Especial Coronavírus (COVID-19) - Leia notícias e saiba tudo sobre o assunto. Clique aqui.

BASTIDORES

Longe dos rótulos

“Todxs Nós” aposta na diversidade sexual com personagem central de gênero neutro
20/03/2020 05:30 - Márcio Maio/TV Press


A HBO estreia neste domingo, dia 22, às 22h, uma nova produção nacional que promete desmitificar alguns assuntos ainda considerados polêmicos na sociedade. “Todxs Nós” já mostra seu foco na diversidade sexual pela escalação do próprio elenco: um terço dele é composto por pessoas trans e/ou de gênero não-binário – pessoas que não se identificam exclusivamente com um dos dois gêneros tradicionais. A intenção é levantar temas como compreensão, inclusão e aceitação, incluindo aí o uso de linguagem neutra no trato com alguns personagens. “Houve uma preocupação de incluir o máximo de pessoas trans nos testes, que foram enviados para avaliação da HBO sem indicar quem era e quem não era trans. O resultado foi que 37% dos personagens com fala foi feito por pessoas trans”, revela a criadora e diretora da produção, Vera Egito. 

A proposta era, segundo Vera, não definir os artistas necessariamente a partir da própria identidade de gênero deles. A trama começa em torno da experiência de Rafa, jovem de 18 anos pansexual e pessoa não-binária. Na pele da atriz Clara Gallo, Rafa deixa a família no interior de São Paulo depois de se desentender com o pai e se muda para a casa do primo Vini, interpretado por Kelner Macêdo, que vive na capital. 

A não-binariedade é algo que me atrai, pois fala muito de liberdade, de romper com estruturas impostas pela sociedade e romper com padrões impostos sobre as nossas existências individuais e coletivas. Sempre tive um impulso libertário sobre isso, de não querer me encaixar nos rótulos pré-existentes, de poder me descobrir a partir da minha vivência”, reconhece Clara. 

O primo Vini já divide sua casa com a amiga Maia, papel de Julianna Gerais. E ambos se surpreendem por Rafa se identificar com o pronome neutro e não com o gênero feminino ou masculino. Para isso, se define como prime, e não a prima dele. “Essa é uma série que tem protagonistas diversos e profundos. Hoje em dia, principalmente no Brasil, existem personagens LGBTQIA+, porém eles não são protagonistas”, analisa Kelner. 

A série tem oito episódios, cada um com cerca de 30 minutos de duração. Para evidenciar a proposta de mostrar as dificuldades e descobertas de uma pessoa de gênero não-binário, muitos adjetivos são encerrados com a vogal “e”, como “criative”, “plene” e “sedutore”, por exemplo. “Conheço muitas Maias, muitos Vinos, ‘algumes’ Rafas. Os personagens são bem reais, têm conflitos concretos e a série dá importância a eles com sutileza, com risos e choros. É muito sobre ser jovem, principalmente no Brasil”, avalia Julianna Gerais. 

A pegada inclusiva, aliás, sempre foi um desejo do próprio canal. “Desde o início, tínhamos um objetivo claro de tratar ‘Todxs Nós’ com delicadeza e verdade, para que fosse realmente inclusiva. Tanto nas suas palavras como nas nossas ações”, defende Roberto Rios, vice-presidente Corporativo de Produções Originais da HBO Latin America. “Fomos motivados pelo desejo de contar uma história que traz temas importantes e, ao mesmo tempo, dá visibilidade e reconhece a diversidade de pessoas que são parte da nossa sociedade”, completa Rios.

 

Felpuda


Figurinha carimbada ganhou o apelido de “biruta”, instrumento que indica direção do vento e, por isso, muda constantemente. Dizem que a boa vontade até existente ficou no passado, e as reclamações são muitas, mas muitas mesmo, diante das decisões que vem tomando a cada mudança de humor do eleitorado. Como bem escreveu o poetinha Vinicius de Moraes: “Se foi pra desfazer, por que é que fez?”.