Correio B

ARTES CÊNICAS

Peça da Cia Ofit volta em curta temporada no Teatro Aracy Balabanian

Ingressos para a peça "Todo redemoinho começa com um sonho" são gratuitos

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Mais uma programação bacana ocupa o Centro Cultural José Octávio Guizzo a partir de amanhã. A peça “Todo Redemoinho Começa com Um Sopro” estará em cartaz, de quinta-feira a sábado, no Teatro Aracy Balabanian, que passou por reforma e foi reinaugurado recentemente.

Gratuitas, as sessões serão sempre às 20h, com distribuição de ingressos meia hora antes de cada apresentação. O teatro fica situado no centro cultural. O endereço é Rua 26 de Agosto, nº 453, Centro.

Com a recente reinauguração do Teatro Aracy Balabanian, a Cia Ofit escolheu o espaço para receber a peça por ser um local que já foi cenário de muitos trabalhos artísticos de Mato Grosso do Sul. Inclusive, o grupo já desenvolveu alguns dos seus projetos no ambiente do Aracy.

“Para nós, é a retomada de um espaço importante para o teatro sul-mato-grossense. A Ofit já esteve naquele palco com ‘A Serpente’, ‘No Gosto Doce e Amargo das Coisas de que Somos Feitos’ e tantos outros espetáculos. Inclusive, ‘No Gosto Doce e Amargo’ é uma peça que inspirou a criação da dramaturgia de ‘Todo Redemoinho Começa com Um Sopro’”, destaca o diretor da Cia Ofit, Nill Amaral.

ENREDO

E por falar em simbologia e lugares de memórias, o espetáculo, que já vem sendo encenado há mais de 5 anos e passou por diversas cidades de MS, traz em sua trama algo que vai ao encontro do Teatro Aracy Balabanian.

Trata-se da história que está impregnada na parede de todo e qualquer imóvel, seja lar ou comércio, pois todo ponto físico guarda consigo uma narrativa à espera de atenção – espectador ou ouvinte.

Em “Todo Redemoinho Começa com Um Sopro”, a dramaturgia traz a história de uma casa que, já sem sua moradora original, recebe dois jovens que têm a missão de empacotar objetos dessa mulher e, assim, esvaziar o local. Um gesto a princípio simples, mas que, no decorrer da história, revela um verdadeiro inventário de significados estranhamente encaixotados. Memórias esquecidas à espera de um visitante.

Para a atriz Karine Araújo, que protagonizou o espetáculo “Groselha”, com direção e produção da Cia Ofit, fazer parte de “Todo Redemoinho Começa com Um Sopro” é a oportunidade de ter uma nova vivência artística.

“Antes de tudo, é um prazer entrar para o elenco, trabalhar com o Nill sempre implica muito aprendizado, e é muito bom dividir a cena com o Samir e com a Nadja”, enfatiza a jovem atriz, que já esteve em cena pela Ofit com o espetáculo “Groselha”.

“É um processo totalmente diferente, pois em ‘Groselha’ o desafio era trazer a força e todas as simbologias do peso de ser mulher, e ‘Todo Redemoinho’ diz muito sobre a vida e sobre como entendemos o fim sob a perspectiva de mais de uma personagem”.

PROGRAMAÇÃO

Idealizada pela Cia Teatral Ofit, a 2ª edição da Semana Clarice Lispector em Cena promove palestras, performances, bate-papo e a apresentação do espetáculo “Todo Redemoinho Começa com Um Sopro”, elaborada a partir dos ecos de outra montagem da Cia Teatral Ofit, “No Gosto Doce e Amargo das Coisas de que Somos Feitos”, concebida em 2007.

Com dramaturgia de Éder Rodrigues e direção de Nill Amaral, o espetáculo conta no elenco com Nádja Mitidiero, Samir Henrique, Karine Araújo e Luciana Kreutzer (participação em vídeo). Na coordenação de criação de espaço e visualidade da cena, Gil Esper; na iluminação e montagem, Rodrigo Bento e Dudu Leite; na videografia e design de arte, Bruno Augusto; e na produção, Cia Ofit.

O projeto conta com apoio cultural do Centro Cultural José Octávio Guizzo, da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), da Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc), do governo de Mato Grosso do Sul, do Sesc-MS, da Fecomércio-MS, da Rádio Uniderp FM – Fundação Manoel de Barros, da Dico Panificadora e da Faculdade de Comunicação, Artes e Letras (Facale/UFGD).

A 2ª edição da Semana Clarice Lispector em Cena contará também com a performance teatral “Memória MS”, amanhã e nos dias 17 e 18, às 19h, também no Teatro Aracy Balabanian. Trabalho que conta no elenco com André Tristão, Estefânia Bueno, Camila Brito, Nilce Maciel, Pepa Quadrini e Camila Morosini. Com direção e dramaturgia de André Tristão.

