Na sexta edição do Cineclube da Boca, que teve abertura ontem, na Cervejaria Capivas, o projeto volta seu olhar para o cinema brasileiro. Filmes do 3º Mundo é o nome da nova mostra, a partir do recorte curatorial proposto pelo coletivo de cinema A Boca Filmes, com sessões programadas até o dia 30 de novembro.
Na primeira sessão, realizada na noite de domingo, foram exibidos cinco curtas produzidos recentemente em Campo Grande, a exemplo de “Ninguém Lhe Estenderá Mão”, de Deivison Pedrê, que foi premiado no festival Bonito CineSur.
O evento promove sessões gratuitas em diversos espaços culturais de Campo Grande, com produção de João Pelosi e Aram Amorim e curadoria de Felipe Feitosa. Até o fim da mostra, serão oito sessões de longas e curtas-metragens brasileiros que se apropriam das estruturas do cinema de gênero hegemônico.
Além das exibições de filmes, o projeto realiza um curso de cinema para crianças da Escola Vespasiano Martins, com o objetivo de produzir um curta-metragem com os alunos.
O Cineclube da Boca mantém uma pauta de atividades de difusão e reflexão cinematográfica realizada desde março de 2022 por alunos e ex-alunos do curso de Audiovisual da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). A agenda engloba os trabalhos de seleção, exibição, contextualização, discussão e recomendação de filmes não contemplados no cenário comercial de distribuição da capital sul-mato-grossense, por meio de programações semestrais com recortes temáticos de viés mais alternativo.
O projeto tem sua importância ligada, a princípio, à ampliação das ofertas de consumo de cinema para além do circuito comercial de distribuição (shoppings centers), tomado pelo cinema hegemônico norte-americano, e iniciativas de instituições culturais privadas e públicas, as quais, muitas vezes, são pontuais e inconstantes.
Conceber uma curadoria que, durante meses, compreenda sessões que conversem entre si e traga à luz filmes que, de outra forma, dificilmente seriam exibidos em público, sediando-se em espaços acessíveis e cuja entrada é gratuita, ao mesmo tempo em que possibilita o acesso a públicos possivelmente escanteados pelas ofertas comerciais de cinema, faz com que uma cultura de consumo de cinema de arte seja fomentada em Campo Grande.
MEMÓRIA CULTURAL
A respeito do recorte da vez, Felipe Feitosa, curador deste cineclube, procura discutir mais sobre a história do cinema brasileiro.
“O Brasil não é conhecido por ter uma grande indústria cinematográfica. Pelo contrário, nossa produção audiovisual é constantemente atacada e sucateada de diferentes maneiras. Constantemente vemos o nosso cinema ser diminuído de forma pejorativa e, até mesmo, historicamente apagado da nossa memória cultural”, afirma.
“A história do audiovisual brasileiro é sinônimo de uma constante disputa política entremeada por uma produção irregular, não em qualidade, mas, sim, em possibilidade material. Somos um país com o cinema marcado pela marginalidade e pelo subdesenvolvimento. Da mesma forma, é desse lugar de fome que retiramos nossas maiores forças”, diz o curador.
“Nosso cinema é dos mais ricos no uso da linguagem cinematográfica e nossos realizadores constantemente reinventam estruturas narrativas para encontrar o lugar de suas produções. Com o cineclube desse semestre, nosso maior objetivo é fazer com que essa história que é nossa seja um pouco mais conhecida. É tentar fazer com que o espectador brasileiro saia da sessão mais aberto ao nosso cinema”, argumenta Feitosa.
SÓ BRASILEIROS
A programação desta edição do cineclube conta com diversos eventos gratuitos e, pela primeira vez, o recorte curatorial se fixa em uma mostra diversificada de obras exclusivamente brasileiras, ampliando e potencializando o consumo de cinema nacional pelos espectadores da Capital.
Ao juntar o interesse que o público já tem pelos filmes de gênero com a facilidade que os espectadores têm com os códigos desse tipo de cinema, espera-se abrir caminho para que as pessoas se interessem cada vez mais pelas obras que foram produzidas das mais diversas formas no nosso país.
Novamente, procura-se alinhar o recorte aos principais objetivos do Cineclube da Boca: tornar a oferta de exibições de filmes mais acessível; fazê-la chegar até o maior número possível de pessoas; e enriquecer a relação com o cinema dos indivíduos presentes antes, durante e depois das sessões.
A programação da mostra Filmes do 3º Mundo contempla também sessões inclusivas voltadas para pessoas com deficiência auditiva e uma proposta pedagógica de educação cinematográfica. Durante as exibições de filmes, serão oferecidos refrigerante e pipoca gratuitamente.
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Nádia Bana Povh e Miguel Povh Filho, que hoje comemoram 63 anos de casamento (Bodas de Sândalo). Foto: Arquivo Pessoal
Maisa Monseff. Foto: Arquivo Pessoal
Sabrina Sato - Divulgação


