O que era para ser apenas mais uma reunião estratégica de marketing terminou em surpresa, emoção e em um novo capítulo na trajetória do Tereza Gastrobar. Foi assim que as sócias do empreendimento descobriram que estavam entre os finalistas do 4º Prêmio do Afroturismo, promovido pelo Guia Negro, uma das principais referências na valorização da cultura negra no turismo brasileiro.
“Foi até engraçado. A gente tinha acabado de voltar de uma reunião em que discutimos justamente estratégias para ampliar a visibilidade do Tereza entre turistas que visitam a cidade. Quando chegamos, recebemos um link com a matéria da premiação e ali descobrimos que éramos finalistas. Foi uma surpresa muito feliz”, conta a fundadora Tábata Camila Pereira.
A cerimônia de premiação acontece no dia 14 de abril, durante a WTM Latin America, realizada no Expo Center Norte, em São Paulo – considerado o maior evento do setor turístico da América Latina. Estar presente nesse espaço já representa, por si só, uma vitrine estratégica para negócios que buscam reconhecimento nacional e internacional.
Com apenas seis meses de funcionamento, o Tereza Bar e Restaurante concorre na categoria “Melhor Empreendimento de Afroempreendedor ligado ao Afroturismo”. Para as sócias, o reconhecimento precoce não é apenas motivo de comemoração, mas também de validação de um projeto que nasceu com propósito e identidade bem definidos.
“Essa indicação mostra o quanto estamos comprometidos com o nosso trabalho e reforça que estamos no caminho certo na construção de uma marca forte em Campo Grande”, afirma Tábata.
O feito se torna ainda mais expressivo quando observado o nível dos concorrentes. O gastrobar divide a categoria com estabelecimentos históricos da gastronomia afro-brasileira, como o Zanzibar, que acumula décadas de tradição em Salvador, e o Dida Bar e Restaurante, reconhecido como patrimônio cultural e imaterial do Rio de Janeiro.
“Somos um empreendimento muito jovem competindo com espaços consolidados, que já receberam visitantes de várias partes do Brasil e do mundo. Estar ao lado deles mostra que o trabalho que estamos construindo em Campo Grande já começa a ganhar relevância dentro do turismo e da gastronomia afro-brasileira”, avalia a empreendedora.
AFROTURISMO
Embora ainda seja um conceito em expansão no Brasil, o afroturismo vem ganhando cada vez mais espaço ao propor experiências que valorizam a história, a cultura e as vivências do povo negro. No caso do Tereza Gastrobar, essa conexão surgiu como parte natural da proposta do negócio.
“Desde o início pensamos em dialogar com o turismo de forma ampla. Trabalhamos com comida brasileira e com a valorização da regionalidade. Sabemos que Campo Grande tem um potencial turístico muito grande, principalmente por estar ligada ao ecoturismo. O afroturismo entra como um complemento importante nesse cenário”, explica Tábata.
Ela destaca que o conceito vai além da gastronomia. “É uma forma de conhecer lugares a partir da cultura negra. É sobre visitar espaços, provar comidas, ouvir músicas e entrar em contato com narrativas que fazem parte da nossa ancestralidade. Também tem muito a ver com pertencimento, com entender que nossa história e nossa estética também têm valor e merecem visibilidade”, pontua.
IDENTIDADE
O Tereza Gastrobar nasceu do desejo de criar algo original em um mercado em expansão. Campo Grande vive, nos últimos anos, um crescimento no setor de bares e restaurantes, e foi nesse contexto que surgiu a ideia de construir um espaço com identidade.
“A gente sentiu a necessidade de oferecer algo diferente, que descentralizasse a cena gastronômica e trouxesse uma experiência autêntica”, relembra Tábata.
Essa proposta se reflete em cada detalhe do empreendimento. A construção da marca foi pensada de forma estratégica e integrada: identidade visual, comunicação, ambientação, cardápio e até a curadoria musical seguem a mesma linha conceitual.
“O nosso primeiro passo foi criar uma marca forte, com uma identidade visual original e uma comunicação próxima do público. A partir disso, tudo foi sendo construído. Essa coerência gera identificação e faz com que as pessoas não apenas frequentem o espaço, mas também compartilhem a experiência”, explica.
No cardápio, o Tereza Bar e Restaurante aposta em uma cozinha que dialoga com a memória afetiva e com a diversidade cultural brasileira, sem abrir mão de técnicas contemporâneas. A proposta é valorizar tanto a culinária afro-brasileira quanto os sabores regionais de Mato Grosso do Sul.
Pratos como rabada, bolinho de cuscuz com carne seca, bolinho de costela e vaca atolada fazem parte do menu e evidenciam a forte presença da carne na cultura pantaneira. Já o mousse de guavira reforça o compromisso com ingredientes locais.
“Nossa identidade é essencialmente brasileira. Ela aparece na comida, na música, na estética do bar. Tudo foi pensado para criar uma experiência que valorize a nossa cultura”, afirma.
O nome do gastrobar também carrega um significado simbólico e histórico. A escolha é uma homenagem a Tereza de Benguela, importante figura da resistência negra no período colonial.
Mas a proposta vai além da referência histórica. “O Tereza não representa apenas uma pessoa. É uma homenagem a todas as mulheres brasileiras, às ‘Terezas’ que construíram e constroem a história do País com força, trabalho e resistência”, explica Tábata.
A trama acompanha Tom, um publicitário que viaja para o interior para o funeral de seu companheiro - Foto: Divulgação / Victor Novaes


