto de pensar que ainda vou me interessar por muitas outras coisas na vida e realizar outras tantas”, explica Ana Paula, que não se arrepende de seus audaciosos passos profissionais ao longo dos anos. “Não me arrependo de ter seguido meus desejos, minha curiosidade, minha permanente inquietude e de não ter atendido àqueles que me queriam eternizada em uma função em troca da aprovação dos outros. Essa pessoa não sou eu e, sabe, tenho muito orgulho de quem eu sou”, completa. 

P – Em virtude da pandemia, a atual temporada do “Masterchef Brasil” estreou um novo formato com um campeão a cada episódio. De que forma isso alterou a dinâmica do programa?

R – O jogo ficou mais emocionante, mais rápido. As pessoas estão mostrando a personalidade mais rápido porque estão pressionados pelo tempo. Tudo é muito mais intenso. A gente consegue estabelecer torcidas e antipatias de forma muito fácil. Fiquei surpresa com isso porque, no início, fiquei com medo desse novo formato. 

P – Como assim?

R – Achei que fosse pouco tempo para estudar e revelar um personagem. Conversei muito isso com a Marília (Mestiço, diretora). Será que dá tempo? O público estava acostumado a ir entrando no clima das pessoas ao longo dos episódios. Antes, tinha muito de o candidato guardar uma carta na manga ou não entregar sua personalidade ou caráter logo de cara. Esperavam um momento certo. Agora é tudo ou nada. Tem de entregar tudo o que cozinha logo de cara. Você conhece rapidamente e se apaixona rapidamente. Tive várias paixões relâmpagos nessa cozinha já.

P - Quando os trabalhos da nova temporada começaram, vocês estavam no início da pré-produção do programa. Como recebeu essa notícia da paralisação dos trabalhos?

R - Recebi com muita naturalidade o adiamento do início das gravações. Estávamos todos, no mundo inteiro, ainda tentando compreender que tipo de cenário se desenharia para o mundo do trabalho com uma pandemia. Foi muito responsável esperar um pouco e adaptar o formato a esse momento de emergência sanitária. Quando as gravações foram iniciadas, há poucas semanas, toda a produção já estava montada sob um protocolo rígido de normas de segurança que garante a todos mais tranquilidade para atuar no estúdio.

P - Você está à frente do “Masterchef” há seis anos. Ficou surpresa com a longevidade e o sucesso do programa ao longo das temporadas?

R - Nunca imaginei que seria o sucesso que é, mas acreditava sim que agradaria ao público brasileiro. Quando recebi o convite para apresentar o “Masterchef”, eu já tinha tempo suficiente na tevê para entender os gostos do cliente da televisão, os brasileiros que se sentam em frente à tela, todos os dias, para receber informação e entretenimento e que querem fazer isso em família. O “Masterchef” tem tudo que a família brasileira gosta: competição, bons personagens, um pouco de intriga, belas imagens, emoção - e tudo isso como regras claras de jogo. E não tem o que é polêmico: nudez e sexo, por exemplo. Eu sabia que ele não desagradaria ao público, mas não tinha ideia de que agradaria tanto.

P – De que forma sua experiência no jornalismo foi importante para conduzir o “Masterchef”?

R - Muito do meu treinamento de jornalista me ajudou a montar o personagem que conduz o “Masterchef”. Tentei me basear no que eu já conhecia: contar histórias. Então, guiei minha atuação no programa para um lugar de conforto para mim, que é o de elo entre as histórias dos participantes e o espectador. Sou a pessoa que também “traduz” a análise técnica dos “chefs” para um lugar real e compreensível para quem está assistindo ao programa, mas não necessariamente entende de gastronomia. Tudo isso é muito jornalismo e pouco show. 

P - Em que sentido?

R - Não sou uma apresentadora clássica de programas de entretenimento que tem até a obrigação de colocar os holofotes sobre si para sustentar a produção. Sou uma jornalista que apresenta o que vai acontecer ali de um jeito mais terno e emocionante do que em uma bancada, mas também é uma forma de atuar na minha carreira, que é o que sei fazer.

P – Com a pandemia e as constantes crises políticas no Brasil, o jornalismo tem tomado um espaço fundamental na tevê. Você sente saudades de atuar no “hard news” ao ver grandes coberturas, como é o caso da Covid-19?

