Correio B

Literatura

Membro da Academia Brasileira de Letras, Edgar Telles faz palestra sobre diplomacia cultural

Adriana Teixeira e Fernando Anghinoni, nas artes visuais, e João Vital e Juninho MPB, na música, também marcam presença em performances ao vivo

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O imortal, diplomata e escritor Edgard Telles Ribeiro amanhã estará no chá acadêmico que traz a Academia Brasileira de Letras (ABL) à Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL), com uma palestra que interessa profundamente ao meio cultural, abordando a importância e a contextualidade do setor com o tema “Diplomacia cultural: instrumento de política externa”.

Trata-se de uma vertente que, para Edgard Telles, “projeta no exterior nossos valores e nossas diversidades culturais ao mesmo tempo em que nos abrimos para os valores culturais dos outros países e, com isso, consolidamos no plano da beleza e da emoção nossas relações com todos os países do mundo. A cultura aproxima, a cultura não tem nada que deixe de ser amado ou respeitado”.

Para Telles, tão importante quanto as atuações diplomáticas no plano político, econômico, comercial e na cooperação técnica, entre outras interações possíveis, é a diplomacia na área cultural.

O presidente da ASL, Henrique de Medeiros, destaca a relevância de se discutir a participação da cultura no cenário da aproximação social por meio da diplomacia, que, segundo afirma, não se aplica apenas internacionalmente, mas também de forma interna, no compartilhamento de nossas regionalidades e potencialidades. “A cultura promove mudanças e abre espaços nas relações entre as pessoas e os povos”, afirma o presidente da ASL.

Presencial, com entrada franca e traje esporte requerido, no auditório da ASL, na Rua 14 de Julho, nº 4.653, em Campo Grande, com início previsto para as 19h30min, o evento faz parte do projeto ABL na ASL: Palestras Imortais, realizado pela Academia Sul-Mato-Grossense de Letras em parceria com a Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc), por meio da Fundação de Cultura do Estado de Mato Grosso do Sul (FCMS).

O chá acadêmico de maio apresenta ainda, na agenda da noite, os projetos realizados em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e a Confraria Sociartista, respectivamente, com performances ao vivo de música e artes visuais. No foyer da sede da ASL, haverá também mais uma apresentação musical, após a palestra, durante a confraternização entre os imortais e o público presente.

COMEÇO NO CINEMA 

Figura multifacetada da cultura brasileira, com trajetória que transita entre a literatura, o cinema e a diplomacia, Edgard Telles nasceu em Valparaíso, no Chile, sendo considerado brasileiro nato por ser nascido “de pai ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil”. No caso do escritor, seu pai estava a serviço do governo brasileiro em território chileno quando Edgard nasceu, em 13 de novembro de 1944.

Radicado no Rio de Janeiro, Telles Ribeiro ocupa a cadeira de nº 27 da ABL, tendo sucedido ao poeta Antonio Cicero (1945-2024). O escritor iniciou sua carreira como crítico de cinema no Rio de Janeiro, escrevendo para os suplementos literários do Correio da Manhã e d’O Jornal. Formou-se em Cinema pela Universidade da Califórnia (UCLA), em Los Angeles, nos Estados Unidos. Entre 1978 e 1982, foi professor de cinema na Universidade de Brasília (UnB).

OBRAS

Ingressou no Instituto Rio Branco em 1966, iniciando uma carreira diplomática que o levou a servir em diversos países: Estados Unidos, Equador, Guatemala, Nova Zelândia, Malásia e Tailândia, sendo embaixador nos três últimos. No Brasil, atuou na área cultural do Ministério das Relações Exteriores, chefiando o departamento entre 2002 e 2005. É autor da importante tese acadêmica “Diplomacia Cultural: Seu Papel na Política Externa Brasileira” e de 15 livros, entre romances e coletâneas de contos.

