Correio B

Correio B+

Cinema B+: Cynthia Nixon comenta as mudanças em And Just Like That

"No meu ponto de vista, o problema de Miranda está de igual para o de Carrie. Com a morte de Big, Carrie passou uma temporada inteira de luto, apática e sem a agitação que a fez tão famosa".

Continue lendo...

Miranda Hobbes (Cynthia Nixon) sempre foi a amiga cínica de Carrie (Sarah Jessica Parker), mas também a que protagonizou um arco transformador de 180o, bem diferentemente de suas amigas em Sex and The City.

Na estapa final da série, Carrie finalmente conseguiu conquistar Mr.Big (Chris Noth), Charlotte (Kristin Davis) conseguiu ser mãe (adotiva e biológica), e Samantha (Kim Cattrall) manteve sua relação apimentada e estável com Smith Jarred.

Apenas Miranda, anti-maternidade e anti-casamento terminou a série casada com Steve (David Eigenberg), vivendo no Brooklyn, cuidando da sogra com Alzheimer e deixando um grande escritório para advogar sozinha em ONGs. Miranda parecia feliz e estável, mesmo com crise série no 1º filme, no segundo estava satisfeita com sua vida.

Portanto, por nossa surpresa, a reencontramos em And Just Like That miserável e frustrada com tudo, lidando com problemas de alcoolismo e sem se encontrar pessoalmente ou profissionalmente. Sua paixão inesperada por Che Diaz (Sarah Ramirez) encontrou inesperadamente por uma reação extremamente negativa dos fãs, algo que muitos suspeitam ter levado ao corte de Che de toda história na terceira temporada. Será mesmo?

No meu ponto de vista, o problema de Miranda está de igual para o de Carrie. Com a morte de Big, Carrie passou uma temporada inteira de luto, apática e sem a agitação que a fez tão famosa.

Com isso, a advogada ganhou um palco onde ela sozinha vivia mais transformações e a essa altura o fãs gostavam tanto dela com Steve que, agora, não a queriam se apaixonando novamente.

Não era porque se apaixonou por outra mulher, mas o fato de que a vimos superar todas as dificuldades para ser feliz com o marido apenas para voltar à estaca zero. Horrível dizer, mas Miranda não teve e não tem perfil para protagonista.

Na segunda temporada, depois de terem optado por "mudar" Miranda, voltamos a nos incomodar que ela estava mais uma vez em dúvida. O relacionamento com Che se desfez ainda mais rápido do que começou e Steve também saiu do páreo. Agora temos Miranda solteira e liberada recomeçando sua vida.

E se as pessoas ainda estranham é porque não acompanham a vida da atriz, que viveu algo semelhante e que está mais do que satisfeita de transportar essa realidade para as telas. "Fiquei muito mais parecida com [Miranda] à medida que envelheci, e ela ficou muito mais parecida comigo", Cynthia Nixon disse à Variety.

"Não era nada que eu estivesse defendendo, mas escritores inteligentes, especialmente em projetos de longo prazo que continuam e evoluindo, tentam colocar o máximo possível da pessoa real naquele personagem, porque essa é uma das coisas isso torna a televisão, o cinema ou o teatro tão poderosos quando a pessoa que desempenha o papel tem uma conexão pessoal."

Há muito mistério em torno das gravações externas em Nova York, ainda em andamento. Nas duas primeiras, era possível descobrir quase tudo que aconteceria, nessa temporada, nem tanto. Ainda. Mas o fato de que Miranda está solteira pela primeira vez em décadas a dará destaque mais uma vez. E sim, Miranda terá novos relacionamentos.

"Eu sinto que nosso programa [And just Like That] sempre funciona melhor quando as pessoas estão namorando", a atriz argumentou na entrevista com a revista, sem deixar de mencionar a já confirmada saída de Che do cenário geral. "Acho que eles sentiram, e Michael Patrick sentiu, que Che havia seguido seu curso. Eles entraram e sacudiram tudo, e então o arco foi concluído."

Cynthia também falou de The Gilded Age, mas vamos endereçar mais tarde, afinal, as gravações dessa temporada começam em pouco mais de um mês. Sobre Miranda, podemos contar que ela vai estar mais segura e que pode tirar Carrie do ostracismo. Contamos com ela!

Diálogo

A campanha eleitoral de 2026 está a todo vapor lá pelas bandas da... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta terça-feira (22)

22/09/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

Continue Lendo...

