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Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com o ator Cássio Scapin, o eterno Nino, do Castelo Rá Tim Bum da TV Cultura

"Hoje quero inspirar. Falar de persistência, de beleza que vem do tempo, de como a arte salva  e de como a vida continua plena, curiosa e rica depois dos 60. Quero ser voz para quem tem medo do futuro. Porque eu também tive"

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Formado pela Escola de Arte Dramática (EAD) da Universidade de São Paulo (USP), Cássio trabalhou em mais do que 20 espetáculos no Brasil e na Itália. Cássio recebeu os prêmios Mambembe, Governador do Estado, Troféu APCA, sendo que, em 1998, foi escolhido como Melhor Ator nos prêmios Apetesp e Shell, por sua interpretação em Memórias Póstumas de Brás Cubas, comédia musical de Machado de Assis.

Ele também participou de telenovelas, filmes e minisséries. Para muitos e gerações diversas, ele será o eterno personagem Nino, do programa infantil Castelo Rá Tim Bum da TV Cultura, e o ator participou da Novela Deus Salve o Rei, interpretando o personagem Héber.

Em 2020, durante a pandemia do coronavírus, o ator apresentou o monólogo “Eu Não Dava Praquilo” e o espetáculo "Os Malefícios do Fumo". Cássio Scapin vive um lindo momento os 60 anos... Ator, diretor e representante da Parada LGBT+ de SP reflete com o B+ sobre invisibilidade, afetos, saúde mental e o direito de continuar existindo com voz, beleza e desejo.

Quando foi que envelhecer se tornou sinônimo de desaparecer? Em um mundo que ainda trata juventude como capital estético e existencial, poucas vozes têm coragem (e elegância) de dizer que o tempo pode ser potência. Cássio Scapin é uma dessas vozes.

O ator, diretor e produtor completou 60 anos em dezembro de 2024. No mesmo ciclo, tornou-se representante da 28ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, a maior do mundo, cujo tema foi: “Envelhecer LGBT+: Memória, Resistência e Futuro.” A escolha não foi aleatória, foi coerente com tudo o que ele representa: longevidade, presença, consciência e arte em estado de reinvenção.

Com 40 anos de carreira, Scapin é conhecido por personagens que marcaram gerações - de Nino, no inesquecível Castelo Rá-Tim-Bum, ao Santos Dumont da minissérie Um Só Coração, passando por produções teatrais aclamadas e premiadas. Mas talvez seu papel mais importante seja o que vive agora: o de provocar uma conversa pública sobre o envelhecer fora do padrão.

“Falar de longevidade não é falar apenas com quem já chegou lá. É falar com quem ainda tem tempo. Tempo de cuidar de si, de rever crenças, de pensar sobre o que estamos fazendo com a vida que temos”, afirma.

Disciplinado, Scapin mantém um corpo cênico admirável, esculpido por uma rotina de balé, alimentação saudável e exercícios diários. Mas seu discurso vai muito além da estética: fala de saúde mental, de afetos, de persistência, de propósito. “Envelhecer na comunidade LGBTQIAPN+ ainda é tabu. Não nos ensinaram a imaginar o depois. Mas ele existe. E pode ser pleno.”

Nino, do programa infantil Castelo Rá Tim Bum da TV Cultura - Divulgação

Com sensibilidade e inteligência emocional, o artista criou nas redes sociais o quadro “Reflexões no Meu Divã”, onde compartilha questões íntimas que nascem em sua terapia e tocam muitas outras vidas.

Medo, finitude, invisibilidade, o julgamento dos corpos maduros, o paradoxo entre experiência e juventude, o desejo aos 60 anos,  são alguns dos temas abordados. “Percebi que as perguntas que eu levava para a análise eram perguntas que muita gente se fazia, mas não tinha com quem falar. O divã virou partilha. Uma tentativa de dizer: você não está só.”

O tom é íntimo, mas não confessional; é público, mas não expositivo. Scapin usa sua experiência como ponte e não como palco.

Com uma trajetória marcada por prêmios, Cássio se prepara para uma nova fase: rodas de conversa, palestras e encontros com o público em que compartilha sua jornada artística e humana, sua fé, sua visão de mundo.

