Correio B

Felpuda

O governador Eduardo Riedel entra no ano eleitoral de 2026 com dois alvos...Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta segunda-feira (19)

Continue lendo...

Lya Luft - escritora brasileira
"Que a gente se divirta sem se matar, que ame sem se contaminar, que aprenda sem se enganar, que viva sem se vender”.

 

FELPUDA

O governador Eduardo Riedel entra no ano eleitoral de 2026 com dois alvos no coração de sua administração, para alegria dos adversários. Um deles, bem vistoso: o empréstimo de quase R$ 1 bilhão com o Banco do Brasil, autorizado pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, e o outro se refere às promessas não cumpridas. Sobre o “cofrinho bilionário”, terá que passar a campanha eleitoral dando explicações ali, lá, acolá e alhures. Já o que não foi cumprido vai ser utilizado pelos adversários para questionar sua fama de bom técnico e excelente gestor.

Realidade

Pesquisa mostra que 68,6% das famílias campo-grandenses estavam endividadas em dezembro de 2025, acima dos 65% registrados no mesmo período de 2024, indicando mais compromissos parcelados como cheques pré-datados, cartões de crédito e empréstimo pessoal.

Mais

Em números absolutos, isso representa 226.248 famílias endividadas. Os dados são de pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, com análise do Instituto de Pesquisa da Fecomércio MS.

Maria Augusta Waqued e Rachid Waqued

 

Kiki Pinheiro e Helô Pinheiro

Na espera

Nos bastidores políticos, circulam comentários de que se o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, decidir apoiar Lula, o vice-governador Barbosinha, deverá deixar a sigla. Cotado para ocupar o mesmo cargo na chapa de reeleição do governador Riedel, ele teria convites de vários partidos, entre eles, o União Brasil e o Republicanos. Atualmente, Kassab é secretário de Governo e Relações Institucionais do governador Tarcísio de Freitas (SP).

"A laço"

Político de direita ironizou o “desespero” do PT de Mato Grosso do Sul para encontrar alguém que queira disputar a segunda vaga ao Senado pela legenda. Segundo ele, a esquerda estaria tentando “pegar a laço” um nome para fazer dobradinha com o deputado federal Vander Loubet e está sugerindo até que o senador Nelson Trad Filho (PSD) venha a ser mais um novo “companheiro”, assim como o irmão Fábio Trad, que poderá ser candidato a governador.

Sonho meu...

Acalentando o sonho de ser deputado federal e tendo já tentado em outras ocasiões sem sucesso, o deputado estadual Roberto Hashioka deverá fazer nova tentativa este ano. Ele tem longa trajetória na vida pública: foi prefeito de Nova Andradina, diretor-presidente da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos e do Detran, secretário de Administração e de Relações Institucionais da Secretaria de Infraestrutura de Mato Grosso do Sul.