Bráulio Bessa - Escritor brasileiro

"Recomece! Se refaça! Relembre o que foi bom. E se um dia lá na frente, a vida der uma ré, recupere a sua fé, e recomece novamente”.

FELPUDA 

A campanha eleitoral de 2026 está a todo vapor lá pelas bandas da Prefeitura Municipal de Campo Grande. Mas engana-se quem pensar que funcionários com cargos comissionados estão engajados nas eleições para presidente, governador, senador ou deputado federal. O foco mesmo é na eleição de candidato a uma cadeira para chamar de sua na Assembleia de MS. Não se sabe se a adesão é voluntária ou “por livre e espontânea pressão”, mas os servidores mergulharam de cabeça. Como diria vovó: “O que não se faz para manter a amizade...”.

Livres

Está vigorando desde o último sábado, a proibição da prisão de candidatos que disputam eleições deste ano. A determinação vai até 48h após o encerramento da votação do primeiro turno.

Mais

A prisão ou detenção dos candidatos, durante o período da vigência da medida, que vai até o dia 6 de outubro, só poderá ocorrer em casos de flagrante delito.

DiálogoFoto: Divulgação/Sesc

Nesta quinta-feira (24), às 19h, será realizado o show do Trimanos Brasil, formado pelos irmãos paraenses Gleydson, Yvison e Lohan. A jovem banda vem ampliando sua projeção nacional e acumula milhões de visualizações e seguidores nas redes sociais. Parte dessa conexão com o público está na releitura de músicas conhecidas , interpretadas a partir da identidade musical construída pelos trio. A apresentação acontecerá no Sesc Teatro Prosa. Os ingressos são gratuitos e estão disponíveis pelo Sympla.

DiálogoDra. Maria Auxiliadora Budib - Foto: Studio Vollkopf

 

DiálogoMarcella Zorzo - Foto: Arquivo pessoal

Nem aí...

Na reta final da campanha eleitoral, os plenários da Câmara Municipal de Campo Grande e da Assembleia Legislativa de MS deverão ficar esvaziados, na medida em que os candidatos correm contra o tempo em busca dos votos dos indecisos. Como se a Capital não estivesse em estado de emergência e, portanto, não precisasse de atenção redobrada neste momento.

Em campanha

A tal força-tarefa anunciada em alto e bom som 24 horas após o temporal parece não ter decolado como o cidadão que paga seus impostos esperava. Na Assembleia, o assunto entre os deputados estaduais é um só: a reeleição. Todos em plena campanha para garantir mais quatro anos de mandato. Nada como viver numa cidade e num estado sem problemas, né?! Dá licença!

Resgate

Uma postagem do secretário da Casa Civil, Walter Carneiro Júnior, nas redes sociais resgatou registros de 2010 para reforçar sua trajetória na política. No resgate histórico, ele relembra a criação do Bloco de Desenvolvimento Regional e a consolidação do municipalismo como pauta central, destacando a ascensão do ex-governador Reinaldo Azambuja, hoje candidato ao Senado. Ao conectar o trabalho realizado ao longo da última década às transformações vividas pelo MS, Walter Carneiro aproveita a publicação para reafirmar seu compromisso com a gestão pública, e não por acaso, para manter o municipalismo em evidência.

