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Capa B+: Entrevista exclusiva com o ator e apresentador Duda Nagle

"Estamos realizando um sonho com 'Os Nagle'. Tivemos essa ideia há anos, e finalmente está lançada".

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Duda Nagle está no comando do podcast "Os Nagle" ao lado da mãe, a jornalista e ícone da TV Brasileira Leda Nagle. No projeto, que está em sua segunda temporada, eles entrevistam pessoas sobre saúde, bem-estar, educação e assuntos diversos, sempre dando a visão de cada geração. Em paralelo, segue também com o canal que leva o seu nome na mesma plataforma do YouTube.

Ao 41 anos e com mais de 20 de carreira artística, o ator fez sua estreia na novela "Agora é que São Elas", de Ricardo Linhares, em 2003 na TV Globo. Depois, vieram as novelas: "Caminho das Indias", "América", "Salve Jorge", "Páginas da Vida" e em três diferentes temporadas de "Malhação", todas na mesma emissora.

Mas foi em 2017 que o carioca fez seu papel de maior repercussão, o protagonista da novela infanto-juvenil "Cumplices de um Resgate", de Iris Abravanel, no SBT, que hoje faz parte do catálogo da Netflix.

Dali, entrou para "A Dona do Pedaço", novamente na Globo, onde interpretou um lutador de boxe decadente.  Seu último trabalho nos folhetins foi na série "Reis", da Record, onde deu vida a Jotã, um comandante do exército israelita.

Duda Nagle também tem no currículo as séries "Rio Heroes", da Fox, "Os Amadores" e "Divã", na Globo, "Milagres de Jesus", na Record, "Os Suburbanos", no Multishow e "Desencontros", na Sony. Nos cinemas, fez sua estreia em 2021 como o vilão do longa "A garota da Moto", disponível atualmente na Prime Video. Em 2023, lançou o filme "Tração".

Empreendedor, criou um projeto para desenvolver equipes para cenas de ação. Em 2019, organizou em São Paulo um workshop com Bobby Holland Halton, o maior dublê de Hollywood.  Atualmente, Duda Nagle é sócio de algumas empresas (como uma rede de açougues) e ainda faz as vezes de influenciador em suas redes sociais.

Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, o ator conversou com o Caderno sobre o podcast 'Os Nagle" que está em sua segunda temporada no Youtube, paternidade e novos trabalhos.

O ator Duda Nagle é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Thais Fujarra - Diagramação: Denis Felipe e Denise Neves

CE - Duda atualmente comanda o podcast 'Os Nagle' ao lado de sua mãe Leda Nagle no Youtube. Fale um pouco sobre o projeto e sobre a oportunidade de fazer um trabalho em família?
DN -
Estamos realizando um sonho. Essa é uma ideia que tivemos há alguns anos e que está finalmente lançada. Já gravamos 15 episódios (10 da primeira e 5 da segunda temporada disponíveis). Nos últimos anos, com a chegada da Zoe, a nossa prioridade como família é a criação e formação dela e, desde então, vamos entrando em contato com os dilemas da educação, da convivência e das prioridades na vida de todos no relacionamento familiar.

Pra isso, sempre buscamos nos informar melhor através de contato com pessoas, livros, palestras, podcasts etc. Então agora somos nós dois juntos, mãe e filho, na frente das câmeras buscando aprender sobre tudo isso junto com o público com esses grandes convidados. Fico muito feliz e honrado de aprender e interagir com minha mãe e nossos convidados.

CE - Conhecemos Duda Nagle há muitos anos como ator de novelas, mas agora vemos essa nova versão apresentador/entrevistador... Pretende investir nessa carreira?
DN - 
Pretendo investir cada vez mais nessa área. Gosto muito de escutar histórias e estou cada vez mais à vontade em estar na frente das câmeras fazendo perguntas e, também, por se tratar de podcast, puxar a conversa pro lado mais fácil informal.

