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Arte

Hotel Gaspar reabre as portas para performance de Halisson Nunes, com espetáculo gratuito

Performance de Halisson Nunes, "Corpo Sobre Penas", ocupa o histórico hotel e convida o público a desacelerar propondo reflexão sobre tempo, escassez e resistência na vida contemporânea

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Entre a aridez e a permanência, entre o que falta e aquilo que insiste em existir, um corpo se movimenta – lento, fragmentado, em constante reconstrução. É nesse território de tensões que nasce o espetáculo de dança “Corpo Sobre Penas”, nova criação do artista sul-mato-grossense Halisson Nunes, que estreia nesta sexta-feira e sábado, às 19h30min, no Hotel Gaspar, em Campo Grande.

Com entrada gratuita (mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível ou item de higiene para a Central Única das Favelas) a performance convida o público a uma experiência sensorial que passa pela dança, a literatura e as artes visuais, propondo uma reflexão sobre a seca, a lentidão e os modos de existência na contemporaneidade.

REFERÊNCIAS

Inspirado em obras clássicas como o livro Vidas Secas, a pintura “Retirantes” e a figura do monstro de Frankenstein, o espetáculo busca capturar a essência estética e simbólica que essas histórias carregam.

“A inspiração não vem como dramaturgia, mas na plasticidade em si. Aqui a proposta não é reproduzir a figura de cada obra, mas a força e a ideia de movimento e de tempo que as imagens carregam”, explica Halisson.

Com cerca de 40 minutos de duração e classificação livre, “Corpo Sobre Penas” constrói uma poética em que o corpo não representa personagens ou situações específicas – ele se transforma em campo de forças, marcado por ausência, resistência e reinvenção.

CORPO COMO TERRITÓRIO

Partindo do projeto “Corpo Fantasma – Protótipo A”, a performance investiga um corpo que passa por excessos e faltas, que busca se reorganizar diante das pressões do mundo contemporâneo. Em cena, o movimento surge como resposta à escassez, mas também como tentativa de permanência.

“É um corpo que se constrói no espaço, atravessando estímulos sensoriais e propondo a lentidão como gesto de resistência e diálogo com a plateia”, afirma o artista.

Essa escolha pela lentidão se destaca como contraponto ao ritmo acelerado da vida atual. Ao desacelerar, o espetáculo abre espaço para a percepção, para o detalhe e para o encontro, tanto entre corpo e ambiente quanto entre artista e público.

TRILHA SONORA

A criação é assinada em parceria com o artista paulista Fernando Martins, responsável pela trilha sonora e direção artística. Com quase quatro décadas de trajetória na dança, Fernando desenvolve pesquisas que articulam movimento, música e dramaturgia.

Segundo ele, o som não atua apenas como acompanhamento, mas como força ativa na construção da cena. “O som não acompanha a cena, ele interfere. Afeta decisões, ritmo e presença”, afirma.

O processo criativo ocorreu ao longo de meses, em um intercâmbio entre Mato Grosso do Sul e São Paulo, combinando encontros presenciais e investigações à distância. Para os artistas, o trabalho agora atinge um momento de maturidade.

“Hoje o trabalho está em um estado mais fino de lapidação. Não buscamos mais o que fazer, mas como sustentar o que emergiu”, completa Fernando.

PESQUISA CORPORAL

De forma sutil, a performance também passa por duas pesquisas desenvolvidas por Fernando Martins: “Brain Diving” e “Dieta Aranha”. Essas práticas investigam o corpo como um campo sensível, capaz de captar, organizar e responder às forças que o atravessam.

Enquanto o “Brain Diving” propõe um mergulho nas camadas musculares e articulares – ativando respiração, impulsos e microdinâmicas internas – a “Dieta Aranha” explora relações de percepção e composição com o ambiente, apostando na suspensão do tempo, no alongamento do movimento e na atenção ao entorno.

Esses elementos não aparecem de forma explícita, mas influenciam diretamente a qualidade do movimento em cena. “Conhecer o trabalho do Fernando amplia o campo de criação. Existe algo dessa pesquisa que atravessa a performance de maneira sensível, mesmo que não seja explícito”, comenta Halisson.

