Correio B

Correio B+

Capa B+: Entrevista exclusiva com a atriz Liane Maya, destaque em "Hairspray" e em série do Disney+

"Adoro o audiovisual, mas fazer uma série musical da Disney foi muito estimulante".

Continue lendo...

Liane Maya, renomada atriz, cantora, bailarina, coreógrafa e diretora, é uma figura emblemática no teatro musical brasileiro. Formada em teatro pelo O Tablado, em canto pelo Conservatório Nacional de Música do Rio de Janeiro e em Canto Lírico pela Escola de Música Villa-Lobos, Liane também possui formação em Ballet Moderno pelo Centro de Artes Nós da Dança e em Jazz e Yoga (Alongamento e Tao da Voz) em Nova York. Em Ballet Clássico, estudou com diversas professoras renomadas, completando assim um currículo de formação extremamente diversificado.

Com uma carreira que inclui mais de 25 espetáculos como atriz e cantora, Liane brilhou em produções como “As Damas de Paus”, “Crazy For You” e  “Além do Ar - Um Musical Inspirado em Santos Dumont”, que lhe renderam indicações de Melhor Atriz e Atriz Coadjuvante no Prêmio Bibi Ferreira, entre outros musicais como “Aí Vem o Dilúvio”, “Splish, Splash”, “A Família Addams”, “Cabaret”, “Noviças Rebeldes”, “Gypsy”, e, mais recentemente, “Tarsila, a Brasileira”, dando vida a Olívia Guedes Penteado. Agora, ela se prepara para um novo desafio: viver Velma Von Tussle no musical “Hairspray”, prometendo mais uma vez cativar o público com sua versatilidade e talento.

Em paralelo, a artista se prepara para apresentar ao público uma outra personagem, Dona Zefa, uma mineira apaixonada por Ópera que estará na série musical “Uma Garota Comum”, projeto com o selo Disney+ Original Productions, exclusivo da plataforma, e previsto para ser lançado ainda este ano. Estrelado pela atriz, cantora e compositora colombiana Juliana Velásquez, a trama gira em torno da estrela pop latina Alana, que, cansada de não ter o controle sobre a própria vida, foge para uma pequena cidade no interior do Brasil, onde vive seu pai, e lá desfruta do anonimato que a transforma em Drica, uma garota comum.

Liane celebra este como seu grande retorna às telas após deixar sua marca em programas icônicos como “Planeta dos Homens”, “Viva o Gordo”, “Humor Livre”, “Chico Anysio Show”, “Partido Alto” e “Escolinha do Professor Raimundo” - onde pôde ser vista como Dona Clarinha. E para além da cômica atriz, ela explorou uma outra vertente artística nas telas, a de coreógrafa, assumindo à frente em programas como “Gente Inocente” e “Bambuluá”. A função também foi exercida nos palcos, em peças como “Village Station”, “Adoráveis Criaturas” e “Primo Basílio”.

capa caras 9Após temporada no teatro com Hairspray, Liane Maya retornará às telas com série em streaming - Divulgação/José de Holanda

E como a atuação e música sempre caminharam juntas na vida da artista, Liane é lembrada há mais de 25 anos por sua participação na segunda formação do grupo musical “As Frenéticas”, em 1998, uma parceria que durou oito anos e resultou na gravação de um CD e um DVD, além de uma turnê nacional de shows.

Tempos depois, a artista retornou ao estúdio para gravar seu disco solo, “Sou Rio”, com a Banda SoulRio, trazendo músicas de Cassiano, Claudio Zolli e Paulo Zdan, produzido por Rafael Prista.

Com tanta experiência e conhecimento acumulados, Liane sempre buscou encontrar tempo para compartilhá-los com novas gerações de artistas; foi professora da Academia Dalal Achcar, do Petit Studio, da Casa das Artes de Laranjeiras (CAL) - onde chegou a dirigir o humorista Paulo Gustavo, em uma montagem do musical “Cazas de Cazuza”, e de outras instituições.

O resultado de sua trajetória, de mais de 40 anos na carreira artística e 30 anos como educadora, resultando em um currículo vasto polivalente, foi marcado recentemente pelo reconhecimento da Academia Abrasci de Ciências, Artes, História e Literatura, onde atualmente ocupa a cadeira de número 83, assumida anteriormente por Marília Pêra.

Liane é Capa do Correiro B+ desta semana, e em entrevista exclusiva para o Caderno ela fala de carreira, experiências, o musical "Hairspray" em cartaz no RJ e também do novo projeto na Disney.

