Correio B

MÚSICA

Duo Vozmecê migra seu universo de canções para o gênero nordestino em vídeo musical

Live session do Duo Vozmecê foi gravada na área verde da Rotunda Ferroviária de Campo Grande e, além do casal, traz a presença de Marcelus Anderson

Continue lendo...

Primeiro foi o encontro de almas, o rostinho colado, o namoro. Depois veio a parceria musical, “Desbunde” – o primeiro EP, lançado em dezembro – e, dentro de seis meses, está saindo o casório.  

Acontece que, no meio do caminho, teve a Lei Aldir Blanc, e Namaria Schneider e Pedro Fattori estavam entre os contemplados com os recursos – de pouco mais de R$ 11 mil, descontados tributos e encargos –, que viabilizaram a produção do vídeo musical “Forró Pé-de-Cerrado”, com canções inéditas e já conhecidas do Duo Vozmecê formatadas no cheiro e no sabor do tradicional gênero musical nordestino.

A live session, como eles preferem chamar o trabalho, foi gravada de uma tacada só, em uma bela manhã do início do mês, na área verde da Rotunda Ferroviária de Campo Grande e, além do casal, traz a presença de Marcelus Anderson no acordeom.  

Fera no fole, Anderson vem acompanhando artistas de ponta, como Almir Sater, e confere à sonoridade do Vozmecê melodias e requebros que deixam para trás a MPB pop, ainda que carregada de algum acento regional, que marcou o primeiro EP do duo, que não gosta de ser chamado de dupla.

Eles consideram o termo datado, pela imediata associação com o filão sertanejo, o que agora, com a participação intensa e inspirada de Anderson, não deixa de ser justo. “Justiça”, aliás, é o nome de uma das faixas do EP que estão no vídeo de 40 minutos de duração.

Entre as outras canções de “Desbunde” incluídas na gravação estão “Resista” e “Coisinha”, que o casal apresenta como a sua única composição “de amor”.

Últimas notícias

Filosofia autoral

Na letra, feita a quatro mãos, o casal se convida para filosofar “nesse temporal” e virar a epiderme “pelo avesso”. Envolvente, apaixonado e hormonal, como pode, e deve, ser a vida na juventude. Mas, no geral, o Vozmecê procura uma embocadura de mais engajamento. 

Entre os temas inéditos, duas letras de Namaria reforçam essa postura – “Pai Ausente” e “Pós-Verdade”. Em “Farofino”, mais uma inédita, que Pedro fez sozinho, o clima é de festança e de celebração. “No Cerrado também se faz forró”, propagandeia o músico.

Até se faz, sim, mas a profusão de escolas de dança e de bares com música ao vivo dedicados ao gênero em Campo Grande, pelo menos até antes da pandemia, têm o foco mais voltado para o cancioneiro consagrado de Luiz Gonzaga e toda a realeza do baião, ao passo em que o Vozmecê, argumentam, investe somente no repertório de composições próprias. 

“Nós dois temos avós nordestinos, então crescemos ouvindo essas influências e agora resolvemos botar em prática”, diz Pedro, nascido em Campo Grande e graduado em Letras, mesma área do mestrado que está cursando na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul.  

“É um gênero de muita nacionalidade, não tão explorado no Estado com músicas autorais”, pondera Namaria, que nasceu em Três Lagoas e cursa duas graduações, Música (UFMS) e Filosofia (UCDB), além de estudar sanfona. Ambos estão com 24 anos e atuam também dando aulas de música.

Identidade

“Forró Pé-de-Cerrado” (https://youtu.be/3EPGymyhrQQ) está no ar desde quinta-feira passada e, em seis dias, com impulsionamento, atingiu 2.500 visualizações.  

A ideia é liberar o repertório no Spotify nos próximos dias. A live session flagra o duo em momento de busca de uma musicalidade própria, em que o mergulho no forró parece etapa para uma identidade artística ainda a ser descoberta, vinculando, de algum modo, a sonoridade do Vozmecê a diversas roupagens, desde o chamado forró universitário, de grupos como o Falamansa, ao regional de fronteira das bandas de cá, marcado por vezes no rasqueado serelepe do acordeom de Anderson.

