Correio B

Correio B+

Cultura B+: Exposição da Paulista completa 10 anos com obras de Derlon e Marcelo Cipis

Uma inciativa da UGT - União Geral dos Trabalhadores, a exposição celebra as conquistas alcançadas pelos trabalhadores e trabalhadoras e reafirma a necessidade da luta constante

Continue lendo...

A Exposição da Paulista, uma iniciativa da UGT –-União Geral dos Trabalhadores, chega à sua 10ª edição em 2024, trazendo o tema “Trabalho e Luta”, em alusão às conquistas do trabalhador ao longo de gigantesca caminhada.

Os artistas convidados para traduzir o tema são o pernambucano radicado em São Paulo Derlon, e o paulistano Marcelo Cipis, sob a coordenação do curador geral de toda a série, o jornalista Fernando Costa Netto.

Ocupando a ciclovia da principal artéria da capital do estado de São Paulo, a Avenida Paulista, entre a Rua Augusta e a Alameda Campinas, de 28 de abril a 26 de maio, a Exposição da Paulista – Trabalho e Luta exibe, 24 horas e 7 dias da semana, 15 painéis de cada artista, que serão vistos pelos milhões de pessoas de todas as regiões da cidade, e de fora dela, que passam por esse corredor onde se destaca a diversidade cultural de São Paulo.

A história dos direitos trabalhistas é marcada por luta e resistência desde a Revolução Industrial, no século XVIII. Luta que, no Brasil do século XXI, é encabeçada pela UGT, organização sindical formada a partir da unificação de centrais sindicais.

“A Exposição, inaugurada no Dia do Trabalho, celebra as conquistas alcançadas, mas também reafirma a necessidade da luta constante, coletiva, por melhores condições de trabalho, a valorização dos trabalhadores e seus direitos, para a construção de um país mais justo e desenvolvido”, diz Ricardo Patah, presidente da UGT.

Os painéis retratam 15 tópicos dessa luta histórica, pontuados pelos professores da UNICAMP Claudio Batalha e José Dari Krein, com coordenação do professor Erledes Elias da Silveira: Organização dos Trabalhadores, Migrações, Jornada de Trabalho, Trabalho Feminino, Não ao Trabalho Infantil, Racismo, Tecnologia a Serviço da Vida, Fim do Trabalho Escravo, Luta pela Terra, Luta pelo Planeta, Direitos Sociais e Trabalhistas, Juventude, Discriminação por Orientação Sexual, Pessoas com Deficiência e Saúde.

“A importância de nossa exposição para a classe trabalhadora e para a cidade de São Paulo, durante o mês de maio na Avenida Paulista, está em assegurar o encontro e o convívio com a arte entre pessoas que lutam no dia a dia por uma vida digna. É um enriquecimento cultural para toda a sociedade.

Divulgação

Vamos celebrar o histórico de lutas e conquistas do 1º de Maio, Dia Internacional do Trabalhador e da Trabalhadora”, completa Chiquinho dos Padeiros, Secretário Nacional de Organização, Formação e Políticas Sindicais da UGT, presidente do Sindicato dos Padeiros de São Paulo e da Federação Brasileira dos Trabalhadores(as) nas Indústrias de Panificação, Confeitarias e Padarias (Febrapan).

O trabalho de Derlon resgata a fotopintura, a estética dos cordéis, com traços e personagens que lembram e valorizam a figura do brasileiro e as tradições brasileiras. Suas obras são propositadamente simples e expressivas. A opção estética do artista é reduzir traços e acentuar o poder comunicativo de suas obras.

“Os trabalhos que levo para a Exposição da Paulista fazem parte de uma série que venho fazendo nos últimos 2 anos. É um resgate do tempo em que eu colava lambe-lambes nas ruas, há 15 anos, desenhos em matérias de jornal, unindo o visual com o comunicativo, que conversa e traz reflexões sobre o tema”, explica Derlon.

Marcelo Cipis, arquiteto que transita por diversas linguagens artísticas como a pintura, desenho, colagem, esculturas e instalações, atua ainda como ilustrador e também como escritor. Em 2000 foi laureado com o importante prêmio internacional da Fundação Pollock Krasner, de NY, que levou o trabalho do artista para diversas instituições e galerias de todo o mundo.

