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Nizo Neto - Ao B+, o ator fala com exclusividade sobre sua carreira, família e comparações com o pai

"Ser filho desse cara (Chico Anysio) foi a coisa mais incrível que aconteceu na minha vida"

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Francisco Anysio de Oliveira Paula Neto, o Nizo Neto, 58 anos, todos já sabem que é um verdadeiro artista, e claro, cumpre com todo o seu talento o legado de seu pai, o saudoso Chico Anysio, que assim como Nizo tinha um talento nato para fazer as pessoas rirem através da interpretação de personagens que fizeram história na TV brasileira.

Ator-comediante ou comediante-ator, Nizo Neto também é dublador, escritor, redator, ilusionista e radialista. O artista fez a sua primeira aparição na TV aos 8 anos de idade, mas foi só depois de muito tempo depois, por volta da década de 80, que o eterno Ptolomeu da “Escolinha do Professor Raimundo” surgiu na televisão, revelando para si o seu dom para o humor.

“Depois da ‘Escolinha’, eu fui começando a ver que as pessoas riam muito das coisas que eu falava e realmente resolvi sair do armário como comediante. Talvez eu tenha relutado um pouco, porque a pressão é grande, né, fazer humor sendo filho do Chico Anysio, não é fácil... Mas não me arrependo de forma nenhuma e sigo aí hoje com uma ótima carreira como ator e comediante”, relembra Nizo.

O artista, irmão dos também humoristas Bruno Mazzeo e Lug de Paula, foi o filho que mais acompanhou a carreira de Chico Anysio de perto e parece carregar consigo o que viveu com o seu pai adiante: no teatro, ele viveu a experiência de contracenar com a filha, Sofia.

Nizo Neto é a Capa do Correio B+ desta semana - Foto: Mike Bomfim - Diagramação Denis Felipe

“Ver ela se entregar e atuar, assim, diante da plateia, é um ato de muita coragem. E eu fiquei muito, muito feliz com essa experiência”, conta. A menina, de 11 anos, interpretou a Talia Total na peça “Escolinhazinha do Professor Raimundo”, vivida pela atriz Claudia Rodrigues na TV.

Fora das telinhas, Nizo Neto se dedica a viver uma vida tranquila ao lado de quem mais ama: a sua família. “Gosto de ficar com as minhas filhas e a minha mulher. A gente se diverte e rimos bastante junto. (...) Tento, na medida do possível, ser um bom pai e um bom marido”, disse o ator, em entrevista exclusiva ao Correio B+.

Além das filhas, Nizo Neto também é pai de Rian, falecido em 2016. Nesta sexta-feira (3), se completam 7 anos desde a morte do seu filho. “Sem dúvida nenhuma, é o que eu tenho mais saudade na vida”, conta.

O ator Nizo Neto conversou com o B+ desta semana e aproveitou para destacar momentos marcantes da sua trajetória dentro e fora da TV. No bate-papo, ele falou abertamente sobre a carreira, família e sobre o legado do pai, Chico Anysio.

Veja como foi a entrevista exclusiva de Nizo Neto para o Correio B+:

CE: Qual foi o momento da sua vida que você se reconheceu como um artista e um humorista?
NN:
“Eu comecei na TV muito cedo, com o meu pai, eu tinha 8 anos de idade. A TV era em preto e branco ainda. Eu demorei um pouquinho, não levava muito a sério aqui, ainda era muito criança, não sabia direito o que eu ia fazer, mas posso dizer que me reconheci mesmo como artista em 1980, quando eu fiz a minha primeira peça profissional. Como humorista, ainda demorou mais, porque eu queria ser galã de novela, não me achava engraçado. Depois da ‘Escolinha’, eu fui começando a ver que as pessoas riam muito das coisas que eu falava e realmente resolvi sair do armário como comediante. Talvez eu tenha relutado um pouco, porque a pressão é grande, né, fazer humor sendo filho do Chico Anysio, não é fácil... Mas não me arrependo de forma nenhuma e sigo aí hoje com uma ótima carreira como ator e comediante.”