O cenário com a “vanmecê”, o furgão do casal, ao centro, diferentes tapetes, figurinos e uma variedade de objetos mostra que tudo foi feito com esmero. E aqui os créditos devem ser divididos com os amigos, também músicos, Douglas Dakombi e Matheus Ortiz, que assinam a concepção e a produção audiovisual do trabalho.  

O furgão possui um captador de energia solar, e é a bordo do veículo que o Vozmecê já viajou Brasil afora, tocando nas esquinas e passando o chapéu.

A conversa está boa, mas... E o casamento, meninos? “Será em novembro”, respondem os dois ao mesmo tempo.

Assine o Correio do Estado

Felpuda

O ex-governador Reinaldo Azambuja, que comanda o PL em MS, e Valdemar...Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta segunda-feira (23)

23/02/2026 00h03

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

Continue Lendo...

Rui Barbosa - escritor brasileiro

"A injustiça, por ínfima que seja a criatura vitimada, revolta-me, transmuda-me, incendeia-me, roubando-me a tranquilidade e a estima pela vida”.

 

FELPUDA

O ex-governador Reinaldo Azambuja, que comanda o PL em MS, e Valdemar Costa Neto, presidente nacional do partido, estão “tricotando” faz algum tempo. Pode-se dizer, inclusive, que há nomes definidos para “vestir as peças produzidas” de deputados estaduais e federais. Para o Senado, as mãos da dupla estariam a mil por hora para confeccionar uma linda vestimenta para alguém cujo nome está trancado a sete chaves por uma questão de estratégia. Enquanto os dois continuam tranquilos no atelier da política, não falta quem tente participar das decisões, mas venha batendo com a cara na porta.

Diálogo

Inversão

Na Câmara tramita projeto de lei que dispensa a realização de audiência de custódia quando a prisão ocorrer em flagrante pelo crime de maus-tratos a animais. O texto altera o Código de Processo Penal para permitir que o juiz decida sobre manter a prisão somente com base nos autos.

Mais

Interessante é que não há nenhuma movimentação neste sentido para que a tal audiência de custódia não seja realizada quando há casos de crimes diversos e que em várias ocasiões os autores são liberados sem mais nem por quê...

DiálogoDra. Izabella Assis Trad

 

Diálogo
Ivone Masruha e Rumilda Siqueira

Novo Sonho

Comentários em gabinetes mais estrelados dão conta que o deputado federal Marcos Pollon agora estaria articulando para ser indicado como candidato a vice-governador na chapa de reeleição de Eduardo Riedel. Ele vinha brigando para ser candidato a governador pelo PL, depois começou a falar de suas pretensões de ser pré-candidato ao Senado e atualmente teria mudado de ideia. Em tempo: seu partido integra grupo que está “fechado”, inclusive em Brasília, em apoio a Riedel.

Mais um

Quem também estaria interessado na vaga de vice-governador seria o deputado estadual Renato Câmara, do MDB, segundo as conversas de bastidores. O parlamentar já foi prefeito de Ivinhema e tem base política na região da Grande Dourados. A bancada do seu partido na Assembleia é formada, além dele, por mais dois integrantes. Dizem que, pelas circunstâncias das eleições de outubro, terá que rever seus conceitos, inclusive, caso queira se reeleger. Afinal, como disse um emedebista:“Farinha pouca, meu pirão primeiro”.

Patrimônio

Projeto que declara a Escola Bíblica Dominical como patrimônio cultural e imaterial de MS tramita no Legislativo estadual. Segundo a justificativa de proposta, isso acontece em razão de sua relevância histórica, religiosa, educacional e social na formação moral, espiritual e cidadã da população sul-mato-grossense. A iniciativa é do deputado Lidio Lopes.

