Correio B

Cinema Correio B+ especial

Oscar 2026: a disputa entre Sinners e One Battle After Another e o Brasil na festa

Entre piadas de Conan O'Brien, vitórias femininas e uma corrida aberta até o fim, a cerimônia confirmou a força de dois filmes e mostrou por que a presença brasileira já é uma vitória.

Continue lendo...

O Oscar sempre foi um evento curioso porque cada país o assiste de uma maneira diferente. No Brasil, a tendência é olhar para a cerimônia quase como uma Copa do Mundo cultural. Ganhamos ou perdemos. Levamos estatueta ou voltamos de mãos vazias.

Já nos Estados Unidos, onde a premiação realmente nasce, a leitura costuma ser menos dramática e mais estratégica. E a percepção americana sobre o Oscar 2026 ajuda a entender melhor o que realmente aconteceu na noite.

A imprensa americana descreveu a cerimônia como uma das mais abertas dos últimos anos. A temporada de prêmios chegou à reta final sem um consenso absoluto, e a divisão das estatuetas confirmou essa impressão.

Desde o início da noite, a sensação era clara: a corrida principal estava entre Sinners e One Battle After Another. E foi exatamente isso que se confirmou no palco.

O filme dirigido por Paul Thomas Anderson acabou levando os prêmios mais prestigiados da noite, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado.

Também conquistou a nova categoria de Melhor Elenco, introduzida pela Academia este ano, além de outras vitórias importantes. Foi uma maneira clara de consagrar o projeto como o grande vencedor institucional da noite.

Ao mesmo tempo, Sinners dominou um conjunto impressionante de categorias que reforçaram o impacto artístico do filme. A produção levou Melhor Ator para Michael B. Jordan, além de prêmios como Trilha Sonora, Canção Original, Fotografia e Roteiro Original.

Em outras palavras, a Academia encontrou uma solução bastante típica de sua história: dividir o prestígio entre dois filmes fortes e, de alguma forma, agradar diferentes alas da instituição.

Curiosamente, independentemente de qual dos dois saísse como vencedor principal, um estúdio já havia garantido a vitória da noite. Tanto Sinners quanto One Battle After Another são produções da Warner Bros., o que fez muitos analistas da indústria observarem que o Oscar 2026 acabou funcionando também como uma reafirmação do peso histórico do estúdio na temporada de prêmios.

Em uma era em que plataformas de streaming disputam espaço com Hollywood tradicional, a noite acabou lembrando que os grandes estúdios ainda sabem jogar o jogo do Oscar como poucos.

Houve ainda um terceiro título que apareceu com destaque no conjunto da premiação. Frankenstein, dirigido por Guillermo del Toro, saiu da cerimônia com vários prêmios técnicos ligados à construção visual e ao design do filme, incluindo categorias como direção de arte, figurino e maquiagem.

Não foi o vencedor central da noite, mas representou um reconhecimento claro do talento de del Toro para criar universos cinematográficos visualmente extraordinários.

A cerimônia também ficou marcada por momentos que imediatamente entraram para o repertório cultural do Oscar. O apresentador Conan O'Brien adotou um humor mais ácido do que costuma ser habitual na premiação e protagonizou algumas das piadas mais comentadas da noite.

Entre elas, uma série de comentários sobre Timothée Chalamet, fazendo referência às declarações consideradas arrogantes que circularam durante a temporada de prêmios.

Foi um daqueles momentos em que o Oscar lembra que Hollywood também sabe rir de si mesma, e, ocasionalmente, colocar algumas estrelas de volta no lugar.

Oscar 2026: a disputa entre Sinners e One Battle After Another e o Brasil na festa - Divulgação

A cerimônia também reservou espaço para homenagens emocionantes. Como sempre acontece, o segmento In Memoriam reuniu alguns dos momentos mais silenciosos da noite, lembrando artistas que marcaram a história recente do cinema. Houve ainda referências ao legado de grandes cineastas que moldaram a linguagem do cinema contemporâneo.