Para mais informações sobre a 2ª edição da Semana Clarice Lispector em Cena, acesse as redes sociais (Instagram e Facebook) @ofitcia ou @fundacaodeculturams.

Serviço

“Todo Redemoinho Começa com um Sopro”
Data: 11 a 13 de abril.
Horário e local: às 20h, no Teatro Aracy Balabanian, Rua 26 de Agosto, nº 453, Centro, Campo Grande.
Entrada franca. Classificação 12 anos.
“Memória MS”, nos dias 11, 17 e 18 de abril, às 19h, no Teatro Aracy Balabanian. Entrada franca.

cinema

Seis filmes seguem na disputa para representar o Brasil no Oscar

Decisão sobre o título deverá ser tomada em 16 de setembro

09/09/2026 22h00

sSeis filmes brasileiros que continuam em disputa pela vaga de representante do Brasil no Oscar 2027

sSeis filmes brasileiros que continuam em disputa pela vaga de representante do Brasil no Oscar 2027 Foto: Divulgação

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A Academia Brasileira de Cinema anunciou nesta quarta-feira (9) os seis filmes brasileiros que continuam em disputa pela vaga de representante do Brasil no Oscar 2027.  A decisão sobre o longa que vai tentar uma vaga na categoria de melhor filme internacional será tomada em 16 de setembro.

Os títulos que continuam em disputa são:

  • 100 Dias, de Carlos Saldanha;
  • A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai;
  • A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo;
  • Feito Pipa, de Allan Deberton;
  • Nosso Segredo, de Grace Passô;
  • Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins.

A lista dos finalistas saiu de uma pré-lista de 15 filmes,  divulgada pela Academia Brasileira de Cinema no mês de agosto.

Oscar

Ter sido escolhido como o representante brasileiro ao Oscar não significa que o filme já terá garantida uma indicação ao prêmio. Cada país indica um filme como representante para a disputa. O Oscar analisa essas indicações e faz uma seleção dos filmes que, de fato, vão concorrer ao principal prêmio do cinema mundial.

A cerimônia que premiará os melhores filmes do Oscar está marcada para 14 de março de 2027.

Em 2025, o Brasil conquistou o primeiro Oscar com o filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, na categoria de melhor filme internacional. Neste ano, o Brasil voltou a ser indicado com o filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, que acabou perdendo o prêmio para o norueguês Valor Sentimental.

 

Preservação da fauna

Projeto monitora bugios e macacos-prego no corredor do Rio Sucuriú

Nove grupos de primatas já foram identificados na região; entre eles, a família formada por Baru, Pequi e o filhote Bacuri, acompanhada ao longo das campanhas de campo

09/09/2026 08h30

Mãe e filhote bugio-preto

Mãe e filhote bugio-preto Foto: Divulgação

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No alto das árvores que formam o corredor do Rio Sucuriú, em Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul, famílias de bugios e macacos-prego vêm sendo acompanhadas de perto por pesquisadores do projeto Sucuriú, da Arauco.

O trabalho busca entender como esses animais vivem, se deslocam e utilizam a paisagem, reunindo informações que podem contribuir para a conservação das espécies e para a manutenção da conectividade entre áreas de vegetação.

Ao todo, nove grupos de primatas já foram identificados na área monitorada pelo projeto Sucuriú. O acompanhamento é direcionado principalmente ao bugio-preto (Alouatta caraya) e ao macaco-prego-do-papo-amarelo (Sapajus cay), espécies classificadas como Vulneráveis (VU) no Brasil, categoria que indica alto risco de extinção na natureza.

“Esse é um trabalho construído ao longo do tempo. Não se trata apenas de saber se determinada espécie está presente, mas de reunir informações sobre os grupos, seus deslocamentos e as áreas que utilizam. A combinação das metodologias permite ampliar esse conhecimento e criar uma base cada vez mais consistente para as ações de conservação”, afirma Gonzalo Flores, Especialista de Biodiversidade da Arauco.

Entre os grupos que passaram a ser reconhecidos pelas equipes está uma família de bugios formada por Baru (pai), Pequi (mãe) e Bacuri (filho).

O filhote nasceu durante o período de monitoramento e recebeu o nome após uma votação que reuniu mais de 270 participantes, entre trabalhadores da obra e integrantes da comunidade externa.

Desde então, a família continua sendo reencontrada durante as campanhas. Nos registros mais recentes, Bacuri apareceu interagindo com os pais, enquanto outros filhotes do grupo foram observados em momentos de brincadeira.

As imagens ajudam os pesquisadores a acompanhar o desenvolvimento dos animais e compreender melhor a dinâmica das famílias ao longo do tempo.