“Hoje quero inspirar. Falar de persistência, de beleza que vem do tempo, de como a arte salva  e de como a vida continua plena, curiosa e rica depois dos 60. Quero ser voz para quem tem medo do futuro. Porque eu também tive. E continuo aprendendo todos os dias.”

Mais do que envelhecer, Cássio Scapin está expandindo. Amadurece sem amargura. Provoca sem hostilidade. E emociona sem esforço. Representa não apenas uma geração, mas uma possibilidade: a de que existir com plenitude é um direito, é uma arte, em todas as idades.

O ator é a Capa do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ele fala sobre longividade, sáude, sucessos, carreira e escolhas.

O ator Cássio Scapin é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Carlo Locatteli - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - 40 anos de carreira, como é olhar para trás? Qual a sensação dessa carreira premiada, personagens que o público tem memoria afetiva, já fez um balanço desses 40 anos?
CS -
Olhar pra trás é muito estranho, são mais de 40 anos. Olha, é muito estranho, eu não consigo muito olhando pra trás identificar o que foi esse percurso, tudo parece que a dimensão do tempo é muito relativa, ela se concentra e se compacta numa sequência de memórias, de personagens, junto de  tanta gente que existiu  nessa trajetória, nesse percurso de carreira, que foram super importantes para mim.

Eu não gosto de olhar muito pro passado de uma forma estática, o passado de alguma maneira ele é móvel, é mutável na minha cabeça, isso é muito relativo essa questão do passado. Mas esses 40 anos estão embutidos no que eu sou agora no presente e eu estou satisfeito com o que eu vejo hoje, do que eu sou enquanto ser humano, pessoa, com todos percaussos que uma existência não nos deixa escapar mas eu olho para mim com um olhar presente e com uma sensação de ok, estamos indo bem, esta tudo certo! 

CE - Chegar aos 62 anos como símbolo que o país ama, exemplo em longevidade, qualidade vida, qual a missão desses 62?
CS - 
Olha eu acho que a missão desses 62 anos é tentar reconfigurar esse padrão  de imagem e de entendimento do que as pessoas tem de uma pessoa com 62 anos, os tempos são outros, 62 anos na minha época eram pessoas, o homem era aquele senhor que jogava bocha, a mulher a vovó que fazia tricô, isso também foi na geração de minha mãe, minha avó morreu com 55 anos, meu avô com 60 e poucos, então essa questão da longevidade estabelecida por causa dos avanços tecnológicos, avanços da medicina, da possibilidade de se prolongar a vida de uma maneira mais útil, mais saudável, nesses 62 anos minha vontade, meu desejo é que se reconfigure esta imagem, esse entendimento de que ainda, sempre, tem um pulso que pulsa, a sexualidade pulsa, o humor, o afeto pulsam.

Hoje mais que nunca a questão da idade é bastante relativa. Hoje me relaciono, inclusive profissionalmente com pessoas muito mais jovens que eu. Acabei de fazer um show falando da vida de Noel Rosa, que era um jovem, um jovem antigo e no palco estavam la comigo jovens de diversas idades.

É como você reconfigura e entende essa dinâmica. A minha aula de dança, toda classe é muito jovem, importante é reconfigurar sua cabeça para esses novos tempos e sua forma de olhar para o mundo.

CE - O quadro em suas redes sociais, "Conversa no Divã", tem trazido grandes reflexões e necessidades de fala e pensamento como surgiu essa ideia?
CS -
Reflexões no meu Divã, surgiu da minha relação na terapia e de um amigo, meu videomaker Mateus Martini, da gente fazer essa brincadeira. E tem funcionando muito, porque nada que vai ao ar foi ensaiado ou combinado, no máximo penso no tema e na questão que gostaria de falar, antes de gravar penso 2 minutinhos e sai, absolutamente são questionamentos verdadeiros, assim como essa entrevista, ela não é elaborada ou pensada anteriormente pra que a resposta seja dada.

