Organização humanitária global que atua, entre outras frentes, com auxílio médico e apoio em crises para aliviar o sofrimento humano, a Cruz Vermelha celebra hoje a data de seu nascimento e, presente em Mato Grosso do Sul antes mesmo da criação do Estado, tem sua história local fortemente ligada a uma mulher curitibana que serviu de forma voluntária e também após o fim da Segunda Guerra Mundial.
Atuante no Brasil desde 1907, especificamente em Mato Grosso do Sul, o primeiro registro local segundo a Cruz Vermelha vem da formação de samaritanas em curso de primeiros socorros, datada de novembro de 1942.
Para além de nomes como o do suíço Henry Dunant, tido como fundador entre os cinco que se reuniram inicialmente entre os dias 26 e 29 de outubro de 1863 na criação do Comitê Internacional de Ajuda aos Feridos – que posteriormente se tornaria a Cruz Vermelha (CICV) –, localmente, a organização não governamental (ONG) cita entre as voluntárias pioneiras o nome de Guilhermina.
Os registros locais indicam que a curitibana Guilhermina teria sido uma das 73 enfermeiras que serviram durante a Segunda Guerra Mundial.
A Cruz Vermelha de Mato Grosso do Sul cita apenas a representação dela para o compromisso humanitário que atravessa gerações até os dias de hoje, sem destacar, porém, qual seria seu sobrenome.
Primeiro registro local vem da formação de samaritanas em curso de primeiros socorros, datada de novembro de 1942 - Foto: CVBMSSOBRENOME E HISTÓRIA
Guilhermina Rodrigues Gomes, segunda-tenente enfermeira da Força Expedicionária Brasileira (FEB), embarcou rumo à Itália após ser convocada em outubro de 1944.
Logo no ano seguinte, ela retornou ao território nacional, depois de uma lida de cuidados a soldados brasileiros e de demais nacionalidades, sendo sobrevivente inclusive de uma explosão em frente a um hospital da cidade italiana de Livorno, região portuária alvo de uma série de bombardeios.
Ao lado de Graziela Afonso de Carvalho, Guilhermina Rodrigues aparece nos registros históricos como uma das duas primeiras enfermeiras a serem reformadas, reconhecidas jurídica e publicamente como militares portadoras de sequelas de guerra, reconhecimento que só teria vindo em novembro de 1946.
O incidente que acabou fraturando a coluna da enfermeira teria sido a explosão de uma mina terrestre, registrada nas imediações do 7th Station Hospital de Livorno, detonação forte o suficiente para arremessar Guilhermina longe.
Ela foi condecorada no Brasil com as medalhas de Campanha e Guerra e de Ouro da Cruz Vermelha. Apesar de ter nascido em Curitiba (PR), em 1° de dezembro de 1912, foi o Museu da FEB em Campo Grande que ajudou a resgatar e preservar sua história e identidade.
No dia 2 de julho de 1944, 73 enfermeiras brasileiras embarcaram rumo à Segunda Guerra Mundial, incorporadas ao serviço na Itália em cinco hospitais de campanha do exército norte-americano.
O general Mascarenhas de Moraes, no Relatório do Comandante da FEB, salientou: “ O Comando Brasileiro julga o esforço, a operosidade e a dedicação das nossas enfermeiras na Itália como um atestado veemente do valor da mulher brasileira”.
CRUZ VERMELHA EM MS
Oficialmente, a filial sul-mato-grossense da Cruz Vermelha Brasileira aparece com data de fundação do dia 8 de julho de 1983, recebendo reconhecimento de utilidade pública do governo de Mato Grosso do Sul e da Prefeitura de Campo Grande em 1985, antes mesmo de MS completar uma década.
Os dados atualizados Cruz Vermelha Brasileira em Mato Grosso do Sul (CVBMS) apontam um total de 285 voluntários ativos no Estado, com mais da metade da equipe (62%) até os dias de hoje formada por mulheres, com voluntários desde 15 anos até 79 anos. Os voluntários com idade entre 18 e 29 anos formam a faixa etária mais numerosa.