HOTEL GASPAR

Mais do que um simples cenário, o Hotel Gaspar é parte fundamental da narrativa. Inaugurado na década de 1950, o local foi um dos principais pontos de chegada e partida da cidade, funcionando inclusive como a primeira rodoviária de Campo Grande.

Hotel gasparHotel Gaspar - Foto: Arquivo / Divulgação

Conhecido como o “pai dos viajantes”, o espaço testemunhou histórias de encontros, despedidas e recomeços – elementos que dialogam diretamente com o conceito de deslocamento presente no espetáculo.

Atualmente desativado, o hotel reabre de forma pontual para receber o projeto, reforçando sua vocação como espaço de memória e transformação.

Para a proprietária, Chris Gaspar, a ocupação artística também carrega um significado afetivo. “O Halisson chegou com muito cuidado e respeito pela história do lugar. Isso fez toda a diferença”, afirma.

Ela destaca ainda que este será seu último evento à frente do espaço e manifesta o desejo de que o local seja preservado como equipamento cultural. “que o poder público pudesse manter este legado, abrindo o hotel como espaço para cultura da cidade, com eventos, saraus, biblioteca”, completa.

FORMAÇÃO

Além das apresentações, o projeto promove uma roda de conversa no domingo, às 10h, com café da manhã para os participantes. O encontro busca ampliar o diálogo sobre o processo criativo e aproximar o público das reflexões que sustentam a obra.

Halisson Nunes é acadêmico do curso de Dança – Licenciatura na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e desenvolve, há mais de dois anos, uma pesquisa no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic).

Seu trabalho investiga imagens e textos como dispositivos de criação cênica, com foco em territórios e patrimônios históricos de Campo Grande.

Integrante do grupo de pesquisa Gpped – Corpo, Leitura e Memória – o artista utiliza referências como “Retirantes” e “Vidas Secas” para pensar a relação entre corpo, memória e espaço urbano, dando origem ao projeto Corpo Fantasma.

Já Fernando Martins atua há 39 anos na dança, com passagens por companhias nacionais e internacionais, como Galili Dance, Quasar e Balé da Cidade de São Paulo. Atualmente, vive em Piracaia (SP), onde conduz processos criativos e residências artísticas, mantendo forte colaboração com artistas de Mato Grosso do Sul.

>> Serviço

Projeto Corpo Fantasma – Espetáculo “Corpo Sobre Penas”

Local: Hotel Gaspar;
Endereço: Av. Mato Grosso, nº 2, no Centro.

Apresentações:
Datas: Sexta-feira e sábado;
Horário: 19h30min;
Entrada gratuita (doação de 1 kg de alimento ou item de higiene).

Roda de conversa – Processo criativo
Data:
Domingo;
Horário: 10h (com café da manhã).

Para acompanhar mais sobre o projeto, o público pode acessar o Instagram 
do artista: @umcorposobrepenas.

Pet Correio B+

Uma refeição equilibrada com nutrientes e energia que o seu pet precisa

Alimentos completos e balanceados são formulados para cada espécie e fase da vida, sem a necessidade de combinar vários alimentos ou de suplementação

24/10/2026 14h30

Uma refeição equilibrada com nutrientes e energia que o seu pet precisa

Uma refeição equilibrada com nutrientes e energia que o seu pet precisa Foto: Divulgação

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A alimentação equilibrada é fundamental para a saúde, o bem-estar e a longevidade, tanto dos seres humanos quanto dos animais. Proteínas, gorduras, vitaminas e minerais desempenham funções essenciais no organismo e precisam ser fornecidos em quantidades adequadas. Embora as exigências nutricionais sejam diferentes entre humanos e pets, o princípio é o mesmo: uma dieta equilibrada é indispensável para a manutenção da vida.

No caso dos cães e gatos, a combinação desses nutrientes é planejada de acordo com as particularidades de cada espécie e fase de vida. Os alimentos completos e balanceados são formulados para fornecer os nutrientes necessários para manutenção da saúde dos animais, nas proporções adequadas e podendo considerar ainda fatores como as necessidades nutricionais específicas de porte, raça, castração, enfermidades, nível de atividade física entre outros.

É como um prato equilibrado, que reúne diversos nutrientes em uma única refeição, porém, sem a necessidade de combinar vários alimentos para atender às necessidades nutricionais do animal.

