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Gastronomia: Que tal um arroz de marisco para diversificar no fim de semana?

Basta ter à mão os ingredientes frescos e então você estará a meio caminho andado de um prato com sabor magnético, de preparo descomplicado e que é considerado uma das sete maravilhas da cozinha de Portugal

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Um pouco de história antes da deliciosa receita de hoje. Assinado em 22 de abril de 2000, o Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta, também conhecido como Estatuto de Igualdade, consolida e aprofunda os laços de fraternidade entre Brasil e Portugal. Por trás da escolha da data para a assinatura do tratado esteve a intenção de marcar a passagem dos 500 anos da chegada dos portugueses no Brasil.

Por meio da empreitada transoceânica, chefiada por Pedro Álvares Cabral, Portugal e o Brasil tornaram-se duas nações irmãs, que falam a mesma língua, têm grandes semelhanças culturais e mantêm influências mútuas. Isso, naturalmente, após séculos de lances históricos que envolvem toda a complexa dinâmica do período colonial até geopolítica contemporânea, passando pela emancipação para a República brasileira, no fim do século 19.

Durante o período colonial e, mais intensamente, quando o Brasil foi elevado à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves, em 1815, em razão da vinda da família real para o Rio de Janeiro, tivemos como herança a bagagem cultural lusitana. Várias das tradições portuguesas permanecem até os dias atuais em território brasileiro e são tomadas como patrimônio nacional: a arquitetura, a religiosidade e o folclore são algumas dessas heranças.

A culinária também é um dos exemplos e pode ser uma forma de se comemorar a Semana da Comunidade Luso-Brasileira, do dia 22 ao dia 29, lembrando que o dia 25 é a mais importante data cívica de Portugal, quando se relembra a Revolução dos Cravos, que se passou há exatos 50 anos, em 1974. Então, vamos ao sabor?

TRADIÇÃO E MARAVILHA

O arroz de marisco é um prato tradicional da cozinha portuguesa, típico das zonas costeiras. Como o próprio nome indica, trata-se de um prato feito à base de vários tipos de marisco, a exemplo de amêijoas (no Brasil, mais conhecidas pelo nome em italiano, vongole) camarão, berbigão, mexilhão, lagosta e caranguejo (sapateira, em Portugal). Há pequenas variações regionais da receita, marcadas, sobretudo, pelas diferentes combinações do marisco utilizado.

A sua origem, porém, terá sido na Praia da Vieira de Leiria, na região de Marinha Grande, centro do país. Uma das características dessa receita é servir o arroz ainda fervilhando, no tradicional tacho de barro em que foi cozinhado. Dos vários pratos da cozinha tradicional portuguesa que têm o marisco como ingrediente principal, este é o mais famoso, dentro e fora das fronteiras de Portugal, sendo, inclusive, considerado uma das sete maravilhas da gastronomia lusitana.

O PREPARO

Pelas regras da tradição, começa-se pelo cozimento dos mariscos e por um refogado que pode levar alho, tomate, cebola e azeite. Em seguida, acrescenta-se o caldo do cozimento do marisco para cozinhar o arroz, de modo que os sabores não se percam. Pela tradição, também se adiciona vinho branco.

Quando o arroz estiver quase cozido, são adicionados os mariscos e o coentro picado, ingrediente típico da cozinha portuguesa, que confere à receita um aroma e um sabor único. Deve servir-se o arroz de marisco bem aguado, pois, se ficar seco, pode-se perder o sabor típico desse prato.

Uma das variações mais tradicionais da receita é o arroz de marisco com tamboril que, além do marisco, inclui pedaços desse peixe. As combinações de mariscos utilizadas variam de região para região, de acordo com as receitas, a disponibilidade e o preço de cada um dos mariscos.

P.S.: as outras seis maravilhas da gastronomia portuguesa são a alheira de mirandela, o queijo serra da estrela, o caldo verde, a sardinha assada, o leitão da bairrada e o pastel de belém. Agora, mãos à obra e bom apetite!

Arroz de marisco

Ingredientes:

  •  70 g de cebola picada;
  •  30 g de alho picado;
  •  70 g de pimentão verde picado;
  •  500 g de arroz;
  •  100 g de camarão;
  •  100 g de filé de pescada;
  •  300 g de marisco;
  •  150 ml de molho de tomate.