“Reunimos profissionais, estudantes, aposentados e pessoas de diversas áreas. Saúde, psicologia, educação, assistência social, comunicação, Direito, administração, logística e segurança estão entre as competências presentes no voluntariado”, indica a CVBMS.
Em Mato Grosso do Sul, além da Capital, que abriga a sede estadual da ONG, na Rua da Liberdade, nº 512, na Vila Santa Dorotheia, a CVBMS mantém núcleos em Aquidauana, Chapadão do Sul, Dourados e também em Ponta Porã.
O trabalho da CVBMS acontece por meio de pessoas que escolhem compartilhar tempo, conhecimento e experiência em benefício da comunidade.
Importante frisar que nem todo voluntário vai diretamente para o fronte, com alguns envolvidos nessas ações, mas com outros colaboradores atuando em capacitações, planejamento, saúde, apoio psicossocial, logística, comunicação ou até mesmo na administração.
“Nosso trabalho é realizado com a participação de voluntários, profissionais, parceiros e apoiadores comprometidos com os princípios humanitários e com a proteção da vida e da dignidade”.
“Em comum, todos assumem o compromisso de agir de acordo com os princípios fundamentais do movimento internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho: humanidade, imparcialidade, neutralidade, independência, voluntariado, unidade e universalidade”, afirma a Cruz Vermelha Brasileira em MS.
Em contato com a sociedade por meio de ações de promoção da saúde, orientação e prevenção, o que inclui até mesmo mutirões, a Cruz Vermelha atua também por meio de atividades itinerantes e palestras sobre temas de interesse da comunidade, como, por exemplo: hábitos saudáveis; infecções sexualmente transmissíveis (ISTs); prevenção de doenças; primeiros socorros; saúde da mulher; violência e proteção.
Além disso, como complementa a CVBMS, há frentes que atuam com a promoção de cursos e atividades educativas específicas em empresas, escolas, instituições, entre outros, o que pode oferecer à sociedade capacitação em primeiros socorros psicológicos, mas também ensinar a população sobre prevenção de acidentes, preparação para emergências e outros conteúdos voltados à proteção e ao cuidado.
Cabe ressaltar também que, entre esses atendimentos à sociedade em geral, por exemplo, há uma iniciativa focada na inclusão social por meio da alfabetização digital de pessoas idosas, tendo em vista o fato de que boa parte dos casos de estelionatos costumam vitimar essa faixa etária.
“Realizamos projetos destinados a comunidades e grupos em situação de vulnerabilidade, com ações de acolhimento, orientação, promoção da cidadania e fortalecimento das redes locais. O trabalho começa pela escuta e pelo reconhecimento das necessidades de cada território”, ressalta a ONG.
APOIO À SOCIEDADE
Sobre os atendimentos, que podem servir de apoio para eventos e demais ações sociais e atividades institucionais, a Cruz Vermelha costuma atender às solicitações conforme o objetivo, o público presente e a estrutura necessária para suporte, bem como a equipe disponível. Até mesmo eventos sem finalidade humanitária podem receber um orçamento.
Também são promovidas iniciativas para acolhimento e apoio psicossocial, o que inclui, além das capacitações em primeiros socorros psicológicos, ações direcionadas a pessoas, famílias, jovens, crianças, cuidadores e equipes expostas a situações de crise.
Nesse sentido, a Cruz Vermelha Brasileira em Mato Grosso do Sul mobiliza voluntários e recursos para apoiar pessoas afetadas por desastres, crises e outras situações emergenciais.
“Também participa de campanhas solidárias, arrecadações, distribuição de donativos e iniciativas de preparação comunitária”, destaca a CVBMS.
A organização está presente em quase 200 sociedades nacionais, com atuação no combate à fome, à desnutrição, à subnutrição, à doença e a outros tipos de violência social.
“Em 1916, inaugurou-se a Seção Feminina, responsável por incorporar as mulheres cariocas à luta sanitarista no centro do Rio de Janeiro, onde mantém seu escritório central até hoje”.