Os avanços científicos também contribuíram para transformar a alimentação de cães e gatos ao longo dos anos. A intensificação do vínculo entre humanos e seus animais de estimação elevou as exigências dos responsáveis pelos pets, ampliando a busca por um portfólio mais sofisticado.

Esse movimento impulsionou investimentos em pesquisa e tecnologia, possibilitando o desenvolvimento de alimentos cada vez mais especializados e personalizados. “Diretrizes de instituições internacionais, como a FEDIAF (Federação Europeia da Indústria de Alimentos para Animais de Estimação) e publicações técnicas, como o Manual Pet Food da ABINPET, contribuem para ampliar o conhecimento sobre as necessidades nutricionais de cães e gatos. Hoje, contamos com ingredientes e tecnologias que permitem desenvolver fórmulas adequadas a diferentes fases da vida e particularidades, como envelhecimento, castração e controle de peso”, explica Lívea Maria Gomes, Zootecnista que atua no time de treinamento da Adimax.

Além de fornecer os nutrientes essenciais na quantidade certa, algumas formulações também incorporam ingredientes funcionais, ou seja, que podem oferecer benefícios específicos à saúde dos pets. Entre eles estão os prebióticos, condroprotetores, antioxidantes naturais, entre outros que, a depender dos ingredientes incluídos na formulação, podem contribuir para diminuir os sinais do estresse, auxiliar na saúde intestinal, colaborar no cuidado das articulações, promover uma pelagem mais bonita, auxiliar com os cuidados orais e até promover mais energia e vitalidade ao animal. A presença e a combinação desses componentes variam conforme a formulação e os objetivos nutricionais de cada alimento.

Por isso, a escolha de um alimento deve levar em conta as características e as necessidades nutricionais de cada pet. Uma formulação adequada à espécie, à fase da vida e às particularidades do animal permite oferecer, em uma única refeição, os nutrientes necessários para uma alimentação completa e balanceada.

Representatividade

Nipo-brasileira, Mariana lança o álbum "Matsui" e leva vendas de CDs ao Japão

Douradense traz um trabalho recheado da sonoridade presente no Brasil e na Terra do Sol Nascente, que conta com participação de Marcos Valle, Lisa Ono, Jaques Morelenbaum e mais

24/10/2026 13h30

Neta de japoneses, ela conta que anos vividos no Japão trouxeram experiências que influenciaram diretamente sua música

Neta de japoneses, ela conta que anos vividos no Japão trouxeram experiências que influenciaram diretamente sua música Foto: Divulgação / Paulo Mancini

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Douradense nipo-brasileira, a cantora Mariana Matsui lança seu primeiro álbum na quarta-feira, disco esse feito pela gravadora japonesa Rambling Records que é batizado com o seu nome e evidencia essas raízes da artista e toda essa afirmação de sua identidade musical edificada entre o Brasil e a Terra do Sol Nascente.

De nome “Matsui”, esse disco também vai ter uma versão no formato popular Compact Disc (CD) que nos dias atuais é encarado quase que uma peça vintage, que terá distribuição nas principais lojas de música japonesas.

Ao todo, o álbum “Matsui” possui nove faixas e traz releituras de canções de artistas que marcaram a formação de Marina, além, é claro, de composições autorais e obras que foram criadas especialmente para esse projeto. A cantora faz questão de destacar quatro nomes importantes para suas bases musicais: Marcos Valle, Lisa Ono, Jaques Morelenbaum e Takuya Kuroda participam do disco, trazendo diferentes experiências e sonoridades, em um repertório que passa pelo MPB, a bossa-nova, o jazz e até o soul. 

Com produção assinada por Big Rabello, “Matsui” traz ainda a colaboração do pianista e arranjador Salomão Soares. 

VIDA ARTÍSTICA

Neta de japoneses, Mariana Matsui conta que os anos vividos no Japão lhe proporcionaram experiências que influenciaram diretamente a sua relação com a música e a cultura orientais. A artista iniciou sua trajetória musical aos oito anos, com estudos de canto popular e violão.

Anos depois ela ingressa no Conservatório Souza Lima e Berklee College of Music, que fica em São Paulo, carregando na bagagem como artista apresentações em diversas cidades ao redor do globo, como: Lisboa, Osaka e Tóquio, passando por espaços como Blue Note São Paulo, Billboard Live Tokyo e Blue Note Tokyo, além do Fuji Rock Festival.