Aniversariantes

  • Juliana Cristina Ferreira Abes Xavier,
  • Denise Ramos Flores Bisogenin,
  • Consuelo Pinto de Arruda,
  • Yasmine Ferreira de Melo,
  • Maria da Graça Barbosa Tomaz,
  • Marlon Nantes Foss,
  • Dalcides Pleutin Miranda,
  • João Baptista Maciel Monteiro Neto,
  • Sami Moussa Chamoun Georges,
  • Shodi Ishi (Ilson),
  • Silvania Batista dos Santos,
  • Sônia Regina de Souza,
  • Carolina Sornas de Almeida,
  • Cláudia Matos,
  • Sebastião Antunes Marinho,
  • Wellington Davi Teslenco,
  • Lílian Mara Dela Cruz,
  • Érica Tanowe Maddalena,
  • Kauê Pedro,
  • Juliana Lanari de Aragão,
  • Luiz Otavio Gottardi,
  • Elizabete Coimbra Lisbôa,
  • José Carlos Tavares do Couto (Zeca),
  • Dra. Arlete Delfina Marques Maia,
  • Donato Lopes da Silva,
  • Genivaldo Medeiros dos Santos,
  • Camila Teodoro Matos,
  • Laureen Vieira Praxedes,
  • Evellyn Guerrieri de Oliveira,
  • Ademir Kawahira,
  • Diego Augusto Granzotto de Pinho,
  • Ana Cristina Silva Cangussu,
  • Edmar Antonio Travain,
  • Anna Paula Falcão Bottaro,
  • Cláudio Takeshi Iguma,
  • Euclides José Bruschi Junior,
  • Silvia Maria Giroldo,
  • Aline Daniela de Almeida Defante,
  • Carlos Roberto dos Santos Okamoto,
  • Everton Heiss Taffarel,
  • Fabiana de Moraes Cantero e Oliveira,
  • Gerozino Ribeiro de Oliveira,
  • Dr. Marcos Zborowski Pollon,
  • Alisson Henrique do Prado Farinelli,
  • Annelise Guimarães Freire,
  • Adriana Moreira dos Santos,
  • Fátima Marques da Cunha,
  • Alan Gustavo Barbosa Monteiro,
  • Dr. Marcos Otto Mata,
  • Daniela Guerra Garcia,
  • Alfredo Chagas Chebel,
  • Edson Takeshi Nakai,
  • Alexandre Augusto Rezende Lino,
  • Ernesto Scapin Junior,
  • Fabio Theodoro de Faria,
  • Anderson Fabiano Pretti,
  • Edson Aparecido Bernardinelli Junior,
  • Graziela Enderle Banak,
  • Leonardo Costa da Rosa,
  • Heitor Evaristo Fabricio Costa,
  • Isabela de Azevedo Perez Soler,
  • José Roberto Carli,
  • Luciana Reich,
  • Júlio Furlaneto Bellucci,
  • Beatriz Fonseca Sampaio Stuart,
  • Gustavo Amato Pissini,
  • Karla Gonçalves Amorim,
  • Leonice Uhde Rovedo,
  • Marcus Faria da Costa,
  • Luis Marcelo Benites Giummarresi,
  • Marcelo Tavares Siqueira,
  • Luiz Antonio Barbosa Correa,
  • Matheus Valerius Brunharo,
  • Marcelo Battilani Calvano,
  • Luzia Haruko Hirata,
  • Marcelo da Cunha Resende,
  • Renata Gonçalves Pimentel,
  • Marcelo Dallamico,
  • Pedro Mendes Fontoura Netto,
  • Marcelo Esnarriaga de Arruda,
  • Priscila Castro Rizzardi,
  • Lyane Moretti,
  • Raquel do Valle Pereira,
  • Mohamed Reni Alves Akre,
  • Luiz Carlos Dobes,
  • Moacir Akira Yamakawa,
  • Simone Camargo Schell,
  • Bruna Czarneski Peró,
  • Roseli Maria Del Grossi Bergamini,
  • Thais Yumi Komiyama,
  • Rosimary Emiko Iamamoto,
  • Jeidir Monteiro Daroz,
  • Paulina Saab Mujica,
  • Zay Walquiria Siqueira da Silva,
  • Catarina Alves de Oliveira,
  • Laura Margarida Cafure,
  • José Carpes Espíndola,
  • Arlindo Seiki Itiki,
  • Roberto Tarashigue Oshiro Junior,
  • Veruska Insfran Falcão de Almeida,
  • Rodrigo Massuo Sacuno,
  • Ronaldo Pozzi Barbirato Barbosa,
  • Ruth Cavalcanti Tamasato,
  • Vânia Terezinha de Freitas Tomazelli,
  • Walter Ravasco da Costa,
  • Ângela Maria Censi.

CHANEL

Ovelha pet tem vida de luxo com direito a babá, vestidos e passeio no shopping

Animal foi rejeitado pela mãe quando nasceu e hoje vive vida de "princesa" com sua família humana

04/03/2026 12h05

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolas

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolas MARCELO VICTOR

Continue Lendo...

Chanel, ovelha pet, nasceu no “berço de ouro”, vive como princesa e, possui várias regalias que um ser humano comum não tem acesso.

Mimada, o animal é de estimação e mora com sua tutora em um condomínio localizado em Campo Grande (MS).

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasOvelha Chanel e sua dona, a empresária Milaine Marçal. Foto: Marcelo Victor

Geralmente, ovelhas vivem em áreas rurais, fazendas, chácaras, ranchos e pastos. Mas, Chanel é diferenciada: domesticada, vive em casa e é considerada membro da família, como se fosse a filha caçula de Milaine Marçal, sua tutora.