“Esses trabalhos interpretam questões essenciais que precisam ser adotadas em alguns casos, como a qualidade da saúde no trabalho ou do planeta, e superadas em outros, como a questão do racismo ou da LGBTQ+ fobia. Acredito no poder da arte como instrumento para transformar a sociedade.

As imagens falam por si, são passíveis de serem interpretadas livremente, mas resolvi colocar títulos, para situar mais didaticamente as mensagens. Nestes trabalhos também ponho em prática uma das minhas paixões, que é o cartaz na rua, algo que pode trazer beleza e alegria à cidade”, conta Cipis sobre as obras que traz para a exposição da Paulista.

Coordenada pela Secretaria de Organização e Políticas Sindicais da UGT e pela Maná Produções, Comunicações e Eventos, a Exposição da Paulista é uma das maiores exposições ao ar livre do mundo.

Suas edições anteriores trouxeram temas tão urgentes como o atual: 30 Anos de Redemocratização do Brasil (2015); 100 Anos do Samba (2016); 17 Objetivos para Transformar o Mundo (2017); A Quarta Revolução Industrial (2018); DIREITO DO AVESSO | AVESSO DO DIREITO (2019); Liberdade e Democracia (2020); Feminino Plural (2021); Os 200 Anos da Independência e Nós, Trabalhadores (2022); Democracia, Paz e Trabalho (2023). Já consolidada, caminha para se tornar um evento oficial da cidade de São Paulo.

“10 anos de arte para milhões! Aliás, para mais de 50 milhões de visitantes. A maior exposição ao ar livre da América Latina. A expressão dos trabalhadores na cultura franca e arrojada de alguns dos maiores nomes da arte brasileira. Viva a Expo da Paulista e suas 10 edições!”, finaliza André Guimarães, da Maná Produções, idealizador do projeto.

A Exposição da Paulista – Trabalho e Luta é realizada com o apoio da Prefeitura Municipal de São Paulo, Secretaria Municipal de Cultura e da Câmara de Vereadores de São Paulo, através da vereadora Sandra Santana, apoio da CPPU - Comissão de Proteção à Paisagem Urbana, CET, Ilume e Subprefeitura da Sé e patrocínio de Ticket Serviços, Carrefour e Grupo Pão de Açúcar.


Exposição da Paulista – Trabalho e Luta

De 28 de abril a 26 de maio de 2024

Ciclovia da Av. Paulista, da Rua Augusta à Al. Campinas

Artistas: Derlon e Marcelo Cipis

Abertura: 28 de abril, domingo, às 11h

 

diálogo

Alguns candidatos vêm se apresentando ao eleitor como se estivessem... Leia na coluna de hoje

Confira a coluna Diálogo deste sábado (12) e domingo (13)

12/09/2026 00h02

Continue Lendo...

Abílio Leite de Barros- poeta de MS

"O poeta é um malabarista de palavras, joga com elas 
como uma criança com seus brinquedos e nesse jogo 
o sentido real perde toda a importância em favor da fantasia”.

Felpuda

Alguns candidatos vêm se apresentando ao eleitor como se estivessem enfrentando problemas dentro dos partidos. Em seus discursos, passam a impressão de que estariam sendo pressionados a fazer algo errado 
e repetem frases como “não venderemos nossa consciência”. e for apenas uma estratégia para conquistar a simpatia do eleitorado, convém ter cuidado, pois poderá produzir efeito contrário ao desejado. Consciência, convenhamos, não precisa de propaganda para ser demonstrada. É cada uma!

Dívida

O Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul determinou que a Prefeitura de Camapuã volte à Justiça para cobrar uma dívida de R$ 25,8 mil do ex-prefeito Delano de Oliveira Huber. O valor foi determinado em decisão de 2021, e com a atualização, já chega a R$ 39.474. A prefeitura chegou a entrar com uma ação de cobrança, mas o processo foi encerrado em 2025, por falta de documentos exigidos pela Justiça.

"Espertinho"

Estudante de Direito resolveu avançar alguns capítulos da profissão e acabou condenado pela 12ª Vara Cível de Campo Grande a pagar R$ 10,5 mil. Com uma legítima carteira de estagiário, apresentou-se como advogado e cobrou de uma idosa para resolver uma dívida de R$ 23 mil que não existia. A vítima entregou R$ 3 mil de honorários e mais R$ 2,5 mil para uma suposta entrada no parcelamento

Aí...

