Kelzy Ecard está no elenco da novela "Três Graças" na TV Globo onde vive a cuidadora Helga. Ela também atua no filme “Caramelo”, que ficou no top 3 mundial na Netflix. Na produção, interpreta Neide, mãe de Pedro (Rafael Vitti). Em breve, vai rodar o longa” Um Rio de Janeiro" e espera o lançamento do remake de “Dona Beja”, na Max, para o próximo dia 2 de fevereiro.
Com 32 anos de carreira, Kelzy Ecard estreou no mundo artístico como atriz e assistente de direção no espetáculo, “Sermão da Quarta-Feira de Cinza”, de Moacir Chaves. De lá pra cá são mais de 30 peças e inúmeros prêmios e indicações. Em 1997 foi indicada ao Prêmio Mambembe de Melhor Atriz de Teatro Infantil por sua atuação em “Rapunzel”, adaptação e direção de Leonardo Simões.
Já sua estreia na TV foi na minissérie “O Quinto dos Infernos”, em 2002, em uma pequena participação, mas sua estreia com personagem fixa em uma novela, foi em Segundo Sol" com a personagens Nice, que lhe rendeu diversas indicações e prêmios de atriz revelação, incluindo o Melhores do Ano do Domingão. Fez também Éramos Seis, com a personagem Genu e “Todas as flores”, como Dona Dequinha.
Em seu currículo constam dezenas de peças como “Rasga Coração”, dirigida por Dudu Sandroni (Prêmio APTR de melhor atriz em papel coadjuvante) , “Um Violinista no Telhado”, com direção de Charles Möeller e Cláudio Botelho, “Breu”, que lhe rendeu em 2011 indicação ao Prêmio Shell de Melhor Atriz, “Incêndios” (prêmios APTR e Cenym) “Agonia do Rei”, "Meu Caro Amigo", “Gota D’água”, “Tom na fazenda” (indicação ao APTR e conquistou Prêmio Cenym), entre outras.
No cinema, fez curtas como “Lápis de cor”, dirigido por Alice Gomes e Oh, dirigido por Diogo Hoffer, onde conquistou alguns prêmios de melhor atriz coadjuvante; e longas, como“Maria do Caritó“ (premiada como melhor atriz coadjuvante no Festival da Lapa). No streaming, pode ser vista na Netflix em "Spectros" e nas séries “Shippados” e “Sob Pressão”, disponíveis no Globoplay.
Kelzy é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela fala sobre carreira, escolhas e estreias.
A atriz Kelzy Ecard é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Nill Caniné - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia VianaCE - Kelzy, como está sendo a volta às novelas? E como está sendo entrar em um folhetim já em andamento?
KE - Voltar à uma novela aberta é um desafio que estava sentindo falta. Náo tinha vivido ainda a experiência de entrar em uma já em andamento, mas por sorte é uma novela amada, entáo fui bem recebida, e está sendo uma delícia voltar. Tenho a sorte também de estar em um núcleo maravilhoso! Estar em cena com Arlete, Grazi, Paulo, Sophie, Glaura - pra citar os mais frequentes - está sendo um parque de diversões.
CE - A sua personagem Helga mescla humor com um tom de vilania. Como foi a pesquisa para compor essa personagem, e o que podemos esperar dela na trama?
KE - As conversas com a direçao foram fundamentais.O Luiz (diretor) sabia bem o perfil que ele queria. Recebi referências clássicas, como a tia Lygia de Handmaid's Tale (revi a série toda), mas o mais importante foram mesmo nossas conversas.
Tenho ouvido também bastante alemáo pra tentar náo escorregar muito quando ela solta uns termos na língua. Helga é uma delícia de fazer, por isso que você falou, por mesclar humor e vilania e por meus companheiros de cena. estou tão curiosa quando você sobre o futuro dela na trama, (risos)
CE - Pra esse trabalho, você ficou mais loura. Como esse novo visual impactou seu dia a dia ? Você é do tipo de artista que acha o personagem depois de alterar a aparência pra vivê-lo?
KE - Não costumo começar uma personagem pela aparência, mas é claro que a composiçao ajuda. o jeito dela se vestir e essa radicalizaçao do loiro sáo pistas que náo posso ignorar. Ser loura é algo inédito na minha vida. Tenho que cuidar mais do cabelo, manter hidratado... Muda o olhar sobre você. É curioso.
CE - Pra 2026 está prevista a estreia do remake de Dona Beja, na MAX, do qual você faz parte. O que pode adiantar sobre sua personagem? E como foi fazer um trabalho de época?
KE - Fazer Dona Beja foi uma delícia. A personagem, Dona Augusta, é também uma mistura de humor com vilania. uma mulher sem papas na língua, mas carregada com todos os preconceitos da época. Não foi fácil defendê-la. Tive que mergulhar muito em mim fazer sem criticá-la.