Sua obra mais recente, “Jogo de Armar” (2023), foi finalista do Prêmio Jabuti 2024. Entre outras de suas publicações, destacam-se o romance “Olho de Rei” (2005), que recebeu o prêmio da ABL para Melhor Obra de Ficção em 2006, e “O Punho e a Renda” (2014), vencedor do prêmio de Melhor Romance do Pen Clube em 2015, abordando os bastidores das embaixadas durante a ditadura militar brasileira.

Sua vasta produção inclui também “O Impostor” (novela, 2020), “Uma Mulher Transparente” (romance, 2018), “O Criado-Mudo” (romance, 1991) e “As Larvas Azuis da Amazônia” (novela, 1996), obras que exploram temas variados, desde a identidade até questões políticas e sociais. 

Seus livros foram publicados nos Estados Unidos, na Argentina e em diversos países europeus. Com uma carreira que abrange mais de cinco décadas, Edgard Telles Ribeiro consolidou-se como uma voz influente na literatura brasileira contemporânea. Sua habilidade em transitar entre diferentes áreas culturais e sua dedicação à arte de contar histórias o tornam uma figura singular e respeitada no cenário literário nacional.

ADRIANA E FERNANDO

Dois integrantes da Confraria Sociartista estarão criando ao vivo seu trabalho artístico em artes visuais no chá acadêmico de maio: Adriana Teixeira e Fernando Anghinoni.

Com trajetória artística de mais de 35 anos, Adriana Teixeira é artista visual dedicada à pintura em telas, com linguagem figurativa e estilizada com temas da maternidade, do afeto, da família, em uma paleta rica em contrastes. A presença da figura feminina em suas obras e também dos elementos florais e orgânicos são muito recorrentes. Participou de várias exposições coletivas e individuais.

Fernando Anghinoni vive e trabalha em Campo Grande, tem mestrado nas áreas de Artes Visuais, Design e Gravura. Seu trabalho explora várias vertentes artísticas, sempre contemplando o panorama contemporâneo das artes visuais de forma global e regional. Produziu e executou projetos culturais e trabalha também como produtor cultural.

JOÃO VITAL

Promovido por uma parceria entre a UFMS, por meio do Movimento Concerto, e a ASL, o projeto Música Erudita e suas Fronteiras leva à ASL, nesta quinta-feira, uma apresentação de João Vital Araújo, violonista e professor de música com mais de 20 anos de experiência no ensino e na performance.

Graduado pela UFMS e mestre em Teoria e Análise Musical pela Universidade de São Paulo, ao longo de sua carreira, Vital tem se dedicado ao repertório para violão solo, voltado tanto à música clássica quanto ao repertório brasileiro. Neste recital solo, propõe um percurso por paisagens sonoras desde a Espanha renascentista ao lirismo brasileiro do século 20, revelando diferentes facetas do violão como instrumento de poesia e memória.

JUNINHO MPB

Após a palestra, na confraternização no foyer, haverá ainda mais uma apresentação instrumental de Juninho MPB, músico há 20 anos, com participação em bandas de variados estilos, como rock, blues, samba, samba rock e forró. Integrou a banda de rock autoral Inove, fez parte da banda de samba rock Maria Mulata, em seguida, integrou a banda de rock TioZé, também participou da banda Show Orion e, atualmente, faz parte da banda de blues Bêbados Habilidosos. Gravou o álbum solo “Meu Mundo”.

SERVIÇO

Chá Acadêmico 
ABL na ASL: Palestras Imortais
Edgard Telles Ribeiro
“Diplomacia Cultural: Instrumento de Política Externa”

Amanhã, às 19h30min, com os projetos Música Erudita e Suas Fronteiras e Arte da Academia.
Auditório da ASL, na Rua 14 de Julho, nº 4.653, Altos do São Francisco.
Entrada franca.

Cinema Correio B+

Explorando Mel Brooks: A Memória de um Gênio da Comédia

Um documentário sobre humor, amizade, perdas e o peso de sobreviver ao próprio legado

21/02/2026 13h00

Explorando Mel Brooks: A Memória de um Gênio da Comédia

Explorando Mel Brooks: A Memória de um Gênio da Comédia Foto: Divulgação

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O documentário Mel Brooks: The 99 Years Old Man! nasce menos como uma homenagem clássica e mais como um gesto de urgência. Não a urgência do mercado, mas a do tempo. Mel Brooks completa cem anos em 28 de junho de 2026, e sua trajetória atravessa praticamente toda a história do entretenimento moderno.