Depois disso, o município colocou valor em cobrança e encaminhou Certidão de Dívida Ativa para protesto em cartório. O documento foi protocolado em junho deste ano e o devedor foi considerado intimado em julho. Agora, o TCE-MS deu prazo de 60 dias para a prefeitura comprovar que tomou nova medida judicial para receber a conta. Já a multa de 50 uferms aplicada ao ex-prefeito foi paga e sua cobrança encerrada.

Mais

Dois meses depois, ela descobriu que não tinha dívida alguma. Pressionado pela ameaça de denúncia, o estudante devolveu R$ 3 mil por meio de uma conta de terceiros, mas ficou com os R$ 2,5 mil restantes. No processo, não compareceu à audiência de conciliação nem apresentou contestação. A Justiça determinou a devolução dos R$ 2,5 mil e fixou outros R$ 8 mil por danos morais.

Hellen, Marco Antonio e João Arthur Comparin
Dra. Iara Resende

De olho

Candidatos de todos os partidos estão intensificando suas investidas sobre o expressivo eleitorado de Campo Grande. Conhecida nas campanhas como uma espécie de terra de ninguém, é o maior colégio eleitoral de MS e, por isso, tornou-se alvo obrigatório dos candidatos de A a Z.

Pedaço

Para se ter uma ideia, de acordo com dados do Tribunal Regional Eleitoral fechados até 31 de agosto, Campo Grande tem 640.427 pessoas aptas a votar. Desse total, 348.977 são mulheres (54,491%) e 291.450 homens – equivalentes a 45,509% do eleitorado. Com esse tamanho, pode fazer diferença decisiva em qualquer disputa estadual. Daí a movimentação: todos candidatos não apostam só no interior e querem um pedaço desse enorme bolo de votos.

Com pausa

Projeto de lei quer impor limites ao uso da rolagem contínua, o chamado infinite scroll, nas redes sociais brasileiras. A proposta prevê que plataformas com mais de 2 milhões de usuários ativos interrompam a rolagem após 30 vídeos consecutivos, com pausa obrigatória de cinco minutos. Durante o intervalo, deverá aparecer mensagem sobre saúde mental e uso responsável da tecnologia, conforme diretrizes do Ministério da Saúde.

Aniversariantes

SÁBADO (12)

  • Terezinha Bezerra de Almeida,
  • Dra. Daniela Martins Bertoncelo,
  • Mariana Massani Romero,
  • Rayssa Garcia Barcaça,
  • Dr. Milton Garcia Leal Júnior,
  • Alda Aparecida Ferreira Nantes,
  • Glória Maria Vaz Leal,
  • Guilherme Henrique Zandoná,
  • Maximus Ruggero Zanoni,
  • Maria Auxiliadora Moraes D’Avila,
  • Dr. Henoch Cabrita de Santana,
  • Maria Aparecida Coutinho Machado,
  • Delasnieve Miranda Daspet de Souza,
  • Averaldo Alves Garcia,
  • Thiago Ortiz Doneda,
  • Guilherme Ortega Zulim,
  • Marisa Dias Rolan Loureiro,
  • Ronald Tokya Higashi,
  • Morivaldo Firmino de Oliveira,
  • Maria Antonia Correia Gondim,
  • Dr. Lauro Takeshi Myasato,
  • Mariana Coli Muzzi,
  • Dr. Hérico Monteiro Braga,
  • Pedro Henrique Adames,
  • Gilzânio (Gil) da Silva Rodrigues,
  • Fábio Michel Ferzeli Abussafi,
  • Rodrigo Aguirre Menezes,
  • Sérgio Fenelon,
  • Helena Alcara,
  • Ricardo de Souza Rosa,
  • Dacir de Souza,
  • Alfredo Dobilas,
  • Dayanne de Almeida Ferreira,
  • Francisco de Paula Junior,
  • Claudete Regina Modenesi,
  • Fernanda Oliva,
  • Mônica Pedrossian Coelho,
  • Rosa Maria Maçães Coutinho,
  • Dr. Ricardo Verde Selva,
  • Katiuscia Azambuja,
  • Aparecida Leke Garcia,
  • Luiz Eduardo Ferreira Rocha,
  • Ivanilde Vaz,
  • Idenir Medina,
  • Maurício Nakazato,
  • Antonia Serrou Camy,
  • Luciano Araújo Júnior,
  • Rosália Maria Jesus Silva,
  • Zender Guimarães Sales,
  • Ligia Ribeiro de Andrade,
  • Sílvio Lobo Filho,
  • Luis Panoff Philbois,
  • Alírio Villasanti Romero,
  • Maria Alzira Trelha Falcão,
  • Orlando de Almeida,
  • Elcy Nogueira de Jesus,
  • Virgínia Corrêa Merísio,
  • Celso Cordeiro,
  • Genê Rosa da Silva,
  • Jair Emiliano Queiroz,
  • Almir de Magalhães,
  • Valdete Freitas Yokoyama,
  • Dr. Alcides dos Santos,
  • Maria Auta de Oliveira Inagaki,
  • Eliete Alves de Lima Lauretto,
  • Gil Messias Fleming,
  • Ângela Maria Veríssimo,
  • Gilson Domingos de Pietro,
  • Luiz Claudio Fernandes Widal,
  • Salete Petry Coski,
  • Bruna de Campos Pavoni,
  • Carlos Sussumu Koumegawa,
  • Oscar César Ceolin,
  • Jussara Aparecida Faccin Bossay,
  • Regina Célia Rojas Gerotti,
  • Gyselda Elyane Vasconcellos Nakayama,
  • Mary Kellen Horita Ricci.