A atriz Liane Maya é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Cesar Campos - Diagramação: Denis Felipe e Denise Neves 

CE - Início de Carreira: Como você começou sua trajetória artística? Houve algum momento específico em que decidiu que seguiria a carreira de atriz e cantora?
LM - 
Eu comecei comecei a dançar  ballet classico bem cedo com 4 anos, aos 12 iniciei o jazz e o canto coral no IBAM.Entrei para a Escola de Teatro Tablado do Rio e aos 15 já estava estreando profissionalmente o musical Maroquinha Fru-Fru com Direção de Wolf Maya.Na minha formação a dança, o canto e a interpretação sempre caminharam juntas.

CE - Formação: Quais foram as principais influências e formações que moldaram sua carreira como atriz, cantora e coreógrafa? Você teve algum mentor ou escola que foi decisiva nesse processo?
LM -
 Tive o privilégio de ter grandes mestres da dança no decorrer da minha trajetória: klaus Vianna,Tatiana Leskova ,  Eugênia Feodorova,Vilma Vernon. Regina Sauer e Lennie Dale.Mas a minha maior referência sempre foi minha irmã mais velha que era bailarina clássica do Teatro Municipal do Rio. Rosane Maya além de bailarina era maitre de Ballet, tinha um enorme conhecimento do corpo e desenvolveu métodos e técnicas de alongamento enquanto morou na Europa e mais tarde trouxe para o Brasil. 

Além da dança o canto lírico sempre foi uma paixão e comecei a às aulas com orientação dos mestres:Fernanda Giannetti, Nonelli Basbatefano,José Spinto e Nadja Daltro e mais tarde sendo dirigida pelos Diretores de musicais  que tive a honra de trabalhar: Claudio Botelho, Marconi Araújo Thiago Gimenes,Thiago Rodrigues,Gui Terra e agora Rafael Villar. Aprendi muito com grandes diretores do palco, entre eles: Flávio Rangel, Italo Rossi, Wolf Maya, Cininha de Paula e José Possi Neto.

A formação de um artista não é algo que se aprende rápido apenas com a técnica, existe um tempo do despertar e do amadurecer.Quando essa consciência chega no corpo,na voz e na interpretação a gente entende como esses mestres foram fundamentais para sua formação como artista.

CE - As Frenéticas: O que significou para você fazer parte de As Frenéticas, um grupo tão icônico na música brasileira? Como essa experiência influenciou o resto de sua carreira?
LM -
 Fiz parte da segunda formação das Frenéticas e isso foi incrível, pois já era fã de todas elas, viajamos muito e fizemos muitos shows nesses 8 anos de convívio! As Frenéticas representaram o movimento de empoderamento da mulher depois dos anos 70, na forma de se vestir, falar e cantar. 

Ser frenética é uma atitude, uma coragem,uma força e uma alegria de ser mulher, que ultrapassa qualquer padrão de comportamento ou beleza.Todas nós éramos cantrizes, assim como os Dzi Croquetes foram responsáveis pela mudança de comportamento daquela geração ,As Frenéticas até hoje são  a referência da mudança e da Renovação da mulher na sociedade.

Em As Damas de Paus - Divulgação

CE - Transição para os Musicais: Como foi a transição para o teatro musical? Quais foram os maiores desafios e recompensas da sua imersão neste gênero, que é tão completo artisticamente?
LM -
Eu comecei no Teatro,sempre fui polivalente atuando em várias áreas simultaneamente. O Teatro Musical é o gênero que mais me encanta, porque posso unir o canto, a dança e a interpretação a serviço da construção de um personagem.O maior desafio do Teatro Musical e você se manter em forma, com saúde espiritual, mental e física.Somos atletas da emoção e o treinamento precisa ser diário!Os desafios ? 

Fazer personagens que não estejam na minha zona de conforto, gosto de pesquisar a psiquê humana e estudar seus comportamentos mentais e corporais.  A vovó Addams, a Glória de As Damas de Paus e agora a  vilã Velma Von Tussle foram os maiores desafios para mim no Teatro Musical.