Princesa da mamãe e “filha” mais nova, tem uma vida de luxo inalcançável para muitos humanos:

  • passeia no shopping
  • passeia no rancho três vezes na semana
  • tem babá para cuidar dela, fazer companhia, trocar a fralda e dar comida e água
  • tem costureira particular
  • toma banho no petshop toda semana
  • possui vestidos personalizados, sob medida, de várias cores e estilos
  • dorme em uma cama confortável e quentinha
  • dorme oito horas de sono por noite
  • tira soneca durante o dia
  • tem alimentação balanceada
  • recebe água e comida na hora certa
  • possui milhares de seguidores no Instagram
Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasChanel adora tirar uma soneca no sofá a tarde. Foto: Marcelo Victor

Chanel é privilegiada e tem a vida que muitas pessoas trabalham duro anos e anos para conquistar.

Tudo começou quando Milaine sentiu o desejo em seu coração de ter uma cabra. Com isso, pesquisou como era o comportamento do bicho e viu que não seria viável e, então, perceberam que uma ovelha seria melhor. Em seguida, estava decidida em comprar o animal.

Logo soube da história de Chanel, que foi rejeitada e abandonada pela mãe quando nasceu e quase morreu largada no pasto sozinha. Com isso, pegou a ovelha para criar e, até então, para morar no rancho com as outras ovelhas.

Mas, pegou carinho e afeto pelo animal e o levou para morar em sua casa, junto com sua família. Ela teve que se readaptar: antes, morava em um apartamento e teve que se mudar para uma casa, por conta da chegada da ovelha.

“Já estava combinado que iria ficar no rancho, a gente iria pagar a estadia dela no rancho assim como fazemos com os nosso cavalos, e iríamos visitar ela lá com frequência, mas quem diz que consegui? Me apeguei a ela e não consigo mais viver sem ela”, contou a tutora.

Hoje, após ser rejeitada pela mãe, vive uma vida de "dondoca" com tudo do bom e do melhor com sua família humana.

OVELHA CHANEL

A ovelha é da raça Santa Inês, tem 4 meses de vida e 20 quilos. Sua expectativa de vida é de 12 anos e pode

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasChanel vestida de Branca de Neve para o Carnaval 2026. Foto: Marcelo Victor

chegar até 40 quilos.

Se alimenta de feno, alfafa peletizada, ração para ovinos e água. Quando era recém-nascida, tomava 1,5 litro de leite, por dia, na mamadeira.

Usa fralda geriátrica e troca pelo menos 10 vezes por dia. Ela tem babá, que dá água/comida e faz companhia, pois a ovelha não gosta de ficar sozinha.

De acordo com sua dona, os gastos de Chanel giram em torno de R$ 2 mil por mês.

Sua rotina é acordar às 6h, comer, tomar água, trocar a fralda, levar a “irmã” para a escola, almoçar, tirar uma soneca a tarde, passear pelo condomínio, jantar e dormir.

Toma banho no petshop toda quarta-feira e sua tutora ainda manda o lanchinho para não passar fome durante seu momento de beleza.

Passeia todos os dias no condomínio em que mora e vai para o rancho três vezes por semana, onde interage com outras ovelhas, pasta e se diverte.

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasChanel tem um armário só de vestidos e acessórios. Foto: Marcelo Victor

Frequenta shoppings, onde vai toda estilosa, com vestidinhos, óculos, colares e tiaras.

Chanel faz sucesso e para o shopping: várias pessoas ficam encantadas e querem tirar fotos com ela. O passeio rende vários cliques e vídeos.

Ela espalha fofura e conquista o coração de todos por onde passa: além de ser refinada, a ovelha ainda é dócil, simpática e possui vários fãs. Inclusive, já ganhou vários mimos (óculos e colar) durante os passeios no shopping.

Ela tem uma costureira particular, que faz seus vestidos temáticos, personalizados e sob medida, para cada evento que vai. Por exemplo, no Carnaval, vestiu uma fantasia de Branca de Neve. Em um evento country, foi de vestidinho xadrez acompanhada da dona.

Possui 2 mil seguidores no Instagram (@ovelhachanelcg). Sua tutora garante que nunca usou a imagem dela para parcerias ou publicidade.

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasChanel de fralda. Foto: Naiara Camargo

Mila, sua tutora, passou por algumas fases difíceis em sua vida e Chanel se tornou o apoio emocional dela. Ela tem laudos psicológicos que garantem que a ovelha contribui para seu bem-estar e suporte emocional.

De acordo com a empresária, Milaine Marçal, até hoje, nenhuma pessoa se queixou ou se incomodou com a presença da ovelha no condomínio, shoppings ou lugares públicos.