Entre as curiosidades da noite esteve também um raro empate em uma das categorias de curta-metragem, um tipo de resultado que acontece pouquíssimas vezes na história do Oscar e que rapidamente se transformou em um dos tópicos mais comentados nas redes sociais.

Também foi uma noite de História. A Academia vem sendo pressionada há anos por maior diversidade entre seus vencedores, e a edição de 2026 apresentou um dos momentos mais simbólicos aconteceu na categoria de Melhor Fotografia.

A derrota do excepcional trabalho do brasileiro Adolpho Veloso poderia ter sido uma frustração, já que sua fotografia vinha sendo amplamente elogiada ao longo da temporada. No entanto, o prêmio acabou se transformando em um momento histórico.

Pela primeira vez na história do Oscar, uma mulher venceu a categoria de Melhor Fotografia: Autumn Durald Arkapaw, por Sinners. Em um trabalho excelente, ela entrou para os livros da Academia, tornando a derrota um pouco mais fácil de aceitar.

A noite também reservou dois momentos particularmente emocionantes ligados a trajetórias longas em Hollywood. Amy Madigan venceu o Oscar de atriz coadjuvante em um reconhecimento que muitos consideraram tardio para uma intérprete profundamente respeitada dentro da indústria. A reação da plateia foi uma das mais calorosas de toda a cerimônia.

Outro momento marcante veio com a vitória de Sean Penn. Agora três vezes vencedor do Oscar, o ator decidiu não aparecer, reforçando sua fama de ser um dos intérpretes mais intensos e imprevisíveis de sua geração. Sua vitória acrescenta mais um capítulo a uma carreira marcada por grandes performances e por uma relação sempre complexa com a própria indústria.

A cerimônia também foi vista como irregular, no sentido clássico da palavra. Houve momentos emocionantes, discursos fortes e apresentações que funcionaram muito bem, mas também segmentos considerados confusos ou longos demais.

Essa mistura de brilho e estranhamento faz parte da tradição do Oscar. Quase todos os anos a premiação oscila entre espetáculo elegante e transmissão caótica.

Outro aspecto que chamou atenção na cobertura americana foi o peso das redes sociais. Antes mesmo de a cerimônia começar, o evento já acumulava milhões de interações online.

O Oscar se tornou, definitivamente, um fenômeno digital. Mais do que uma transmissão televisiva, é um evento que acontece simultaneamente em milhares de telas, timelines e vídeos curtos que viralizam ao longo da noite.

Alguns desses momentos virais nasceram justamente da personalidade dos indicados. O apresentador fez piadas sobre declarações recentes de Timothée Chalamet, comentários que circularam amplamente na imprensa e que muitos consideraram um exemplo de como o humor da indústria funciona como uma forma sutil de disciplinar egos muito grandes.

Chalamet continua sendo um ator extremamente talentoso e popular, mas a temporada de prêmios deixou claro que sua relação com parte da indústria precisará ser reconstruída com um pouco mais de diplomacia.

No outro extremo da corrida estavam nomes já consolidados. Leonardo DiCaprio, por exemplo, pertence a uma categoria de atores cujo lugar em Hollywood já não depende de prêmios. Seu nome carrega um tipo de prestígio acumulado ao longo de décadas que vai muito além de qualquer cerimônia anual.

E é justamente nesse cenário que a participação brasileira ganha um significado mais interessante.

O Brasil terminou o Oscar 2026 sem estatuetas, mas a narrativa de derrota simplesmente não corresponde ao que a temporada representou para artistas brasileiros. Estar presente nas categorias principais, disputar espaço com alguns dos nomes mais influentes do cinema contemporâneo e participar da conversa global já é um sinal de mudança estrutural.