CE - Escolinha do Professor Raimundo: Como foi sua experiência participando de programas humorísticos, alguns deles tão marcantes como a Escolinha do Professor Raimundo? O humor sempre foi uma vertente que te interessou artisticamente?
LM -
 Aos 17 anos, depois de fazer a protagonista do Musical O Rei de  Ramos de Dias Gomes, fui convidada para integrar o elenco de atrizes do programa Planeta dos Homens na Globo. Lá comecei a trabalhar com grandes comediantes do Teatro e da TV. Depois vieram os programas Viva o Gordo, Os Trapalhões , A turma do Didi e muitos programas do Chico Anysio até fazer a Escolinha do Professor Raimundo no papel de  Clara. 

Aprendi muito com esses gigantes da comédia, mas em especial com o gênio Chico Anysio que tinha a capacidade de se transformar a cada personagem. Essas experiências foram marcantes e com certeza foram fundamentais para a minha forma de atuar e o feeling do famoso tempo de comédia que todo ator busca na sua performance.

CE - Hairspray e Outros Musicais: Você tem atuado em grandes produções musicais como a atual, "Hairspray". Como se prepara, em tão pouco tempo, para viver personagens tão diferentes no palco? Há algum papel na carreira que tenha sido particularmente desafiador? Como têm sido a experiência de interpretar Velma Von Tussle, mesmo papel interpretado no cinema por Michelle Pfeiffer? Buscou referências em outras atrizes das telas e palcos?
LM - 
A preparação do ator de Musicais é um treinamento diário como de um atleta: voz , corpo, disciplina na alimentação, o estudo constante, a pesquisa  do texto e a concentração que o trabalho exige sao fundamentais para o resultado do artista no palco. Vim para São Paulo a convite da T4f para fazer a Vovó Addams e em seguida fiz a Eulália de Além do ar e e a Olívia Guedes Penteado de Tarsila a brasileira. Agora o grande desafio é encarnar a vilã Velma Von Tussle, uma mulher intolerante, preconceituosa, vaidosa e consumida pela ideia da beleza padrão, uma mulher cruel e má, tudo isso com tom de comédia e desenho animado dos anos 60.

Liane Maya contracenará com Juliana Velásquez, atriz colombiana - Divulgação/Disney+

CE - Desenvolvimento Criativo: Além de atuar e cantar, você também trabalhou como coreógrafa. Ainda atua nessa área? Qual a sua relação com a dança hoje em dia?
LM -
 Já dirigiu  e coreografei alguns musicais com a direção de Wolf Maya entre eles: Village Station, Eu te amo vc e Perfeita agora muda e Nunsense e na TV Globo coreografou o programa Gente Inocente é Bambuluá. Atualmente meu foco é a direção de Movimento para o ator de musicais onde ministro workshops e cursos  com o método que criei "O corpo e a voz na criação dos personagens" Acho que o corpo e a voz podem ser trabalhados simultaneamente na criacão dos personagens e na interpretação da cena.

CE - Recentemente, você está envolvida na série "Uma Garota Comum", do Disney+. Como foi a experiência de trabalhar em uma produção audiovisual,  para o público jovem, e o que podemos esperar da sua personagem, Dona Zefa?
LM - 
Adoro trabalhar no audiovisual,já fiz novelas ,séries,e muitos programas de humor, mas desta vez trabalhar numa série musical da Disney foi muito estimulante!A começar pelo set de filmagem e o convívio com os colegas da cena, atores latinos e brasileiros com  com enorme talento para dançar e cantar sendo dirigidos pelo coreógrafo Alonso Barros. 

Uma experiência muito rica para todos nós! A dona Zefa que interpreto é uma mineira divertida que gosta de dançar e cantar, é fã dos ídolos da música Pop e também  muito eclética porque ama cantar ópera! Numa grande comemoração ela vai cantar Carmen de Bizet! O público vai se divertir com Dona Zefa, essa divertida cantante e faladeira mineira!

CE - Retorno ao Rio de Janeiro: Depois de dois anos em São Paulo, você retornou ao Rio de Janeiro para novas produções. Como foi esse retorno e como ele se reflete na sua vida e carreira atualmente? Sentiu alguma diferença entre os públicos?
LM -
 Foi muita emoção retornar ao Rio, depois de dois anos em São Paulo, e  estreando no Teatro Riachuelo! O público carioca é sempre receptivo e caloroso e nos recebeu de braços abertos lotando o Teatro nesta curta temporada. Em São Paulo o público gosta  de Teatro e  cinema, existem fãs de Teatro musical que nos seguem, a cidade é fundamentalmente cultural e a diversidade de público é imensa. Eu amo esta cidade e me encontrei profissionalmente aqui.