DOMINGO (13)

  • Tito Manuel Sarabando Bola Estanqueiro,
  • Nabiha de Oliveira Maksoud,
  • Joelson Duarte,
  • José Antonio Nardão,
  • Juliana da Silva Minna,
  • Francisco de Assis Simioli Espíndola,
  • Ademir Berbet Gonçalves,
  • Humberto Jorge Matos Viana,
  • Iracema Afonso de Souza,
  • Wilson Ferreira Rocha,
  • José Luiz Matos Pessoa,
  • Francisco Eudo Cordeiro de Souza,
  • Celso Sokuzo Guibu,
  • Nelson Valente Dienes,
  • Zoé Vargas de Andrade,
  • Carlos Roberto Selvo do Nascimento,
  • Marcos Pinheiro da Silva,
  • Lurdes Frosi Perruzo,
  • Nery Anzoategui,
  • Fabiano Telo Bellissimo,
  • Luiz Felipe Barros Buainain,
  • Roque Fachini Filho,
  • Albino Gonçalves Lima Neto,
  • Neilon Ramires,
  • Izabel Cristina Vargas Ajala,
  • Gisela Dória Sirimarco Nasser,
  • Oscar Tenuta,
  • Natal Baglioni Meira Barros,
  • Marcos José Mendes,
  • Creunede Ramos Pereira,
  • Alexandre Rui Neto,
  • Gilberto Portela Lima,
  • Michael Cesar Oliveira,
  • Flávio Santana Braga,
  • Rogerio de Oliveira Lopes,
  • Sebastião Pinheiro Valadares,
  • Miguel dos Santos Andrade,
  • Antonia Martins,
  • João Paulo Franco,
  • Laila Carriel,
  • Ana Cristina Candido de Souza,
  • Josimar Ferreira dos Santos,
  • Branca Maria de Menezes,
  • Belaus Pereira,
  • Antonio Almeida Lira,
  • Sérgio Pereira Pires,
  • Vanildo Barraquel,
  • Edir Alves Mesquita,
  • José Carlos Kiyoshi Kurashige,
  • Hailton Augusto dos Santos,
  • Edson Cardoso de Sá,
  • Ruth Daiane da Rosa Vera,
  • Renê Ferreira de Souza,
  • Yonne Ribeiro Orro,
  • Rosa Maria Scapulatempo,
  • Beatriz Cuellar,
  • Walter Bastos Ribeiro Garcia,
  • Noelia Medeiros Rocha,
  • Nair Ferreira Amaral,
  • Cyntia Tereza de Medeiros,
  • Fernando Webber,
  • Márcio Alves Chaves,
  • Dr. Orestes Rocha,
  • Fabiana Silvestre da Silva,
  • Cláudia Rodrigues de Freitas,
  • Laura Miti Marques,
  • Moacir de Almeida Portela,
  • Ana Maria Ottoni,
  • Eugênia Fernandes Soares,
  • Gisele Arruda,
  • Victor Rafael Gonzales Abbate Filho,
  • Jairo Shoitiro Kamimura,
  • Neraldo Dall Pogetto,
  • João Luiz Caliani Moscateli,
  • Lucilia Teodora Villela de Leitgeb Lourenço,
  • Silvana de Carvalho Teodoro Zubcov,
  • Erika Junko Dehira Motoyama.