R - Saudade não tive, não. Apenas fiquei mais atenta ao noticiário e, como sou uma espectadora que já passou por experiências em coberturas tensas, muitas vezes imaginei o que faria diferente, por exemplo.

P - Você está constantemente se reinventando na carreira. Iniciou no jornalismo, foi para a bancada, foi correspondente internacional, chegou ao entretenimento e se lançou como empresária também. Você está sempre em busca dessa renovação ou são movimentos naturais que sua carreira sinaliza? 

R - Em alguns casos, a maioria deles, eu planejei o próximo passo a partir da minha curiosidade ou da falta de desafios no contexto em que eu estava. No caso dessa experiência no entretenimento foi até uma surpresa para mim. Não deixei as bancadas do telejornalismo para migrar para o entretenimento, simplesmente aconteceu o convite e eu aceitei. De maneira geral sou bastante inquieta. Passo por momentos de tranquilidade no meu trabalho, mas, quando começo a entrar no terreno da acomodação, uma certa ansiedade passa a me rondar e automaticamente ligo as antenas para outros movimentos ao meu redor. Sou bastante curiosa e, se preciso mudar, não tenho medo. Ou melhor, tenho medo sim. Mas ele não me paralisa.

Detalhes diários

A disciplina foi a grande aliada de Ana Paula Padrão durante o período da quarentena. Antes de começar a gravar a nova temporada do “Masterchef Brasil”, os trabalhos foram suspensos por 60 dias, logo no início das recomendações do isolamento social. Para enfrentar o longo período em casa, a jornalista estabeleceu uma rotina muito bem organizada. “Sou bastante disciplinada e, ao me ver em casa, estabeleci rotinas que me ajudassem a enfrentar essa situação”, aponta.

Mesmo com a flexibilização da quarentena em algumas cidades, Ana Paula segue uma rotina regrada. Além de fazer ginástica com sua “personal trainer” através de chamada de vídeo, Ana Paula também montou um cronograma para sua casa. “Faço refeições em horários regulares e cozinho para minha família. Também montei horários para limpar e organizar a casa e todos têm tarefas específicas a cumprir. Não vejo notícias o dia todo para não me deprimir e nunca troco o dia pela noite”, afirma.

Olhar clínico

Apesar de afastada da bancada e do jornalismo “hard news”, Ana Paula Padrão segue atenta às transformações da área. Para a apresentadora, consumir notícia trazida com responsabilidade e seriedade é fundamental para enfrentar o fenômeno das “fake news”. “É muito importante que quem consome a notícia saiba que, se ela for falsa ou estiver ali de forma deturpada e a serviço de um grupo específico de pessoas com uma estratégia clara para ganhar corações e mentes, esse consumidor não terá com quem reclamar depois. Quando se consome notícia da mídia tradicional, ou seja, de empresas cujo produto principal é a informação, essa empresa, por definição, se responsabiliza pelo que propaga e pode ser processada por má atuação. Se você consome notícias sem se importar com a responsabilidade de quem a publicou você é o primeiro prejudicado”, analisa.

Conhecedora do cenário político de Brasília por anos, Ana Paula também acompanha a escalada de tensão entre o atual governo e o jornalismo. “A tensão entre o poder público e o jornalismo não é nova e, de vez em quando, ganha contornos de crise, como este em que estamos agora. A polarização não é um fenômeno apenas político-partidário. Ela está em várias esferas da sociedade, pois vivemos um momento de exposição total de realidades que, por muito tempo, varríamos para baixo do tapete”, ressalta.

Instantâneas

# Em 2014, Ana Paula fundou, ao lado da também jornalista Natália Leite, a “Escola de Você”, uma plataforma voltada ao empreendedorismo feminino.

# No mesmo ano, a apresentadora lançou o livro “O Amor Chegou Tarde em Minha Vida”.

# Além do “Masterchef”, Ana Paula também comandou o “Ana Paula Padrão.Doc”, da Band.

# Durante a quarentena, Ana Paula Padrão também se rendeu ao universo das “lives”. “Me fez ficar conectada com as pessoas e ajudar a amplificar o alcance de campanhas humanitárias”, afirma.

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com o ator Velson D'Souza que se prepara para fazer "Oleanna", de David Mamet

"A gente tende a buscar um culpado e um inocente, mas Oleanna desmonta essa lógica. As certezas vão se deslocando o tempo todo, e isso me interessa como ator, porque são personagens contraditórios, tridimensionais".