Aniversariantes

Vilma Gonçalves Braga,
Ulysses Azuil de Almeida Serra Neto (Noninho),
Kerica Almeida,
Dr. Bruno Martins Tokuda,
Cerize Mendes,
Washington Sanches,
Sandra Regina Zequini Batista,
Lucienne Reis D’Avila,
Amélia Jara Dias Gardin,
Antônio Sidinei Simei,
Marcia Miranda Gaspar,
Rodrigo Sakamoto,
Valdeci da Silva,
Yolanda Cecilia da Costa,
Maria Carolina Barbosa,
Reinaldo Almeida,
Jurandir Capurro,
Etevaldo Pereira da Cruz,
Zinzei Myashiro,
Maria Terezinha Gregorini Gonçalves,
Marcos Luiz Rivarola (Marco Viola),
Ana Luiza d’ Ávila Stuhrk Miglioli,
Ana Rafaela Rebelato,
Marcos Tadeu Enciso Puga,
Dr. Raphael Perez Scapulatempo,
Juliana Maksoud Gonçalves Mahana,
Daniella Garcia Rodrigues,
Durvalina dos Santos Pantoja,
Elenice Vilela Paraguassu,
Zoraia Cunha,
Jonas Garcia da Silva Junior,
Bruna Ferreira Rodrigues Duarte,
Michelle de Souza Mikuri,
Carolina Valiente Maximovitch,
Ariadne de Fátima Cantú da Silva,
Jusselen Aquino Rebouças,
Iza Puga de Moraes,
João Garcia Carvalho Filho,
Dra. Walesca Assis de Souza,
Cibele de Toledo Câmara Neder,
Jonas Alves Corrêa Neto,
Adauto Comeschi,
Tatiana Pires Zalla Blanco,
Dr. Paulo Tadeu Haendchen,
Sônia Fontoura da Silva D’Avila,
Hugo Cleon de Melo Coutinho Junior,
Marianne Brandão Vilela,
Lázaro da Costa Neto,
Susane Faria Pael,
José Haroldo Fernandes de Lima,
Vitória Régia de Carvalho,
Fábio Alexandre de Almeida,
Nivia Manvailer Dias,
Armando da Costa Pinto,
Sérgio Nunes da Matta,
Laura Raquel Rios Ribeiro,
Diorandes de Freitas Almeida,
Dante Santullo Júnior,
Fatmato Ezzahra Schabib Hany,
Júlio Cesar Bezerra Chaves,
Roberto Carlos de Oliveira,
Fernanda Choueiri,
Marco Aurélio de David,
Jamil Dequech,
Flavio Gomes Costa Lima,
Ana Virgínia da Motta Rottili,
Maria Teresa Patussi Skrobot,
Eduardo Arruda de Souza,
Jorge Francisco de Sousa,
Vânia Abreu de Mello,
Anete Braga,
Francisco Andrade Neto,
Alcebíades da Costa Silva,
Fernando Fernandes,
Gustavo Moreno de Medeiros Miranda e Figueiró,
Cid Camargo do Nascimento,
Rodrigo Abid Salomão,
Lisane Mendes e Silva Knauf,
Nair Veiga,
Caroline Damiani Schutz,
Vera Lúcia Marta Pereira de Oliveira Braga,
Izaias Francisco Silva,
Luzinete Barbosa da Silva,
Edson Pereira Siqueira,
Leide Juliana Agostinho Martins,
Nelson da Costa Araújo Filho,
Joelma Dibo Victoriano,
João Leopoldo Samways Filho,
Raimundo Nonato Rodrigues dos Santos,
Paulo Henrique da Silva,
Patricia Souza de Paiva,
Tatianny Benites Menezes Ribeiro,
Lucivaldo Rodrigues da Costa,
Mariza Fátima dos Santos,
Cassiano Garcia Rodrigues,
Matusan Assunção Chaves,
Waldilon Almeida Pires Martins,
José Carlos de Albuquerque,
Paulo Roberto Pacheco Reis,
Jair Martins,
Maria Rita Pereira Oliveira,
Carolina Fernandes Lopes,
Eliane Alves Limeira,
João Chaves Ribeiro,
Mário Sérgio Lima.

Colaborou Tatyane Gameiro

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com o ator Fábio de Luca destaque na TV, no streming e na internet

"O limite do humor, pra mim, é o limite do bom senso, e fazer novela tem sido, cada dia, um presente diferente".

22/02/2026 19h09

Entrevista exclusiva com o ator Fábio de Luca destaque na TV, no streming e na internetEntrevista exclusiva com o ator Fábio de Luca destaque na TV, no streming e na internet

Entrevista exclusiva com o ator Fábio de Luca destaque na TV, no streming e na internetEntrevista exclusiva com o ator Fábio de Luca destaque na TV, no streming e na internet Foto: Divulgação

Continue Lendo...

