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ESCRITORAS DE MS

Integrantes de coletivo nacional, três autoras lançam livros de poesia que falam sobre violência e memória

As obras de poesia abordam diversos temas, como violência, relacionamento e libertação feminina
10/09/2020 12:00 - Naiane Mesquita


Ao longo dos últimos anos, o mercado editorial sofreu importantes transformações, com a popularização dos e-books e dos leitores digitais e o declínio das vendas nas livrarias físicas, como consequência do aumento nas vendas de livros digitais ou pela internet.  

Porém, mesmo com a aparente modernidade e o avanço das tecnologias, o espaço destinados às mulheres no mercado editorial como produtoras de conteúdo continua menor do que o reservado aos homens.  

Segundo uma pesquisa publicada pelo Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, da Universidade de Brasília (UNB), coordenado pela pesquisadora Regina Dalcastagnè, o mercado editorial das grandes editoras, como Companhia das Letras e Rocco, é monopolizado pelos homens, que são 70,6% dos autores publicados. 

Os personagens seguem a mesma dinâmica, 58,2% são homens, 77,9% são brancos e 85,7% são heterossexuais. 

A pesquisa analisou 692 romances, escritos por 383 autores nos períodos de 1965 a 1979, de 1990 a 2004 e de 2005 a 2014.  

Esse cenário desigual inspirou a criação do coletivo feminista Mulherio das Letras, formado por cerca de 7 mil escritoras, editoras, ilustradoras, pesquisadoras e livreiras, que buscam questionar, ampliar e promover a visibilidade das mulheres no cenário literário.  

Integrantes do coletivo, as autoras Eva Vilma, Diana Pilatti e Tânia Souza lançarão livros pela Coleção II.  

“O coletivo Mulherio das Letras existe há quatro anos e é um movimento nacional, foi a escritora Maria Valéria de Rezende, ao lado de outras autoras, que teve essa ideia. Essa coleção, especificamente, está no segundo ano, começou em 2019, quem idealizou foi a Karine Bassi – ela é uma poeta, dona de uma editora popular de Belo Horizonte”, explica Diana Pilatti.  

Essa é a segunda coleção do coletivo Mulherio das Letras, do qual Diana participa. 

“Ela fez esse convite em nível nacional de autoras que quisessem participar dessa coleção. Eu entrei na primeira – de Mato Grosso do Sul eu fui a única. O objetivo é divulgar a escrita das mulheres de uma forma acessível, com um custo bem acessível, porém, com um material de qualidade. No segundo ano, eu comecei a divulgar para as escritoras daqui que eu conhecia, e aí a Tânia Souza enviou a proposta do livro dela e a Eva Vilma também. Nessa segunda coleção, são 15 autoras, e três são de MS”, pontua.  

Os livros da coleção são de prosa e poesia. 

“Tem livros que são só de prosa e [outros] só poesia. Ficou a critério de cada autora, o que colocar em cada livro. No caso de MS, os três livros são de poesia”, frisa.

Intitulado “Palavras Póstumas”, o livro de Diana traz a voz de uma mulher vítima de um relacionamento abusivo, com poemas em um tom triste e de solidão.

“O livro é um olhar sensível ao tema e também uma forma de chamar atenção, fomentar o diálogo sobre questões de violência contra mulher, tanto física quanto psicológica”, frisa.