O caso de Wagner Moura é emblemático. Morando em Los Angeles há quase dez anos, ele construiu sua carreira internacional de maneira gradual, acumulando projetos, colaborações e reconhecimento dentro da indústria. Sua indicação ao Oscar de Melhor Ator não é o ponto final de um percurso, mas um marco dentro de um processo que ainda está em pleno desenvolvimento.

Há um paradoxo curioso na história do Oscar. Vencer nem sempre é o melhor resultado possível para um ator em ascensão. Muitos artistas que conquistaram a estatueta muito cedo viram suas carreiras entrar em uma fase estranha depois disso, presos a expectativas quase impossíveis de sustentar.

Já o indicado que se torna popular dentro da indústria costuma sair da corrida com algo talvez mais valioso: prestígio duradouro e boas relações profissionais. Wagner pode ser um astro no seu país, mas, nos Estados Unidos, ainda está subindo. E está subindo, mesmo sem o Oscar.

E, nesse sentido, Wagner Moura terminou a temporada de prêmios em uma posição particularmente privilegiada. Dentro de Hollywood ele é visto como um ator talentoso, confiável e profundamente respeitado pelos colegas. Em uma indústria movida por reputação, essa combinação é poderosa.

É por isso que muitos observadores da indústria interpretam a indicação como o começo de uma nova fase. Se ele continuar participando de produções americanas de grande visibilidade, novas indicações poderão surgir naturalmente. A história recente do Oscar está cheia de exemplos de atores que precisaram aparecer várias vezes entre os indicados antes de finalmente vencer.

Talvez a melhor maneira de entender o que aconteceu com o Brasil no Oscar 2026 seja abandonar a lógica esportiva e adotar uma perspectiva mais ampla. O cinema internacional está cada vez mais integrado a Hollywood, e artistas brasileiros começam a ocupar esse espaço de forma consistente.

Em outras palavras, a noite pode não ter trazido estatuetas, mas trouxe algo que costuma ser ainda mais importante no longo prazo: reconhecimento, visibilidade e a certeza de que o Brasil já faz parte da conversa central da indústria do cinema.

Diálogo

Os debates entre os candidatos ao Governo de MS estão ganhando mais... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quarta-feira (09)

09/09/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

Continue Lendo...

Oscar Wilde - escritor irlandês

"Egoísmo não é viver à nossa maneira, mas desejar que os outros vivam como nós queremos”.

FELPUDA

Os debates entre os candidatos ao Governo de MS estão ganhando mais espaço para ataques do que para propostas capazes de convencer o eleitor. E, como não poderia deixar de ser, Eduardo Riedel, que lidera as pesquisas, virou o principal alvo dos adversários. Enquanto as críticas se multiplicam, os compromissos apresentados continuam tão vagos que parecem feitos de fumaça. Prometem mudanças, mas quase ninguém consegue descobrir como, quando ou com quais recursos. São propostas tão abstratas que se assemelham ao vento: todos dizem que existe, mas ninguém consegue ver.

Diálogo

Ecos

Senadores e deputados federais ouvidos pelo Correio do Estado se manifestaram sobre episódio envolvendo o ministro do STF Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, relacionado à troca de mensagens atribuída aos dois. O caso ganhou diferentes interpretações.

Mais

O imbróglio tem um ministro da mais alta Corte do país e um dos personagens centrais das investigações sobre atuação do Banco Master. Como era de esperar, o assunto rapidamente ultrapassou os limites jurídicos e ganhou forte repercussão política.

DiálogoHenrique Figueiredo Dobashi, que hoje chega na casa dos 50 - Foto: Arquivo Pessoal

 

DiálogoDra. Letícia Piccinin - Foto: Arquivo Pessoal

Ilusão

Tem candidato por aí prometendo ao eleitor que, chegando a Brasília, fará e acontecerá em plenário. Só que por lá, votações seguem, em grande parte, orientações partidárias e acordos construídos pelas bancadas. A autonomia individual existe, mas tem limites bem conhecidos. Assim, prometer independência pode ser apenas uma forma de conquistar votos. O eleitor deve desconfiar de quem vende liberdade parlamentar, que nem sempre existe.