O ator Fábio de Luca está estreando nas novelas em dose dupla. Ele está em “Êta Mundo Melhor”, na TV Globo, onde interpreta Sabiá, o detetive contratado para encontrar o filho de Candinho (Sergio Guizé, e em “Dona Beja”, recém-lançada na Max, onde vive o Coronel Tenório Madeira. Em paralelo, ele pode ser visto em participação especial na primeira temporada da série de sucesso “Pablo e Luisão”, no Globoplay, e no reality de humor “LOL: Se Rir, Já Era”, na Prime Video. Atualmente, o artista está gravando a nova temporada do humorístico “Volte sempre”, do Multishow.

Com 45 anos de idade e 27 de carreira, Fábio ganhou projeção na internet em 2014 ao integrar o elenco do canal Parafernalha, onde também atuou como roteirista. Em 2018, consolidou seu nome no humor nacional ao entrar para o elenco do “Porta dos Fundos”, onde permanece até hoje.

Em seu currículo estão ainda trabalhos no cinema, como "Juntos e Enrolados", "Ninguém é de Ninguém", "Vidas Partidas" e "Te Prego Lá Fora". No streaming, atuou em “Eleita” (Prime Video), no premiado “Se Beber, Não Ceie” (Emmy Internacional de Comédia, 2019), “LOL: Se Rir, Já Era” (2025), entre outros. Na TV, participou de produções como “Tô de Graça”, “Filhos da Pátria”, “Sob Pressão” e “B.O.”. No teatro, já atuou em diversos espetáculos cômicos e fez sua estreia no drama com a peça “Sedes”, em 2023.

Desde 2015, Fábio de Luca também comanda o canal “Amigos da Luz”, em que mistura espiritismo e humor. Ele ainda prepara uma oficina de interpretação e criação de personagem de comédia, prevista para o segundo semestre, no Espaço Cultural Amigos da Luz, no Rio.

O ator é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ele fala de carreira, trabalhos e estreias.

Entrevista exclusiva com o ator Fábio de Luca destaque na TV, no streming e na internetEntrevista exclusiva com o ator Fábio de Luca destaque na TV, no streming e na internetO ator Fábio de Luca é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Vinicius Mochizuki - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Fabio de Luca está estreando nas novelas em Êta Mundo Melhor, na Globo. Como tem sido essa primeira experiência ao longo desses meses?
FL -
 Tem sido, cada dia, um presente diferente. Além de ser algo que eu sempre quis, tive a sorte de fazer isso com uma equipe maravilhosa: desde o elenco à equipe técnica, todo mundo muito querido, que me recebeu de uma maneira muito acolhedora.

Eu, que venho de vivências em grupos bem menores, como o Porta dos Fundos e o Amigos da Luz, gelei quando me vi no meio daquele mundo sem fim. As dimensões de uma produção de novela da Globo são enormes... toda aquela estrutura fantástica que às vezes até intimida um pouco. Mas o ambiente sempre foi muito leve, graças à direção e aos colegas de cena. Enfim, é um presente a cada dia.

CE - Pode considerar essa oportunidade um divisor de águas da sua carreira?
FL - 
Ah, sim. Eu comecei fazendo teatro infantil nas escolas da Baixada Fluminense. Nossa, o que eu já apresentei de peça em CIEP, escolinha, escolona... tendo que trocar de roupa em banheiro, se apresentar em pátios de concreto puro, um calor de fritar ovo no chão.

Como pátio de escola geralmente é aberto, a gente tinha que se esgoelar pra ser ouvido e prender a atenção das crianças. E o público mais exigente que tem é o infantil: se eles não estão gostando, lascou, dispersam mesmo.

Comecei assim, e fui indo... teatro e mais teatro, depois YouTube. E graças a Deus, a Exu, e com muita sorte também, encontrando bons caminhos e bons parceiros, por aqui cheguei. Como diz o samba: "Eu vim de lá, eu vim de lá pequenininho..."