Modo de Preparo

  • Inicialmente, cozinhe o arroz, fervente os mexilhões e reserve.
  • Em uma panela, refogue a cebola, o alho e o pimentão.
  • Em seguida, acrescente o camarão, o filé de pescada e os mexilhões. Adicione o molho.
  • Por fim, misture com o arroz e mexa bem.
  • Sirva com cebolinha para decorar o prato.
  • Rendimento: 5 porções.
Arroz de Marisco Arroz de Marisco

 

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cinema

Seis filmes seguem na disputa para representar o Brasil no Oscar

Decisão sobre o título deverá ser tomada em 16 de setembro

09/09/2026 22h00

sSeis filmes brasileiros que continuam em disputa pela vaga de representante do Brasil no Oscar 2027

sSeis filmes brasileiros que continuam em disputa pela vaga de representante do Brasil no Oscar 2027 Foto: Divulgação

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A Academia Brasileira de Cinema anunciou nesta quarta-feira (9) os seis filmes brasileiros que continuam em disputa pela vaga de representante do Brasil no Oscar 2027.  A decisão sobre o longa que vai tentar uma vaga na categoria de melhor filme internacional será tomada em 16 de setembro.

Os títulos que continuam em disputa são:

  • 100 Dias, de Carlos Saldanha;
  • A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai;
  • A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo;
  • Feito Pipa, de Allan Deberton;
  • Nosso Segredo, de Grace Passô;
  • Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins.

A lista dos finalistas saiu de uma pré-lista de 15 filmes,  divulgada pela Academia Brasileira de Cinema no mês de agosto.

Oscar

Ter sido escolhido como o representante brasileiro ao Oscar não significa que o filme já terá garantida uma indicação ao prêmio. Cada país indica um filme como representante para a disputa. O Oscar analisa essas indicações e faz uma seleção dos filmes que, de fato, vão concorrer ao principal prêmio do cinema mundial.

A cerimônia que premiará os melhores filmes do Oscar está marcada para 14 de março de 2027.

Em 2025, o Brasil conquistou o primeiro Oscar com o filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, na categoria de melhor filme internacional. Neste ano, o Brasil voltou a ser indicado com o filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, que acabou perdendo o prêmio para o norueguês Valor Sentimental.

 

Preservação da fauna

Projeto monitora bugios e macacos-prego no corredor do Rio Sucuriú

Nove grupos de primatas já foram identificados na região; entre eles, a família formada por Baru, Pequi e o filhote Bacuri, acompanhada ao longo das campanhas de campo

09/09/2026 08h30

Mãe e filhote bugio-preto

Mãe e filhote bugio-preto Foto: Divulgação

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No alto das árvores que formam o corredor do Rio Sucuriú, em Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul, famílias de bugios e macacos-prego vêm sendo acompanhadas de perto por pesquisadores do projeto Sucuriú, da Arauco.

O trabalho busca entender como esses animais vivem, se deslocam e utilizam a paisagem, reunindo informações que podem contribuir para a conservação das espécies e para a manutenção da conectividade entre áreas de vegetação.

Ao todo, nove grupos de primatas já foram identificados na área monitorada pelo projeto Sucuriú. O acompanhamento é direcionado principalmente ao bugio-preto (Alouatta caraya) e ao macaco-prego-do-papo-amarelo (Sapajus cay), espécies classificadas como Vulneráveis (VU) no Brasil, categoria que indica alto risco de extinção na natureza.

“Esse é um trabalho construído ao longo do tempo. Não se trata apenas de saber se determinada espécie está presente, mas de reunir informações sobre os grupos, seus deslocamentos e as áreas que utilizam. A combinação das metodologias permite ampliar esse conhecimento e criar uma base cada vez mais consistente para as ações de conservação”, afirma Gonzalo Flores, Especialista de Biodiversidade da Arauco.

Entre os grupos que passaram a ser reconhecidos pelas equipes está uma família de bugios formada por Baru (pai), Pequi (mãe) e Bacuri (filho).

O filhote nasceu durante o período de monitoramento e recebeu o nome após uma votação que reuniu mais de 270 participantes, entre trabalhadores da obra e integrantes da comunidade externa.

Desde então, a família continua sendo reencontrada durante as campanhas. Nos registros mais recentes, Bacuri apareceu interagindo com os pais, enquanto outros filhotes do grupo foram observados em momentos de brincadeira.

As imagens ajudam os pesquisadores a acompanhar o desenvolvimento dos animais e compreender melhor a dinâmica das famílias ao longo do tempo.

“A possibilidade de reencontrar os mesmos grupos ao longo das campanhas é muito importante porque permite acompanhar essas famílias no tempo. No caso de Baru, Pequi e Bacuri, seguimos registrando o grupo e reunindo informações que ajudam a compreender sua composição, o uso da paisagem e seus deslocamentos pelo corredor do Rio Sucuriú”, explica Carolina Garcia, bióloga e responsável técnica da Sauá Consultoria Ambiental.