Do rádio à televisão, do cinema de estúdio à Broadway, da sátira política ao besteirol absoluto, Brooks não apenas acompanhou transformações culturais profundas como ajudou a provocá-las.

A decisão de registrar essa memória em vida parte de Judd Apatow, um dos nomes centrais da comédia norte-americana contemporânea. Apatow não se aproxima de Brooks como um biógrafo distante nem como um crítico do presente julgando o passado.

Ele se coloca como fã. Seu cinema e sua televisão foram moldados por uma ideia de liberdade criativa que Brooks ajudou a instaurar: a de que o humor pode ser grosseiro, político, autorreferente e profundamente humano ao mesmo tempo.

Mel Brooks costuma ser definido como o inventor do besteirol, mas essa etiqueta nunca deu conta de sua complexidade. Seu humor nasce do vaudeville, do humor judaico, da paródia consciente de gêneros clássicos e da sátira como ferramenta de enfrentamento.

Quando Brooks desmonta o faroeste, o terror ou o musical, ele não está apenas rindo do cinema, mas expondo as estruturas de poder, moral e exclusão que esses gêneros carregam. O riso, para ele, sempre foi uma forma de sobrevivência.

A série se divide em três episódios que não seguem uma cronologia rígida, mas um percurso emocional. O primeiro revisita sua formação, a experiência como soldado na Segunda Guerra Mundial e a entrada no humor televisivo.

O segundo mergulha no auge criativo, quando Brooks redefine a paródia no cinema e se consolida como uma figura incontornável de Hollywood. O terceiro é o mais delicado e, talvez, o mais poderoso. Ele fala de envelhecer, de perder amigos, de vaidade, arrependimentos e da estranheza de se tornar um monumento ainda em vida.

A recepção crítica foi majoritariamente entusiasmada justamente por essa recusa em suavizar o passado. O documentário não tenta “atualizar” Mel Brooks nem pedir desculpas por ele. Há piadas que não entram. Há contextos explicados. Mas nunca existe a sensação de censura retrospectiva.

Explorando Mel Brooks: A Memória de um Gênio da ComédiaExplorando Mel Brooks: A Memória de um Gênio da Comédia - Divulgação

O próprio Brooks comenta, com lucidez e ironia, o que hoje não faria mais e aquilo que jamais abriria mão. O filme confia na inteligência do espectador para lidar com o desconforto.

Um dos núcleos emocionais mais fortes da série está na relação entre Brooks e Carl Reiner. Os dois foram melhores amigos, parceiros criativos e quase uma entidade única por décadas.

A presença de Rob Reiner, filho de Carl, adiciona uma camada inesperada de emoção. Seus depoimentos foram exibidos poucas semanas após o assassinato de seu filho, uma dor que não é verbalizada diretamente, mas atravessa cada gesto, cada silêncio.

A decisão de Apatow de não editar essas falas para “contextualizar” o luto é essencial. Qualquer tentativa de ajuste quebraria a integridade do registro. O que se vê é um documentário que aceita a dor como parte da vida, sem moldura explicativa.

Isso dialoga profundamente com a própria condição de Mel Brooks, um homem que sobreviveu à maioria de seus contemporâneos e precisa conviver com essa solidão tardia.

Outro aspecto raro é a franqueza com que Brooks fala de sua vida pessoal. Ele se reconhece como um pai ausente, absorvido pelo trabalho e pelo ego criativo. Fala de seu casamento com Anne Bancroft com uma mistura de devoção e insegurança.

Ele a amava intensamente, mas admite o ciúme do talento e do reconhecimento dela. Essa honestidade desmonta a imagem do gênio confortável e revela um homem cheio de contradições, afetos desorganizados e vaidades nunca completamente resolvidas.