12/04/2026 15h30

Entrevista exclusiva com o ator Velson D'Souza que se prepara para fazer

Entrevista exclusiva com o ator Velson D'Souza que se prepara para fazer "Oleanna", de David Mamet Foto: Joaquim Araújo

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Depois de dar vida a Silvio Santos no musical biográfico “Silvio Santos Vem Aí” — trabalho que marcou seu retorno ao Brasil, em 2021, após uma década nos Estados Unidos — Velson D’Souza vive um novo momento na carreira. O ator se prepara para estrear “Oleanna”, de David Mamet, com direção de Daniela Stirbulov, em temporada no Teatro Vivo, em São Paulo, em um movimento que marca sua volta ao teatro de prosa.

O projeto retoma um interesse antigo. Velson teve o primeiro contato com o texto durante o mestrado em Acting, em Nova Iorque, entre 2011 e 2014, e desde então carregava o desejo de montá-lo.

“Foi um texto que me marcou profundamente, pela complexidade dos temas e pela precisão da escrita. Durante muito tempo eu quis montar essa peça, mas ainda não tinha a idade do personagem. Agora senti que era o momento certo”, afirma.

A peça coloca em cena o embate entre um professor universitário e sua aluna, em uma relação atravessada por disputas de poder, linguagem e interpretação. A encenação evidencia o quanto essas dinâmicas podem ser instáveis, especialmente quando intenção e percepção não caminham juntas, revelando tensões que se desdobram a partir de pequenas ações e leituras divergentes.

Oleanna também ganhou adaptação para o cinema em 1994, com roteiro e direção do próprio David Mamet, baseada na peça original escrita dois anos antes. Na versão, o personagem John foi interpretado por William H. Macy — referência que atravessa diferentes leituras da obra ao longo do tempo e dialoga com a construção do personagem no palco.

É nesse território de incerteza que Velson ancora sua investigação. “A gente tende a buscar um culpado e um inocente, mas Oleanna desmonta essa lógica. As certezas vão se deslocando o tempo todo, e isso me interessa como ator, porque são personagens contraditórios, tridimensionais”, diz.

Além de estar em cena, Velson também assina a produção do espetáculo. O trabalho ao lado da diretora Daniela Stirbulov e do diretor de produção Fabio Camara estrutura um processo que equilibra criação e gestão, permitindo ao ator manter o foco na construção do personagem sem perder a visão do todo.

O projeto marca também um retorno ao teatro de prosa, linguagem que sempre esteve na base de sua formação. Após anos dedicados ao teatro musical, ele volta a esse território em busca de novos desafios.

“Depois de um tempo longe, senti vontade de voltar e me provocar. É um texto extremamente exigente, com uma estrutura muito precisa e um personagem cheio de contradições. Sem dúvida, é um dos trabalhos mais desafiadores que já enfrentei”, afirma.

Nos últimos anos, Velson esteve em produções de grande escala no teatro musical, como o protagonismo em “Silvio Santos Vem Aí” e mais recentemente em “Jersey Boys”, no papel de Tommy DeVito. Pelo trabalho, foi indicado ao Prêmio Destaque Imprensa Digital (DID) na categoria Destaque Ator Coadjuvante. Sua interpretação de Silvio Santos também foi reconhecida pela premiação, com indicação na categoria Destaque Ator.

Na televisão, Velson também construiu uma trajetória consistente, com passagens por diferentes emissoras e momentos distintos da carreira. Ainda na década de 2000, integrou produções do SBT como “Cristal”, “Revelação” e “Vende-se Um Véu de Noiva”.

Mais recentemente, voltou à emissora no elenco adulto de “A Infância de Romeu e Julieta”. Já na Record, esteve na série bíblica “Paulo, o Apóstolo”, onde interpretou Tito, personagem ligado à expansão do cristianismo nas primeiras comunidades. Os trabalhos no audiovisual ampliam seu repertório e evidenciam sua circulação entre diferentes linguagens e formatos.