Cinema Correio B+ - Especial

11 de Setembro: como o cinema tentou explicar o inexplicável

De The Guys a Voo United 93, obras que reconstruíram o trauma e as consequências de um dia que ainda não terminou

11/09/2026 14h39

11 de Setembro: como o cinema tentou explicar o inexplicável

11 de Setembro: como o cinema tentou explicar o inexplicável Foto: Divulgação

Continue Lendo...

Durante algum tempo, o cinema não soube o que fazer com o 11 de Setembro. As imagens reais já eram tão violentas, tão repetidas e tão profundamente gravadas na memória coletiva que qualquer tentativa de reproduzi-las parecia correr o risco de transformar trauma em espetáculo.

Primeiro, Hollywood retirou as Torres Gêmeas de cartazes, trailers e filmes já concluídos. Depois, aos poucos, começou a tentar entender não apenas o que aconteceu naquela manhã, mas o mundo que surgiu depois dela.

Vinte e cinco anos mais tarde, não existe uma única obra capaz de explicar o 11 de Setembro, porque o atentado não produziu apenas uma história.

Há a história das vítimas, dos sobreviventes e de suas famílias; a dos bombeiros e policiais; a das falhas dos serviços de inteligência; a das guerras iniciadas em seguida; a da islamofobia, da tortura e da vigilância autorizadas pelo medo.

Os melhores filmes, séries e documentários são justamente aqueles que resistem à tentação de reunir tudo em uma resposta simples.

The Guys e a reconstrução pela palavra

The Guys ocupa um lugar especialmente pessoal nessa lista porque nasceu da experiência de Anne Nelson, minha professora e mentora na Universidade de Columbia. Pouco depois dos atentados, Anne foi procurada por um capitão do Corpo de Bombeiros de Nova York que precisava escrever os discursos fúnebres de oito homens de sua equipe mortos no World Trade Center. Ele conhecia cada um deles, mas não conseguia transformar a dor em palavras.

Anne o ajudou a reconstruir quem eram aqueles homens para além dos uniformes e dos números. A peça estreou no Flea Theater em 4 de dezembro de 2001, menos de três meses depois dos ataques, com Sigourney Weaver e Bill Murray. Em 2002, foi transformada em filme, dirigido por Jim Simpson e estrelado por Weaver e Anthony LaPaglia.

Não é um filme sobre a queda das torres, mas sobre o trabalho silencioso de devolver individualidade às vítimas. Como falar sobre alguém quando a dimensão coletiva da tragédia ameaça apagar sua história particular? Em The Guys, a linguagem não resolve o luto, mas oferece uma forma de atravessá-lo.

The Looming Tower e tudo o que veio antes

Se The Guys trata das consequências humanas imediatas, a minissérie The Looming Tower procura entender o que aconteceu antes. Baseada no livro de Lawrence Wright, acompanha a ascensão da Al-Qaeda e, principalmente, a rivalidade entre FBI e CIA nos anos que antecederam os ataques.

Com Jeff Daniels, Peter Sarsgaard e Tahar Rahim, a série mostra como informações fragmentadas, disputas institucionais e egos contribuíram para impedir que as autoridades percebessem a ameaça que se organizava diante delas.

Não apresenta uma conspiração capaz de explicar tudo, mas algo talvez ainda mais perturbador: pessoas que possuíam partes importantes da verdade e instituições incapazes de reuni-las.

Voo United 93 e a experiência do tempo real

Em Voo United 93, Paul Greengrass reconstrói o sequestro do avião que caiu na Pensilvânia depois que passageiros e tripulantes reagiram contra os terroristas. O filme evita o heroísmo convencional e trabalha com a confusão de quem ainda não compreendia a dimensão do ataque.