Ultimamente, a vida foi me puxando pra esse lado e por mais que tenha resistido um pouco durante os últimos anos, cada vez mais estou entendendo que conviver com a minha mãe foi uma grande escola e que não posso desperdiçar essa herança. Pelo contrário, tenho que continuar com esse legado! Por conta desse nosso momento familiar que chegamos no conceito do podcast, "Os Nagle, O Encontro de Gerações"

CE - No podcast você faz um trabalho como entrevistador ao lado de uma importante jornalista, ainda que seja a sua mãe, dá mais medo (por medo de julgamento até dela) ou mais tranquilidade (por se sentir mais seguro com alguém experiente ao lado)?
DN -
 As duas coisas! Às vezes fico ainda receoso porque além de entrevistar, também tenho que tomar conta da parte técnica, da equipe, de patrocinadores e merchandising e da publicações dos vídeos etc. Às vezes me enrolo, às vezes me alongo e às vezes me empolgo e falo demais (risos).

Mas o fato da minha mãe ser muito experiente também me deixa muito seguro porque sei que a entrevista vai seguir nos trilhos. Minha mãe também ajuda muito desde a preparação do ambiente para receber os convidados até as legendas e títulos dos vídeos. A gente se desdobra em várias funções e os convidados se sentem em casa.

Duda no Podcast 'Os Nagle' - Foto - Divulgação

CE - Aliás, sua última novela foi Reis, na Record em 2022. Pretende voltar a atuar na TV ou agora quer só focar na internet/redes sociais e apresentar?
DN - 
Pretendo voltar às novelas e séries. Acredito que depois da separação a minha vida entraria em colapso se eu inventasse de fazer uma novela no Rio de Janeiro, por exemplo, já que moro em São Paulo. A vida de ponte aérea é muito desgastante, e a minha presença familiar era muito urgente pra suavizar os impactos da separação na vida da minha filha. Graças a Deus não recebi nenhum convite pra não ficar nem balançado (risos). Nesse tempo, consegui montar uma estrutura através das empresas que participo e represento e com o trabalho nas redes sociais, que me sustentou bem nesse período de turbulência maior. Mas agora já estou me sentindo muito mais seguro e pronto pra retomar minha carreira principal.

CE - Além de ator, você virou um grande influenciador nos últimos anos. Como é a vida trabalhando através de redes sociais?
DN - 
Na verdade, ator e influenciador sempre foram coisas misturadas, né? Um artista sempre usou sua imagem para anunciar produtos etc. O bom das redes sociais é que a gente tem uma autonomia muito grande e você consegue comunicar quase direto com o público. E ali mistura também com os bastidores da sua vida pessoal com a sua rotina.

Com isso, as pessoas conseguem acompanhar um pouco mais de perto a vida da gente. Acho que o macete é misturar tudo sem tornar isso chato para o espectador, fazer uma curadoria legal de produtos/marcas com os quais nos associamos. Quando a gente consegue realmente achar um produto que a gente gosta e realmente usa, aí fica uma propaganda muito mais verdadeira e acaba envolvendo mais ainda o seguidor, o cliente. A rede social é uma ferramenta bem dinâmica.

CE - Você já foi cancelado? Tem medo do cancelamento que tanto assombra quem trabalha com imagem?
DN -
Sobre o cancelamento, eu acho que é um medo constante desses nossos tempos, né? Por mais que eu já trabalhe há mais de 20 anos nesse mundo, a gente sempre tem medo de uma fala tirada de contexto, de uma manchete manipulada para atrair atenção, um vídeo tirado de contexto que pode tomar uma proporção muito grande e a nossa resposta dificilmente vai ter o mesmo impacto.

Mas toda profissão tem o seu risco e a gente tem que estar disposto a manter a integridade do trabalho, a essência dos valores e o nosso comprometimento. A gente não pode se curvar a isso, a gente não pode deixar de produzir, de criar coisas por causa desse medo. Várias pessoas já foram canceladas várias vezes e continuam muito bem. Então, o cancelamento, por mais que faça uma sensação de pânico no ápice, depois ele se mostra passageiro e não tão perigoso assim.

