Saudosa Cadeira nº 19 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL), Maria da Glória Sá Rosa, a Professora Glorinha, que tanto contribuiu para a construção da cultura e da educação no Estado, é a homenageada da Roda Acadêmica de abril da ASL. O evento promete resgatar lembranças pessoais e momentos marcantes da história da imortal, hoje, no auditório da sede da ASL, na Rua 14 de Julho, nº 4.653, Altos do São Francisco, às 19h30min.
Personagem que deixou para Mato Grosso do Sul um imenso legado cultural, a Professora Glorinha terá leituras e conversas sobre sua vida por meio da apresentação dos acadêmicos Marisa Serrano, Américo Calheiros e Henrique de Medeiros. Estão convidados também, para intervenções, Albana Xavier, Lenilde Ramos e Paulo Simões. A atividade é presencial, a entrada é franca e o traje, esporte.
Os chás e rodas acadêmicas deste ano são uma parceria entre a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, a Fundação de Cultura do Estado e a Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura de Mato Grosso do Sul. O evento de hoje terá também a participação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), com o Música Erudita e Suas Fronteiras, realizado em parceria pela ASL e a UFMS, dentro do projeto Movimento Concerto.
A apresentação musical da UFMS, que abordará obras de Geraldo Ribeiro, Aníbal Augusto Sardinha (Garoto) e Levino Albano da Conceição, terá a presença de Evandro Dotto, violonista, professor, produtor e pesquisador. Dotto é bacharel em Violão pelo Conservatório Brasileiro de Música (RJ, 2012), licenciado em Música pelo Instituto Claretiano (2022), pós-graduado em Educação Musical pela UNIS (MG, 2014) e mestre em Música pela UFMG (2021).
MARISA
“Muito mais do que a minha professora de português, a Glorinha foi minha amiga e orientadora. Fiz a Faculdade de Letras e escrevi com a [Maria] Gessy Salles uma coletânea de livros didáticos estimulada por ela. Aprendi a conhecer e a gostar de teatro, de música popular brasileira e, principalmente, a amar a literatura por influência dela”, relembra Marisa Serrano. “Falando para os jovens, eu diria assim: ‘Vocês iriam amar a Glorinha’. Topava tudo. Se alguém tinha uma boa ideia, podia contar que ela ajudava a pôr em prática”, diz.
“Ela nos ensinava a não ter medo de ousar. A Glorinha capitaneou o florescimento da cultura em nosso estado. Exposição de artes plásticas, ela estava à frente; criação do teatro universitário, foi ela quem idealizou; festivais de música, sempre com ela; concursos literários, também era com a Glorinha. Ela era uma descobridora de talentos”, reconhece Marisa.
“Era uma mulher que conseguiu fazer com que a população e, principalmente, a juventude fosse mais culta e participativa. Um divisor de águas, em se tratando de cultura e educação, sem esquecer que, à época, nos currículos de Letras era latim e francês. Não tinha inglês. E ela trouxe a Aliança Francesa para Campo Grande para estimular que nós conhecêssemos a literatura francesa, a língua francesa, que era tida como uma língua culta, favorecendo, assim, que a gente abrisse horizontes. Foi muito importante para nós”, afirma a acadêmica.
AMÉRICO
“Na Roda Acadêmica, abordarei um pouco de seu perfil como professora, como pessoa responsável por ações fundamentais para a configuração da cultura sul-mato-grossense e a força de seu legado criativo para a posteridade. Esses aspectos, vou enfocar a partir de sua atuação na educação e na interação que ela estabeleceu com a cultura, mudando, assim, o curso de tantas vidas que por ela passaram e contribuindo sobremaneira para a consolidação da identidade do estado de Mato Grosso do Sul”, adianta Américo Calheiros.
“Aprecio, com muita lucidez e carinho, todas as suas obras, posto que são de reconhecida importância para a memória cultural do Estado. Entretanto, destaco uma de suas obras: ‘Deus Quer, o Homem Sonha, a Cidade Nasce’, pela sua motivação, uma vez que foi escrita por ocasião dos 100 anos de emancipação política e administrativa de Campo Grande e pelo conteúdo cultural que abrange. Vale muito a pena lê-la”, recomenda o imortal.
HENRIQUE
“A Professora Glorinha simplesmente respirava educação e cultura, era a sua vida, um ícone e símbolo em Mato Grosso do Sul. Foi importantíssima para a construção da cultura estadual, como professora, escritora, incentivadora, agregadora, com participação em todas as artes. Esteve sempre ao lado dos movimentos que contribuíssem para o desenvolvimento acadêmico e das belas-artes sul-mato-grossenses”, referenda Henrique Medeiros, presidente da ASL.
“Durante 44 anos, ocupou a Cadeira 19 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, com expressiva e importante participação na instituição. Como pesquisadora e escritora, teve mais de dezena de livros publicados, aliados a centenas de artigos em jornais e revistas, prefácios e apresentações para autores. Uma senhora pequenininha que chegava silenciosa, de um jeito peculiar e discreto aos ambientes e se tornava radiante, chamando atenção pela sua grandiosidade como pessoa, nunca teve fim em seus projetos de realizações e vida”, afirma.

Nádia Bana Povh e Miguel Povh Filho, que hoje comemoram 63 anos de casamento (Bodas de Sândalo). Foto: Arquivo Pessoal
Maisa Monseff. Foto: Arquivo Pessoal