ANIVERSARIANTES

  • Carla Guizzo Couto Rocha de Lima;  
  • Leide Simioli de Brito;  
  • Giovanna Maria Assis Trad Cavalcanti;  
  • Ariane Pina Ferreira Moreira;  
  • Luciana Gonçalves Rolo;  
  • Marcia Arashiro de Lima;  
  • João Komathu;  
  • Sandra Moragas Leite de Barros;  
  • Mauricio Ramão Fernandes;  
  • José Leite da Silva Sobrinho;  
  • Mauricia de Arruda Cortez;  
  • Zoleni Santos de Mattos;  
  • Maria Angelica de Freitas Oliveira;  
  • Florentino Edmundo Talgatti;  
  • Pablo Henrique Avelino da Silva;  
  • Marlene Pontim Gomes;  
  • Van Hanegam Donero;  
  • Edgar Calixto Paz;  
  • Rubens Clayton Pereira de Deus;  
  • Humberto Ivan Massa;  
  • Sônia Gonçalves Kaneshige;  
  • Fagner Saltarelli;  
  • Jacqueline Folley Coelho;  
  • Adão Rodrigo Coene;  
  • Sergio Costa dos Santos;  
  • Claudiney Guimarães Alves;  
  • Leonardo Kling;  
  • Luiz D’Ávila;  
  • Domingos Alves da Silva;  
  • José Luiz Forte Filho;  
  • Maquielves Lopes Grison;  
  • Brunella Meura;  
  • Livia Alves Barcelos;  
  • João Dias;  
  • Cristina Hebe Scardini;  
  • Norberto Antonio Soares;  
  • Marco Aurélio Pallacio;  
  • Paula Helena Saab Mujica;  
  • Maria de Lourdes Calixto Mendes;  
  • Maria Nadir Militão;  
  • Marcelo Barbosa da Fonseca;  
  • Leonardo Coimbra;  
  • Marilda da Silva Tôrres;  
  • Rafael Mendonça;  
  • Gervásio Scheid;  
  • Alomah Rizk;  
  • Mary Radeck de Carvalho;  
  • Danilo Antonio Bruschi;  
  • Waldir Roma Ferreira;  
  • Diana Moreira Santana;  
  • Dra. Regina Célia Azuaga;  
  • Simone Ribeiro Pereira;  
  • Rocino Ramiro Cavalcanti;  
  • José Pereira de Souza;  
  • Erik Pereira de Castro;  
  • Aureo Franco Vilela;  
  • Maria Helena Fonseca;  
  • Rosa Maria de Barros;  
  • Meire Teixeira;  
  • Claudete Oliveira da Vera Cruz;  
  • Francisca Auzenir da Silva;  
  • Ivaneide de Araújo Armoa;  
  • Jean Kleber Paiva Barbosa;  
  • Santos de Oliveira Junior;  
  • Edson Ferreira da Silva;  
  • André Luiz Ossuna;  
  • Luiz Carlos de Lima;  
  • Jorge Ossamo Karimata;  
  • Dr. Renato Lúcio Martins;  
  • Paulo Cesar de Santos de Barros;  
  • Akiko Kanayama;  
  • Julião Flaves Gauna;  
  • Maria Eunice Corrêa;  
  • Gilda Lopes Braga;  
  • Rodrigo Targino de Almeida;  
  • Luiz Carlos Rodrigues;  
  • Antônio Henrique Nantes;  
  • Juliana Nunes;  
  • Adelina Tocie Miyashiro;  
  • Ronivaldo Farias de Mendonça;  
  • Augusto César Sepalho;  
  • Gilmar Javorski;  
  • Maria Cristina Coutinho da Silva;  
  • Márcio Teruhiko Yamamoto;  
  • Iedenilda Yocie Oyadomari;  
  • Nedir Migueis Pinto;  
  • Richard Alexandre Lima Siqueira;  
  • Francisco Maia Nogueira;  
  • Mirian Bezerra Sesper;  
  • Rogério Pereira Spotti;  
  • Sílvio Lucas Costa;  
  • Miguel Antunes de Miranda Sá;  
  • João Carlos Klaus;  
  • Fábio Medeiros Szukala;  
  • Lowatto Yuuichi Yamasaki;  
  • Eliana de Jesus Gonçalves Tiecher;  
  • Ana Helena Bastos e Silva Cândia;  
  • Kleber Vieira Cação;  
  • Antônio Neves de Medeiros;  
  • Carlos Roberto de Faria;  
  • Arianne Gonçalves Mendonça;  
  • Wania Helena de Carvalho;  
  • Arlindo Mariano de Farias;  
  • Marilda do Carmo Rodrigues;  
  • Heber Seba Queiroz;  
  • Adenil José de Oliveira;  
  • Maria Aparecida Corrêa Marques;  
  • Fernando Tatsunori Kuboyama;  
  • Andrea Luiza Tôrres de Figueiredo;  
  • Macoto Okuda;  
  • Alberto Angelisio Spani.

Colaborou com Tatyane Gameiro

bons hábitos & autodesenvolvimento

Aulas de teatro vão muito além da arte e contribuem para uma boa saúde

Da timidez à descoberta de novas habilidades, aulas de teatro trabalham comunicação, criatividade, expressão corporal, convivência e autoconfiança

21/09/2026 09h00

 O processo teatral envolve jogos, improvisações, exercícios de expressão corporal, criação de personagens, observação, escuta e interação, ferramentas que contribuem para as habilidades sociais dos alunos

O processo teatral envolve jogos, improvisações, exercícios de expressão corporal, criação de personagens, observação, escuta e interação, ferramentas que contribuem para as habilidades sociais dos alunos Divulgação

Continue Lendo...

Para algumas pessoas, fazer teatro começa com o desejo de subir ao palco. Para outras, nasce da curiosidade, da vontade de conhecer novas pessoas ou até da necessidade de enfrentar uma dificuldade.