Projeto

Começou a tramitar na Assembleia Legislativa proposta que pretende tornar obrigatórias avaliações periódicas dos programas de políticas públicas de MS. A medida prevê acompanhamento dentro dos ciclos do PPA, da LDO e da LOA, com análise de custos, benefícios, eficiência e impactos sociais, econômicos e ambientais. A ideia, no papel, parece bastante interessante. O problema é que em  ano eleitoral, tal iniciativa acaba despertando desconfiança.

Impactos

O TCE-MS realizou visita institucional a Inocência para acompanhar os impactos do forte crescimento econômico do município sobre a arrecadação e os investimentos públicos. A agenda, coordenada pelo conselheiro Marcio Monteiro, incluiu reuniões com o prefeito Antonio Ângelo Garcia dos Santos e visitas a unidades da rede municipal de ensino. O município vive transformação provocada pela instalação de grande empreendimento de celulose, que elevou a arrecadação e também trouxe novas demandas.

ANIVERSARIANTES

Henrique Figueiredo Dobashi,
Alberto Pires Gonçalves,
Cláudia Mendes Saliba, 
Jackeline Akeme Yamanaka Hishie Nobu, 
Maria Helena Brancher,
Dr. Javan Ottoni Coimbra, 
Clemente Tolazzi,
Luiz Fernando Maricati,
Jaqueline Gabriel Finkler, 
Sérgio Rodrigues dos Santos,
José Lemos Monteiro,
Sérgio Oruê,
Sione Puleo Peralta,
Vanessa Santana Ferreira,
Ari Verbiske Amizo,
Raquel Massae Hosokawa,
José Ricardo Scaff,
Marcos Gunji Yamamoto,
Nair Kiyomi Sakai Arakaki,
Pamella Lauanny Rocha, 
Thiago Machado Grilo, 
Leila Fagundes Borges Teruel, 
Celina Gasparini Nachif, 
Dr. Eduardo Luiz Hindo, 
Dra. Carmen Sandra Mequi, 
Bruna Cerri, 
Donizete José Pereira,
Rumilda Pereira da Rosa Siqueira,
Oscar Luiz Pereira Brandão, 
Caroline de Abreu Figueiró, 
Fátima Barbosa Camillo, 
Emílio Cheade Ibrahim Elosta,
Fernanda Silva Martins,
Patricia de Souza Pereira Catanante,
Luiz Carlos Moreira,
Dra. Renata Aparecida Crema Botasso Tobias,
Sérgia Cardoso,
Kléber Corrêa de Souza,
Miguel Furtado de Lima,
Paulo Cezar Navega,
Leire Rodrigues de Oliveira Sayd Pinto,
Juraci Rodrigues de Carvalho,
Maria Aparecida Santana,
Dr. Luiz Alberto Lopes Verardo,
Mougli de Toledo Ribas, 
Aparecido da Cruz,
Rosa do Nascimento,
Yasukuni Kaida,
Arlete Ferreira Thomaz,
Leila Daher Moreira,
Helena Melo Sartori,
Magda de Fátima Diniz Mello,
Carla Helena Hofmann,
Jari Soares Cordeiro,
Rose Helene dos Santos,
Antônio Teófilo da Cunha,
Lenir Nascimento,
Wilma Dithmar de Souza,
Olinda Ferreira de Souza,
Ildevan Rodrigues de Souza,
Dilma Ferreira de Souza,
Fábio Ferreira de Andrade,
Helen Claudia Amorim,
Marcínio de Brito,
Tereza Cristina Brandão Nassif,
Idelfredo José de Oliveira,
Dr. Ricardo Yutaka Ota, 
Dr. Aclides Lunardi, 
José Damásio de Souza,
Mirlaine Rodrigues,
Adão Rodrigues Moreira,
Marlene Pereira de Souza,
Lidiane Dussel,
Fúlvia Teixeira,
Lorena Leite de Almeida,
Maria Salete Bueno Rios,
Terezinha Rufino,
Corina Pereira Lopes,
Teresa Cristina Moreira,
Karina Oliveira da Silva,
Rodrigo Teixeira Amaral,
Sandra Lúcia Gomes, 
Fernando Saddi Castro,
Márcia Gomes de Oliveira Tezani,
Alexandre Duarte da Silva,
Marcelo Almeida da Silva,
Nancy Gomes de Carvalho,
Caroline Simabuco Abdalla,
Amauri Aparecido da Silva,
Mione Lucas Hoscher Romanholi,
Juliana Tadano Miguita,
Viviane de Oliveira,
Letícia do Amaral Hetzel,
Liete Layza Jochins Uemura,
Elza Ornellas,
Jeanete Fernandes Moreira,        
Aparecido Scanferla,
Mário Macedo Mancini,             
Bernardo Rodrigues de Oliveira Castro,
Luiz Fernando Maia,
Sérgio Tonetto,
Maria Lúcia de Jesus Damásio,     
Derzi Matias Rodrigues,
Sandra Maria Chacha Poyer,        
Raphael de Almeida Cação,
Guilherme Azambuja Falcão Novaes,
Pedro Abdon Corrales Lopez.