No dia 18 de novembro o novo CD pela gravadora japonesa Rambling Records devem começar a chegar nas lojas do país oriental, o que para Mariana Matsui carrega um significado muito especial, tendo em vista que o Japão tende a valorizar formatos físicos, capas, encartes e mais como parte de uma verdadeira experiência musical. 

Para além do lançamento de seu álbum, Mariana Matsui prepara ainda uma série de apresentações na Terra do Sol Nascente. No dia 3 de novembro ela participa do Bossa Aoyama, evento que será realizado em Tóquio, apoiado inclusive pela Embaixada do Brasil. 

Já no dia 6 de novembro, Mariana Matsui apresenta-se ao lado do artista de ikebana Ryota Hagiwara. No dia 8 de novembro, segue para Yokohama, onde integra a programação do Local Green Festival. Por fim, um show de lançamento do disco será feito para convidados na Soho House Tokyo, no dia 16 de novembro. 

Como bem revela a artista, um dos encontros mais significativos do álbum “Matsui” acontece na faixa composta por Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, “Mentira”, lançada em 1973. Essa canção marcada pelo groove traz uma letra que é marcada por todo o contexto da ditadura militar brasileira, durante a qual foi escrita, ganhando uma nova interpretação com a participação de Valle.

“Marcos Valle é uma grande referência musical para mim, desde o início da trajetória dele na bossanova, passando pela incorporação de outros elementos sonoros, como jazz, funk e pop”, expõe Matsui. 

Mariana chegou a visitar Marcos Valle em sua casa, no Rio de Janeiro, após a gravação, recebendo elogios do compositor sobre o novo arranjo e conversou com a cantora sobre sua abertura para colaborar com artistas de outras gerações.

Segundo Mariana, ele também revelou que trechos da letra original precisaram ser retirados por conta da censura durante a ditadura militar, embora a mensagem central tenha sido preservada.

“É impressionante pensar que uma canção de mais de 50 anos continua, de certa forma, tão atual. Acho que isso diz muito sobre a potência da composição e também sobre questões da nossa sociedade que continuam presentes. Quis trazer uma releitura que preservasse a essência do Marcos, mas que também dialogasse com a minha musicalidade e com a proposta do disco”, afirma ela. 

Outro destaque vai para a participação da brasileira Lisa Ono na faixa “Kawa No Nagare No Yoni”, que é considerado um dos grandes clássicos da música japonesa, eternizada principalmente na voz de Misora Hibari, que lançou a canção como single em 1989.

Essa composição atravessa gerações com a comparação do curso de um rio aos caminhos e transformações da vida.

Na versão de Mariana Matsui, a música ganha um novo arranjo, com influências de bossa-nova e jazz, sob produção do pianista e trompetista Mao Sone. Lançada previamente, a faixa foi escolhida como primeiro single do álbum e representa uma conexão especial com as origens japonesas da cantora.

“É uma música que todo filho e neto de japonês conhece. Ela me remete à infância, à família, às colônias, à convivência entre avós, filhos e netos. O álbum é majoritariamente de música brasileira, mas essa faixa sintetiza esse lugar de encontro entre as minhas raízes”, afirma Mariana.

No repertório de “Matsui” ela inclui ainda “Somewhere”, composição de Mariana com participação do trompetista japonês Takuya Kuroda, e “Lullaby”, escrita após a cantora descobrir que estava grávida do seu primeiro filho, gravação esta que contou com a vinda ao Rio de Janeiro de Jaques Morelenbaum, que participou de uma sessão ao vivo, registrada em um único take com o pianista Salomão Soares.

Entre as autorais aparecem “Olhos Morenos”, “Abençoa” e “Oxum (Tua Filha)”, parceria com Saulo Fernandes e Renato Iwai. Completam o repertório releituras de “Fotografia”, de Antonio Carlos Jobim, e da canção japonesa “Manatsu No Kajitsu”.

“Eu sinto esse pertencimento às duas culturas, que podem coexistir, mesmo sendo tão distantes. Ser esse elo entre Brasil e Japão é muito especial, honra meus ancestrais e me ajuda a entender quem eu sou no mundo”, diz a cantora.

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