“Pessoal sempre recebe ela super bem, com o maior amor. Todos ficam admirados, acham diferente uma ovelha de estimação e querem tirar foto com ela. Quando ela vai no shopping, ela para o shopping. Todo mundo quer pegar, abraçar, fazer carinho e tirar fotos”, disse.

Chanel convive com uma gatinha em sua casa. As duas se dão bem juntas e até brincam uma com a outra.

* Fotos: Marcelo Victor 

LITERATURA

Procurador do Estado Carlo Fabrizio lança o livro de poemas "Como se Voassem os Peixes"

Procurador do Estado Carlo Fabrizio lança livro de poesias nascido na pandemia, com poemas que transitam entre o lúdico e o social, apostando na liberdade do leitor e na força da imaginação

04/03/2026 10h30

Divulgação

Continue Lendo...

Em meio à angústia coletiva provocada pela pandemia de Covid-19, enquanto o mundo aprendia a conviver com o isolamento e a incerteza, o procurador do Estado Carlo Fabrizio encontrava na poesia uma forma de atravessar o tempo suspenso.

O que começou como exercício em cursos de escrita criativa, iniciados em 2021, transformou-se, aos poucos, no livro “Como se Voassem os Peixes”, que será lançado amanhã, em Campo Grande, em evento organizado pela Editora Hámor.

“Ele foi sendo construído aos poucos, desde 2021. Essencialmente, foi um resultado dos cursos de poesia e de prosa que fiz durante a pandemia e que mantenho até hoje. Na verdade, foi uma resposta íntima à angústia que a pandemia me causou”, afirma o autor.

A obra nasce, portanto, de um tempo histórico específico, mas não se limita a ele. O livro reúne poemas que transitam entre o social e o subjetivo, entre o lúdico e o crítico, entre o sonho e o incômodo, sempre apostando na potência da palavra como experiência sensível.

METÁFORA

O título “Como se Voassem os Peixes” carrega uma imagem que provoca estranhamento e curiosidade. A escolha não foi imediata. Segundo Carlo, inicialmente, tanto o livro quanto o poema que o inspirou tinham outro nome. A mudança ocorreu durante o processo editorial.

“Foi baseado na primeira poesia de temática infantojuvenil que fiz. Tanto o título como a poesia são uma brincadeira com os sonhos de uma criança para seu futuro”, explica.

A imagem do peixe que voa desloca o leitor da lógica habitual. Peixes não voam, ao menos não na realidade cotidiana, mas na poesia, sim. E é justamente nesse deslocamento que o livro parece encontrar uma de suas chaves: a liberdade de imaginar o impossível como possibilidade simbólica.

TEMÁTICA

Os temas que atravessam a obra são variados. Há poemas com viés social, de tom mais crítico e até cínico. Em outros momentos, o autor mergulha em reflexões íntimas, transformando pensamentos e sensações em versos. Também há espaço para o lúdico, especialmente nas poesias de temática infantil e nos haicais.

“Às vezes, têm uma temática social, de viés mais crítico e cínico, às vezes, simplesmente são pensamentos em forma de poesia, sobre o que penso e sinto, mas também tem alguma coisa de lúdico”, resume Carlo.

Essa pluralidade temática reflete uma compreensão ampla da poesia como campo aberto, não restrito a uma única estética ou preocupação. O livro não se fecha em um manifesto, tampouco se limita a um único tom emocional. Ele oscila, provoca e acolhe.

Entre os textos que compõem o livro, dois foram especialmente desafiadores. Ambos abordam temas sensíveis: a tortura e o Holocausto.

Tratar de dores históricas e traumas coletivos em poesia exige equilíbrio entre respeito, sensibilidade e densidade estética.

O desafio, nesse caso, não é apenas técnico, mas ético. Ao abordar esses assuntos, o autor amplia o escopo do livro, que não se restringe à intimidade do eu lírico, mas também dialoga com a memória e a violência inscritas na história.

UMA BIOGRAFIA FICCIONAL

Carlo Fabrizio, procurador do Estado e autor de “Como se Voassem os Peixes” - Foto: Divulgação

Questionado se a obra é autobiográfica, ficcional ou híbrida, Carlo responde com cautela. “Toda escrita tem algo de biográfico, seja do próprio autor, do que ele experienciou, seja da vida em si, da vida de outras pessoas ou de situações observadas”, reflete.

No livro, há poemas que assumem explicitamente esse tom mais pessoal. Ainda assim, o autor evita rotular a obra. A poesia, nesse sentido, funciona como território de atravessamentos, onde vivências, memórias, leituras e imaginação se misturam em um mesmo fluxo criativo.