Liane Maya - Divulgação

CE - Futuro da Carreira: Olhando para o futuro, quais são seus próximos objetivos e projetos? Há algum sonho ou desafio que ainda gostaria de realizar no teatro, na música ou na televisão?
LM -
 Tenho muitos planos e projetos para o futuro próximo, entre eles: o Show musical Rosa Shock com direção de Ciro Barcellos, o Cabaret Musical As mulheres da Guerra e o  musical Invisíveis Aliados de Victor Bertolini que já está captando recursos. No Teatro Musical tenho muita vontade de fazer Sunset Boulevard, 101 Dálmatas como Cruela entre outras vilãs que são o sonho para qualquer atriz.

CE - Imortais da Abrasci: Você recebeu uma nomeação especial pela Academia Abrasci de Ciências, História, Literatura e Arte, e ocupa atualmente a cadeira que foi de Marília Pêra. Qual a importância dessa conquista em sua vida e trajetória? 
LM - 
Recebi a nomeação da Academia Abrasci no início deste ano para ocupar a cadeira 83 que foi de Marília Pêra, que foi a maior referência e inspiração da minha geração de atrizes, cantoras e bailarinas.Para mim uma honra e grande responsabilidade, levar o legado desta grande artista brasileira que nos deixou trabalhos inspiradores no Teatro, na TV e no Cinema, mas muito mais do que isso  nos deixou exemplos de comprometimento e respeito ao ofício, na sua disciplina, dedicação, obstinação e paixão pela arte. 

Entendo que esta nomeação é um chamado para que eu desenvolva aqui em São Paulo a formação de atores de Musicais com foco neste comprometimento e legado artístico .Os grandes artistas precisam ser homenageados e não podem ser esquecidos das novas gerações!

 

Pet Correio B+

Páscoa: chocolate está entre os principais riscos à saúde de cães e gatos

Veterinário alerta sobre alimentos típicos da data que podem intoxicar os pets

04/04/2026 15h00

Páscoa: chocolate está entre os principais riscos à saúde de cães e gatos

Páscoa: chocolate está entre os principais riscos à saúde de cães e gatos Foto: Divulgação

Continue Lendo...

Com a chegada da Páscoa, cresce também a preocupação com a alimentação dos animais de estimação. Tradicional na celebração, o chocolate, presente no formato de ovos, bombons, barras e em sobremesas, está entre os alimentos que nunca devem ser oferecidos a cães e gatos, por representar sérios riscos à sua saúde.

Apesar de muitas pessoas associarem o perigo ao açúcar, o principal vilão é a teobromina, uma substância encontrada no cacau. Segundo Gustavo Quirino, médico-veterinário que atua na capacitação técnica da Adimax, fabricante de alimentos para cães e gatos, o organismo dos pets não é capaz de metabolizá-la de forma eficiente.

“A teobromina tem efeito estimulante, semelhante ao da cafeína, mas cães e gatos são muito mais sensíveis a ela. Por isso, mesmo pequenas quantidades podem causar alterações importantes no organismo”, explica.

Quirino destaca ainda que chocolates com maior teor de cacau, considerados mais saudáveis para os seres humanos, são justamente os mais perigosos para os animais. “Quanto mais cacau, maior a concentração de teobromina e, consequentemente, maior o risco de intoxicação”, completa.

Os sinais clínicos variam de acordo com a quantidade ingerida. Em casos leves, podem ocorrer vômito e diarreia. Já em situações mais graves, o animal pode apresentar alterações cardíacas, convulsões e até risco de morte.

Para quem deseja incluir o pet nas comemorações, a recomendação é optar por produtos desenvolvidos especialmente para eles.

O mercado pet oferece uma variedade de opções seguras, como biscoitos, bifinhos e alimentos úmidos, além de petiscos funcionais, que associam sabor a benefícios para a saúde. Há ainda itens temáticos, inspirados no formato de ovos de Páscoa, mas elaborados sem chocolate e adequados ao consumo animal.

Ainda assim, a moderação é essencial. “Mesmo os petiscos apropriados devem ser oferecidos conforme a recomendação do fabricante, respeitando a quantidade diária indicada”, orienta Quirino.

Além do chocolate, outros alimentos comuns em celebrações familiares nesta época também exigem atenção.