Há quem procure as aulas para melhorar a comunicação, quem queira desenvolver a expressão corporal e quem simplesmente esteja em busca de uma atividade diferente.

O que acontece depois, porém, muitas vezes ultrapassa o objetivo inicial.

Durante uma aula de teatro, decorar e interpretar um texto são apenas algumas das etapas de um processo que envolve jogos, improvisações, exercícios de expressão corporal, criação de personagens, observação, escuta e interação.

Aos poucos, o participante é colocado diante de situações que exigem presença, criatividade e disposição para experimentar – inclusive quando existe vergonha ou medo de errar.

É nesse processo que o teatro pode se tornar uma ferramenta que vai além da formação artística.

As habilidades trabalhadas em cena podem aparecer em situações cotidianas, como uma apresentação na escola ou na faculdade, uma entrevista de emprego, uma reunião de trabalho, uma conversa com desconhecidos ou simplesmente na maneira como alguém passa a perceber o corpo e a se relacionar com outras pessoas.

“Eu não acredito que todo mundo que faz teatro precisa querer ser ator”, afirma Daniel Smidt, diretor da Escola e Companhia de Teatro (Adote), que atua há 25 anos em Campo Grande.

Para ele, cada aluno pode encontrar na experiência uma transformação particular.

“Cada pessoa pode encontrar uma coisa diferente aqui. Pode ser a coragem para falar, a confiança para se posicionar, a capacidade de trabalhar em grupo, a criatividade ou simplesmente a liberdade de ser quem é”, afirma.

O PRIMEIRO APRENDIZADO

A comunicação é uma das primeiras habilidades que podem ser percebidas no trabalho teatral. No palco, não basta saber o que dizer: é preciso pensar em como aquilo será dito, compreender o espaço, perceber quem está ouvindo e utilizar voz, corpo e expressão para transmitir uma ideia.

Esse exercício pode ser levado para fora da sala de aula.

Falar diante de outras pessoas, sustentar uma opinião, apresentar um trabalho ou participar de uma conversa exigem, em diferentes níveis, algumas dessas mesmas ferramentas. O teatro permite que o aluno experimente essas situações em um ambiente de aprendizagem, no qual errar também faz parte do processo.

Daniel conhece essa transformação por experiência pessoal.

“Eu também já fui uma pessoa tímida. O teatro foi me dando ferramentas para me expressar, para me comunicar, para olhar para o outro e também para me enxergar de uma maneira diferente. Quando olho para quem eu sou hoje, percebo o quanto tudo aquilo que aprendi através da arte contribuiu para a minha vida”, reflete o diretor.

O CORPO FALA

Outro aspecto trabalhado no teatro é a expressão corporal. Antes mesmo de uma pessoa dizer qualquer palavra, sua postura, seus movimentos e sua maneira de ocupar um espaço podem transmitir informações.

Perceber isso ajuda o aluno a desenvolver consciência sobre o corpo. Em cena, ele precisa compreender como determinado movimento contribui para a construção de uma personagem ou para a comunicação de uma situação. Fora dela, essa percepção pode ajudar na forma como se posiciona e se expressa.

A estudante Charlie Budib, de 19 anos, chegou ao teatro justamente buscando enfrentar a timidez e se sentir mais segura para se expressar. A recomendação partiu de sua psicóloga e a identificação com as artes ajudou a transformar a sugestão em experiência.

“Eu buscava me abrir mais para as pessoas. Conseguir falar melhor em público, me desafiar, sair da zona de conforto. Me sentir mais segura em me expressar”, conta.

Depois das aulas, ela percebe mudanças inclusive em situações que não têm relação direta com o palco.

“O teatro mudou bastante o jeito que eu ajo. Eu me sinto muito mais tranquila sobre a minha expressão corporal no dia a dia. Coisas que antes eu não conseguiria dizer ou fazer agora são muito mais simples”, diz.
Para Charlie, a sala de aula também se tornou um espaço de segurança para experimentar.

“É um ambiente que eu me sinto acolhida. Eu posso acertar ou errar, mas no final, a gente sempre bate palmas um para o outro. Todo mundo está sempre evoluindo e se ajudando. É um lugar que eu posso realmente me soltar”, afirma.

A ARTE DO IMPROVISO

Quem nunca fez teatro pode imaginar que a atividade depende principalmente da memorização de textos. Mas a preparação de um ator envolve muito mais do que decorar falas.

