O universo trilheiro esteve em alta na última semana com o caso de Roberto Farias Tomaz, jovem de 19 anos que ficou desaparecido por cinco dias em um dos trechos de Mata Atlântica mais preservados do mundo, após se aventurar em uma trilha no Pico do Paraná, o ponto mais alto do Sul do país.
Para quem deseja encarar as trilhas de Mato Grosso do Sul sem correr o risco de se perder, o Correio B separou uma lista com dicas de rotas e de segurança para ter uma aventura sem grandes surpresas.
O estado possui diversas rotas que conectam belezas naturais como rios, serras e cachoeiras e podem ser percorridas a pé, de bicicleta, ao estilo off road e até mesmo de barco.
Há desde opções de percursos para iniciantes que querem somente caminhar e tomar um banho de rio aos mais radicais que incluem rapel, escalada, ciclismo de montanha e outras atividades do turismo de aventura.
Além de trilhas com diferentes níveis de dificuldade, há ainda rotas que abrigam sítios arqueológicos, belezas históricas e culturais, que se somam ao grande potencial de ecoturismo de inúmeros municípios.
A maioria parte das trilhas conta com cursos de água em seu trajeto e muitas oferecem o bônus de várias cachoeiras. A possibilidade de se refrescar é de grande ajuda para quem não possui condicionamento físico para longas caminhadas.
TRILHAS
Para iniciantes
Trilha da Usina Abandonada (Campo Grande) – Apontada como a mais indicada para iniciantes, possui cerca de cinco quilômetros de extensão e quatro cachoeiras. Além do contato com a natureza, tem valor histórico, pois abriga as usinas da primeira usina hidrelétrica da Capital. A trilha inclui escalada e travessia do Córrego Ceroula.
Trilha da Conquista (Sidrolândia) – Distante 40 km de Campo Grande, o trajeto é de 4,5 km em meio à mata nativa onde existem duas nascentes. O passeio passa por uma cachoeira de dois metros e termina com duas corredeiras.
Trilha do Los Pagos (São Gabriel do Oeste) – Com uma cachoeira de 70 metros em propriedade particular, tem fácil acesso e é um dos pontos turísticos mais visitados do município.
Trilha nas Cachoeiras do Jatobá (Jaraguari) – É um roteiro de ecoturismo com diversas quedas d'água e piscinas naturais no Rio Jatobá, ideal para fugir do calor perto de Campo Grande, com trechos que vão do fácil ao mais desafiador, incluindo subidas, pedras e trechos dentro d'água.
Trilha nas Cachoeiras do Arrependido (Jaraguari) – Também próxima a Campo Grande, a trilha é traçada em meio a natureza preservada e possui cachoeiras para banho ao longo do trajeto.
Vista do Morro do Paxixi | Fonte: Reprodução/262 AventurasMorro do Paxixi (Piraputanga) – Com acesso pela Estrada Parque de Piraputanga, a trilha leva a vários mirantes e em sua maior parte oferece opção de acesso com motocicleta.
Gruta do Lago Azul (Bonito) – É um passeio contemplativo que envolve uma curta caminhada inicial de 200m, seguida por uma descida de cerca de 300 degraus até o lago, com retorno pela mesma escadaria, totalizando aproximadamente 1h30 de duração. É um dos cartões-postais da região com formações rochosas impressionantes.
Terceira Lagoa (Bonito) – É um percurso de natureza com águas cristalinas na Serra da Bodoquena, ideal para contemplação e flutuação (em pontos específicos). Acessível por veículos 4x4 ou quadriciclos, possui lagoas azuladas cercadas por mata nativa.
Intermediárias
Inferninho (Campo Grande) – Apesar do nome pouco atrativo, o local possui uma bela cachoeira com cerca de 30 metros de altura utilizada para a prática de rapel. Aberto à visitação, mas sem infraestrutura.
Morro do Ernesto (Campo Grande) – Situado na Fazenda Córrego Limpo, propriedade privada a 20 quilômetros Capital, o local é aberto à visitação mediante pagamento de uma pequena taxa. O trajeto é de 8km passando por uma cachoeira de quatro metros e duas corredeiras. O trajeto pode ser feito a pé ou bicicleta e o diferencial é a permissão para animais de estimação participarem do passeio.
Trilha do Córrego Rico (Rio Negro) – Com caminhada sobre pedras, apresenta nível de dificuldade médio por exigir equilíbrio. Também exige conhecimento prévio do local devido ao risco de enchente repentina. Mas tomados os devidos cuidados, recompensa os visitantes com duas cachoeiras sobrepostas e um pequeno cânion de um quilômetro.