Ao lado da mãe Leda Nagle - Divulgação

CE - Você chegou a estudar publicidade. Como foi sair dos bastidores para a frente das câmeras? 
DN - 
Sim, eu comecei como estudante de publicidade e propaganda, mas tinha vergonha de apresentar meus projetos na faculdade e até de me meter em entrevista de emprego já ficava apavorado. Aí eu entrei nas aulas de teatro. No começo, eram aulas particulares porque tinha vergonha que meus amigos soubessem. E aí, com o tempo, ganhei confiança e fui buscando aula de grupo e workshops.

Meu foco era trabalhar com publicidade e propaganda na televisão, na criação das campanhas, das histórias. Virei ator de novela pra conhecer o show business por dentro. Só que aí quando fiz minha primeira novela, já virei a chave de vez. Me empolguei muito!  Foi uma mudança gigante na minha vida. Eu nunca tinha trabalhado, de fato, e entrei pra uma novela das 18h da TV Globo (Agora é que são elas, em 2003). Minha vida mudou totalmente e aí eu nunca mais pensei em voltar.

CE - Você sempre se mostra muito presente na criação da Zoe, sua filha. Como é o Duda Nagle pai? Como é criar uma menina em pleno ano de 2024?
DN -
 A paternidade exige presença. Então, o grande desafio foi conseguir me organizar, porque a minha vida era muito corrida, muito cheia de improvisos. E a criança precisa de rotina, precisa de constância, precisa de previsibilidade, que era uma coisa que eu não tinha muito. E aí tive que me esforçar muito para poder estar presente com ela, estar atento à ela.

E essa foi a grande lição que aprendi. Mas, ao mesmo tempo que dá muito trabalho, a energia que volta é uma coisa absurda. Então é absurda e positiva, muito boa. Isso serve de combustível para você e sacrificar mais, se esforçar mais. Então é meio paradoxal, porque quanto mais esforço você investe ali, mais retorna. E você precisa realmente parar a correria para estar presente.

E o fato de ser uma menina foi uma coisa surpreendente. A menina é delicada, ela é mais meiga e isso fez com que eu tivesse que rever vários pontos no meu jeito de ser, no meu jeito de comunicar, buscar ser mais doce, ser mais carinhoso. Então, aprendi e venho aprendendo muito também. A gente aprende mais do que eles com a gente, a gente aprende mais com os filhos do que os filhos com a gente.

Com a filha Zoe - Divulgação

CE - O que a paternidade te trouxe? E seus seguidores homens chegam a pedir dicas, conselhos?
DN - 
Acho que a paternidade trouxe uma responsabilidade muito maior e uma responsabilidade com a continuidade. Porque eu já era muito responsável na parte profissional, na parte intelectual, na saúde e tal. Mas, quando você tem que cuidar de outra pessoa, tem que ajudar a formação dela - ainda mais tratando da próxima geração da sua família.

Fiz um mergulho interno de autoconhecimento muito grande. E, realmente, as pessoas vem falar, vem pedir dicas. Igual eu fazia também quando eu soube que a Sabrina estava grávida. Na época, fui conversar com meus amigos que já eram pais para pegar dicas. A gente vai trocando muito também com seguidores na internet. Porque hoje está todo mundo muito conectado, né? Então, você vai aprendendo essas dicas, vai testando, os seguidores vão falando também...É uma coisa constante. A rede social aproxima. Então, quanto mais verdadeiro, mais rica essa interação nas redes sociais

CE - Quais os próximos projetos?
DN - 
Seguir com 'Os Nagle', voltar com o podcast presencial da minha mãe e lançar o meu podcast sozinho que vai se chamar "O Generalista", porque eu me considero um generalista (eu gosto de aprender um pouco sobre vários assuntos diferentes e quero explorar isso mais).

E quero muito voltar para as novelas e séries. Eu gosto muito dessa dinâmica. É o que eu realmente considero que faço melhor. Já estou conversando com pessoas da área. E sonho  também produzir de forma independente cinema de ação e efeitos especiais. Esse é o meu grande objetivo de carreira. Quero abraçar todas as oportunidades que surgirem.