CE - Aliás, você levou 27 anos pra fazer uma novela, tendo já muito sucesso na internet e no Porta dos Fundos. O que notou de diferente ao atuar para a TV aberta?
FL -
 A primeira coisa diferente é o reconhecimento do público. É muito interessante ver como cada veículo atinge uma faixa etária e um grupo diferente de pessoas. Eu estava acostumado, há muitos anos, a ser abordado na rua por uma galera mais jovem, que curte YouTube e redes sociais.

Agora, quem tem me parado é a galera que encontro no sacolão, no mercado: pessoal já na melhor idade, com seus cabelos grisalhos, aquela turma do sofá maravilhosa que curte televisão. É um pessoal que quer parar para falar da novela, comentar a trama, é uma delícia. Mas tem também a própria maneira de trabalhar. No teatro é de um jeito, para gravar esquete no YouTube é outra pegada.

Na novela, o personagem tem muito mais desenvolvimento. Você não conhece todo o arcabouço dele logo de cara: isso vai se construindo à medida que a trama anda, por ser uma obra aberta. Então, sem dúvida, é uma forma de trabalhar que exige aptidões bem diferentes das que eu já tinha desenvolvido nos outros trabalhos.

CE - Você ainda pode ser visto em "Dona Beja", na Max, onde seu personagem se envolve com o da Grazi Massafera e faz até cenas de nudez. Como foi fazer essa sequência? Houve alguma preparação?
FL - 
Houve, graças a Deus! Porque eu estava apavorado. Quando recebi o convite, imagina: cena pelado com ninguém menos que Grazi Massafera. Essa deusa, esse orixá encarnado, essa Oxum maravilhosa, linda... Meu filho, minha filha, ou seja quem for: eu estava apavorado.

Só que chegando lá, só tinha profissional incrível, a preparadora de elenco, a diretora de intimidade... Essa trabalha exclusivamente na preparação de cenas desse tipo. Como "Dona Beja" tem muitas cenas de nudez pela própria história, essa pessoa tem uma função primordial.

Antes de trabalharmos a cena, tivemos um momento com ela para entender nossos limites: até onde a gente conseguia ir... como construir aquela cena sem que fosse constrangedor para ninguém. O set todo fica muito compenetrado, só fica presente quem precisa estar.

E aí estava eu, peladinho. Algumas cenas peladinho... mas eu, pela minha anatomia, pelado não fico exatamente pelado, porque a barriga meio que cobre as coisas todas. Então, eu pelado não estou pelado! Só a buzanfa de fora mesmo, mas a buzanfa já é de domínio público. A Grazi foi uma fofa, foi tudo delicioso. Meus amigos héteros estão todos morrendo de inveja... fazer o quê, né? Os astros estão do meu lado.

CE - Em paralelo, você segue com seus personagens, como o Baba Laricoxê, no seu Instagram. Como é o retorno do público? Pensa em levá-lo para algum projeto além das redes sociais?
FL -
 O Baba Laricoxê surgiu de uma brincadeira com os amigos no réveillon de 2024 para 2025. Postei no meu Instagram e foi um sucesso que eu nunca imaginei: um pai de santo muito louco, com um filtro vagabundo do Snapchat, e rendeu esse sucesso todo.

Com certeza, agora que a correria da novela está começando a dar uma diluída, já que estamos na reta final, pretendo dedicar um tempo maior ao Baba. Quem sabe levá-lo para um espetáculo solo ou junto com outros personagens. O certo é que, este ano, quero chegar ao teatro com um espetáculo de humor trazendo alguns dos personagens que pude testar no Instagram.

Entrevista exclusiva com o ator Fábio de Luca destaque na TV, no streming e na internetEntrevista exclusiva com o ator Fábio de Luca destaque na TV, no streming e na internetO ator Fábio de Luca é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Vinicius Mochizuki - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Você tem uma trajetória no humor na internet, tendo feito parte do extinto Parafernalha e ainda segue no Porta dos Fundos. Como o trabalho na internet impactou sua carreira?
FL -
 A internet foi um turbo. Até então, como ator, a gente tinha só o palco para mostrar o trabalho. E isso com muita dificuldade, ainda mais quando você é um artista da Baixada, da periferia, que não tem a facilidade de estar em produções dos grandes teatros da Zona Sul nem o networking necessário para ser considerado nessas escalações.