Trilha dos Mirantes (Piraputanga) – Situada em uma propriedade rural chamada Chácara dos Mirantes, possui sítio arqueológico e trilha com acesso a quatro mirantes, além de outras trilhas secundárias.
Boca da Onça (Bonito) – Consiste em uma trilha com oito cachoeiras de água cristalina (a famosa Cachoeira Boca da Onça é a mais alta) e cinco paradas para banho.
Trilha no Cânion do Rio Salobra (Bodoquena) – É um Acqua Trekking espetacular no Parque Nacional da Serra da Bodoquena, combinando caminhada por mata preservada, travessia dentro do rio de águas cristalinas com paredões imponentes (Muralha de Jericó) e paradas para banho e mergulho, com percurso total de 7km.
Trilha da Fenda Escondida (Corguinho) – Guardada em meio a mata nativa, possui paredões esverdeados de quase 50 metros de altura. Pela trilha, é possível conhecer os Mirantes do Vale e da Cachoeira, que mostram os encantos do Vale do Bugio e do Gavião de Penacho.
Trilha das Cachoeiras do Ceuzinho | Fonte: Reprodução/262 AventurasTrilha das Cachoeiras do Ceuzinho (Campo Grande) – Distante apenas 13 km do Centro de Campo Grande, a trilha explora o córrego Ceroula, com diversas quedas d'água e as ruínas da antiga Usina do Ceroula.
Desafiadoras
Trilha da Pintura Rupestre (Rio Negro) – Possui cerca de 10 quilômetros incluindo ida e volta e abriga um sítio arqueológico. Situada em propriedade privada, oferece opção de rapel na cachoeira Rio do Peixe.
Caminho das Antas (Piraputanga) – Trilha contemplativa sobre um dos morros da Serra de Maracaju. É conhecida por ser desafiadora e íngreme em certas partes, como na crista da Serra.
Rapel no Morro do Totem | Fonte: Reprodução/262 AventurasTrilha para o Rapel no Morro do Totem (Piraputanga) – Com 90 metros, oferece uma vista privilegiada da bacia do Pantanal e Rio Aquidauana.
Trilha para o Rapel 97 (Piraputanga) – Como o nome sugere, é um rapel de 97 metros de altitude.
Bônus - Trilha aquática
Rota dos Pioneiros – A Rota dos Pioneiros é a maior trilha aquática do Brasil, com cerca de 400 km, percorrendo os rios Paraná, Paranapanema e Ivinhema, conectando unidades de conservação em MS, PR e SP, ideal para canoagem e caiaque, explorando a beleza natural e a história da ocupação da região, com trechos que passam por áreas como o Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema.
Dicas de segurança
Os cuidados necessários para a trilha começam na preparação com a vestimenta adequada (calças compridas, tecidos leves e tênis), passando pelos equipamentos de segurança (lanternas, cordas e até antialérgicos em alguns casos) e a presença de alguém com conhecimento prévio do local.
O condutor de turismo da agência 262 Aventuras, Moisés de Melo Pinasso, destaca que os trilheiros devem:
- possuir liberação médica para a prática da atividade, estar bem alimentados e hidratados;
- em caso de alergia a picada de insetos, ter sempre o antialérgico que costuma usar e comunicar os organizadores no momento da reserva;
- nunca, em hipótese alguma, se afastar do grupo;
- contratar uma empresa ou condutor que conheça bem a região, possua seguro aventura e seja cadastrado no Cadastur.
Caso do Pico do Paraná
Após se perder de uma amiga que o acompanhava na trilha, o jovem Roberto Farias Tomaz caminhou e cruzou, em cinco dias, o Vale do Cacatu, que fica entre as montanhas do Parque Estadual do Pico do Paraná.
Ele seguiu o curso do rio e, em um dos pontos, precisou pular uma cachoeira com 30 metros de altura. O jovem realizou algumas ações estratégicas para sobreviver, como encher a garrafa com água da cachoeira e outros meios.
O jovem desapareceu no dia 1º de janeiro, quando descia a trilha que leva até o Pico Paraná. Segundo um bombeiro que trabalhou no resgate, ele andou cerca de 20 quilômetros até chegar a uma fazenda na localidade de Cacatu, em Antonina, na segunda-feira (5), onde pediu um celular emprestado, ligou para a irmã e comunicou que estava vivo.


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