Na novela REIS - Divulgação

Destinos B+

Natal registra alta de 200% nas reservas internacionais e se consolida entre destinos favoritos

Dados de janeiro a maio de 2026 mostram que argentinos já representam 58% das reservas internacionais para o destino; número de viajantes estrangeiros cresceu 284% em relação ao mesmo período de 2025

13/06/2026 14h00

Excursão às praias de Pipa é o passeio em Natal mais reservado

Excursão às praias de Pipa é o passeio em Natal mais reservado Foto: Divulgação

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Natal vive um forte avanço no turismo internacional em 2026. Entre janeiro e maio, o destino registrou crescimento de 200% nas reservas realizadas por turistas estrangeiros na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Civitatis, plataforma de reserva de atividades e experiências presente em mais de 160 países.

Quando considerado o número total de viajantes, o crescimento é ainda maior, de 284%, refletindo também um aumento no tamanho médio dos grupos por reserva.

O movimento é puxado principalmente por turistas da América do Sul, com destaque absoluto para a Argentina, que sozinha já representa 58% de todas as reservas internacionais realizadas para Natal na plataforma.

O Uruguai aparece em seguida, concentrando cerca de 34% da demanda e registrando crescimento de 199% nas reservas para o destino na comparação anual.

"O Nordeste brasileiro atravessa um momento muito forte no turismo internacional. Natal reúne praias icônicas, clima quente praticamente o ano inteiro, boa infraestrutura e experiências muito ligadas à natureza, algo extremamente valorizado especialmente pelos viajantes sul-americanos", explica Alexandre Oliveira, Country Manager da Civitatis no Brasil.

Além da força argentina e uruguaia, os dados também mostram expansão gradual da presença internacional no destino, com crescimento de reservas vindas de países como Paraguai, Chile, Portugal, Espanha, França, México e Estados Unidos.

O que os turistas internacionais buscam em Natal?

As reservas mostram uma procura fortemente concentrada em experiências ligadas ao litoral, às dunas e aos passeios marítimos do Rio Grande do Norte. Os traslados aparecem como a atividade mais reservada em Natal, refletindo o aumento do fluxo internacional e da demanda por deslocamentos entre aeroporto, hotéis e praias da região.

Entre os passeios, os grandes destaques são as excursões para Pipa, os tradicionais passeios de buggy pelo litoral norte e experiências em destinos como Maracajaú, Genipabu e Pirangi. Também aparecem entre os destaques atividades ligadas à snorkel, catamarãs, lagoas e roteiros 4x4 pela costa potiguar.

Excursão às praias de Pipa é o passeio em Natal mais reservado As reservas mostram uma procura fortemente concentrada em experiências ligadas ao litoral, às dunas e aos passeios marítimos do Rio Grande do Norte - Divulgação

Ranking: os passeios mais reservados em Natal por turistas estrangeiros

  1. Excursão às praias de Pipa
  2. Passeio de buggy pela costa norte
  3. Excursão a Maracajaú + passeio de lancha
  4. Tour completo por Natal
  5. Excursão a Genipabu
  6. Passeio de barco ao Morro do Careca
  7. Lagoa de Arituba e Cajueiro de Pirangi
  8. Tour 4x4 pela Rota dos Nativos
  9. Catamarã pelos Parrachos de Pirangi com snorkel

Segundo Alexandre Oliveira, Natal vem ganhando espaço internacionalmente por oferecer uma combinação cada vez mais desejada pelo viajante latino-americano.

"O turista sul-americano busca destinos onde consiga aproveitar praia, natureza e atividades ao ar livre com facilidade e bom custo-benefício. Natal entrega exatamente essa combinação, desde dunas e lagoas até experiências marítimas muito emblemáticas do Nordeste brasileiro", afirma.

De onde vêm os turistas internacionais que visitam Natal?

Os dados da Civitatis mostram predominância clara de turistas sul-americanos nas reservas internacionais realizadas para Natal, com liderança ampla da Argentina, seguida pelo Uruguai.

A Argentina representa 58% das reservas internacionais realizadas para Natal no período, enquanto o Uruguai concentra cerca de 34% da demanda. Juntos, os dois países respondem por aproximadamente 92% das reservas internacionais do destino entre janeiro e maio de 2026.