Atualmente, Velson se dedica também à formação de atores no Espaço Colab, onde ministra o Curso de Técnicas Americanas de Interpretação para TV e Cinema, dando continuidade à pesquisa que desenvolveu ao longo de sua trajetória internacional. Em paralelo, prepara a estreia de “True West”, de Sam Shepard, que irá produzir e protagonizar ao lado de Fernando Belo, com previsão de estreia em novembro no Teatro do Núcleo Experimental.

“Tenho direcionado bastante minha energia para o Espaço Colab e para esse momento de aprofundamento no teatro e no trabalho de formação”, finaliza.

Velson é a Capa do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ele fala sobre seu retorno dos EUA, trabalhos, desafios e novas estreias.
 

Entrevista exclusiva com o ator Velson DO ator Velson D’Souza éa Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Joaquim Araújo - Diagramação: Denis Felipe Por: Flávia Viana

CE - Você morou por 10 anos nos EUA. Ao retornar ao país, em 2021, com o musical “Silvio Santos Vem Aí”, que momento aquele trabalho representou na sua carreira?
VS -
 Foi um momento de retorno, mas não de recomeço do zero. Eu estava voltando com uma bagagem construída lá fora, com outra relação com o trabalho, e uma outra pessoa. E já voltar com um protagonista de um musical desse tamanho foi muito significativo. Era um desafio grande, num contexto novo pra mim de novo… então tinha uma mistura de risco e afirmação. Acho que marcou esse lugar de “estou de volta, mas diferente”

CE - O que ficou, como aprendizado ou marca, da experiência de interpretar uma figura real tão conhecida como Silvio Santos?
VS - 
O Silvio sempre esteve muito presente na minha trajetória, de certa forma. O SBT foi onde fiz muitos trabalhos na televisão, então já existia uma relação, uma proximidade com esse universo. E aí, de repente, eu estava interpretando justamente essa figura tão icônica. O maior desafio foi fugir da caricatura.

Porque o Silvio é um dos personagens mais imitados do Brasil — todo mundo tem uma referência muito marcada. Então o trabalho foi tentar humanizar esse personagem. Entender o que está por trás daquilo, o pensamento, o tempo, a lógica dele… e não só reproduzir os trejeitos. E isso me fez evoluir muito como ator. Foi um exercício de precisão e de escolha — de entender o que realmente comunica, em vez de tentar fazer tudo.

CE - Depois, você integra o elenco de Jersey Boys, vivendo Tommy DeVito. O que esse trabalho acrescentou ao seu repertório?
VS -
Foi, até então, o maior desafio da minha carreira. É um espetáculo muito exigente em todos os sentidos. Tem a questão do canto, principalmente em quarteto, que pede muita precisão.

Tem a dança, o ritmo… e, ao mesmo tempo, o personagem também conduz a narrativa. Eu abro o espetáculo falando diretamente com a plateia, faço essa ponte o tempo todo, e preciso trazer o público pra dentro da história logo de cara.

E tudo isso intercalando com as músicas. Então é um trabalho de muita resistência também — são quase três horas unindo canto, dança e interpretação sem perder a energia. Isso me acrescentou muito nesse lugar de precisão e de controle. De sustentar um personagem complexo dentro de uma estrutura muito rigorosa.

CE - Ao revisitar sua trajetória, você identifica algum ponto de virada que te trouxe até este momento?
VS - Acho que estudar fora foi o maior ponto de virada. Me trouxe método, técnica, e mudou minha relação com o trabalho. Eu evoluí não só como ator, mas como pessoa também.

Isso me trouxe mais consciência de processo, de construção. E a produção sempre fez parte do meu caminho. Eu comecei minha carreira nos anos 2000 produzindo meus próprios projetos. Então hoje é quase um retorno a isso, mas com outra maturidade, outra bagagem. Acho que tudo isso foi me trazendo até esse momento com mais clareza do que eu quero fazer.

Entrevista exclusiva com o ator Velson DO ator Velson D’Souza éa Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Caio Gallucci - Diagramação: Denis Felipe Por: Flávia Viana

CE - O que te levou a escolher Oleanna, de David Mamet, neste momento da sua carreira?
VS -
 Eu conheci esse texto durante o mestrado em Nova Iorque e ele nunca saiu de mim. Sempre quis fazer. Na época eu não tinha a idade do personagem. Agora tenho essa maturidade como ator — e senti que era o momento.