ESTRANHAMENTO

O incômodo e o prazer convivem na mesma expectativa. A literatura, especialmente a poesia, não precisa ser confortável. Ela pode provocar fissuras, deslocar certezas, tensionar percepções. Ao mesmo tempo, pode oferecer beleza, ritmo, musicalidade e emoção.

Não há, segundo o autor, uma mensagem fechada ou moral explícita. “Creio que na poesia o mais importante é apostar no leitor, confiar nele e na sua liberdade de interpretar”. A obra, assim, se completa na leitura, na experiência singular de cada pessoa que a percorre.

“Gostaria que gerasse reflexão, algum estranhamento e incômodo em algumas poesias, e também o prazer de ler algo que de alguma forma toque o sentimento do leitor”.

A ESCRITA

Conciliar a produção literária com a rotina como procurador do Estado não foi tarefa simples para Carlo. O cotidiano jurídico, marcado por prazos e responsabilidades, exige concentração e energia.

“Às vezes fica complicado, pois no dia a dia é muito difícil ter um espaço de tranquilidade para pensar a poesia. Geralmente preciso de um ambiente sossegado”, relata o autor.

A solução foi encontrar brechas no tempo: escrever à noite, durante a semana, e nas manhãs de sábado e domingo. A disciplina, nesse caso, tornou-se aliada da sensibilidade.

Embora a dedicação sistemática à poesia seja recente – cerca de cinco anos –, o envolvimento com a literatura se intensificou com os cursos realizados durante a pandemia. O livro marca, assim, uma nova fase na trajetória do autor, que passou a se dedicar de forma mais metódica à escrita poética.

As referências literárias de Carlo são múltiplas e revelam um diálogo amplo com diferentes tradições. Entre os autores que o influenciam estão os chamados “poetas malditos” franceses, como Arthur Rimbaud, Charles Baudelaire e Antonin Artaud, além de clássicos como Lord Byron e Walt Whitman.

Na literatura brasileira, ele cita nomes como Augusto dos Anjos, Sousândrade, Hilda Hilst, Cecilia Meireles, Manoel de Barros e os irmãos Augusto de Campos e Haroldo de Campos.

“Em estilo e conteúdo, os autores e autoras que leio me influenciam bastante”, reconhece Carlo.

A diversidade de influências ajuda a compreender a amplitude temática e formal do livro, que não se prende a uma única vertente estética.

Uma das perguntas mais difíceis para qualquer escritor é saber quando a obra está pronta. Para Carlo, a sensação é de permanente inacabamento.

“Há sempre algo para melhorar. Mas chega uma hora que a gente é vencido pelo cansaço: ou publica, ou arquiva e não mexe mais”, afirma.

O processo de revisão foi, segundo ele, o maior desafio da produção: um trabalho minucioso realizado em conjunto com os editores, ajustando versos, ritmos e escolhas vocabulares.

A experiência profissional também atravessa, de alguma forma, a escrita. Para o autor, toda vivência contribui para a formação do olhar. “O essencial para escrever é, primeiro, observar e viver o mundo”, destaca.

Ele enxerga, inclusive, pontos de contato entre Direito e literatura. Embora o Direito esteja fundado em dogmas e respostas, há espaço para interpretação e criatividade, elementos que também são centrais na literatura.

Ainda assim, a poesia ocupa um território mais livre. “A literatura, e principalmente a poesia, é o campo da imaginação, do sonho, da fantasia e da liberdade, onde a cor tem cheiro e uma palavra não é somente uma palavra, ela contém o mundo. Devemos ir além do literal”, pontua Carlo. A escrita e a leitura funcionam, segundo ele, como “remédio contra a aspereza do cotidiano”.

LANÇAMENTO

O lançamento de “Como se Voassem os Peixes” será marcado por um bate-papo com o público, leitura de poemas e sessão de autógrafos. A conversa será mediada por Febraro de Oliveira, editor da Hámor, e por Oslei Bega.

A proposta é criar um espaço de diálogo aberto, em que os leitores possam compartilhar impressões e perguntas, prolongando em voz alta a experiência silenciosa da leitura.

>> Serviço

Lançamento de “Como se Voassem os Peixes”

Data: amanhã.
Horário: às 18h.
Local: Rua Amazonas, nº 1.080, Monte Castelo.

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).