Ranking: os 10 principais países de origem dos turistas internacionais em Natal

  1. Argentina
  2. Uruguai
  3. Paraguai
  4. Portugal
  5. Chile
  6. Espanha
  7. França
  8. México
  9. Estados Unidos
  10. Itália

O levantamento reforça ainda uma tendência de crescimento do Nordeste brasileiro como destino internacional de praia para viagens de curta e média duração dentro da América do Sul.

"Natal e arredores possuem paisagens muito icônicas do Brasil, como Maracajaú e Pipa, além de experiências bastante acessíveis e fáceis de consumir para o viajante internacional. Isso ajuda o destino a ganhar relevância cada vez maior dentro do turismo sul-americano", completa Alexandre Oliveira.

Cinema Correio B+

King & Conqueror é o epílogo de Vikings: Valhalla que eu esperava

Mesmo com um roteiro irregular, a série acerta ao transformar a conquista normanda em um drama humano sobre poder, ambição e legado

13/06/2026 13h00

King & Conqueror é o epílogo de Vikings: Valhalla que eu esperava

King & Conqueror é o epílogo de Vikings: Valhalla que eu esperava Foto: Divulgação

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Desde que King & Conqueror foi anunciada, eu a enxergava como algo muito específico: uma espécie de epílogo de Vikings: Valhalla. Talvez por isso tenha me surpreendido ver tantas comparações com Game of Thrones ao longo dos últimos meses.

É fácil entender por quê. A série tem disputas sucessórias, alianças instáveis, promessas quebradas, guerras e dois homens convencidos de que possuem direito legítimo ao mesmo trono.

Além disso, conta com Nikolaj Coster-Waldau no elenco e agora pode até reivindicar uma ligação adicional com Westeros através de James Norton, que interpreta Ormund Hightower em House of the Dragon. Ainda assim, reduzir King & Conqueror a uma espécie de versão histórica de Game of Thrones parece ignorar aquilo que a torna mais interessante.

A produção da BBC está em destaque na plataforma do Universal Channel e se você, como eu, é fã de História, é uma dica a não ser ignorada.

A história acompanha os acontecimentos de 960 anos atrás, que levaram à Batalha de Hastings, em 1066, um dos eventos mais importantes da história inglesa. Após a morte de Eduardo, o Confessor, sem herdeiros diretos, a sucessão do reino mergulha em crise.

Harold Godwinson, líder da família mais poderosa da Inglaterra, assume a coroa. Do outro lado do Canal da Mancha, William, duque da Normandia, acredita que Eduardo lhe havia prometido o trono anos antes e interpreta a coroação de Harold como uma traição. A partir desse momento, a série acompanha a escalada de uma disputa que acabaria mudando para sempre a história britânica.

O que torna o conflito tão interessante é que King & Conqueror se recusa a oferecer respostas simples, mesmo que Harold seja apresentado como um usurpador ganancioso. Há contexto, há espaço para interpretações. William também não surge apenas como um invasor estrangeiro movido pela ambição. Pelo contrário.

A série constrói dois homens profundamente convencidos de que a coroa lhes pertence por direito. Ambos possuem justificativas plausíveis. Ambos acreditam estar protegendo algo maior do que seus próprios interesses. E ambos são capazes de cometer erros devastadores.

King & Conqueror é o epílogo de Vikings: Valhalla que eu esperavaKing & Conqueror é o epílogo de Vikings: Valhalla que eu esperava - Divulgação

O resultado é um drama que funciona muito mais como um estudo sobre legitimidade e poder do que como uma simples narrativa de conquista.

É justamente nesse ponto que o elenco faz toda a diferença. Como mencionado, a escolha de Nikolaj Coster-Waldau para interpretar William foi inspirada. O ator traz consigo a credibilidade de alguém que já habitou um dos universos políticos mais complexos da televisão moderna, mas encontra aqui um registro diferente. Seu William é ambicioso, determinado e estrategicamente brilhante, mas também inseguro.