“Carnes gordurosas, bacalhau, castanhas, uvas frescas e passas, sementes de frutas, podem causar diferentes problemas de saúde nos pets. Ossos também representam risco, podendo provocar engasgos ou até perfurações no trato digestivo. Já ingredientes como cebola e alho, presentes em grande parte das receitas, podem provocar a destruição das células vermelhas do sangue, podendo causar quadros de anemia”, alerta o veterinário.

Caso o animal ingira algum alimento inadequado ou apresente sinais de mal-estar, a orientação é buscar atendimento veterinário imediatamente.

Cinema Correio B+

O Diabo Veste Prada: a história real por trás do livro, do filme e da continuação

Como uma assistente da Vogue transformou bastidores em fenômeno cultural e por que Miranda Priestly continua sendo uma das figuras mais complexas do cinema contemporâneo.

04/04/2026 13h30

O Diabo Veste Prada: a história real por trás do livro, do filme e da continuação

O Diabo Veste Prada: a história real por trás do livro, do filme e da continuação Foto: Divulgação

Continue Lendo...

Quando Lauren Weisberger publicou O Diabo Veste Prada em 2003, o que parecia ser apenas mais um romance ambientado no universo da moda rapidamente revelou outra ambição. O livro nascia de uma experiência muito específica, mas tocava em algo mais amplo: a dinâmica de poder em ambientes onde prestígio e exaustão caminham juntos.

Weisberger havia trabalhado como assistente de Anna Wintour na Vogue, um dos cargos mais desejados e, ao mesmo tempo, mais temidos dentro da indústria editorial. Ao transformar essa vivência em ficção, ela encontrou o tom que equilibra fascínio e desgaste.

A protagonista Andrea Sachs não entra apenas em uma revista de moda. Ela entra em uma estrutura que exige devoção absoluta e oferece, em troca, uma promessa de acesso.

O sucesso do livro não se explica apenas pelo glamour. Ele veio da sensação de reconhecimento. Mesmo para leitores fora da moda, havia ali um retrato familiar de ambientes hierárquicos, de chefes inalcançáveis e de jovens profissionais tentando provar valor em condições quase impossíveis. O sucesso foi tanto que a continuação chega aos cinemas ainda nesse mês de abril.

Miranda Priestly e a construção de um mito reconhecível

Desde o início, a associação entre Miranda Priestly e Anna Wintour foi inevitável. Weisberger sempre sustentou que a personagem era uma composição, o que é tecnicamente verdadeiro. Ainda assim, os códigos estavam todos ali, organizados de forma precisa demais para serem ignorados.

O corte de cabelo, os óculos escuros, o silêncio como instrumento de poder, a maneira como uma frase curta pode redefinir o clima de uma sala inteira. Miranda não precisava levantar a voz porque o sistema já estava estruturado ao seu redor para amplificar cada gesto.

A reação de Wintour, por sua vez, foi tão estratégica quanto a personagem que inspirou o debate. Ao comparecer à première do filme vestindo Prada, ela deslocou a narrativa. Em vez de se defender, apropriou-se do momento. Aquilo que poderia ser lido como exposição transformou-se em reafirmação de controle.

O desconforto que o livro provocou

O impacto do romance dentro da indústria foi imediato, embora raramente declarado de forma direta. O problema não era a revelação de um segredo específico, mas a visibilidade de práticas que sempre existiram e eram tratadas como parte do jogo.

Publicidade

Assistentes submetidas a jornadas exaustivas, demandas absurdas tratadas como testes de lealdade, uma cultura que confunde resiliência com resistência ao desgaste. Weisberger não inventou esse cenário, mas o organizou de forma acessível, o que acabou sendo mais perturbador do que qualquer denúncia frontal.

Houve críticas à autora, acusada por alguns de transformar sua experiência em oportunismo. Ao mesmo tempo, o silêncio institucional sobre os detalhes mais incômodos funcionou como uma confirmação indireta de que o retrato não estava tão distante da realidade quanto muitos gostariam.

O caminho até o cinema e a mudança de tom

A adaptação cinematográfica de 2006, dirigida por David Frankel, entendeu algo essencial que nem sempre está presente em adaptações: não bastava reproduzir a história, era necessário reinterpretá-la.

O filme suaviza Andrea, amplia o universo da revista e, sobretudo, redesenha Miranda. No livro, ela é mais próxima de uma força opressiva constante. No cinema, ela ganha camadas que tornam sua presença mais complexa e, por isso mesmo, mais inquietante.