CE: Qual é o sentimento em fazer parte de um legado tão importante deixado por seu pai?
NN:
“Olha, a única herança que o meu pai deixou foi o legado. E, realmente, ser filho desse cara foi a coisa mais incrível que aconteceu na minha vida. Ele era um dos grandes, senão um dos maiores nomes da nossa cultura popular. O que ele fez como comediante, eu falo isso, sem modéstia e sem banca, o que ele fez, no mundo, ninguém fez. Eu estudo o humor, acompanho e ninguém fez o que ele fez. É motivo de muito orgulho, ser filho do Chico Anysio.”

                                  Nizo se inspirou em seu pai - Divulgação

CE: Se inspirou e se inspira nele?
NN:
“Com toda a certeza. Ele foi a minha grande referência, né. A minha grande inspiração, não há dúvida. Tudo o que uma pessoa pode passar para a outra, foi ele que me ensinou, e realmente, foi uma referência enorme, muito grande. Eu acompanhei de perto a carreira dele. Posso dizer que fui o filho que mais acompanhou ele de perto. E, com certeza, ele foi uma grande inspiração.”

CE: É muita expectativa e comparação por ser filho dele?
NN:
“Olha, eu já sofri mais com isso, mas eu já desencanei disso porque ser comparado com o Chico Anysio é uma coisa tão absurda, tão de uma certa forma covarde, que, se fosse eu filho dele ou não, realmente, não dá, entende? Não dá para as pessoas compararem, porque ele é um cara muito fora do comum. E há uma frase clássica, até: ‘Ah, para aparecer outro Chico Anysio, é daqui 100 anos só’. E se aparecer, porque ele realmente era um cara de uma capacidade, de uma genialidade muito fora do comum.”

CE: Sobre interpretar o Ptolomeu, o que mais marcou você nessa época?
NN:
“Poder trabalhar com aquele pessoal, que para um cara da minha geração é um privilégio absurdo, a lista de comediantes que participou ali da ‘Escolinha’ é uma coisa muito impressionante... Então, isso aí foi uma coisa que marcou muito. E outra coisa foi que a ‘Escolinha’ me fez famoso. Então, tem uma linha aí de história da minha carreira, e até hoje as pessoas comentam muito sobre a ‘Escolinha’”.

                                         Na época da Escolinha do professor Raimundo - Divulgação

CE: Do que mais sente falta da época da “Escolinha do Professor Raimundo”?
NN:
“Não tem jeito, o ser humano é muito saudosista. A gente sempre sente muita falta do passado, e passa muito rápido… É uma coisa, assim, que parece que foi ontem. Eu estou sentindo aqui o cheiro do estúdio que a gente gravava a ‘Escolinha’, e sinto muita falta do meu pai vivo, tantos outros colegas também vivos… E na época eu era mais jovem também, não que eu não seja feliz hoje não, muito pelo contrário, mas, é saudade, a famosa saudade do passado.”

CE: Como foi contracenar com a sua filha Sofia no teatro?
NN:
“Foi uma experiência fantástica. Ela tem um talento inacreditável. Tem muita coisa ainda para ela trabalhar, para ela aprender, mas ela já tem o talento que ajuda muito. Não é o suficiente, mas ajuda demais. Foi muito gratificante eu poder fazer o Professor, e ela fazer a Talia Total, personagem da Claudinha Rodrigues. Ver ela se entregar e atuar, assim, diante da plateia, é um ato de muita coragem. E eu fiquei muito, muito feliz com essa experiência.”