HABITANTES DA MATA

A vida dos bugios e macacos-prego está diretamente ligada à continuidade da vegetação. Como vivem e se deslocam predominantemente pelas árvores, essas espécies dependem da conexão entre as copas para alcançar alimento, abrigo e outras áreas utilizadas pelos grupos.

Mãe e filhote bugio-pretoPai bugio-preto - Foto: Divulgação

Por isso, saber onde os animais estão e como circulam pelo território é uma informação importante para compreender a conectividade dos ambientes ao longo do corredor do Rio Sucuriú.

Além de sua importância como parte da fauna local, os primatas exercem funções fundamentais nos ecossistemas. Ao consumirem frutos e se deslocarem entre diferentes áreas, transportam e dispersam sementes, contribuindo para a regeneração da vegetação e para a diversidade das florestas.

A dependência que possuem de ambientes florestais também faz com que sejam considerados bioindicadores, já que a presença e a dinâmica desses animais podem ajudar a revelar as condições de conservação e conectividade das áreas onde vivem.

TECNOLOGIA ALIADA

Para acompanhar os animais, as equipes combinam diferentes métodos. O trabalho inclui observação direta em campo, armadilhas fotográficas – as chamadas câmeras-trap – e drones equipados com sensores termais.

Cada ferramenta oferece uma possibilidade diferente de observação. Enquanto o acompanhamento em solo permite registrar mais detalhes sobre o comportamento e a composição dos grupos, os drones ajudam a localizar animais em regiões onde a vegetação fechada dificulta a visualização.

Os números mostram a diferença no alcance das metodologias. Em aproximadamente 25 horas de busca ativa em campo, dois grupos foram identificados. Já em cerca de 24 horas de voo, os drones localizaram sete dos nove grupos conhecidos na área monitorada: seis de bugios e um de macacos-prego.

A tecnologia, no entanto, não substitui o trabalho realizado diretamente na mata. A combinação dos métodos permite ampliar a capacidade de localizar e reencontrar os animais durante as campanhas.

Nas próximas etapas, também está previsto o uso de GPS – telemetria em macacos-prego, recurso que poderá fornecer novas informações sobre os deslocamentos da espécie.

O trabalho técnico é desenvolvido pela Sauá Consultoria Ambiental, parceira do projeto Sucuriú e integrante do Grupo de Assessoramento Técnico (GAT) do Plano de Ação Nacional para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção da Ictiofauna, Herpetofauna e Primatas do Cerrado, Pantanal e Amazônia (PAN CERPAM), coordenado pelo ICMBio.

FAUNA DIVERSA

Embora os primatas sejam um dos principais focos do acompanhamento, o monitoramento também vem revelando a diversidade de outros animais presentes na região.

As câmeras instaladas no território já registraram espécies como tatu-canastra, anta, lobo-guará, tamanduá-bandeira e jaguatirica. Um grupo de queixadas com mais de 10 indivíduos também foi identificado.

A construção dessa base de informações permite acompanhar a fauna antes, durante e depois das intervenções previstas na região. Parte dos dados será utilizada para avaliar medidas de mitigação relacionadas às obras de captação de água e do emissário de efluentes tratados.

As intervenções exigirão alterações em trechos de vegetação próximos ao rio e podem criar descontinuidades no dossel – a camada formada pelas copas das árvores –, afetando especialmente espécies arborícolas.

Para reduzir esse impacto, estão previstas duas passagens superiores de fauna, estruturas suspensas com aproximadamente 180 metros de vão livre. A expectativa é de que elas ajudem a restabelecer a conexão entre os trechos de vegetação.

O monitoramento atual permitirá entender como os primatas utilizam a paisagem antes da implantação das estruturas, prevista para o primeiro semestre de 2027. Depois, as campanhas continuarão para verificar se os animais passam a utilizar as travessias e se elas cumprem a função de reconectar os ambientes.

Ao todo, estão previstas 20 campanhas de monitoramento ao longo de cinco anos, com quatro etapas realizadas anualmente.

RECONHECIMENTO

O uso de drones termais para localizar primatas em áreas de vegetação fechada também rendeu reconhecimento ao trabalho realizado no corredor do Rio Sucuriú. A iniciativa conquistou o Prêmio Destaques do Setor ABTCP 2026, na categoria Recursos Naturais e Bioeconomia.

Entre os pontos destacados estão o caráter não invasivo do monitoramento, o desenvolvimento de parâmetros específicos para detectar primatas e a combinação de diferentes metodologias para acompanhar os grupos e avaliar a conectividade da paisagem.

A entrega do prêmio está marcada para o dia 6 de outubro.

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