Estava antecipando essa saudade em 2023 desde que as últimas temporadas de Succession, Barry e Ted Lasso começaram, há pouco mais de um mês.
Não apenas porque amo as três, mas porque cada uma elevou a qualidade de atuação, de texto e narrativa como poucas. Portanto, se você as acompanha como eu, aposto que está no mesmo barco.
Barry e Succession fizeram uma dobradinha na grade da HBO por quatro anos e estão saindo no auge. Ambas concluem sua trajetória no domingo e está absolutamente impossível de antecipar o que vai acontecer.
Succession é o mais próximo do que temos hoje e que reflete o impacto de A Família Soprano foi enquanto esteve no ar. Uma sucessão de grandes atuações – individuais e coletivas – em um texto denso, um drama profundo que marca uma família desajustada e ultra humana (mesmo que uma seja de bilionários americanos e outra de mafiosos italianos).
Succession - Foto - DivulgaçãoComo todos antecipam, quando chegar o Emmy, farão a limpa da noite, levando Melhor Série Drama, Ator, Atriz e Direção. Merece.
Como um Rei Lear moderno, inspirado em pessoas reais (a família Murdoch é a mais obvia), Succession começou com uma premissa simples: Logan Roy (Brian Cox), está para se aposentar e todos assumem que seu filho, Kendall (Jeremy Strong) será seu sucessor.
Porém, ao mudar de ideia, começamos a perceber que é apenas a ponta do iceberg. Sua relação tóxica com seus filhos, amigos e funcionários criou um universo de narcisos e oportunistas, em particular seus outros filhos, Shiv (Sarah Snook) e Roman (Kieran Culkin) que disputam com Kendall a posição de Poder.
Nenhum deles presta, é doloroso conviver com tanto veneno e maldade, mas igualmente viciante. A cada temporada, Logan incitou a competição entre os filhos, que não confiam em ninguém, ainda neles e mesmos.
A série é a febre do momento, todo mundo comenta e opina sobre ela, com razão pois é nada menos do que uma aula de como contar uma boa história. Nessa última temporada, Logan (finalmente) morre e os três irmãos, que estavam finalmente unidos e se entendendo, retomaram a guerra interna pela posição de “sucessor”.
A cada episódio, um deles “ganha” e chegamos a um empate tenso porque só há vaga para um e para eles vale tudo pela cadeira de CEO. É apenas sorte se alguém realmente acertar como a história será concluída, mas podem ter certeza, é a história da TV sendo acompanhada e escrita ao vivo.
Já Barry é ainda mais incógnita quanto à sua conclusão. Barry é como um Dexter que nos faz rir, um assassino que acidentalmente vira um ator de sucesso e que não consegue mudar sua vida, nem com todas tentativas.
É violento, é nervoso, é dramático e é hilário, em especial porque Bill Hader, o astro da série que também é o showrunner e o diretor sempre foge do obvio. Tipo, literalmente.
Barry - DivulgaçãoDesde uma perseguição de motos nervosamente lenta à ângulos inesperados e crimes do nada, mais ainda, às viradas de roteiro que fazem seu queixo cair, Barry é uma pérola escondida na HBO (agora, MAX).
Assim como sua vizinha de grade, Succession, está indo para o último episódio sem deixar que a gente consiga apostar no que vai acontecer. Ansiedade está batendo no teto!
E sim, Ted Lasso, que já elogiei aqui várias vezes, está se despedindo na última semana de maio. Ninguém falou ainda que é de fato “a última temporada”, mas Jason Sudeikis, astro e roteirista da série, sempre avisou que seria uma história de três temporadas no máximo.
No caso aqui, há pouco mistério sobre o que deve acontecer no episódio que conclui a história, mas a viagem até aqui foi incrivelmente emocionante. Ted Lasso não é uma série sobre futebol, embora seja sobre o esporte.
Não tampouco uma série de comédia, embora a gente sempre esteja rindo. Tem drama, tem romance, tem temas delicados como saúde mental, racismo e homofobia tratados com respeito, esclarecimento e leveza. É outra febre mundial justificada.
Perder as três ao mesmo tempo foi uma maldade do universo. Como ficarei em junho?

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