CE: Consegue descrever um momento marcante na sua carreira?
NN:
“Vou destacar dois. Em 1974, por exemplo, o ‘Chico City’ foi o primeiro grande sucesso do meu pai.. Eu fazia o Negritim, que era o companheiro do Véio Zuza, personagem muito famoso dele, e, como já falei, teve ainda em preto e branco. Foi um momento muito marcante. A própria ‘Escolinha’ também, é claro. A primeira novela que eu fiz, ‘Sinhá Moça’, na versão de 1986, me marcou por ser a minha primeira novela. E eu acho que eu posso dizer também que o filme que eu dublei junto com o meu pai, o ‘Up Em Altas Aventuras’. Um belíssimo filme da Pixar, foi também uma coisa bastante marcante.”

Nizo Neto - Divulgação

CE: Há algum sonho profissional que ainda gostaria de realizar?
NN:
“Uma coisa fascinante desse trabalho é que a gente não para. São muitos desafios, muitas coisas diferentes, muita diversidade… Bom, eu gostaria de fazer um vilão, assim, bem mal, tipo um serial killer, bem sanguinário, bem psicopata (risos). Um grande musical também, é uma coisa que eu gostaria muito de fazer. Ah, muita coisa, muita coisa a se fazer nesse ramo!”

CE: O que o Nizo Neto mais gosta de fazer no tempo livre?
NN:
“Eu sou um cara muito caseiro, levo uma vida, assim, posso dizer, ‘pacata’. Gosto de ficar com as minhas filhas e a minha mulher. A gente se diverte e rir bastante junto. Nós somos bem-humorados. E eu acompanho corrida de cavalo também, que é um esporte, assim, estranho… Eu nunca me liguei em futebol, mas assisto corrida de cavalo e não aposto nem um tustão. Gosto mesmo para ver, pelo hobbie. E gosto muito de dançar também, então sempre que a gente pode, eu vou com a Tati para festas. De uma forma geral, eu levo uma vida muito simples.”

CE: O que mais sente saudade?
NN:
“Sem dúvida, o que eu sinto mais saudade é do Rian, o meu filho, que se foi. Vai fazer 7 anos agora. E de forma muito repentina, né... É uma dor muito grande com certeza, e, sem dúvida nenhuma, é o que eu tenho mais saudade na vida.”

                                    Nizo e a esposa Tatiana Presser - Divulgação

CE: Como é o Nizo em família?
NN:
“A gente é bem próximo, e eu tento, na medida do possível, ser um bom pai e um bom marido. A gente sabe que a perfeição é impossível, mas acho que a nossa obrigação é pelo menos tentar chegar perto dela. E a gente é muito feliz. E como a minha família é muito grande, um bando de maluco (risos) e só tem artista na família, nós nos damos muito bem, todos. Embora até a gente possa ficar alguns meses sem se falar mas, não por nada, sei lá, é o jeito da gente mesmo. Somos todos muito próximos e quando a gente se encontra é sempre muito, muito divertido.”

CE: Há algum projeto profissional novo a caminho? Se sim, pode adiantar algo para a gente?
NN:
“Eu tenho duas coisas aí tramitando para o audiovisual, mas, infelizmente eu não posso falar ainda. Mas o que eu posso falar, é sobre projetos recentes agora que que acabaram de ser lançados, como por exemplo, que eu estou viajando com uma peça chamada ‘Nunca Desista dos Seus Sonhos’, adaptada do livro do Augusto Cury. Em maio, a gente vai fazer uma temporada no Teatro Itália Bandeirantes, em São Paulo (SP. Na televisão, eu acabei de fazer o ‘Rota 66’, um personagem maravilhoso nessa série, baseada do livro do Caco Barcellos, que está na Globoplay. E fiz também o ‘Rei da TV’, que é a biografia do Silvio Santos, que está no Star+”.

Com as filhas Isabela e Sofia e a esposa Tatiana - Foto - Fabrizia Granatieri

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NG Home leva o design brasileiro à mesa durante o Adore Paris

"A mesa é um lugar muito simbólico para mim. É onde a gente recebe, celebra, conversa e cria memórias".