É uma pergunta que me faço e tento máximo possível pensar que estou conversando de fato com alguém. Acredito que tenham outras pessoas que tenham as mesmas dúvidas, da mesma interrogação sobre determinada questão, embutido de uma sinceridade, muito espontânea, é honesto, não é nenhum personagem, amigos discordam muitas vezes dos meus pensamentos, e eu penso que tudo ok, vida que segue, foi um quadro criado pra debate mesmo e explanar o meu olhar, meu modo de pensar.

O ator Cássio Scapin é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Carlo Locatteli - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Viajar o país palestrando, voz ativa em etarismo, sonhos, sucesso, longevidade, o que busca compartilhar em suas palestras e como ser um exemplo, como atingir ao publico alvo?
CS -
O que busco nas minhas palestras eu busco na verdade entender o tempo que a gente vive. Sobretudo entender que na maior parte das vezes, nós brasileiros ja nascemos com o "não", como pressuposto para muitas coisas, então eu compartilho sobre ir buscar o "sim" , ir buscar a realização!

Eu venho de uma origem bastante humilde, que se eu tivesse me contentado com a vida que me estava reservada seria muito triste pela realidade que vivia, contra monte de questões eu falei: eu vou nessa! E continuo indo! O que interessa é a trajetória que trilhamos, e é isso que compartilho. Como é importante a trajetória, como é que você faz esse percurso com dignidade com valores, uma lista de questões que tento falar com isso.

Longevidade é uma questão que falo que não começa aos 60 anos, ela começa aos 15, na idade em que se aflora a consciência, entendendo dia a dia, qual a melhor maneira de fazer um percurso bacana, como ser humano. Ser correto entre tantos valores e princípios.

Hoje quero inspirar, por meio das minhas palestras, falo de persistência, da beleza do tempo, de como a arte salva  e de como a vida continua plena, curiosa e rica depois dos 60. Quero ser voz para quem tem medo do futuro. Porque eu também tive. E continuo aprendendo todos os dias.

CE - 40 anos carreira, prêmios acumulados, dos maiores atores de sua geração, existe algum projeto, sonho a se realizar ainda?
CS -
Pois é! Tive sorte e muito suor, foi perseverança, insistência, foi abdicar de muitas coisas. Fui muito premiado, os prêmios nos endossam e nos legitimam, num determinado período e momento, mas vivemos em um país que não bastam ter prêmios, somos um país que não preserva memória, ser premiado não é uma coisa cumulativa, não aumenta seu valor profissionalmente, fui premiado, ótimo. Mas nesse momento, vivemos tempos que vale mais um número de algorítimos do que uma trajetória. As coisas não estão estáveis nunca, os sonhos continuam, para esse ano tenho dois projetos; "O Avarento" e "Distopia Hughie", ambos 

estão em fase de captação, a Distopia é sobre Inteligência artificial e o avarento vai falar sobre etarismo, uma releitura preservando o texto original, mas com um olhar do que é este homem novo de 70 anos e como é que o ciclo econômico dialoga com essa figura do poder. Dois projetos interessantíssimos em busca de recursos, as palestras em viagem pelo país .

CE - Recentemente declarou a revista Caras Brasil a importância do Nino e o carinho que recebe ate hoje por esse personagem, o Cássio de hoje, pensa ou tem qual visão do Castelo?
CS -
Sem duvida o Castelo Ra-tim-bum  foi um marco na tv brasileira e ouso dizer na tv da América latina, em conteúdo infantil e infanto juvenil, acho que foi um divisor de águas, tanto no que se diz respeito a qualidade de programação infantil pra televisão aberta como também na minha vida, como uma realização de um grande trabalho , que a gente raramente consegue fazer na televisão. 

CE - Hoje vivemos uma fase de novos formatos, novelas verticais, streaming, como você ve tudo isso? Algum personagem no áudio visual que gostaria de ainda viver?
CS -
Olha eu acho que a gente tem que se adequar aos novos formatos, a gente como artista e  pensador do teu tempo, essas linguagens novas estão chegando, se instalando e temos que estar abertos a experimentar pois faz parte do nosso oficio.

