Especial Coronavírus (COVID-19) - Leia notícias e saiba tudo sobre o assunto. Clique aqui.

ENTREVISTA

André Trigueiro ganha bandeira verde

Na Globo há 27 anos, o apresentador estreia na bancada do “Jornal Nacional”
03/05/2020 07:00 - Caroline Borges/TV Press


 

A temática ambiental vem ganhando cada vez mais força nos mais diversos cenários sociais, empresariais e políticos. Em meio à pandemia do novo coronavírus, a relação do homem com a natureza é repercutida pelo mundo afora. O apresentador André Trigueiro, no entanto, já alertava para a importância do assunto em destaque há pelo menos 30 anos. Pós-graduado em Gestão Ambiental pela COPPE/UFRJ, o jornalista do Grupo Globo buscou, ao longo de sua trajetória profissional, compreender melhor o meio ambiente, a ecologia e o desenvolvimento sustentável. “A gente não pode seguir destruindo os recursos naturais e fundamentais a vida. Nós não somos suicidas, não viemos ao mundo para destruir o mundo e não ter como sobreviver. Vemos cada vez mais pessoas, enquanto consumidores, fazendo escolhas na direção da sustentabilidade”, defende. Há 27 anos no Grupo Globo, Trigueiro é repórter, apresentador e editor-chefe do semanal “Cidades e Soluções” e comentarista do “Estúdio I” e do “Em Pauta”, além de eventualmente ser escalado para comandar os jornais locais do Rio de Janeiro. Em abril, por conta da pandemia do novo coronavírus, o jornalista estreou na bancada do “Jornal Nacional”, entrando para o rodízio de plantonistas da produção. “É uma honra participar, especialmente, em um momento muito grave do mundo como esse. Fico lisonjeado com o convite”, valoriza.  

O avanço da pandemia do novo coronavírus, inclusive, provocou mudanças radicais no dia a dia pessoal e profissional de Trigueiro. Além integrar o quadro de jornalistas do Grupo Globo, André também é professor na PUC-Rio. Com as atividades da universidade suspensas, os alunos tem tido uma intensa carga de textos para ler e algumas aulas à distância. “Não acho que seja a mesma coisa. Sou muito identificado com o exercício da aula presencial. Mas a tecnologia faz com que a garotada participe, seja demandada. Não se perde o conteúdo. Apenas é trabalhado de uma forma diferente”, aponta. Na redação, Trigueiro segue novas regras de higiene, como o uso de máscaras e a constante higienização de sua área de trabalho. O jornalista também está morando sozinho atualmente. “Minhas filhas estão fora do Rio de Janeiro. Uma delas já mora em Juiz de Fora, estudando Medicina. A outra, que estuda Design na PUC, está morando junto. Minha mulher está em um outro imóvel, porque ela tem uma comorbidade e eu não posso levar risco para ela. Está sendo uma experiência difícil morar sozinho e longe das pessoas que eu amo”, admite.

 

P – Desde o início da pandemia, o Grupo Globo adotou uma série de protocolos de higiene. Como tem sido sua rotina de trabalho ao longo dessa cobertura especial?

R - A pandemia responde pela maior parte do noticiário e todos nós estamos fazendo um curso intensivo sobre Covid-19. Estamos na qualidade de serviço essencial. Salvo se manifestarmos sintomas. E a empresa tem sempre orientado a reportarmos quaisquer sintomas que sejam parecidos com os da Covid-19. Isso tudo está sendo seguido à risca para proteção dos profissionais. Tivemos mudanças na rotina de escalonamento dos profissionais para evitar aglomeração. As redações estão mais vazias. Temos novos protocolos de asseio e higiene, desde o mouse até os teclados e outros equipamentos. Várias máscaras ao longo do dia, se for reportagem na rua. Manter a distância do entrevistado. E, sempre que possível, fazer por vídeo e não presencialmente.

P – Quais são os principais entraves durante a cobertura de assunto tão novo e complexo, como é o novo coronavírus?  

R - Precisamos mostrar para as pessoas que a ciência vem em primeiro lugar. Quando alguém está doente, ele procura um médico. Então, na hora que a gente enfrenta a maior pandemia do nosso tempo, é a ciência médica que deve ter a regência das ações. E o desafio é mostrar a importância do isolamento social. Aqui, como em todo o mundo, a pandemia gerou um freio na economia. Precisamos mostrar que a defesa do isolamento social não é também uma defesa do empobrecimento. Aquelas pessoas que não têm comida na geladeira precisam ser acolhidas. Também temos falado muito das campanhas assistenciais, que têm sido um movimento muito bonito. O governo sozinho não resolve, tem de ser em conjunto e parceria com a sociedade.

P - Atualmente, a relação entre a imprensa e o governo, em especial na esfera Federal, está repleta de tensão. Como essa tensão entre imprensa e governo afeta o jornalismo?

R - A imprensa luta em favor da transparência e do direito aos recursos que são da população, gerados por meio de taxas e impostos. A democracia só é possível com um conjunto de variáveis para que ela tenha saúde, longevidade e vitalidade. Um desses fatores é a imprensa livre. Uma asa do jornalismo é denunciar o que está errado e a outra é sinalizar rumo e perspectiva e ser vitrine de soluções.  

P – A política brasileira vem de uma intensa polarização. Com os ânimos acirrados das redes sociais, como você seleciona suas opiniões diante do vídeo?

R - O debate e a participação dos comentaristas ajudam quem está acessando essa informação a construir a própria opinião. E quando a gente fala e defende a imprensa livre, é que cada meio de comunicação vai ter a sua forma, seu elenco de comentaristas. Quando você acessa mais de uma fonte, você consegue, de alguma forma, construir a sua opinião sobre um determinado assunto de uma maneira mais rica. Para determinados assuntos, a imprensa não pode ser imparcial. Por exemplo, corrupção. Não há dois lados na corrupção. Sustentabilidade também é um assunto que não há como imaginar alguém ser contra. Porque a sustentabilidade se refere ao equilíbrio e à harmonia da nossa relação com a natureza. O jornalismo é um espelho da sociedade. Deve refletir essas diferentes opiniões, pontos de vista, permitindo que as pessoas tenham a condição de ter uma opinião própria a respeito.

P – Na GloboNews, você também está à frente do “Cidade e Soluções”. Como fica o programa durante esse período de pandemia?

R - Acertadamente, a GloboNews entendeu que deveriam priorizar a cobertura ao vivo da pandemia, que tem um efeito enorme na vida das pessoas. Depois que baixar a poeira, vamos ter o antes e o depois. Além do “Cidades e Soluções”, outros produtos da casa serão retomados quando a pandemia deixar de ter a demanda que tem hoje. Estou participando duas vezes por semana do “Em Pauta” e também duas vezes na semana do ao vivo no “Estúdio I”, sem deixar de trabalhar como repórter da Globo.

 

"Estúdio I" - GloboNews - de segunda a sexta, às 12h.

“Em Pauta” - GloboNews - de segunda a sexta, às 19h.

Felpuda


É quase certo que a aposentadoria deverá ocorrer de maneira mais rápida do que se pensava em determinado órgão. O que deveria ser a tal ordem natural dos fatos acabou sendo atropelada por acontecimentos considerados danosos para a imagem da instituição. Os dias estão passando, o cerco apertando e já é praticamente unanimidade de que a cadeira terá de ter substituto. Mas, pelo que se ouve, a escolha não deverá ser com flores e bombons de grife.