11/10/2026 18h30

NG Home leva o design brasileiro à mesa durante o Adore Paris - Nauíra Cordeiro, Carol Bassi e Elisa Kovalski

NG Home leva o design brasileiro à mesa durante o Adore Paris - Nauíra Cordeiro, Carol Bassi e Elisa Kovalski Foto: Divulgação

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Recentemente em Paris, na França, marca brasileira de design participou da 5ª edição da experiência promovida por Carol Bassi e propõe um olhar sobre a mesa como lugar de encontro, celebração e memória.

Durante a 5ª edição do Adore Paris, realizada em meio à Paris Fashion Week, a NG Home levou seu olhar sobre design, casa e o receber para um almoço no La Société, em Saint-Germain-des-Prés.

Conduzido por Elisa Kovalski e NG Home, o encontro partiu de um elemento cotidiano carregado de significado: a mesa.

Lugar onde famílias se encontram, celebrações acontecem, conversas se prolongam e decisões são tomadas, a mesa serviu como ponto de partida para uma experiência que aproximou design, comportamento e os rituais do receber.

DESIGN BRASILEIRO À MESA

Criada pela arquiteta Nauíra Cordeiro, a NG Home é uma marca brasileira de design autoral que explora as relações entre forma, matéria, função e os pequenos rituais da casa. No Adore Paris, esse olhar ganhou um novo cenário. A participação da marca foi construída não apenas a partir dos objetos apresentados, mas

dos diferentes detalhes que compuseram a experiência, da mesa ao gifting, reforçando uma visão em que o design participa da forma como um momento é vivido e lembrado.

NG Home leva o design brasileiro à mesa durante o Adore Paris - Nauíra Cordeiro, Carol Bassi e Elisa Kovalski NG Home leva o design brasileiro à mesa durante o Adore Paris - Divulgação

UM NOVO CENÁRIO PARA A NG HOME

A participação no Adore Paris insere o design da NG Home em uma programação que transitou por moda, arte, cultura, gastronomia e lifestyle, criando um novo contexto para apresentar o repertório da marca brasileira. Para Nauíra, a experiência também reforça uma ideia presente desde a criação da NG Home: objetos ganham significado pela maneira como passam a participar da vida dentro de casa.

“A mesa é um lugar muito simbólico para mim. É onde a gente recebe, celebra, conversa e cria memórias. Poder levar um pouco do olhar da NG para uma mesa em Paris e, depois, fazer com que cada convidada levasse um detalhe dela para casa tornou essa experiência ainda mais especial.” — Nauíra Cordeiro, arquiteta e fundadora da NG Home.

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com Fabiana Tchalian, destaque e inspiração no empreendedorismo feminino

"A Água na Caixa está aí para provar que se nós conseguimos inovar no mercado de água mineral, você pode inovar em qualquer mercado."

11/10/2026 14h00

Entrevista exclusiva com Fabiana Tchalian, destaque e inspiração no empreendedorismo feminino

Entrevista exclusiva com Fabiana Tchalian, destaque e inspiração no empreendedorismo feminino Foto: Divulgação

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Empreender é, antes de tudo, acreditar que é possível fazer diferente. É enxergar oportunidades onde muitos veem desafios, transformar ideias em atitudes e compreender que o sucesso de uma marca também pode ser medido pelo impacto positivo que ela deixa no mundo. Foi movida por essa visão que Fabiana Tchalian construiu sua trajetória no empreendedorismo e conquistou um lugar de destaque no cenário brasileiro, unindo inovação, propósito e sustentabilidade.

Com experiência em grandes empresas internacionais, como Procter & Gamble e Amazon, Fabiana percorreu os caminhos do marketing, dos negócios e do relacionamento com o consumidor antes de dar vida, em 2016, a um projeto que mudaria sua história profissional. Ao lado do primo e sócio Rodrigo Gedankien, fundou a ÁGUA NA CAIXA®, uma iniciativa que nasceu com a proposta de repensar um hábito tão essencial quanto beber água. Em 2021, a marca lançou o que apresenta como a primeira água mineral carbono neutro do Brasil, apostando em uma embalagem reutilizável, 88% renovável e 100% reciclável.