A gente não sabe se vira um padrão, não sabemos se vieram pra ficar, mas também dialogar e estar inserido nessas novas linguagens faz parte do estar atento ao progresso e que nos diz respeito. Primeiro na questão quanto a nossa profissão, quanto ao oficio, jeito de fazer e depois ao que atende ao público, fomos da tela do cinema, pra tela da televisão e agora na tela da mão, a microtela e temos sim que experimentar esses novos projetos e formatos.

E quanto aos personagens eu fui muito feliz e me realizei com Odorico Paraguaçu, Do Bem Amado, me diverti muito fazendo. Eu adoraria fazer um remake se tivesse, da Saramandaia, que eu acho uma coisa maravilhosa, as coisas do realismo fantástisco na televisão eu acho muito interessante.

CE - Você acabou de estrear dando vida a Noel Rosa, em 3 sessões na Pinacoteca, como foi esse projeto e haverá nova temporada?
CS - 
Sim, pretendemos voltar em temporada por todo país, divido palco com Jefferson Rodrigues e mais 4 músicos. Celebrando os 115 anos de Noel Rosa  em um formato de pocket show, com roteiro de Cássio Junqueira, revisitando a vida e a obra do compositor que transformou o samba e revelou, com ironia e sensibilidade, as contradições do homem brasileiro. Entre os 19 e 26 anos de vida, Noel compôs mais de 300 canções, eternizando clássicos como “Com Que Roupa”, “Conversa de Botequim”, “Último Desejo”, “Feitiço da Vila” e “Filosofia”.

Gosto de destacar que o espetáculo parte da palavra (a poesia que vem antes da música) explorando a força literária e a atualidade do autor. Noel foi um poeta antes de ser um músico. Toda a obra dele é estruturada nas letras das canções, e nelas está um olhar sobre o Brasil que continua muito atual.

A arte tem o poder de permitir um trânsito social, uma movimentação que o samba proporcionou a Noel. O Brasil de hoje ainda se parece muito com o Brasil de Noel Rosa — e isso torna o olhar dele ainda mais potente. Um espetáculo que adoro fazer e seguiremos neste ano!

 

CHANEL

Ovelha pet tem vida de luxo com direito a babá, vestidos e passeio no shopping

Animal foi rejeitado pela mãe quando nasceu e hoje vive vida de "princesa" com sua família humana

04/03/2026 12h05

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolas

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolas MARCELO VICTOR

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Chanel, ovelha pet, nasceu no “berço de ouro”, vive como princesa e, possui várias regalias que um ser humano comum não tem acesso.

Mimada, o animal é de estimação e mora com sua tutora em um condomínio localizado em Campo Grande (MS).

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasOvelha Chanel e sua dona, a empresária Milaine Marçal. Foto: Marcelo Victor

Geralmente, ovelhas vivem em áreas rurais, fazendas, chácaras, ranchos e pastos. Mas, Chanel é diferenciada: domesticada, vive em casa e é considerada membro da família, como se fosse a filha caçula de Milaine Marçal, sua tutora.

Princesa da mamãe e “filha” mais nova, tem uma vida de luxo inalcançável para muitos humanos:

  • passeia no shopping
  • passeia no rancho três vezes na semana
  • tem babá para cuidar dela, fazer companhia, trocar a fralda e dar comida e água
  • tem costureira particular
  • toma banho no petshop toda semana
  • possui vestidos personalizados, sob medida, de várias cores e estilos
  • dorme em uma cama confortável e quentinha
  • dorme oito horas de sono por noite
  • tira soneca durante o dia
  • tem alimentação balanceada
  • recebe água e comida na hora certa
  • possui milhares de seguidores no Instagram
Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasChanel adora tirar uma soneca no sofá a tarde. Foto: Marcelo Victor

Chanel é privilegiada e tem a vida que muitas pessoas trabalham duro anos e anos para conquistar.

Tudo começou quando Milaine sentiu o desejo em seu coração de ter uma cabra. Com isso, pesquisou como era o comportamento do bicho e viu que não seria viável e, então, perceberam que uma ovelha seria melhor. Em seguida, estava decidida em comprar o animal.

Logo soube da história de Chanel, que foi rejeitada e abandonada pela mãe quando nasceu e quase morreu largada no pasto sozinha. Com isso, pegou a ovelha para criar e, até então, para morar no rancho com as outras ovelhas.

