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Em "Hotel Amor", Marcelo Adnet encara comédia portuguesa dirigida pelo brasileiro Hermano Moreira

Quando o hotel onde uma mulher viciada em trabalho trabalha é vendido, ela precisa mostrar suas habilidades para gerenciar funcionários não profissionais, cuidar de hóspedes excêntricos e lidar com fantasmas do passado

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Doze minutos. É esse o tempo do plano mais longo de “Hotel Amor”, comédia dirigida pelo brasileiro Hermano Moreira e rodada em um hotel de Lisboa. Durante esse período, atores, câmera, equipe de som e figurantes precisam executar uma coreografia sem espaço para erros. Se alguma coisa dá errado no minuto 11, todo o trabalho é perdido e o take precisa começar novamente.

Para Marcelo Adnet, que interpreta no filme uma versão de si mesmo, é justamente aí que está a graça. “Acho o plano-sequência maravilhoso, fantástico, porque me sinto num jogo. Você está sempre com uma adrenalina a mais, aquela excitação de ‘vamos acertar essa cena de primeira’”, conta. “Se algo sai errado no minuto 11, todos aqueles minutos não valeram de nada e tem que fazer tudo de novo”.

“Hotel Amor”, que chegou aos cinemas brasileiros no dia 24 de setembro, conta a história de Catarina (Jessica Athayde), gerente de um tradicional hotel lisboeta que vê a sua rotina virar de cabeça para baixo quando o estabelecimento é vendido. Para mostrar serviço à nova administração, ela precisa administrar uma equipe imprevisível, hóspedes excêntricos e um fantasma do passado que reaparece pelos corredores.

Adnet, enquanto isso, surge como um comediante brasileiro que chega a Lisboa para fazer um show e, por acaso, se hospeda justamente no hotel onde tudo parece dar errado.

Um hotel cheio de histórias

A ideia de fazer um filme ambientado em um hotel surgiu da relação antiga de Moreira com esse tipo de espaço. Quando criança, ele associava hotéis a férias, viagens e à possibilidade de conhecer pessoas novas. Na vida adulta, a experiência ganhou outro significado, ligado também às viagens profissionais.

A ideia ganhou forma em Portugal, em 2022. Na época, Moreira dirigiu uma campanha publicitária para um hotel pertencente à mesma rede do Hotel Roma, onde “Hotel Amor” seria posteriormente filmado. O diretor estava encantado com “The White Lotus” e chegou a conversar com o proprietário sobre a possibilidade de transformar aquele universo em uma série.

A resposta, porém, veio acompanhada de uma alternativa: três meses de filmagem seriam inviáveis, mas um longa poderia ser realizado em cerca de um mês. Foi assim que começou o projeto.

“Além de mostrar os bastidores de um hotel, as pessoas que trabalham freneticamente para te proporcionar o melhor na sua estadia, me interessavam as histórias inusitadas de hóspedes que fui colecionando”, afirma Moreira.

Para desenvolver o roteiro, o diretor chamou Bruno Bloch. Moreira criou a ideia original, enquanto Bloch ficou responsável pelo roteiro. Por coincidência, a mulher do roteirista trabalha em um hotel – e acabou se tornando uma fonte involuntária de histórias.

“Eu levei as histórias que tinha ouvido e pesquisado, e ele trouxe outras tantas, verdadeiras, contadas por ela. Nosso laboratório foi bem eficiente, e o que não faltou foi história”, diz Moreira. “Ficaram de fora várias histórias tão esdrúxulas quanto as do filme, porque são 90 minutos, e não 300 [minutos], como numa série”.

O funcionamento do hotel também serviu de matéria-prima. Para Moreira, a equipe é tão importante quanto os hóspedes na construção desse universo, já que são os funcionários que precisam lidar diariamente com desejos, reclamações e situações inesperadas.

É nesse ambiente que o diretor também coloca uma personagem que considera central para o filme: Catarina, uma mulher que dedica praticamente toda a vida ao trabalho. A escolha, segundo ele, tem um componente crítico. “Nos tempos modernos, muitas vezes as pessoas colocam todo o seu esforço no trabalho e esquecem o que é mais importante. O trabalho é fundamental, claro, mas não é o mais importante na vida de um ser humano. Aliás, não deve ser”, diz.