“A possibilidade de reencontrar os mesmos grupos ao longo das campanhas é muito importante porque permite acompanhar essas famílias no tempo. No caso de Baru, Pequi e Bacuri, seguimos registrando o grupo e reunindo informações que ajudam a compreender sua composição, o uso da paisagem e seus deslocamentos pelo corredor do Rio Sucuriú”, explica Carolina Garcia, bióloga e responsável técnica da Sauá Consultoria Ambiental.

HABITANTES DA MATA

A vida dos bugios e macacos-prego está diretamente ligada à continuidade da vegetação. Como vivem e se deslocam predominantemente pelas árvores, essas espécies dependem da conexão entre as copas para alcançar alimento, abrigo e outras áreas utilizadas pelos grupos.

Mãe e filhote bugio-pretoPai bugio-preto - Foto: Divulgação

Por isso, saber onde os animais estão e como circulam pelo território é uma informação importante para compreender a conectividade dos ambientes ao longo do corredor do Rio Sucuriú.

Além de sua importância como parte da fauna local, os primatas exercem funções fundamentais nos ecossistemas. Ao consumirem frutos e se deslocarem entre diferentes áreas, transportam e dispersam sementes, contribuindo para a regeneração da vegetação e para a diversidade das florestas.

A dependência que possuem de ambientes florestais também faz com que sejam considerados bioindicadores, já que a presença e a dinâmica desses animais podem ajudar a revelar as condições de conservação e conectividade das áreas onde vivem.

TECNOLOGIA ALIADA

Para acompanhar os animais, as equipes combinam diferentes métodos. O trabalho inclui observação direta em campo, armadilhas fotográficas – as chamadas câmeras-trap – e drones equipados com sensores termais.

Cada ferramenta oferece uma possibilidade diferente de observação. Enquanto o acompanhamento em solo permite registrar mais detalhes sobre o comportamento e a composição dos grupos, os drones ajudam a localizar animais em regiões onde a vegetação fechada dificulta a visualização.

Os números mostram a diferença no alcance das metodologias. Em aproximadamente 25 horas de busca ativa em campo, dois grupos foram identificados. Já em cerca de 24 horas de voo, os drones localizaram sete dos nove grupos conhecidos na área monitorada: seis de bugios e um de macacos-prego.

A tecnologia, no entanto, não substitui o trabalho realizado diretamente na mata. A combinação dos métodos permite ampliar a capacidade de localizar e reencontrar os animais durante as campanhas.

Nas próximas etapas, também está previsto o uso de GPS – telemetria em macacos-prego, recurso que poderá fornecer novas informações sobre os deslocamentos da espécie.

O trabalho técnico é desenvolvido pela Sauá Consultoria Ambiental, parceira do projeto Sucuriú e integrante do Grupo de Assessoramento Técnico (GAT) do Plano de Ação Nacional para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção da Ictiofauna, Herpetofauna e Primatas do Cerrado, Pantanal e Amazônia (PAN CERPAM), coordenado pelo ICMBio.

FAUNA DIVERSA

Embora os primatas sejam um dos principais focos do acompanhamento, o monitoramento também vem revelando a diversidade de outros animais presentes na região.

As câmeras instaladas no território já registraram espécies como tatu-canastra, anta, lobo-guará, tamanduá-bandeira e jaguatirica. Um grupo de queixadas com mais de 10 indivíduos também foi identificado.

A construção dessa base de informações permite acompanhar a fauna antes, durante e depois das intervenções previstas na região. Parte dos dados será utilizada para avaliar medidas de mitigação relacionadas às obras de captação de água e do emissário de efluentes tratados.

As intervenções exigirão alterações em trechos de vegetação próximos ao rio e podem criar descontinuidades no dossel – a camada formada pelas copas das árvores –, afetando especialmente espécies arborícolas.

Para reduzir esse impacto, estão previstas duas passagens superiores de fauna, estruturas suspensas com aproximadamente 180 metros de vão livre. A expectativa é de que elas ajudem a restabelecer a conexão entre os trechos de vegetação.

O monitoramento atual permitirá entender como os primatas utilizam a paisagem antes da implantação das estruturas, prevista para o primeiro semestre de 2027. Depois, as campanhas continuarão para verificar se os animais passam a utilizar as travessias e se elas cumprem a função de reconectar os ambientes.

Ao todo, estão previstas 20 campanhas de monitoramento ao longo de cinco anos, com quatro etapas realizadas anualmente.

RECONHECIMENTO

O uso de drones termais para localizar primatas em áreas de vegetação fechada também rendeu reconhecimento ao trabalho realizado no corredor do Rio Sucuriú. A iniciativa conquistou o Prêmio Destaques do Setor ABTCP 2026, na categoria Recursos Naturais e Bioeconomia.

Entre os pontos destacados estão o caráter não invasivo do monitoramento, o desenvolvimento de parâmetros específicos para detectar primatas e a combinação de diferentes metodologias para acompanhar os grupos e avaliar a conectividade da paisagem.

A entrega do prêmio está marcada para o dia 6 de outubro.

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