Alterações gastrointestinais, como diarreia, vômitos e inflamações intestinais, estão entre as causas mais frequentes de atendimento clínico em cães, segundo relatos recorrentes na prática veterinária.
Embora muitas vezes tratadas como problemas pontuais, essas manifestações podem indicar desequilíbrios mais profundos no organismo dos animais, especialmente referentes à saúde intestinal.
O tema ganha ainda mais relevância agora em março, período dedicado à conscientização sobre a prevenção das verminoses e das doenças gastrointestinais em pets.
A data serve de alerta para tutores sobre a importância de observar sinais clínicos, manter a prevenção em dia e investir em estratégias que fortaleçam o sistema digestivo dos animais.
As doenças gastrointestinais envolvem processos inflamatórios e alterações na microbiota intestinal – conjunto de microrganismos que desempenha funções essenciais para a digestão, absorção de nutrientes e regulação imunológica.
Entre os quadros mais comuns estão gastrites, enterites, colites e parasitoses intestinais, condições que podem comprometer significativamente a qualidade de vida dos cães.
A médica-veterinária nutricionista Iana Furtado explica que a saúde intestinal está diretamente ligada ao funcionamento global do organismo.
“O intestino é um dos principais centros de defesa do organismo. Alterações nessa região podem repercutir no bem-estar geral do animal e desencadear sintomas que vão além do sistema digestivo”, afirma.
Segundo a especialista, sinais aparentemente desconectados, como problemas de pele ou mudanças de comportamento, podem ter origem em disfunções intestinais. “Otites, lambeduras excessivas, dermatites e até ansiedade também podem estar associadas a alterações no intestino”, destaca.
Na prática clínica, Iana relata casos de cães que tinham internações frequentes em razão de complicações gastrointestinais. Em alguns desses casos, após ajustes na alimentação, foi possível observar redução significativa das recorrências.
CENTRO DO PROBLEMA
A microbiota intestinal é composta por bilhões de bactérias, sendo parte delas benéfica ao organismo. Quando há desequilíbrio nesse sistema (condição conhecida como disbiose), o ambiente intestinal se torna propício à proliferação de microrganismos patogênicos, favorecendo processos inflamatórios e a produção de toxinas.
Essas toxinas podem comprometer a barreira intestinal, permitindo a passagem de substâncias nocivas para a corrente sanguínea. Como consequência, o organismo passa a reagir de diferentes formas, o que pode explicar o surgimento de sintomas em outras regiões do corpo.
Nesse contexto, a alimentação desempenha papel central. Dietas de baixa digestibilidade podem aumentar o acúmulo de resíduos no intestino, contribuindo para o desequilíbrio da microbiota. Por outro lado, alimentos mais naturais e de alta qualidade nutricional tendem a favorecer o funcionamento adequado do sistema digestivo.
ALIMENTAÇÃO NATURAL
Com 60 dias de alimentação natural é possível identificar grande mudança na pelagem dos pets - Foto: FreepikDe acordo com Iana Furtado, a incorporação de ingredientes naturais nas dietas caninas tem se mostrado uma estratégia eficaz para promover o equilíbrio intestinal. Isso porque esses alimentos têm maior digestibilidade, facilitando o aproveitamento dos nutrientes e reduzindo a sobrecarga no sistema digestivo.
“Quando há melhor absorção dos nutrientes, há menos resíduos no intestino. Isso limita o ambiente para a multiplicação de bactérias patogênicas e reduz a produção de toxinas que podem causar inflamações crônicas”, explica a médica-veterinária.
Os benefícios da mudança alimentar podem ser percebidos em diferentes etapas. Nos primeiros 30 dias de adequação, já é possível observar melhora na disposição e redução da irritabilidade dos animais. Em quadros clínicos mais graves, também podem ocorrer avanços detectáveis em exames laboratoriais.
Com cerca de 60 dias, muitos tutores relatam melhora na qualidade da pelagem – um indicativo de que o organismo está respondendo positivamente à nova dieta. Já o prazo médio para consolidação dos resultados, segundo a especialista, é de aproximadamente seis meses.