Improvisações e jogos teatrais fazem parte do processo justamente porque colocam os participantes diante do inesperado. Uma proposta pode mudar no meio do exercício, uma cena pode tomar um caminho diferente do planejado e o aluno precisa encontrar uma maneira de continuar.

A habilidade de improvisar, nesse sentido, não significa simplesmente “inventar qualquer coisa”. Ela envolve atenção, escuta e capacidade de responder ao que está acontecendo naquele momento.

Essa experiência pode contribuir para que o participante lide melhor com situações nas quais não possui controle absoluto sobre o resultado.

Foi algo que Maysa Garcia encontrou nas aulas. Ela chegou ao teatro pensando na formação necessária para se tornar atriz e, posteriormente, seguir o caminho da dublagem. Procurava técnicas para trabalhar voz, postura e presença.

Mas acabou encontrando também uma forma de enfrentar inseguranças.

“Me deu mais confiança para viver o mundo como eu mesma, de realmente ocupar um espaço sem culpa”, relata. Para ela, o teatro ajudou a transformar uma orientação comum dentro das aulas – enfrentar uma cena mesmo quando existe medo – em uma postura que também pode ser aplicada à vida.

“O teatro nos ensina: se está com medo, vai com medo mesmo. Isso é para a cena, mas na nossa vida isso também se aplica”, pontua.

ABRAÇO ÀS DIFERENÇAS

O teatro também pode ser uma experiência de inclusão. Cada participante chega com características, habilidades e dificuldades únicas e a aprendizagem não acontece necessariamente no mesmo ritmo.

É o caso de Evelyn Machado, que tem deficiência intelectual e participa das atividades da Adote há alguns anos.

Ela conta que, no início, tinha dificuldades principalmente para memorizar, falar diante de outras pessoas e realizar atividades novas. O nervosismo e a vergonha também apareciam, mas não impediram sua permanência.

“No teatro eu encontrei um espaço onde eu posso fazer as coisas do meu jeito, aprender no meu tempo e também ser incentivada a tentar”, conta.

Ao longo desse período, Evelyn participou de apresentações, atividades e festivais. Também recebeu duas premiações em competições.

“Para mim foi uma felicidade muito grande, porque eu nunca imaginei que poderia subir em um palco, competir e ainda receber um prêmio”, relata.

A experiência, segundo ela, também contribuiu para a comunicação e a autoconfiança.

“O teatro me ajudou muito. Eu fiquei mais comunicativa, perdi um pouco da vergonha e passei a acreditar mais em mim. Cada vez que eu entro no palco é uma conquista”, pontua.

Para Evelyn, a deficiência não define o que ela é. “Eu tenho minhas dificuldades, assim como todo mundo tem as suas, só que algumas coisas para mim são mais difíceis e eu preciso de mais tempo ou de ajuda. Mas também tenho minhas capacidades e gosto muito quando as pessoas acreditam em mim e me dão oportunidade”, destaca.

EXPERIÊNCIA COMPARTILHADA

Se para alguns o teatro é uma descoberta individual, para Miriam Amada de Oliveira, de 54 anos, que faz teatro ao lado do marido, Sueiyoshi Altino de Lima, de 55 anos, a atividade também se tornou uma experiência compartilhada.

Os dois decidiram fazer o curso juntos. Sueiyoshi chegou interessado pela relação entre cinema e atuação.

Queria entender como funciona o processo de construção de um ator e descobriu, nas aulas, que interpretar vai muito além de decorar e repetir falas.

Miriam, por sua vez, carregava desde jovem a curiosidade de conhecer os bastidores e entender como uma pessoa se prepara para atuar.

Fazer o curso lado a lado acrescentou uma dimensão inesperada à experiência: conhecer melhor um ao outro.

“Então, o fato de fazer o teatro junto com minha esposa fez eu conhecer mais um lado dela que não está ali no cotidiano, no dia a dia. Eu consigo ver mais a pessoa, a parte mais criativa dela, outras partes que a gente não vê no dia a dia”, conta Sueiyoshi.

Miriam também percebeu mudanças na relação.

“Quando a gente tem as mesmas vontades, tudo fica melhor”, afirma. Segundo ela, os dois passaram a conversar sobre os exercícios, ensaiar em casa e discutir as atividades realizadas nas aulas.

Para ela, o teatro ampliou a admiração que já existia entre os dois. “Você começa a conhecer o outro lado dela [da pessoa]. Então foi muito bom a gente fazer juntos, porque assim como ele vê como eu interpreto, como eu faço os exercícios, ele também vê esse meu lado, eu vejo o lado dele”, relata.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).