Correio B
CULTURA

Paulistano se apaixonou pela cultura sul-mato-grossense e transformou paixão em livro

Recém lançada, a obra se concentra nas canções de Almir Sater, Paulo Simões e Geraldo Espíndola

Bianka Macário

25/07/2022 10:00

 

A junção da música sul-mato-grossense com a riqueza dos povos originários é o que levou o pesquisador Flávio Zancheta Faccioni (26) a se aventurar na cultura de Mato Grosso do Sul. Essas paixões se transformaram em um livro recém lançado com o título ‘(Em) Serra de Maracaju, Sonhos Guaranis’.  

Natural da cidade de Tanabi, em São Paulo, Flávio teve a oportunidade de mudar para Três Lagoas em 2014, quando foi aprovado no curso de graduação em Letras, na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, no câmpus da mesma cidade. Foi a partir desse momento, que foi apresentado a cultura regional.

Foi a partir de uma professora, que Flávio começou a conhecer em profundidade sobre os povos originários, deixando de lado a visão estereotipada que havia conhecido. 

“Durante o curso conheci a professora Claudete Cameschi de Souza, minha orientadora até hoje, e fui visitar várias comunidades nas cidades de Porto Murtinho, Miranda e Aquidauana. Abandonei todo um imaginário colonial que eu tinha dos indígenas, quando os conheci foi totalmente diferente do que aprendi na escola”, revela.  

A ideia de pesquisar música regional veio através de um CD do cantor Almir Sater, em uma viagem realizada para um evento acadêmico. 

“No trajeto comprei um CD do Almir e parceiros e uma das canções era Serra de Maracaju e assim surgiu a ideia de fazer uma pesquisa a partir dessa letra. Me interesso muito pela música, não sou historiador nem músico, eu estudo as letras, as questões que envolvem a língua, a cultura, as identidades”, comenta.

São esses dois eixos principais que perpassam toda a sua obra. O pesquisador selecionou três músicas para suas análises sobre os povos originários e todos os contextos históricos presentes. 

São elas: Serra de Maracaju, composição de Almir Sater e Paulo Simões, de 2007, dos mesmos compositores, mas de 1982, Sonhos Guaranis e Kikiô composta em 1987 por Geraldo Espíndola.  

""A Guerra acaba e o sonho de expansão territorial, domínio político, econômico, é cessado na Serra de Maracaju. E também pode ser visto como um espaço que os povos vêem como um local de proteção, a Serra como guardião

-Flávio Zanchetta Facionni, escritor e pesquisador