Mas, pegou carinho e afeto pelo animal e o levou para morar em sua casa, junto com sua família. Ela teve que se readaptar: antes, morava em um apartamento e teve que se mudar para uma casa, por conta da chegada da ovelha.

“Já estava combinado que iria ficar no rancho, a gente iria pagar a estadia dela no rancho assim como fazemos com os nosso cavalos, e iríamos visitar ela lá com frequência, mas quem diz que consegui? Me apeguei a ela e não consigo mais viver sem ela”, contou a tutora.

Hoje, após ser rejeitada pela mãe, vive uma vida de "dondoca" com tudo do bom e do melhor com sua família humana.

OVELHA CHANEL

A ovelha é da raça Santa Inês, tem 4 meses de vida e 20 quilos. Sua expectativa de vida é de 12 anos e pode

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasChanel vestida de Branca de Neve para o Carnaval 2026. Foto: Marcelo Victor

chegar até 40 quilos.

Se alimenta de feno, alfafa peletizada, ração para ovinos e água. Quando era recém-nascida, tomava 1,5 litro de leite, por dia, na mamadeira.

Usa fralda geriátrica e troca pelo menos 10 vezes por dia. Ela tem babá, que dá água/comida e faz companhia, pois a ovelha não gosta de ficar sozinha.

De acordo com sua dona, os gastos de Chanel giram em torno de R$ 2 mil por mês.

Sua rotina é acordar às 6h, comer, tomar água, trocar a fralda, levar a “irmã” para a escola, almoçar, tirar uma soneca a tarde, passear pelo condomínio, jantar e dormir.

Toma banho no petshop toda quarta-feira e sua tutora ainda manda o lanchinho para não passar fome durante seu momento de beleza.

Passeia todos os dias no condomínio em que mora e vai para o rancho três vezes por semana, onde interage com outras ovelhas, pasta e se diverte.

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasChanel tem um armário só de vestidos e acessórios. Foto: Marcelo Victor

Frequenta shoppings, onde vai toda estilosa, com vestidinhos, óculos, colares e tiaras.

Chanel faz sucesso e para o shopping: várias pessoas ficam encantadas e querem tirar fotos com ela. O passeio rende vários cliques e vídeos.

Ela espalha fofura e conquista o coração de todos por onde passa: além de ser refinada, a ovelha ainda é dócil, simpática e possui vários fãs. Inclusive, já ganhou vários mimos (óculos e colar) durante os passeios no shopping.

Ela tem uma costureira particular, que faz seus vestidos temáticos, personalizados e sob medida, para cada evento que vai. Por exemplo, no Carnaval, vestiu uma fantasia de Branca de Neve. Em um evento country, foi de vestidinho xadrez acompanhada da dona.

Possui 2 mil seguidores no Instagram (@ovelhachanelcg). Sua tutora garante que nunca usou a imagem dela para parcerias ou publicidade.

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasChanel de fralda. Foto: Naiara Camargo

Mila, sua tutora, passou por algumas fases difíceis em sua vida e Chanel se tornou o apoio emocional dela. Ela tem laudos psicológicos que garantem que a ovelha contribui para seu bem-estar e suporte emocional.

De acordo com a empresária, Milaine Marçal, até hoje, nenhuma pessoa se queixou ou se incomodou com a presença da ovelha no condomínio, shoppings ou lugares públicos.

“Pessoal sempre recebe ela super bem, com o maior amor. Todos ficam admirados, acham diferente uma ovelha de estimação e querem tirar foto com ela. Quando ela vai no shopping, ela para o shopping. Todo mundo quer pegar, abraçar, fazer carinho e tirar fotos”, disse.

Chanel convive com uma gatinha em sua casa. As duas se dão bem juntas e até brincam uma com a outra.