Mesmo com piadas datadas e referências que hoje soam politicamente incorretas, o documentário se impõe como um registro essencial. Não porque tenta absolver Mel Brooks, mas porque entende sua importância estrutural. Ele não apenas fez rir. Ele ensinou que o riso pode ser uma forma de enfrentamento do trauma, da opressão e do absurdo do poder.

No fim, Mel Brooks: The 99 Years Old Man! não é apenas o retrato de um comediante lendário, mas de um homem que se recusa a agir de acordo com a sua idade. Não por negação do tempo, mas por fidelidade a si mesmo. Rir, para Mel Brooks, nunca foi um gesto juvenil. Sempre foi um gesto de sobrevivência.

PÓS-CARNAVAL

Bloco Forrozeiros MS se apresenta no Enterro dos Ossos na Esplanada Ferroviária

Bloco Eita! também terá programação paralela no Monumento Maria Fumaça

21/02/2026 11h30

Grupo Terra Seca, de Dourados, se apresentará pela primeira vez no bloco

Grupo Terra Seca, de Dourados, se apresentará pela primeira vez no bloco Divulgação

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O Carnaval de rua de Campo Grande se despede oficialmente neste sábado (21), ao som de zabumba, sanfona e triângulo. A partir das 17h, o Bloco Forrozeiros MS ocupa a Esplanada Ferroviária, na Rua Dr. Temístocles, para realizar o tradicional Enterro dos Ossos, encerrando a programação do ABC (Aglomerado de Blocos de Carnaval de Rua de Campo Grande), juntamente com o Bloco Eita!, que terá programação paralela no Monumento Maria Fumaça.

Com proposta que une Carnaval e forró, o Forrozeiros MS consolidou-se como uma das expressões mais singulares da festa na capital sul-mato-grossense. Desde 2020, o bloco fecha a folia com programação marcada pela dança a dois, o clima familiar e a diversidade de público, reunindo diferentes gerações em torno da cultura nordestina.

Em 2026, três bandas estão confirmadas para o último dia de Carnaval: Ipê de Serra, Flor de Pequi e, pela primeira vez no evento, o grupo Terra Seca, de Dourados. Neste ano, o bloco presta homenagem à Michele Lima, fundadora da Escola de Dança Fulô e referência na formação de dançarinos e no fortalecimento da cena do forró em Campo Grande.

Programação

A programação musical começa com a Ipê de Serra, que abre a noite com repertório pensado especialmente para o clima de encerramento da festa. “O repertório é animado e interativo, com músicas que o público conhece e canta junto. É forró para dançar do começo ao fim”, destacou o percussionista Juninho. Nesta edição, a banda contará com participações especiais das cantoras Suy Cavalcanti e Ana Paula Dutra.

Na sequência, sobe ao palco o Flor de Pequi, parceiro do bloco desde o início da trajetória. Para a vocalista Júlia Mendes, a conexão com o Forrozeiros MS ultrapassa a relação profissional. “Essa parceria engloba amizade e uma luta em comum pela valorização da cultura e da ocupação da rua como espaço democrático”, afirmou. A banda também preparou participações especiais das artistas Sophia Fontana e Rachel Delvalle.

Encerrando a noite, a banda Terra Seca assume o palco como convidada especial desta edição. É a primeira vez que o Bloco Forrozeiros MS traz uma banda de fora para integrar o Enterro dos Ossos. Com 27 anos de trajetória, o grupo de Dourados é referência no forró pé de serra em Mato Grosso do Sul. Para Acelino Rodrigues Carvalho, a presença do gênero no Carnaval dialoga com a própria diversidade da festa no Brasil.

“A diversidade de ritmos sempre fez parte do Carnaval. O forró também integra essa riqueza cultural”, afirma. Ele reforça ainda a importância histórica do estilo. “O Forró Pé de Serra é um dos gêneros mais importantes da música brasileira e representa a nossa identidade cultural”, disse. Sobre o show, a promessa é clara: “O público pode esperar muito forró de raiz, com qualidade e originalidade, que é a nossa marca”, ressaltou.

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