Uma comédia sem espaço para erro

A estrutura do filme permitiu a Moreira colocar em prática uma ideia que o acompanha desde a faculdade: o plano-sequência. Filmes como “Arca Russa”, “Festim Diabólico” e “Birdman” alimentaram o interesse do diretor pela técnica, que em “Hotel Amor” aparece com alguns cortes escondidos.

O desafio não ficou restrito aos atores. Os ensaios aconteceram simultaneamente em diferentes frentes: enquanto Moreira trabalhava com o elenco, o diretor de fotografia ensaiava os movimentos da câmera com sua equipe, e o técnico de som estudava como acompanhar a ação pelo elevador, pelas escadas e até do lado de fora do hotel. “Foi muito bacana, porque exige 100% da atenção de todo mundo. Um errinho só, seja de foco, seja de um figurante, estraga o take inteiro”, explica Moreira.

Para Adnet, a experiência criou uma sensação de trabalho coletivo pouco comum. “É uma sensação de ‘caramba, está todo mundo aqui de mão dada para fazer cada take valer’”, afirma.

O ator diz que o desafio técnico não foi, porém, o principal motivo para aceitar o convite. O que mais o interessou foi a possibilidade de trabalhar pela primeira vez fora do Brasil. “Fazer algo inédito para mim, em Portugal, foi o que mais me motivou”, conta.

A experiência também mostrou a Adnet que as diferenças entre uma produção portuguesa e uma brasileira não são tão grandes no cotidiano de um set. Havia, inclusive, vários profissionais brasileiros na equipe, entre eles Moreira e o diretor de fotografia. O contraste maior, segundo ele, estava no contato com atores de outros países lusófonos.

A escolha de trabalhos também mudou com o tempo. Hoje pai, Adnet diz procurar projetos que ofereçam alguma experiência nova, mas que também façam sentido diante do tempo que ficará longe da filha.

“Busco prazer. Uma experiência que me acrescente alguma coisa, com a qual eu possa aprender. Algo desafiador e, ao mesmo tempo, prazeroso”, afirma. “Hoje sou pai e quero muito estar perto da minha filha. Então não pode ser qualquer coisa, porque é isso que vai me deixar longe dela”.

Poderia acontecer em qualquer lugar

Embora “Hotel Amor” seja ambientado em Lisboa e reúna personagens portugueses, brasileiros e americanos, Moreira não vê a história como exclusivamente portuguesa.

“Poderia muito bem se passar no Japão, com personagens coreanos”, diz. Para ele, o filme trata de uma relação reconhecível em qualquer lugar: a convivência entre quem trabalha em um hotel e quem está hospedado nele.

Essa universalidade também é, para o diretor, uma das portas de entrada para o público brasileiro. A expectativa é de que os espectadores reconheçam situações, tipos de hóspedes, funcionários ou até experiências pessoais vividas em hotéis e viagens. “Espero, primeiro, que o público vá ao cinema, assista e se divirta, porque todo o processo foi muito divertido, não só para mim, mas para a equipe inteira”, diz. 

Diálogo

Vereador vem atuando muito bem como amigo da onça. Dito-cujo critica que... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quarta-feira (7)

07/10/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Pedro Bial - Jornalista brasileiro

"Não existe falta de tempo, existe falta de interesse. Porque quando a gente quer mesmo, a madrugada vira dia. Quarta-feira vira sábado e um momento vira oportunidade”.

FELPUDA 

Vereador vem atuando muito bem como amigo da onça. Dito-cujo critica que só a gestão da prefeita Adriane de quem ele se diz aliado, mas ao mesmo tempo, garante que “ela vai ser derrubada do cargo”. Em plenário, nobre edil elevou o tom das cobranças e tem feito acusações e questionamentos. Aparentemente, a estratégia é provocar reações dos colegas, que até agora vêm preferindo manter distância da confusão e sem nenhuma disposição para entrar no embate. Como diria vovó: “Nada como um dia após o outro...”

Diálogo

Trabalhão

Na última semana antes da eleição, a Polícia Federal teve trabalho dobrado para conter a compra 
de votos em Mato Grosso do Sul, e de quebra, estragou a festa de candidatos que tentaram garantir o eleitor no dinheiro vivo. É um crime que atravessa décadas, apesar dos repetidos alertas.

