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CINCO PERGUNTAS

Mudança de planos para Ingrid Guimarães

Em “Além da Conta #Confinados”, do GNT, a atriz debate o isolamento social em virtude da pandemia
10/06/2020 16:00 - Caroline Borges/TV Press


 

A pandemia do novo coronavírus modificou tudo em pouquíssimo tempo. E Ingrid Guimarães soube disso muito bem. Ao iniciar 2020, a atriz e humorista estava pronta para gravar uma nova temporada do programa “Além da Conta”, do GNT, na China. No entanto, a explosão do novo coronavírus no país fez com que Ingrid e sua equipe rapidamente pensassem em um plano B. Com a impossibilidade de viajar para Ásia, a produção decidiu voltar aos Estados Unidos para gravar a nova leva de episódios. Porém, pouco tempo depois, a pandemia do Covid-19 se alastrou não apenas pelo país de Donald Trump, mas também pelo Brasil. Diante da quarentena forçada para combater o avanço da doença, Ingrid e o GNT rapidamente se organizaram para lançar uma minitemporada do “Além da Conta #Confinados”. “A ideia inicial era gravar esse programa na China. Já tínhamos pauta e convidados. Depois, mudamos para Nova Iorque. Em fevereiro, não tinha nenhum caso confirmado ainda na cidade. Íamos falar de tecnologia em Nova Iorque. Mas, quando invadiu a cidade, vimos que não tinha como fazer. Então, o GNT deu a ideia de falar da tecnologia no confinamento. A gente nunca usou tanto a internet e o celular como agora”, ressalta a atriz, que ainda tem esperanças de conseguir gravar uma nova temporada no segundo semestre. “Temos o desejo de fazer uma outra temporada, maior e com 10 episódios mais para frente”, completa.

O programa do GNT não é o único projeto de Ingrid no ar. A atriz também pode ser vista na edição especial de “Novo Mundo”, em que viveu a divertida Elvira. Na trama, ela é uma atriz portuguesa da mesma companhia de Joaquim, papel de Chay Suede. Ambiciosa, ela aproveitou de uma fragilidade do rapaz para fazê-lo casar-se com ela. “Carrego meu sotaque português para sempre. Arrisquei uma interpretação mais tragicômica que tinha medo e deu certo. Novela boa é boa em qualquer época. A trama é um sucesso de novo. E a nossa história será sempre atual”, valoriza. Aos 47 anos, Ingrid tem aproveitado o tempo da quarentena para seguir criando novos projetos. “Estou escrevendo o meu primeiro monólogo, estou preparando a minha volta com a Lolô (Heloísa Périssé) com o ‘Cócegas’. E também estou escrevendo os meus projetos de cinema”, aponta.

P - Como foi gravar uma temporada levando em conta as medidas de isolamento social e protocolos de higiene?

R – Foi um processo de guerrilha. Vai marcar a minha vida. Minha irmã produziu e a direção, a maquiagem e o figurino foram remotos. Minha filha me ajudou também. Tive uma pessoa só que fez tudo: luz, câmera e som. Transformei um apartamento meu em um miniestúdio. Tivemos pouco dinheiro e pouco tempo para produzir tudo. Tudo que entrava a gente higieniza. No entanto, nunca estive tão criativa. Quando vi o programa no ar, fiquei muito orgulhosa. Conseguimos fazer um programa com qualidade e criatividade. Os convidados estavam em casa, com mais tempo, mais disponíveis. Isso muda tudo. Dá mais profundidade ao programa.

P – O “Além da Conta” está no ar desde 2014 e é uma das principais produções da grade do GNT. Você acreditava que o programa teria uma longevidade tão grande na tevê?

R - Não, não esperava mesmo. Quando a gente começou, a ideia era falar de consumo. Achei que seria um programa de gueto e poucas pessoas iam se identificar. Começamos falando do dólar baixo e as pessoas comprando muito nos Estados Unidos, depois abordamos o dólar a quatro e as pessoas economizando muito para comprar, falamos dos mercados do Rio e São Paulo, mercados populares e chegamos ao wi-fi. O programa só se manteve na grade porque acompanhou o que está acontecendo no mundo.

P – Além do programa do GNT, você também está no ar na edição especial de “Novo Mundo”. Como recebeu a notícia da reprise da novela?

R - Fiquei muito feliz com essa edição especial da novela. Tenho muita saudade de “Novo Mundo”, desse trabalho, dessa convivência. E acho muito oportuno exibir novamente em um momento como esse do Brasil. Considero Elvira meu melhor papel em novelas. Passei por cenas engraçadas, trágicas, dramáticas, estudei sotaque, fiz teatro e ainda interpretei mais três personagens dentro da novela. Morri, ressuscitei... (risos).

P – Como você analisa as políticas culturais do atual governo?

R – Em relação ao cinema, a gente já estava há quase um ano com vários fundos setoriais congelados, muitos filmes parados, alguns captados que o dinheiro ficou preso, a burocracia da Ancine já estava muito complicada para a gente. Eu temo muito pelo nosso futuro. Mas eu não temo por mim ou pelos atores famosos que eu conheço, eu temo pelos pequenos grupos que dependiam de fundos, de editais, pelos artistas que dependem do teatro para sobreviver. E o cinema, se não tiver uma política de incentivo daqui para a frente, com tantos cinemas pequenos fechando, acredito que vão sobrar menos salas. Ao mesmo tempo, a arte é algo que não morre, a gente sempre se reinventa e dá um jeito de se manter de alguma maneira. A gente vai fazer cinema de outra maneira, talvez agora os filmes estejam mais em streaming, com menos gente, filmes mais baratos. As novelas vão ter de se reinventar. O teatro talvez demore mais para voltar.

P – De que forma você tem lidado com esse período da quarentena?

R - Eu passei por todas as fases, de ficar feliz, no início, porque eu sempre trabalhei muito, e era um tempo de ficar mais com a minha filha, o meu marido, na minha casa, ver minhas séries. Depois passei uma fase de revolta, de empatia absoluta pelo mundo, de tristeza pelas pessoas que não podem ficar em casa, pelas pessoas que estão com os seus negócios fechados, as que tiveram que fechar e estão sem saber do futuro, tristeza pelos que estão passando fome. Depois entrei num processo de me organizar para ser uma pessoa ativa. Comecei a fazer exercícios físicos, algumas lives e a criar coisas minhas, porque eu nunca tenho esse tempo. Mas tem dia, como todo o mundo, que eu acordo e não dá vontade de fazer nada, me dá uma tristeza absoluta, você vê o número de mortes, pessoas próximas que não estão bem, aí você também desanima. Mas acho tudo bem a gente não estar bem sempre.

 

"Além da Conta #Confinados" - GNT - Terça, às 22h30.

Novo Mundo” – Globo – Segunda a sexta, 17h20.

Felpuda


Alguns pré-candidatos que estão de olho em uma cadeira de vereador vêm apostando apenas nas redes sociais, esperançosos na conquistados votos suficientes para se elegerem. A maioria pede apoio financeiro para continuar mantendo suas respectivas páginas, frisando que não aceita dinheiro público ou de político, fazendo com que alguns se lembrem daquela famosa marchinha de carnaval: “Ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí...”. Como diria vovó: “Essa gente perdeu o rumo e o prumo”.