Mais do que criar uma alternativa para o consumo de água mineral fora de casa, Fabiana abraçou o desafio de mostrar que escolhas cotidianas podem abrir caminhos para um futuro mais consciente. Sua jornada revela a força de uma mulher que transformou visão de negócios em um movimento de mudança, provando que inovação e responsabilidade ambiental podem caminhar juntas. Afinal, grandes transformações nem sempre começam com gestos grandiosos: às vezes, nascem de uma ideia, da coragem de acreditar nela e da disposição de fazer diferente todos os dias.

Nesta entrevista exclusiva ao Correio B+, Fabiana Tchalian fala sobre empreendedorismo, os desafios de construir uma marca com propósito, a importância da sustentabilidade nos negócios, família, escolhas, e a trajetória por trás da ÁGUA NA CAIXA®. Uma conversa sobre coragem, visão de futuro e a possibilidade de transformar o mercado — e a relação das pessoas com o planeta — a partir de escolhas que fazem a diferença.

Entrevista exclusiva com Fabiana Tchalian, destaque e inspiração no empreendedorismo femininoA empresária Fabiana Tchalian é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Divulgação - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana 

CE - Fabiana, antes da empresária e CEO, quem é a mulher por trás dessa trajetória? Quais experiências de vida e pessoas foram fundamentais para formar a profissional e empreendedora que você é hoje?
FT -
 Antes de empresária e co-CEO, eu sou filha, eu sou irmã, eu sou neta, esposa e mãe. Eu sou tudo isso, antes do meu cargo. E em todas essas funções, eu vejo que existe um prazer muito grande em ser um bom exemplo, inspirar as pessoas. Inspirar as pessoas a serem boas filhas, boas irmãs, boas mães, boas empreendedoras e, principalmente, mostrar que é possível fazer tudo isso junto.

Não quer dizer que tudo isso vai acontecer perfeitamente ao mesmo tempo, mas que se esse for o seu sonho, você não deve desistir: Ah, eu sou mãe, então não vou conseguir empreender; ah, eu sou empreendedora, não vou conseguir casar agora'... Ou seja, é possível. Não é uma conta fácil, mas essa sou eu por trás dessa trajetória. Uma pessoa que adora ser um bom exemplo e que busca constantemente isso. Com muitas falhas ainda, mas sempre buscando ser um bom exemplo. É algo que eu aprendi em casa.

CE - Você construiu uma carreira em grandes empresas, como Procter & Gamble e Amazon. Em que momento percebeu que queria deixar o mundo corporativo para construir o seu próprio negócio? O que despertou esse desejo?
FT -
 Eu lembro que eu já estava há uns seis anos na P&G, eu namorava meu marido já na época, e eu, que sempre fui uma pessoa muito entusiasmada, cheia de coisas para contar, adorava compartilhar novidades sobre os meus projetos, sobre as questões da empresa, inovações, ativações e propagandas... De repente eu me peguei desanimada.

E eu até falei assim: 'Ah, acho que é um período, tal'. Voltei, me concentrei, e aí eu enxerguei: 'Não, não é temporário'. Ainda eu tentei mudar de empresa, eu fui para a Amazon e aí, depois de um tempo, realmente não era uma questão da empresa, porque eu mudei de empresa; era uma questão minha.

Ou seja, “dentro de mim”, um desânimo estava querendo me dizer que era tempo de colocar a minha energia em um novo projeto, na minha ideia da ÁGUA NA CAIXA®️, que já existia na época, mas que era hora de me dedicar 100% para a ÁGUA NA CAIXA®️.

O que me fez perceber foi eu deixar de ser como eu sempre fui: animada, entusiasmada, cheia de energia. Quando eu vi que eu já não estava mais conseguindo ser esse entusiasmo todo dentro do mercado corporativo, eu senti que era o momento de me dedicar 100% para a ÁGUA NA CAIXA®️.