EQUILÍBRIO INTESTINAL
Diversos ingredientes naturais podem ser incorporados à alimentação dos cães com o objetivo de promover a saúde intestinal.
Prebióticos: presentes em alimentos como aveia, banana verde e vegetais ricos em fibras, funcionam como “alimento” para as bactérias benéficas do intestino, ajudando a equilibrar a microbiota.
Betaglucanas: encontradas principalmente na levedura de cerveja e na aveia, estão associadas ao fortalecimento do sistema imunológico e ao equilíbrio intestinal.
Zeólita: mineral natural que pode ser incluído em dietas específicas. Atua na retenção de substâncias indesejáveis no trato digestivo, auxiliando na proteção da mucosa intestinal.
Ômega 3 e 6: ácidos graxos essenciais que, quando oferecidos em proporção equilibrada, ajudam no controle de processos inflamatórios e na manutenção da integridade da mucosa intestinal. Estão presentes em alimentos como sardinha, salmão, frango e vísceras, além de óleos específicos.
Cúrcuma: também conhecida como açafrão-da-terra, tem propriedades antioxidantes e pode contribuir para o controle de inflamações.
Apesar dos benefícios, a inclusão desses ingredientes deve ser feita de forma orientada, respeitando as necessidades específicas de cada animal.
TRANSIÇÃO
A mudança da alimentação industrializada para a natural exige planejamento e acompanhamento profissional. A recomendação é que o processo seja conduzido por um médico-veterinário ou zootecnista especializado, responsável por formular a dieta e calcular as porções adequadas.
Fatores como raça, porte, idade, peso, condições de saúde e até preferências alimentares do animal devem ser considerados na elaboração do plano alimentar.
A transição deve ser feita de forma gradual, começando com a substituição de 10% a 20% da alimentação habitual por ingredientes naturais. Esse porcentual deve ser aumentado progressivamente ao longo de 7 a 14 dias.
Esse cuidado reduz o risco de desconfortos gastrointestinais e permite que o sistema digestivo do animal se adapte à nova dieta. Caso o pet apresente boa aceitação, fezes normais e ausência de sintomas, a alimentação pode evoluir para o formato integral.
Especialistas alertam sobre a importância da transição gradual, já que mudanças bruscas podem causar efeitos adversos, como diarreia e vômitos.
MERCADO ADAPTADO
Com o aumento da conscientização sobre a importância da alimentação na saúde dos pets, o mercado também tem se adaptado. Atualmente, há empresas especializadas na produção de alimentos naturais para cães, com formulações desenvolvidas por médicos-veterinários nutricionistas.
Esses produtos são elaborados com base em critérios individuais e podem atender a diferentes perfis e condições clínicas, oferecendo uma alternativa segura para tutores que não têm disponibilidade para preparar a alimentação em casa.
Ainda assim, a orientação profissional segue sendo indispensável para garantir que o animal receba todos os nutrientes necessários de forma equilibrada.
PREVENÇÃO
Além da alimentação adequada, a prevenção das doenças gastrointestinais envolve outros cuidados essenciais, como a vermifugação regular, a higiene do ambiente, o controle da ingestão de alimentos inadequados e o acompanhamento veterinário periódico.
A observação atenta do comportamento e dos sinais clínicos também é fundamental. Alterações nas fezes, perda de apetite, vômitos frequentes e mudanças de comportamento devem ser investigadas o quanto antes.
A trama acompanha Tom, um publicitário que viaja para o interior para o funeral de seu companheiro - Foto: Divulgação / Victor Novaes
Para incrementar o turismo na cidade que é conhecida como Vale dos dinossauros, em razão de pegadas que remontariam a 140 milhões de anos e comprovadas cientificamente, está sendo implementado o projeto Nioaque na rota. O prefeito André Guimarães explicou que a proposta é apresentar à população e aos visitantes o modelo de turismo itinerante – segmento em expansão no País e que contribui diretamente para a geração de renda, movimentação do comércio e fortalecimento da economia local. Ele informou que há investimentos em estrutura, planejamento e promoção para ampliar oportunidades, gerar desenvolvimento e fortalecer a economia local.
Débora Barbato Gaban e Henrique Gaban
Danielle Pinez