Existe uma vulnerabilidade constante por trás da figura do futuro conquistador. A necessidade de provar seu valor, de justificar suas reivindicações e de convencer os outros — e talvez a si mesmo — de que merece aquilo que busca transforma William em um personagem muito mais complexo do que a figura histórica frequentemente lembrada apenas pelo resultado de Hastings.

Já James Norton encontra uma complexidade semelhante em Harold Godwinson. Há algo quase irônico em vê-lo interpretar esse personagem justamente quando passa a integrar o universo de Westeros. Norton possui exatamente o perfil físico dos heróis tradicionais: carismático, seguro, magnético e naturalmente confortável na posição de líder.

A série, porém, utiliza essas características para construir algo mais interessante. Seu Harold é inteligente e corajoso, mas também orgulhoso, impulsivo e incapaz de perceber certas consequências das próprias decisões. Em vez de transformar um dos lados em herói e o outro em vilão, King & Conqueror encontra humanidade nos dois.

Como acontece com praticamente toda produção baseada em acontecimentos reais, a série toma diversas liberdades históricas. Algumas mudanças certamente chamarão atenção dos espectadores mais familiarizados com o período. Determinados personagens recebem trajetórias diferentes das registradas pela História, relações pessoais são ampliadas e certos eventos são reorganizados para servir melhor à narrativa.

O exemplo mais evidente talvez seja a forma como a série trabalha acontecimentos envolvendo Emma da Normandia. Ainda assim, nenhuma dessas alterações me parece particularmente problemática. O objetivo da produção nunca foi funcionar como documentário. Seu compromisso principal está com o drama, e não com a reprodução literal dos fatos.

Curiosamente, os problemas da série não estão nas adaptações históricas. Estão no roteiro.

Em vários momentos, King & Conqueror parece assumir que o espectador já conhece aquelas figuras e entende a importância de cada relação política. Para quem domina a história inglesa, talvez isso não represente um obstáculo. Para grande parte do público internacional, porém, a narrativa pode se tornar mais confusa do que deveria.

King & Conqueror é o epílogo de Vikings: Valhalla que eu esperavaKing & Conqueror é o epílogo de Vikings: Valhalla que eu esperava - Divulgação

A série nem sempre explica satisfatoriamente quem são determinados personagens, qual a relevância de certas alianças ou por que algumas decisões possuem consequências tão profundas. Há ainda momentos em que acontecimentos importantes parecem apressados, avançando mais rapidamente do que o desenvolvimento dramático permitiria.

Esse é justamente o aspecto que impede a produção de alcançar um patamar ainda mais alto. Não falta orçamento. Não faltam atores. Não falta uma boa história. Falta, ocasionalmente, um roteiro mais paciente, disposto a conduzir o espectador por esse universo político sem presumir conhecimento prévio.

Ainda assim, saí da temporada gostando bastante do resultado. Talvez porque ela tenha entregado exatamente aquilo que eu esperava encontrar desde o início. Durante anos, Vikings e Vikings: Valhalla acompanharam a lenta transformação da Inglaterra através das disputas entre saxões, vikings e normandos.

A ascensão da família Godwin, a influência crescente da Normandia e o reinado de Eduardo, o Confessor, já apontavam para esse momento. King & Conqueror apenas assume o bastão e acompanha as consequências finais desse processo.

Por isso, enquanto muitos espectadores talvez procurem nela uma versão histórica de Game of Thrones, aqui encontram algo diferente, como a conclusão de uma história que a televisão vinha contando havia mais de uma década.

Uma história sobre a queda de um mundo e o nascimento de outro. Um drama que aconteceu há quase mil anos, mas continua fascinante justamente porque fala de temas que permanecem atuais: ambição, legitimidade, identidade, poder e a eterna convicção humana de que somos os protagonistas da nossa própria versão da História.

Talvez King & Conqueror não seja perfeita. Mas é uma boa série histórica, sustentada por excelentes atuações e por um acontecimento real tão extraordinário que continua inspirando narrativas quase um milênio depois.

E, para quem acompanhou a jornada iniciada por Ragnar Lothbrok e continuada por seus descendentes, ela funciona exatamente como eu imaginava desde o anúncio: o epílogo de Vikings: Valhalla que nunca tivemos.

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