* Fotos: Marcelo Victor 

LITERATURA

Procurador do Estado Carlo Fabrizio lança o livro de poemas "Como se Voassem os Peixes"

Procurador do Estado Carlo Fabrizio lança livro de poesias nascido na pandemia, com poemas que transitam entre o lúdico e o social, apostando na liberdade do leitor e na força da imaginação

04/03/2026 10h30

Divulgação

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Em meio à angústia coletiva provocada pela pandemia de Covid-19, enquanto o mundo aprendia a conviver com o isolamento e a incerteza, o procurador do Estado Carlo Fabrizio encontrava na poesia uma forma de atravessar o tempo suspenso.

O que começou como exercício em cursos de escrita criativa, iniciados em 2021, transformou-se, aos poucos, no livro “Como se Voassem os Peixes”, que será lançado amanhã, em Campo Grande, em evento organizado pela Editora Hámor.

“Ele foi sendo construído aos poucos, desde 2021. Essencialmente, foi um resultado dos cursos de poesia e de prosa que fiz durante a pandemia e que mantenho até hoje. Na verdade, foi uma resposta íntima à angústia que a pandemia me causou”, afirma o autor.

A obra nasce, portanto, de um tempo histórico específico, mas não se limita a ele. O livro reúne poemas que transitam entre o social e o subjetivo, entre o lúdico e o crítico, entre o sonho e o incômodo, sempre apostando na potência da palavra como experiência sensível.

METÁFORA

O título “Como se Voassem os Peixes” carrega uma imagem que provoca estranhamento e curiosidade. A escolha não foi imediata. Segundo Carlo, inicialmente, tanto o livro quanto o poema que o inspirou tinham outro nome. A mudança ocorreu durante o processo editorial.

“Foi baseado na primeira poesia de temática infantojuvenil que fiz. Tanto o título como a poesia são uma brincadeira com os sonhos de uma criança para seu futuro”, explica.

A imagem do peixe que voa desloca o leitor da lógica habitual. Peixes não voam, ao menos não na realidade cotidiana, mas na poesia, sim. E é justamente nesse deslocamento que o livro parece encontrar uma de suas chaves: a liberdade de imaginar o impossível como possibilidade simbólica.

TEMÁTICA

Os temas que atravessam a obra são variados. Há poemas com viés social, de tom mais crítico e até cínico. Em outros momentos, o autor mergulha em reflexões íntimas, transformando pensamentos e sensações em versos. Também há espaço para o lúdico, especialmente nas poesias de temática infantil e nos haicais.

“Às vezes, têm uma temática social, de viés mais crítico e cínico, às vezes, simplesmente são pensamentos em forma de poesia, sobre o que penso e sinto, mas também tem alguma coisa de lúdico”, resume Carlo.

Essa pluralidade temática reflete uma compreensão ampla da poesia como campo aberto, não restrito a uma única estética ou preocupação. O livro não se fecha em um manifesto, tampouco se limita a um único tom emocional. Ele oscila, provoca e acolhe.

Entre os textos que compõem o livro, dois foram especialmente desafiadores. Ambos abordam temas sensíveis: a tortura e o Holocausto.

Tratar de dores históricas e traumas coletivos em poesia exige equilíbrio entre respeito, sensibilidade e densidade estética.

O desafio, nesse caso, não é apenas técnico, mas ético. Ao abordar esses assuntos, o autor amplia o escopo do livro, que não se restringe à intimidade do eu lírico, mas também dialoga com a memória e a violência inscritas na história.

UMA BIOGRAFIA FICCIONAL

Carlo Fabrizio, procurador do Estado e autor de “Como se Voassem os Peixes” - Foto: Divulgação

Questionado se a obra é autobiográfica, ficcional ou híbrida, Carlo responde com cautela. “Toda escrita tem algo de biográfico, seja do próprio autor, do que ele experienciou, seja da vida em si, da vida de outras pessoas ou de situações observadas”, reflete.

No livro, há poemas que assumem explicitamente esse tom mais pessoal. Ainda assim, o autor evita rotular a obra. A poesia, nesse sentido, funciona como território de atravessamentos, onde vivências, memórias, leituras e imaginação se misturam em um mesmo fluxo criativo.

ESTRANHAMENTO

O incômodo e o prazer convivem na mesma expectativa. A literatura, especialmente a poesia, não precisa ser confortável. Ela pode provocar fissuras, deslocar certezas, tensionar percepções. Ao mesmo tempo, pode oferecer beleza, ritmo, musicalidade e emoção.