E também porque é um texto que continua muito atual. A gente acha que avançou, mas ainda está lidando com as mesmas questões de poder, de comunicação, de interpretação. E é uma peça que não te dá resposta. Ela te coloca num lugar desconfortável. Isso me interessa muito hoje como artista.

CE - Além de atuar, você também assume a produção do espetáculo. Como isso impacta seu olhar sobre o trabalho?
VS -
 Amplia meu olhar. Eu passo a pensar mais no todo, na estrutura do espetáculo, em como tudo está funcionando. Mas eu só consigo fazer isso porque tenho uma equipe que sustenta a produção. Então isso me dá tranquilidade pra, como ator, conseguir me concentrar no que preciso fazer em cena. No fim, aumenta a responsabilidade, mas também me dá mais liberdade e consciência do que estamos fazendo.

CE - Como foi, para você, o desafio de transitar entre uma novela voltada ao público infantil no SBT e uma produção bíblica na Record, com linguagens e públicos tão distintos?
VS -
 É muito desafiador porque muda bastante o estilo e o tom. No SBT eu estava numa novela infantil, num núcleo cômico, fazendo comédia na TV pela primeira vez. Já a novela bíblica tem outro registro, outro tempo, outra escala.

Eu amo muito a versatilidade e a possibilidade de fazer trabalhos muito distintos, personagens complexos e diferentes. O desafio é entender a linguagem de cada projeto sem perder a verdade. Porque, no fim, o trabalho é o mesmo: construir uma relação viva com aquilo que você está fazendo.

CE - Você também se dedica à formação de atores no Espaço Colab. Como esse trabalho dialoga com sua atuação no teatro e no audiovisual?
VS -
 Dialoga totalmente. Dar aula me obriga a organizar o pensamento, a entender o processo com mais clareza. E isso volta pra mim como ator. Eu fico mais consciente do que estou fazendo, mas sem tentar controlar demais. É um lugar de troca. Não é só ensino — é investigação. E eu aprendo muito ali também. Muito com os alunos. Tem muita troca real.

CE - A futura montagem de True West, de Sam Shepard, aponta para que tipo de caminho dentro da sua trajetória?
VS -
 Acho que aponta para um aprofundamento. Eu tenho me interessado cada vez mais por textos que lidam com relações humanas de forma mais direta, mais exposta, mas também muito instável. O Shepard tem isso, assim como o Mamet. Então vejo como uma continuidade de pesquisa mesmo. Um caminho mais focado nesse tipo de material e nessa linguagem.

CE - O que você busca explorar como artista nos próximos projetos?
VS -
 Eu tenho buscado projetos que realmente me desafiem. Que me tirem de um lugar confortável. Tenho me interessado por trabalhos mais diretos, mais expostos, onde a relação está muito em primeiro plano — sem muita coisa pra “esconder” o ator. E também quero continuar participando mais da construção dos projetos, não só como ator, mas também produzindo. No fundo, o que eu busco é continuar investigando. Não repetir fórmula.





 

Astrologia Correio B+

A energia do Tarô da semana entre 13 e 19 de abril. Confie nos instintos e aposte na criatividade

O Ás de Paus como carta da semana traz uma energia intensa de novos começos, criatividade e paixão. É um convite para agir, iniciar projetos e confiar nos seus instintos com entusiasmo.

12/04/2026 13h00

A energia do Tarô da semana entre 13 e 19 de abril. Confie nos instintos e aposte na criatividade

A energia do Tarô da semana entre 13 e 19 de abril. Confie nos instintos e aposte na criatividade Foto: Divulgação

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Com o Ás de Paus como regente, entramos em um período marcado por novas oportunidades, ação e energia criativa. O caminho se abre para começos promissores, iniciativas ousadas e movimentos que podem trazer resultados concretos. É tempo de aproveitar, apenas evite agir por impulso.

A semana chega sob forte influência de Áries. Marte, Mercúrio, Saturno, Netuno e a Lua Nova se concentram no signo, formando um dos céus mais intensos do ano. Há impulso, urgência e um chamado claro à ação.

O início pode trazer certa tensão, especialmente com Marte em conjunção com Netuno, ativando impulsividade, idealizações e até alguma confusão.

Mas o cenário não é só desafiador: aspectos harmônicos entre planetas benéficos ajudam a equilibrar as forças, e o fechamento com a Lua Nova em Áries inaugura um verdadeiro portal de recomeço.