Colaborou com Tatyane Gameiro

ESPETÁCULO

Versos de Mario Quintana se transformam em música e teatro em uma celebração à infância

"Crianceiras Mario Quintana" será apresentado no Teatro Glauce Rocha no sábado e domingo e une poesia, música e teatro em uma celebração à infância e à chegada da primavera

08/09/2026 09h00

Espetáculo celebra a vida e obra de Mario Quintana e marca a chegada da primavera

Espetáculo celebra a vida e obra de Mario Quintana e marca a chegada da primavera Divulgação

Continue Lendo...

Antes de ganhar palcos pelo Brasil, o projeto Crianceiras nasceu em Mato Grosso do Sul. Agora, depois de percorrer diferentes cidades e conquistar espaço também nas escolas, a iniciativa criada pelo cantor e compositor Márcio de Camillo retorna a Campo Grande para um encontro carregado de memórias, poesia e simbolismo.

No sábado e domingo, o Teatro Glauce Rocha recebe “Crianceiras Mario Quintana – Poesias Musicadas por Márcio de Camillo”. As apresentações começam às 16h e celebram os 120 anos de nascimento do poeta gaúcho Mario Quintana.

Para Camillo, porém, a passagem pela Capital representa mais do que uma nova temporada. Criado em Campo Grande desde os 10 anos, o artista volta a um palco que acompanhou parte de sua trajetória e onde guarda lembranças pessoais e profissionais.

“Eu tenho muitas histórias nesse teatro e respeito muito esse espaço. Para mim, é um dos grandes teatros da cidade e do Brasil”, afirma.

O espetáculo chega à cidade justamente no período que antecede a primavera, elemento que ocupa lugar importante na narrativa construída em cena.

A transformação de um ambiente inicialmente cinzento e solitário em uma celebração coletiva, marcada por cores, sons e personagens, acompanha o percurso da montagem.

“Começa com uma pessoa solitária no palco e termina numa grande festa, numa celebração da primavera. Fazer isso em Campo Grande, justamente nesse período, deixa tudo ainda mais simbólico”, comenta o compositor.

A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO

A relação de Márcio de Camillo com Mario Quintana começou muito antes de o poeta se transformar em personagem central de um espetáculo. O encontro aconteceu por meio de um professor.

Foi mestre João, seu professor de literatura, quem lhe deu de presente uma edição da “Antologia Poética” de Mario Quintana. A leitura despertou uma relação que atravessaria os anos e, mais tarde, encontraria uma nova forma de expressão na música.