Mais

Alguns nomes conhecidos, que passaram a campanha discursando sobre transparência e honestidade, deram  com os burros n’água e agora vão gastar um bom tempo se explicando. A maior parte das ocorrências foram registradas  no Nordeste.

DiálogoMarcos Moreno de Lima e Ada Maria Pereira Tincani de Lima - Foto: Studio Vollkopf

 

DiálogoDonata Meirelles - Foto: Lu Prezia

Fatura

Dos 12 vereadores da Capital que tentaram uma vaga na Assembleia Legislativa, apenas André Salineiro (PL) chegou lá, com 28 mil votos. Os demais amargaram a derrota. Analistas de plantão apontam o desgaste da Câmara Municipal diante do abandono de Campo Grande , com problemas pipocando por todos os lados e a buraqueira tomando conta das ruas. Em bom português: população cobrou a fatura da inércia e reprovou os nobres edis nas urnas. 

Recorde

Mato Grosso do Sul registrou a maior taxa de abstenção entre todos os estados brasileiros, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No total, 483.210 eleitores, ou 23,87% do eleitorado, não compareceram  às seções  para votar. No Brasil, 33 milhões de eleitores não compareceram. “Vamos aperfeiçoar mecanismos disponíveis para reduzir esses números já no segundo turno para a eleição presidencial”, afirmou o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques. 

Colheita

Os ex-prefeitos Odilon Ribeiro (PL), de Aquidauana, Ângelo Guerreiro (PSDB), de Três Lagoas, e Hélio Peluffo (PP), de Ponta Porã, garantiram mandatos. Os três contaram com as bênçãos do senador eleito Reinaldo Azambuja e do governador reeleito Eduardo Riedel, assim como tantos outros candidatos. Sinal de que o MS segue com o grupo que governa o Estado há oito anos e deverá manter essa toada até 2030. Pesou também o desempenho dos três em seus municípios, que deixaram as prefeituras com alta aprovação popular. A colheita veio na hora certa.