E não por acaso, o Ás de Paus rege esse momento.

Essa carta simboliza o início de novos projetos, o surgimento de ideias inspiradoras e a abertura de caminhos. É uma das energias mais potentes do Tarô quando o assunto é impulso criativo e potencial de realização. Ela indica que algo novo, vibrante e cheio de vida está prestes a começar.

O Ás de Paus convida você a seguir o seu coração e a confiar naquilo que te move. Se existe um desejo de iniciar algo, mas a dúvida ainda trava o primeiro passo, encare essa fase como um teste. Comece pequeno, experimente, ajuste o percurso se necessário. O importante é sair do lugar.

Se você esperava um sinal, ele chegou: o Ás de Paus é um claro “sim”.

A imagem da varinha em broto, com uma paisagem fértil ao fundo, fala de crescimento, expansão e possibilidades reais de desenvolvimento. Não é hora de esperar o plano perfeito. É hora de agir com o que você já tem. Confie nos seus instintos. Se a ideia acende algo dentro de você, há um motivo para isso.

Mas é importante lembrar: os ases representam potencial, não garantia. O Ás de Paus é a semente e toda semente precisa de cuidado, consistência e dedicação para florescer.

A oportunidade existe, mas será a sua entrega que determinará até onde ela pode chegar. Pense nessa carta como a faísca inicial: poderosa, mas que precisa ser alimentada para se transformar em chama duradoura.

Esse também pode ser um momento importante para crescimento pessoal e espiritual. Cursos, novos aprendizados e caminhos criativos tendem a surgir com força. Investir em algo que expanda sua mente e sua expressão pode abrir portas que você ainda nem imagina.

Na vida pessoal, a semana de 13 a 19/04 traz um cenário favorável para amor, autoestima e prosperidade.

No campo afetivo, o Ás de Paus fala de novos começos e intensificação da paixão. Para quem está em um relacionamento, é uma chance de reacender o entusiasmo. Para quem está solteiro, pode indicar o surgimento de um romance intenso, marcado por forte atração e conexão imediata.

No campo financeiro, boas oportunidades podem aparecer, especialmente para quem estiver disposto a agir. É um ótimo momento para iniciar projetos com potencial de retorno.

Os próximos dias também favorecem o fortalecimento de vínculos, o cuidado com o lar e a busca por conforto emocional. A comunicação ganha destaque: falar o que pensa pode ser um diferencial, desde que venha acompanhado de escuta genuína.

A Lua Nova em Áries reforça esse movimento. Ela convida você a plantar intenções ligadas à identidade, autonomia e coragem. Tudo o que envolve iniciativa pessoal, novos projetos e mudanças de postura ganha força neste ciclo.

O Ás de Paus traduz exatamente essa energia: criatividade, impulso, entusiasmo e coragem para começar.

Ele representa avanços, inspiração e ideias que podem transformar a sua realidade. É um momento de expansão mental, de explorar novos caminhos e ultrapassar limites antigos.

A imagem simbólica da carta reforça essa mensagem: uma mão surge das nuvens oferecendo uma varinha, um canal direto com a inspiração. Ao fundo, um castelo em ruínas indica que antigas estruturas e bloqueios estão sendo deixados para trás. O que antes parecia impossível agora começa a se abrir.

Mas há um ponto essencial: a inspiração tem tempo.

Assim como nos contos de fadas, em que a magia tem prazo para acabar, as oportunidades também exigem ação no momento certo. Se você não aproveita o impulso criativo, ele se dissipa. Mas, se age, pode transformar uma ideia em algo concreto e significativo.

Confie em si mesmo. Você é capaz de realizar aquilo que consegue imaginar.

As folhas que caem do Ás de Paus lembram que tudo é cíclico. A oportunidade não é eterna, mas é real agora. E a força da sua mente só se torna transformação quando encontra coragem para agir.

Aproveite o vigor do elemento fogo para impulsionar sua vida profissional e pessoal, mantendo o foco. Vá em frente.

O Ás de Paus atua como a Fada Madrinha de Cinderela (1950), da Disney: um toque de magia que transforma possibilidades em realidade, mas que pede ação no momento certo. Acredite ou não, a magia está no ar. Bibbidi-Bobbidi-Boo.

Uma ótima semana e muita luz,

Ana Cristina Paixão

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