A lembrança também ajuda a explicar uma das características centrais do Crianceiras: a relação com a educação. Desde suas primeiras apresentações, o projeto passou a ser utilizado por professores como ferramenta para apresentar a poesia a crianças e adolescentes.

“Eu cheguei à poesia por causa da educação. Então, essa homenagem também é para os educadores que, às vezes, são responsáveis pelo sonho de uma pessoa”, diz.

A proposta é mostrar que a poesia não precisa ocupar um lugar distante ou difícil de alcançar. Para Camillo, a linguagem de Mario Quintana permite justamente esse encontro entre literatura e infância.

“É uma poesia inteligente, e a criança é plenamente capaz de compreender poesia”, afirma.

Espetáculo celebra a vida e obra de Mario Quintana e marca a chegada da primaveraProjeto foi idealizado por Márcio de Camillo que assume voz, violão e viola caipira - Foto: Divulgação

O ESPETÁCULO

Em “Crianceiras Mario Quintana”, os poemas deixam as páginas dos livros para ganhar ritmo, voz e movimento. A montagem mistura música ao vivo, teatro e recursos visuais inspirados no chamado toy theater, conhecido também como teatro de papel.

No cenário, figuras bidimensionais de papelão criam cidades e paisagens que acompanham a narrativa. A cenografia é assinada pelo designer e artista gráfico Carlo Giovani, enquanto a direção-geral é de Luiz André Cherubini, integrante do Grupo Sobrevento.

A transformação visual também acompanha o caminho da história. Uma cidade pequena e inicialmente dominada por tons cinzentos passa por mudanças até se tornar um espaço povoado por personagens, sons e cores.

No repertório, a poesia de Quintana encontra gêneros musicais variados. Valsa, forró, jazz e rock aparecem nas versões criadas para poemas como “Canção de Junto de Berço”, “Cidadezinha”, “Canção da Ruazinha Desconhecida”, “Canção de Nuvem e Vento”, “Cantiguinha de Verão” e “Canção da Primavera”.

A escolha por diferentes ritmos também ajuda a afastar a ideia de uma poesia imóvel ou restrita ao silêncio da leitura individual. No Crianceiras, os versos se tornam canções e passam a ocupar uma experiência coletiva.

UMA NOVA VERSÃO

A edição dedicada a Mario Quintana é uma continuidade do caminho iniciado anteriormente com a obra de Manoel de Barros. A primeira versão do Crianceiras também se desdobrou em animações e aplicativo, ampliando o alcance do projeto para além dos teatros.

Com o tempo, o público também mudou. Crianças que conheceram o espetáculo anos atrás voltam hoje acompanhadas de seus filhos, criando uma relação entre diferentes gerações.

“É um espetáculo realmente para toda a família. O Crianceiras se tornou transgeracional”, resume Márcio.

Essa característica ganha um significado ainda mais forte no retorno a Mato Grosso do Sul. Embora o projeto tenha conquistado circulação nacional, Camillo faz questão de manter viva a ligação com o lugar onde a ideia nasceu.

“Eu acredito que o Crianceiras é um patrimônio do Mato Grosso do Sul, porque nasceu no Estado e foi para o Brasil. É importante manter esse vínculo com o meu Estado e com a minha cidade”, afirma.

No palco, Márcio de Camillo assume voz, violão e viola caipira. A formação conta ainda com Nath Calan, na percussão e bateria; Tiago Sormani, no teclado, sanfona, flauta e clarinete; e Denise Ferrari, no violoncelo.

O espetáculo tem 55 minutos de duração, classificação livre e é voltado para públicos de todas as idades.

>> SERVIÇO

“Crianceiras Mario Quintana – Poesias Musicadas por Márcio de Camillo”

Datas: Sábado e Domingo.
Horário: às 16h.
Local: Teatro Glauce Rocha, na UFMS.
Ingressos disponíveis pelo link: bit.ly/crianceirasMarioQuintanaCG.
> A entrada não será permitida após o início das apresentações.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).