Minha galera era a turma de artistas de Nova Iguaçu mesmo. E a internet surgiu como uma maneira de mostrar o trabalho para o grande público. Fui convidado para o Parafernalha como ator e roteirista, isso me deu visibilidade, e dali parti para outros canais, cheguei ao Porta dos Fundos. Foi escalando até eu chegar onde estou agora, que nem é lá essas coisas, mas é bem mais longe do que eu estava lá atrás. A internet revelou muita gente.

O Whindersson, imagina: quando é que um garçom do Piauí ia conseguir chegar onde ele chegou sem o YouTube e as redes sociais? Uma das maiores vantagens da internet é democratizar o acesso dos artistas ao grande público.

CE - E como enxerga os limites do humor hoje?
FL -
O limite do humor, pra mim, é o limite do bom senso. Quando deixa de ser engraçado para ser constrangedor, reforçar preconceito ou humilhar alguém, passou do ponto. O problema é que esse limiar é muito subjetivo: cada um enxerga essa fronteira num lugar diferente. Por isso existem as leis, e por isso o humor exige cada vez mais consciência de quem o faz.

Com equilíbrio, alguma inteligência emocional e resguardando a ironia e o aspecto transgressor do humor, não acho que o politicamente correto mate o humor, não. Acho que ele exige que o humor saia um pouco da superfície.

É muito mais fácil arrancar risada de alguém zoando uma característica física ou uma minoria do que construir uma situação realmente engraçada, com inteligência, que faça todo mundo rir sem deixar ninguém pra trás. Esse segundo caminho é mais difícil, e eu prefiro esse desafio. Humor bom nasce da observação, da identificação, da humanidade compartilhada. Não da exclusão.

CE - Hoje, vemos mais diversidade nas produções do audiovisual. Como você percebe essa abertura de espaço para artistas de todos os tipos de corpos?
FL -
 Existe mais espaço, sim. Mas ainda é pouco. Não dá pra fingir que não. Quando comecei, praticamente não se via gente gorda em papéis de destaque. Hoje já tem mais, mas ainda estamos longe do ideal. O olhar está mudando, e isso é real, mas é um processo lento porque boa parte de quem escala elencos ainda vem de uma geração que construiu seu pensamento numa realidade bem diferente.

Eu mesmo já ouvi comentários atravessados, já senti olhares que te medem mais pelo tamanho da calça do que pelo talento. Mas o que me move é saber que cada vez que um ator gordo, preto, gay ou qualquer combinação disso está numa posição de destaque na tela, ele está abrindo uma porta que antes estava fechada.

Não só pra ele, pra todo mundo que se enxerga nele. Isso tem um valor enorme. Estou otimista que as próximas gerações vão encontrar um cenário bem mais acolhedor.

CE - Fábio de Luca é muito conhecido por trabalhos no humor. Teme ficar estigmatizado? Pensa em fazer personagens de drama?
FL -
 Tenho vontade, sim, e já dei alguns passos nessa direção. No teatro, fiz "Sedes", do Wajdi Mouawad, mesmo autor de "Incêndios", onde interpretei Boon, um antropólogo forense carregado de traumas e complexidades. Foi um mergulho psicológico muito profundo, completamente diferente de tudo que eu estava acostumado a fazer na comédia.

Personagem denso, daqueles que te tiram da zona de conforto e te obrigam a lidar com silêncios e feridas emocionais pesadas. Adorei. Medo de estigma? Olha, eu sou um ator. O que eu posso controlar é a entrega do meu trabalho, dentro do que esperam de mim a cada projeto.

Não tenho poder sobre o resto, as oportunidades que virão, o mercado de trabalho. Então, o que vier, caio dentro! Até hoje tem pintado muito mais humor, mas seja o que for, o que não pode é parar de pintar!

CE - E quais os próximos trabalhos a caminho?
FL - 
Estou com o espetáculo da minha companhia, o "60 Minutos Para Morrer", uma comédia que mistura suspense e espiritualidade. Muito legal! E vamos fazer uma apresentação online desse espetáculo: qualquer pessoa, de qualquer lugar, vai poder assistir e interagir com a gente.

Pra saber mais é só acessar o site amigosdaluz.com. Quem quiser participar vai se divertir muito e ainda ajudar na nossa campanha de manutenção dos trabalhos do Amigos da Luz

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).