CE -  Em 2016, você e Rodrigo Gedankien decidiram empreender e fundaram a ÁGUA NA CAIXA®️. De onde surgiu a ideia e o que fez você acreditar que aquele projeto poderia realmente se transformar em uma empresa?
FT -
 Em 2016 eu tive essa ideia em uma viagem para os Estados Unidos, na cidade de Salt Lake City, no estado de Utah. Fui tomar um café da manhã com o meu irmão, que hoje também trabalha com a gente na ÁGUA NA CAIXA®️. E lá eu tive, pela primeira vez, a oportunidade de ver uma água na caixa. Peguei uma água na caixa na mão e foi assim, instantânea a ideia, a possibilidade de fazer isso no Brasil.

Porque logo de cara, achei o produto muito bonito. Eu acho que esse aspecto de estética, de belo, de bonito, uma coisa assim de você olhar e falar: 'Cara, isso aqui dá vontade... não dá vontade de jogar fora, dá dó de jogar fora'.

Então esse aspecto do design foi o que realmente me chamou mais atenção e que me deu convicção de falar assim: 'Cara, não tem uma água tão bonita assim no Brasil'.

E o ser humano gosta muito de coisa nova, de coisa bonita, descolada. Vivemos indo atrás de coisas que nos representem, produtos que nos representem. Através da beleza do produto, você se sente representado. A gente está o tempo todo comprando isso através de tênis, roupa, carro... Hoje em dia as pessoas estão indo em cafeterias tomar cafés, milk-shakes, sorvetes...

O tempo todo procurando no produto, na experiência, no serviço, algo que te represente em inovação, em ser algo bonito, descolado. Então, logo que eu vi a caixinha pela primeira vez em 2016, eu já tive essa certeza de que daria certo.

CE - Empreender como mulher ainda traz desafios particulares? Você já sentiu que precisou provar mais sua capacidade ou ocupar espaços de uma maneira diferente por ser mulher?
FT -
 Na minha experiência, eu não precisei me provar mais — a minha capacidade — ou ocupar espaços de uma maneira diferente por ser mulher.

Nisso eu tive muita sorte de ter investidores que são pais, avôs... Eu tive muita sorte de ter pessoas por perto que entendem e compreendem esse espaço da mulher empreendedora que também é casada e quer ter filhos. Então eu nunca tive desafios em relação a isso.

Mas eu tive, sim, um desafio enorme porque a gente lançou a ÁGUA NA CAIXA®️ em 2021; a Sofia, minha primeira filha, nasceu em 2020, o José em 2022 e a Bianca em 2024. Foi um desafio enorme que eu nem imaginava: empreender na ÁGUA NA CAIXA®️ e empreender no maior “empreendimento da minha vida”, que é criar a minha família. Acho que o grande desafio foi fazer os dois juntos!

CE - A ÁGUA NA CAIXA®️ nasceu com um propósito muito claro de unir consumo, praticidade e sustentabilidade. Como transformar uma preocupação ambiental em um produto que também conquiste emocionalmente o consumidor?
FT -
 A ÁGUA NA CAIXA®️ nasceu com um propósito muito claro de unir inovação, experiência e sustentabilidade. E o que conseguimos fazer até hoje é transformar sustentabilidade — que hoje é um tema que muitas vezes existe um preconceito de ser algo chato, boring, o caro que não é descolado — no nosso grande desafio: transformar algo sustentável em algo também muito bonito, muito atraente, muito desejado, descolado... Esse não só foi, como é o grande desafio da ÁGUA NA CAIXA®️. Usar do aspecto de design, de estética, de inovação e de experiência para tornar um produto sustentável e desejado também.