Não há, segundo o autor, uma mensagem fechada ou moral explícita. “Creio que na poesia o mais importante é apostar no leitor, confiar nele e na sua liberdade de interpretar”. A obra, assim, se completa na leitura, na experiência singular de cada pessoa que a percorre.

“Gostaria que gerasse reflexão, algum estranhamento e incômodo em algumas poesias, e também o prazer de ler algo que de alguma forma toque o sentimento do leitor”.

A ESCRITA

Conciliar a produção literária com a rotina como procurador do Estado não foi tarefa simples para Carlo. O cotidiano jurídico, marcado por prazos e responsabilidades, exige concentração e energia.

“Às vezes fica complicado, pois no dia a dia é muito difícil ter um espaço de tranquilidade para pensar a poesia. Geralmente preciso de um ambiente sossegado”, relata o autor.

A solução foi encontrar brechas no tempo: escrever à noite, durante a semana, e nas manhãs de sábado e domingo. A disciplina, nesse caso, tornou-se aliada da sensibilidade.

Embora a dedicação sistemática à poesia seja recente – cerca de cinco anos –, o envolvimento com a literatura se intensificou com os cursos realizados durante a pandemia. O livro marca, assim, uma nova fase na trajetória do autor, que passou a se dedicar de forma mais metódica à escrita poética.

As referências literárias de Carlo são múltiplas e revelam um diálogo amplo com diferentes tradições. Entre os autores que o influenciam estão os chamados “poetas malditos” franceses, como Arthur Rimbaud, Charles Baudelaire e Antonin Artaud, além de clássicos como Lord Byron e Walt Whitman.

Na literatura brasileira, ele cita nomes como Augusto dos Anjos, Sousândrade, Hilda Hilst, Cecilia Meireles, Manoel de Barros e os irmãos Augusto de Campos e Haroldo de Campos.

“Em estilo e conteúdo, os autores e autoras que leio me influenciam bastante”, reconhece Carlo.

A diversidade de influências ajuda a compreender a amplitude temática e formal do livro, que não se prende a uma única vertente estética.

Uma das perguntas mais difíceis para qualquer escritor é saber quando a obra está pronta. Para Carlo, a sensação é de permanente inacabamento.

“Há sempre algo para melhorar. Mas chega uma hora que a gente é vencido pelo cansaço: ou publica, ou arquiva e não mexe mais”, afirma.

O processo de revisão foi, segundo ele, o maior desafio da produção: um trabalho minucioso realizado em conjunto com os editores, ajustando versos, ritmos e escolhas vocabulares.

A experiência profissional também atravessa, de alguma forma, a escrita. Para o autor, toda vivência contribui para a formação do olhar. “O essencial para escrever é, primeiro, observar e viver o mundo”, destaca.

Ele enxerga, inclusive, pontos de contato entre Direito e literatura. Embora o Direito esteja fundado em dogmas e respostas, há espaço para interpretação e criatividade, elementos que também são centrais na literatura.

Ainda assim, a poesia ocupa um território mais livre. “A literatura, e principalmente a poesia, é o campo da imaginação, do sonho, da fantasia e da liberdade, onde a cor tem cheiro e uma palavra não é somente uma palavra, ela contém o mundo. Devemos ir além do literal”, pontua Carlo. A escrita e a leitura funcionam, segundo ele, como “remédio contra a aspereza do cotidiano”.

LANÇAMENTO

O lançamento de “Como se Voassem os Peixes” será marcado por um bate-papo com o público, leitura de poemas e sessão de autógrafos. A conversa será mediada por Febraro de Oliveira, editor da Hámor, e por Oslei Bega.

A proposta é criar um espaço de diálogo aberto, em que os leitores possam compartilhar impressões e perguntas, prolongando em voz alta a experiência silenciosa da leitura.

>> Serviço

Lançamento de “Como se Voassem os Peixes”

Data: amanhã.
Horário: às 18h.
Local: Rua Amazonas, nº 1.080, Monte Castelo.

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