Essa transformação passa diretamente por Meryl Streep. Sua interpretação evita o caminho mais óbvio da caricatura e constrói uma personagem baseada em contenção. O poder de Miranda está no que não é dito, no intervalo entre uma ordem e outra, na consciência de que todos ao redor já antecipam suas expectativas.

O famoso discurso sobre o cerúleo sintetiza essa abordagem. Ele desloca a discussão da superfície para a estrutura, explicando como decisões aparentemente banais são resultado de uma cadeia complexa de influência. Ao fazer isso, o filme legitima aquele universo ao mesmo tempo em que o expõe.

Ao lado de Streep, Anne Hathaway conduz a trajetória de Andrea com um equilíbrio entre ingenuidade e ambição, enquanto Emily Blunt oferece uma leitura afiada do custo emocional de se adaptar completamente ao sistema.

O Diabo Veste Prada: a história real por trás do livro, do filme e da continuaçãoO Diabo Veste Prada: a história real por trás do livro, do filme e da continuação - Divulgação

Resultados e impacto cultural

O filme ultrapassou a marca de 300 milhões de dólares em bilheteria mundial e consolidou-se como um dos títulos mais influentes de sua geração dentro do gênero. Mais do que isso, redefiniu a maneira como histórias ambientadas em ambientes corporativos femininos poderiam ser contadas.

Ele não se limita a criticar ou a celebrar. Ele opera em uma zona ambígua que permite leituras diferentes conforme o tempo passa. Para alguns, Miranda é uma vilã. Para outros, uma líder moldada por um sistema que cobra resultados com a mesma intensidade com que pune fragilidade.

Essa ambiguidade é o que mantém o filme em circulação constante no debate cultural, especialmente em um momento em que discussões sobre liderança, cultura de trabalho e equilíbrio pessoal ganham novas camadas.

A continuação literária e a possibilidade de retorno no cinema

Em 2013, Weisberger retornou a esse universo com Revenge Wears Prada. Andrea já não é a jovem insegura do início. Ela construiu sua própria trajetória profissional, mas descobre que o passado não se dissolve com facilidade, especialmente quando Miranda Priestly decide reaparecer.

A continuação desloca o conflito. Se antes a questão era sobreviver, agora se trata de estabelecer limites. Andrea já conhece as regras do jogo, mas isso não significa que esteja imune ao seu impacto.

A autora ainda expandiu esse mundo com When Life Gives You Lululemons, centrado na personagem Emily, o que reforça a ideia de que aquele universo funciona como um ecossistema mais amplo, onde diferentes trajetórias revelam diferentes formas de lidar com o mesmo tipo de pressão.

No cinema, a ideia de uma sequência do filme original nunca desapareceu completamente. Ela ressurge em ciclos, acompanhando o interesse da indústria em revisitar histórias consolidadas. O desafio, nesse caso, não é apenas reunir elenco e equipe, mas encontrar uma abordagem que dialogue com um mundo transformado.

A figura de Miranda Priestly, construída em um contexto de autoridade incontestável, precisaria ser reposicionada em uma realidade marcada por redes sociais, exposição constante e questionamentos mais diretos sobre estruturas de poder. O que antes era aceito como exigência pode hoje ser interpretado como abuso. Essa tensão oferece material dramático evidente, mas exige uma leitura mais sofisticada.

Entre ficção e realidade, o que realmente ficou

O que torna O Diabo Veste Prada um caso tão duradouro não é a precisão factual, mas a capacidade de traduzir uma experiência coletiva em narrativa. Ele não documenta a Vogue nem pretende fazê-lo. Ele reorganiza percepções sobre trabalho, ambição e pertencimento.

Ao fazer isso, transforma uma história pessoal em algo reconhecível em diferentes contextos. E talvez seja justamente essa capacidade de deslocamento que explica por que, duas décadas depois, ainda se discute não apenas quem inspirou Miranda Priestly, mas o que ela representa.

Anne Hathaway, Meryl Streep e Emily Blunt retornam para a sequência do clássico dos anos 2000

Quase 20 anos depois de sua estreia, a sequência  O Diabo Veste Prada 2  chega aos cinemas brasileiros no dia 30 de abril. A continuação acompanha o retorno de  à revista Runway, ainda sob o comando da implacável editora-chefe Miranda Priestly, mas passando por um momento delicado. A estratégia de “salvar” a Runaway as força a se reconectar com Emily Charlton, a ex-assistente de Miranda, que agora comanda uma marca de luxo que pode ser a chave para manter a Runway ativa. Será que ela já perdoou Andy e Miranda?

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).