ANIVERSARIANTES 

  • Eclair Socorro Nantes Vieira, 
  • André Luiz Scaff,   
  • Diná Pontes de Oliveira Álvares Ferreira, 
  • Francisco José Albuquerque Maia Costa,    
  • Idete Miranda Balbuena Yule, 
  • Emerson Paulo Barbosa,
  • Oswaldo Filizola,
  • Valdomiro Fernandes,
  • Anderson Wallace da Silva Pereira,
  • Dr. Elias César Kesrouani, 
  • Paulo Essir,
  • Sérgio Ferreira de Ornelas,
  • Lucia Maria Nunes,
  • Giulia Batista,
  • Eduardo Marega de Souza,
  • Luciana Baseggio,
  • José de Mello,
  • José Flávio Gonçalves de Oliveira,
  • Lucia Maria Nunes,
  • Ana Claudia Zamban,
  • Celso Nicolau Albuquerque,
  • Geraldo Ramón Pereira,  
  • Sandra Aparecida Lopes,
  • Yuri Garcia Anjos,
  • Rubens Salim Saad,
  • Arlindo de Almeida,
  • Andréa Cássia Neves de Azevedo,
  • Dr. Alcides Higa,     
  • Darcy Lourdes Rondon,
  • Paulo Roberto Braga,
  • Elesbão Munhoz,
  • Ulisses Pinto de Almeida,          
  • José Alves Ferreira,            
  • Mário Márcio Salomão Budib,                      
  • Angelo Capela Mendonça,
  • Ingrid do Carmo Godoy,           
  • Simone de Albuquerque,             
  • Jânio Pereira Padilha, 
  • Jaci Guimarães Freire,               
  • Albany Ferreira de Souza,            
  • llto D’Oliveira Mariano,                
  • Dr. Valdir Teles da Silva, 
  • Elaine Cristina de Araújo,            
  • Jair da Silva Almeida,        
  • Mário Augusto Wanderley Xavier, 
  • Marineide Guerreiro Ramos,             
  • George Jaime Teixeira,          
  • Jacy Duailibi,                     
  • Aldo Conceição,               
  • Eliasze Luizo Guimarães,            
  • Geralda Berte Silva,                  
  • Jorge Luiz Gigolotti,          
  • Nora Nei de Almeida,           
  • Cássia Liz Andrade,                    
  • Denise Andrade,               
  • Eloisa Costa Berro,
  • Zoé Souza de Abreu,    
  • Ademar Antonio da Silva,          
  • Valmir Inácio de Souza,
  • Karina Rios Ribeiro,                
  • Álvaro Garcia Souza,                 
  • Luzia Maria Teixeira,     
  • Samuel Fernandes Correia,
  • Paula Nunes de Souza,             
  • Tatiane Nobue Iseki,            
  • Ademir Alves de Paula,             
  • José Gomes de Oliveira,  
  • Padre José Marinoni, 
  • Lione Kaviski Peixoto, 
  • João Lemos Sandy,                 
  • Nelson Alves Coimbra,            
  • Aparecida Macedo Vieira,        
  • Denise Regina Madureira,          
  • Neusa Pinheiro,                   
  • Eliane Neves dos Santos,
  • Fábio Ferreira Gomes,             
  • Jainara Fabrícia Santos da Costa,
  • Maximiliano Barros Rodrigues,
  • Ederson Silva Costa,
  • Larissa de Barros,
  • Terezinha Moranti,
  • Elias Razuk Jorge Filho,
  • Lino Omar Castilho Mendes,
  • José Augusto Maia Vasconcellos,
  • Soraya Maria Vieira da Silva Gabriel Ribeiro,
  • Olimpio Alves dos Reis,
  • Paulo Sérgio Soares,
  • Anderson Umada Monteiro,
  • Daniela Wanderley Ouriveis Mendes de Oliveira,
  • Maria de Fátima Salles,
  • Aroldo Ferreira Galvão, 
  • Feliciano Marcos de Brito,
  • Juliana Guimarães Teodoro,
  • Maria Regina Martinelli Benez,
  • Antonio da Silva Domingos,
  • Delfio Cabreira,
  • Sérgio Atilio Chiavoloni,
  • José Roberto Mauro,
  • Cristiane Pereira da Silva,
  • Karina Herculano da Silva,
  • João Correa Filho,
  • Paula Silva Sena Capuci,
  • Ildeu Leandro Souza,
  • Sandra Maria Cáceres Barbosa,
  • Marley Jara,
  • Vanira Conceição Paulista,
  • Sami Mahmud Alawi,
  • Edson Martins de Araújo.

Colaborou com Tatyane Gameiro

Pets

Envelhecimento dos cães exige atenção e adaptação da família, aponta especialista

Fase sênior pode trazer alterações no sono, no humor, na mobilidade e na interação; especialista orienta observar os sinais e mudar a rotina sem perder os momentos de convivência

06/10/2026 08h30

Cães podem ficar mais quietos e reduzir as interações com os humanos durante a fase sênior

Cães podem ficar mais quietos e reduzir as interações com os humanos durante a fase sênior Divulgação

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O focinho grisalho, as horas de sono mais longas, a dificuldade para subir no sofá ou a ausência na porta quando alguém chega podem ser sinais de que o cão entrou em uma nova fase da vida.

O envelhecimento dos animais não envolve apenas mudanças físicas. A rotina, o comportamento e a relação com os tutores também podem se transformar.

Cães podem ficar mais quietos e reduzir as interações com os humanos durante a fase sêniorJuliana Sato, psicóloga especialista em vínculo humano-animal e luto pet - Foto: Helton Nóbrega

Para a psicóloga Juliana Sato, especialista em vínculo humano-animal e luto pet, perceber que o cão está envelhecendo pode ser um momento emocionalmente marcante para a família. Muitas vezes, a percepção acontece a partir de uma mudança aparentemente pequena.

“Esse reconhecimento raramente é gradual. Ele costuma vir de repente, a partir de um detalhe. Nesse instante, a família entende que o tempo passou, e isso mexe com ela”, explica.

Na chamada fase sênior, alguns cães podem ficar mais quietos e seletivos na interação, enquanto outros passam a procurar mais a companhia dos tutores. Ansiedade, irritabilidade, isolamento e maior dependência também podem aparecer. No entanto, nem toda mudança deve ser automaticamente atribuída à idade.