Nós sabemos o que está acontecendo porque conhecemos a história. Eles, não. Recebem informações incompletas por telefonemas, percebem que outros aviões foram usados como armas e entendem, aos poucos, que o voo provavelmente também tem um alvo.

É essa diferença entre o conhecimento do espectador e a descoberta dos passageiros que torna o filme tão angustiante.

Greengrass não oferece alívio, discurso patriótico ou vitória reconfortante. O que existe é um grupo de pessoas tentando agir quando todas as possibilidades já são terríveis.

11 de Setembro: como o cinema tentou explicar o inexplicávelVoo United 93 e a experiência do tempo real - Divulgação

Os documentários que preservaram aquela manhã

Entre os registros mais importantes está 9/11, dos irmãos Jules e Gédéon Naudet com James Hanlon. O projeto começou como um documentário sobre um bombeiro novato, mas acabou registrando a rotina de um quartel durante os ataques. Jules filmou uma das raras imagens do primeiro avião atingindo a Torre Norte e entrou no complexo com os bombeiros.

102 Minutes That Changed America reconstrói o período entre o primeiro impacto e o colapso da segunda torre a partir de imagens feitas por jornalistas, moradores e pessoas nas ruas. A ausência de uma narração dominante preserva a desorientação daquele momento, quando ninguém ainda tinha uma narrativa pronta para explicar o que via.

Já 9/11: One Day in America reúne depoimentos de sobreviventes, socorristas e testemunhas, reconstruindo os acontecimentos em ordem cronológica. O documentário devolve dimensão humana a imagens que, de tão repetidas, correm o risco de se transformar apenas em símbolos históricos.

A cidade ferida de A Última Noite

Nem todos os filmes importantes sobre o 11 de Setembro falam diretamente sobre os ataques. Lançado em 2002, A Última Noite (25th Hour), de Spike Lee, conta a história de um homem que passará sete anos na prisão e vive suas últimas horas de liberdade em Nova York.

A trama não é sobre terrorismo, mas a cidade está ferida. O vazio deixado pelas torres aparece na paisagem e no comportamento dos personagens. Spike Lee foi um dos primeiros cineastas a olhar diretamente para aquela ausência, sem precisar transformá-la no centro da narrativa. Seu filme entende que Nova York continuava vivendo, mas já era outra cidade.

O mundo que veio depois

Com o passar dos anos, o cinema começou a olhar para as consequências políticas e morais dos atentados. A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty) acompanha a perseguição a Osama bin Laden, mas provocou discussão sobre a maneira como representou a tortura e sua suposta eficácia.

O Relatório (The Report) examina justamente o programa de interrogatórios e tortura conduzido pela CIA depois do 11 de Setembro. O Mauritano (The Mauritanian) mostra o caso de Mohamedou Ould Slahi, mantido durante anos em Guantánamo sem acusação formal. São filmes sobre o momento em que o medo passou a justificar práticas que as democracias afirmavam condenar.

Quanto Vale? (Worth) segue o advogado Kenneth Feinberg na criação do fundo de indenização às famílias das vítimas. Sua pergunta é cruel, mas inevitável: como estabelecer financeiramente o valor de uma vida? O filme mostra o conflito entre fórmulas jurídicas e histórias que não cabem em cálculos.

Há ainda Top of the World, documentário de Julie Cohen e Betsy West sobre os funcionários do Windows on the World, o restaurante que funcionava no alto da Torre Norte.

Ao recuperar suas trajetórias, a obra retorna ao princípio que também orienta The Guys: antes de serem números associados a uma tragédia, aquelas pessoas tinham trabalhos, famílias, ambições e rotinas.

Uma história que ainda não terminou

O cinema demorou a compreender que não precisava recriar o impacto dos aviões para falar sobre o 11 de Setembro. Em muitos casos, as obras mais poderosas são aquelas que olham para o que aconteceu antes, para as ausências deixadas depois e para as decisões tomadas em nome de um medo que atravessou fronteiras e gerações.

Vinte e cinco anos depois, o 11 de Setembro ainda divide a história entre um antes e um depois. Esses filmes, séries e documentários não conseguem explicar completamente o inexplicável, mas ajudam a preservar as pessoas que estavam por trás das imagens e a entender como aquela manhã continua presente no mundo em que vivemos.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).