CE - Em 2021, a empresa lançou a primeira e única água mineral carbono neutro do Brasil. Qual foi o momento mais desafiador dessa jornada e aquele em que você pensou: “agora conseguimos”?
FT -
 Acho que toda empresa nova deve passar por esse desafio que a ÁGUA NA CAIXA®️ passou, que me fez pensar: 'será que agora vamos conseguir?', que eu acho que é o aspecto de caixa. Ou seja, você como uma empresa nova, uma marca nova, precisa investir muito. Por outro lado, eu e o Rodrigo sempre fomos muito pé no chão em relação a isso.

E teve momentos em que a falamos: 'Cara, a gente precisa investir mais, mas a gente quer também proteger o nosso caixa, a gente não quer gastar mais do que a gente pode', mas tinham oportunidades na mesa que exigiam investimento...

São todas essas dúvidas que naturalmente irão aparecer na mesa do empreendedor e que trouxeram esse sentimento de: 'será que a gente vai conseguir agora?'. E nós conseguimos, e, estamos conseguindo! Acho que é uma questão de ter esses dois lados bem balanceados: investir e o guardar.

Eu e o Rodrigo na ÁGUA NA CAIXA®️ temos muito essa composição, que é fundamental para um negócio de sucesso. Ou, se é um empreendedor único, dentro dele precisa ter esses dois lados: um corajoso de investir, de empreender, de dar um passo sem você ter todas as páginas do livro preenchidas, mas também precisa do outro lado alguém muito pé no chão, muito responsável, muito prudente, sempre querendo minimizar os riscos da empresa. E é essa composição que eu e o Rodrigo fizemos para trazer a ÁGUA NA CAIXA®️ até o dia de hoje.

Entrevista exclusiva com Fabiana Tchalian, destaque e inspiração no empreendedorismo femininoA empresária Fabiana Tchalian é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Divulgação - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana 

CE - Qual foi o maior erro ou aprendizado da sua trajetória como empreendedora? Existe alguma decisão difícil que, olhando hoje, acabou sendo essencial para o crescimento da empresa?
FT -
 Eu acho que o maior erro — mas que é muito difícil você chamar de erro —, é muitas vezes pelo medo de errar... Olha que interessante: pelo medo de errar, você acaba demorando para tomar decisões importantes para a empresa. Com o passar do tempo, essa demora causada pelo medo de errar se torna um erro que a gente gostaria de não ter errado.

Mas é uma equação muito complexa, muito difícil. Eu acho que a tomada de decisão rápida é o maior acerto de uma empresa. Eu gosto de falar sempre no positivo, não gosto de falar do negativo, do erro, do não. E qual foi o maior acerto que tivemos na ÁGUA NA CAIXA®️? Foi sempre que conseguimos tomar decisões importantes, conscientes e rápidas.

CE - Você está à frente de uma empresa, mas também de uma marca que carrega um propósito. Como conciliar liderança, resultados, inovação e, ao mesmo tempo, manter os valores que deram origem ao negócio?
FT -
 Essa pergunta é muito boa, é sobre como conciliar e como alcançar altos níveis de liderança, altos níveis de resultados positivos, de inovação e, ao mesmo tempo, manter os valores do negócio. Minha resposta é muito simples: se eu quero ir rápido, eu vou sozinha; se eu quero ir longe, eu preciso ir junto.

A única forma de eu conseguir manter o meu negócio com altos níveis de inovação, com uma boa liderança, com uma boa gestão, é só pedindo ajuda. E aqui, pedindo ajuda é: para o fundo que investiu na ÁGUA NA CAIXA®️, para os investidores que investiram na ÁGUA NA CAIXA®️, para os funcionários da ÁGUA NA CAIXA®️, para a minha rede de apoio,  — porque sem ela eu também não consigo dar o meu melhor para a ÁGUA NA CAIXA®️ — para os meus amigos que têm experiências de empreendedorismo e que podem colaborar comigo, para pessoas que trabalharam comigo na P&G ou na Amazon e que podem me ajudar nessa jornada...