No fundo, ela é fruto da época e poder expor isso contribui pra que a gente nunca mais volte a pensar e agir com tanto preconceito. A maldade dela vem daí. E o humor chega pela total falta de filtro dela. Descobri que amo fazer personagem de época apesar do desafio de gravar no veráo com roupas escuras e cobertas até o pescoço. Viajar no tempo é uma maravilha!
CE - Você também pode ser vista na Netflix no filme Caramelo, que alcançou o top 5 mundial da plataforma. A que você atribui o sucesso desse projeto que conquistou pessoas de todas as idades?
KE - Posso te dizer o que me emocionou assim que li o roteiro. É uma história carregada de humanidade e afetividade. Com precisas pitadas de humor. E foi contada por equipe e elenco inspirados e apaixonados. E ainda tem o Amendoim, nossa estrela canina irresistível! de qualquer maneira. Esse sucesso táo avassalador foi uma surpresa maravilhosa!
CE - O filme, aliás, conta a história de um jovem detectado com câncer. E você também se tratou da doença recentemente. Como isso influi no seu trabalho nesse projeto? E como é tocar num assunto tão sério através da arte?
KE - Quando recebi o convite e li o roteiro levei um susto. O personagem descobre um tumor cerebral e eu tinha acabado de perder meu irmão e melhor amigo pra mesma doença. Além do meu própro diagnóstico e tratamento que tinha finalizado há pouquíssimo tempo. Pra completar, o personagem do Rafa tem o mesmo nome do meu filho na vida real.
Então, foram muitos desafios e emoções que me atravessaram. eu repito sempre da sorte que tenho por ser artista. Através da arte, posso expurgar dores, rever conceitos, curar feridas e ainda transmitir mensagens que podem ser inspiradoras pra muita gente. Acho que foi um presente da vida, do Diego Freitas e da Netflix poder viver a Neide. Que bom que podemos nos redimensionar através da arte!
A atriz Kelzy Ecard é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Kelzy Ecard- Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia VianaCE - Você é uma pessoa bem discreta, mas expôs com delicadeza sua doença. Chegou a ter troca com outras mulheres que estavam passando ou já haviam passado pelo mesmo problema?
KE - Sim! Eu fui atrás dessa troca. Li vários depoimentos da internet sobre pessoas e familiares de pacientes, conheci amigas e amigos em comum que passaram ou estavam enfrentando a doença. E uma amiga me apresentou ao Instituto Zen Cancer, que promove várias atividades acolhedoras.
Cheguei a fazer um curso de escrita e pude trocar muita coisa com a turma. É muito bom a gente não se sentir sozinha e saber que tem pessoas dispostas a nos orientar e confortar em uma jornada tão desafiadora. Sempre me coloco à disposição pra quem quiser partilhar comigo sua história ou conhecer um pouco da minha.
CE -Em recente entrevista, você revelou só ter parado de atuar no momento mais crítico do tratamento. Como o trabalho e a arte ajudaram nesse processo? E agora, já curada, como tem sido a retomada ao trabalho?
KE - A arte e o meu ofício de atriz foram fundamentais pra recuperação da minha saúde, física e mental. O trabalho é uma das maiores riquezas da minha vida. Além isso, sou autônoma: se não trabalho, não recebo. Então, além da necessidade existencial, precisei retornar ao trabalho logo porque as contas não esperam você ficar boa pra serem pagas. tive apoio financeiro da família, mas procurei minimizar o quanto pude.
CE - Você tem mais de 32 anos de carreira. Como avalia essa trajetória? O que ainda falta fazer que não teve oportunidade? Parar já foi cogitado?
KE - Parar nunca foi cogitado! Levei até um susto lendo essa pergunta, risos. Uma das riquezas da minha profissão é que, quanto mais velhas estamos, melhores ficamos, se estivermos sempre nos atualizando e estudando.
Entáo parar, por quê? E eu tenho muitos desejos e sonhos ainda como atriz. Tem muita coisa que ainda quero experimentar e compartilhar. Na verdade, me sinto sempre com muito a descobrir e realizar. e tenho muito, muito orgulho da minha trajetória!
CE - Muito se tem falado sobre etarismo e sobre a redução de espaço para veteranos na TV. Essa questão já bateu na sua porta? Como você lida com o envelhecimento?
KE - Tudo que eu quero é envelhecer! Depois de passar por uma doença tão grave, todo dia é dia de comemorar. Não é fácil conviver com as perdas que a idade traz, mas os ganhos são muito superiores! E só de estar viva e com saúde, já me considero no lucro! Estou me sentindo uma menina, cheia de projetos e sonhos.
A minha história com a tv é atípica, na contramão do etarismo no audiovisual, porque minha primeira personagem fixa numa novela chegou quando eu tinha 54 anos! Então, novamente, estou no lucro! É claro que o etarismo existe, mas sem as atrizes e atores experientes e talentosos, nenhuma dramaturgia se sustenta. Viva os veteranos e veteranas na tv!