MUDANÇA DE COMPORTAMENTO

Um dos principais cuidados nessa fase é observar alterações que fogem do padrão habitual do animal.

Mudanças no sono, apetite, disposição, interação ou comportamento podem estar relacionadas a problemas de saúde e precisam ser avaliadas por um veterinário.

“Chamamos de teimoso o cão que talvez não esteja ouvindo, de manhoso o que pode estar sentindo dor e de birrento o que está desorientado. Toda mudança de comportamento deve ser levada ao veterinário antes de virar traço de personalidade”, alerta Juliana.

A orientação é que os tutores acompanhem o animal de perto e registrem alterações percebidas no dia a dia. Essas informações podem ajudar o profissional a identificar mudanças que nem sempre ficam evidentes durante uma consulta.

A RELAÇÃO TAMBÉM MUDA

O envelhecimento não significa, necessariamente, que o vínculo entre cão e tutor esteja enfraquecendo.

O que muda é a maneira como essa relação acontece. Um animal que durante anos acompanhou a família em caminhadas, brincadeiras e outras atividades pode passar a apresentar limitações físicas ou sensoriais.

Nesse momento, a expectativa dos tutores também precisa ser revista.

“A família precisa deixar de esperar que o cão se adapte a ela e passar a se adaptar a ele. O cão não está ficando difícil, ele está vivendo com um corpo e uma percepção diferentes”, afirma a psicóloga.

Isso significa, por exemplo, compreender que um cão que já não consegue acompanhar um passeio longo pode continuar aproveitando a atividade de outra forma. O tempo fora de casa pode ser mais curto e respeitar o ritmo do animal.

“O passeio deixa de ser exercício e passa a ser presença, exploração, tempo de farejar sem pressa”, explica.

MUDANÇAS QUE AJUDAM

A adaptação da casa também pode contribuir para o bem-estar do cão idoso. Manter os móveis nos mesmos lugares, estabelecer horários mais previsíveis e oferecer um espaço tranquilo para descanso são algumas medidas que podem proporcionar mais segurança ao animal.

A convivência, entretanto, não precisa desaparecer. Brincadeiras, passeios e momentos de interação podem continuar fazendo parte da rotina, desde que sejam adequados às condições físicas do cão e às orientações do veterinário.

Preservar hábitos conhecidos também é importante. Sempre que possível, o animal deve continuar participando da vida da família, ainda que algumas atividades precisem ser modificadas.

A autonomia também deve ser respeitada. Permitir que o cão faça escolhas dentro de suas possibilidades e mantenha seus próprios rituais pode contribuir para preservar a qualidade de vida e o vínculo com os tutores.

MUDANÇAS NOS HUMANOS

A velhice do animal pode provocar mudanças emocionais não apenas no cão, mas também em quem convive com ele.

Segundo Juliana, é possível que os tutores experimentem o chamado luto antecipatório, caracterizado pelo sofrimento diante da percepção de que o animal está envelhecendo e de que a despedida, em algum momento, acontecerá.

Esse processo pode vir acompanhado de tristeza, preocupação, medo e cansaço. A rotina de cuidados também pode se tornar mais exigente conforme surgem limitações ou necessidades específicas.

“Quem cuida também precisa de espaço para falar do que sente, inclusive do cansaço e da tristeza”, afirma.

Reconhecer essas emoções pode ajudar a família a lidar de maneira mais consciente com a nova fase, sem transformar sentimentos como irritação ou culpa em motivo de julgamento.

CONVERSA PREVENTIVA

O acompanhamento veterinário se torna ainda mais importante à medida que o animal envelhece. Além de investigar mudanças de comportamento, as consultas permitem acompanhar as condições de saúde e discutir adaptações necessárias para a rotina.

Outro assunto que pode ser abordado previamente é o fim da vida. Para Juliana, conversar com o veterinário sobre possibilidades, cuidados e decisões antes de uma situação de crise pode diminuir a pressão emocional enfrentada pela família quando o momento chegar.

“Essa conversa não antecipa a morte. Ela protege o tempo que ainda resta”, conclui a especialista.

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