Então, a única forma que eu acredito que pode dar certo nessa jornada empreendedora de segurar vários pratinhos lá em cima é só pedindo e contando com a ajuda da sua rede — você pode chamar de networking, amigos, família, funcionários e tudo mais. Só pedindo ajuda.

CE - Que conselho você daria para uma mulher que tem uma ideia, um sonho de empreender, mas ainda sente medo de dar o primeiro passo? O que você gostaria de ter ouvido quando começou?
FT -
 Essa pergunta é superdifícil de responder, que conselho daria para uma mulher que tem uma ideia, um sonho, porque foram muitos aspectos que juntos me deram condições de conseguir seguir o meu sonho de empreender. Mas eu vou focar naquele que dependeu só de mim.

Primeiro: não desistir. Porque se você tem um sonho de empreender, não desista. E o segundo é: faça tudo, faça tudo da melhor maneira possível, dê o seu melhor! Não faça pela metade, não faça uma conversa com meia energia, não assine um contrato que está 'meio bom'... Tente fazer, dê o seu máximo para fazer tudo da melhor maneira possível.

E não se compare! Ou seja: 'Ah, porque o fulano de tal está fazendo outra coisa que é melhor que o meu'. Não se compare. Você está fazendo o seu máximo, então segue em frente.

Resumindo: não desista e dê o seu melhor em todos os pequenos aspectos desse trabalho, desse empreendimento, dessa relação. Em conversas importantíssimas com grandes empresas ou em conversas simples com fornecedores, com pessoas com quem você se encontra, com clientes com quem você tem relacionamento: dê o seu melhor! Esse é o conselho que eu daria.

Entrevista exclusiva com Fabiana Tchalian, destaque e inspiração no empreendedorismo femininoA empresária Fabiana Tchalian - Divulgação

CE - Como é conciliar vida pessoal e profissional? E como elas te inspiram?
FT -
 Conciliar a vida pessoal e profissional é um grande mestrado em gestão. Essa é a minha conclusão. Uma mãe de três filhos que também está empreendendo e tem um negócio bem-sucedido, ela tem um mestrado e pós-doutorado em gestão, pode ter certeza absoluta. Ela talvez pode não ter a expertise financeira muito específica, mas que ela consegue resolver qualquer problema que aparecer na frente dela, disso você pode ter certeza absoluta.

Minha frase aqui é: conciliar a vida pessoal e profissional tem sido um mestrado e um pós-doutorado em gestão. Gestão de pessoas, gestão de recursos, gestão de inteligência emocional...  Tem sido uma grande formação em gestão e isso me deixa muito feliz, porque eu tenho certeza absoluta que a ÁGUA NA CAIXA®️ é só o meu primeiro negócio, eu vou fazer muitos outros...

CE - Para terminar, olhando para tudo o que já construiu, qual é o seu grande sonho daqui para frente — para a ÁGUA NA CAIXA®️, para o empreendedorismo feminino e para a Fabiana como mulher?
FT -
O meu sonho daqui para frente é: primeiro, que meus filhos sintam orgulho de mim da mesma, da maneira como eu sinto orgulho da minha mãe, da minha avó. E eu sei que a minha mãe também sente orgulho da mãe dela. Isso é primordial para mim!

Que eu e meu marido sigamos muito felizes nesse nosso sonho de empreender dentro da nossa família! E que eu, como empreendedora, me torne investidora. Eu não vejo a hora de investir em outros empreendedores e empreendedoras, em outras ideias, e que eu possa colaborar como mentora, como conselheira — coisa que eu já comecei a fazer — para outras ideias que também me apaixonam.

E que, junto com tudo isso, eu também possa dar vazão a outras ideias que eu também já tenho e que estou guardando para o momento certo para poder me dedicar mais a esses novos negócios.

Entrevista exclusiva com Fabiana Tchalian, destaque e inspiração no empreendedorismo femininoFabiana ao lado do primo e sócio Rodrigo Gedankien - Divulgação

 

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